Para quem não assistiu a bela animação feita pela RSA em cima da palestra do Daniel Pink sobre o seu novo livro DRIVE, esta é a grande chance. Passei 2 dias criando legendas (ufa, que trabalheira!) e espero que tenha ficado boa o suficiente para deixar seu conteúdo acessível a todos. É, sem dúvida, um dos mais bacanas videos que já vi. Todos devem assistir, sem exceção! [Ou leia o artigo com a síntese do conteúdo]

Eu costumo dizer que se os marqueteiros pudessem ter um superpoder seria o de ler a mente dos consumidores. Isso porque é o que eles vem tentando fazer há 40 anos quando começaram a usar largamente pesquisas de mercado, grupos de foco e dados demográficos. E durante 30 anos, isso foi basicamente tudo que aconteceu no campo de comportamento do consumidor.

Com o aumento da competitividade e um mercado cada vez mais nocivo às empresas, as coisas precisavam evoluir. Assim com o marketing evoluiu com técnicas mais detalhadas e novas modalidades surgiram como o SEO, viral e brand equity; as pesquisas de mercado ultrapassaram as fronteiras do marketing e chegaram à ciência. Não que pesquisa não seja uma ciência, mas falo na definição comum de ciência. Principalmente a partir de 2000, a quantidade de material voltada para os negócios publicados por neurocientistas, psicólogos e professores aumentou consideravelmente. Livros e pesquisas trouxeram uma outra perspectiva para o marketing, com novos conceitos que podem ajudar às empresas a entender os consumidores, ou ao menos chegarem perto disso.

Um desses livros é o “You Are What You Choose”, escrito por dois professores de ciência política e economia da Duke University, o livro traz um conceito realmente interessante sobre como as pessoas decidem, escolhem e até mesmo vivem.

Você é o que você compra

Toda pessoa possui hábitos, e as características pessoais (personalidade, cultura, etc) estão por trás desses hábitos. Logo, conhecer  seus clientes em potencial é fundamental para obter sucesso. Mas saber quanto ele ganha, sua idade, cor, sexo já não é suficiente. É preciso conhecer além disso.  Pesquisas atuais têm utilizado além dessas informações básicas,  informações sobre hábitos — de consumo ou não. E os especialistas nunca foram tão bons em cruzar dados. Mas DeMarchi e Hamilton criaram um novo jeito de ir ainda mais fundo nesse “conhecer”, tentando “prever” o comportamento de consumidores a partir de traços da personalidade.

Hoje, as empresas que posicionam seus produtos puramente em classe social ou idade não conseguem criar vínculos fortes com os seus consumidores. As pessoas usam marcas que combinem com o seu estilo de vida, sua filosofia e conquistem sua simpatia. Por essa razão, marcas que possuem uma identidade definida (leia-se personalidade), atraem grande número de fãs.

Descobrir a personalidade de alguém pode ajudar você a saber o que a agrada e o que não. Mas como tornar um assunto complexo como personalidade, algo simples e útil para o marketing? Através de 6 traços da personalidade. Não é um Carl Jung, mas eles dão uma boa ideia de quem são seus consumidores.

  • Tempo: vive o hoje ou se preocupa com o amanhã?
  • Altruísmo: pensa no bem-estar do próximo ou é individualista?
  • Risco: evita ou enfrenta?
  • Eu-Também: É influenciado pela opinião dos outros (moda, status). Geralmente, pessoas com alto fator “eu-também” usam marcas famosas, conversam bastante e conhecem muitas pessoas.
  • Fidelidade (tradução mais próxima do original “Stickiness”): Cria vínculos facilmente ou experimenta várias opções antes de escolher?
  • Informação: É uma pessoa bem informada ou não? (não confundir com grau de instrução, e sim hábito de ler ou obter conhecimento.)

Para cada um dos 6 traços acima, existem somente duas opções: é ou não é. Não existe uma pessoa meio-altruísta, meio-fiel ou que goste mais ou menos de ler livros. Um teste na internet define como você é em cada um desses aspectos. (Achei um tanto superficial.)

Embora os professores tenham criado um teste, ele é o que menos importa. As empresas devem criar seus próprios testes para descobrir como seus consumidores pensam sobre: risco, tempo, altruísmo, eu-também, fidelidade e informação.

Por exemplo, apenas marcas fortes e conhecidas costumam atrair pessoas com alto fator “eu-também”. Da mesma forma, não adianta prometer um mundo melhor amanhã (consciência ambiental é um caso) para pessoas que pouco valorizam o futuro. Ao invés disso, dê soluções rápidas para os problemas de hoje.

Prevendo o comportamento do consumidor

Dados demográficos, microtargeting e traits são três ferramentas que sozinhas não servem para muita coisa, mas que, quando combinadas, oferecem provas fantásticas sobre como as pessoas consomem. DeMarchi e Hamilton provaram em suas várias pesquisas que os 3 juntos tiveram uma taxa de acerto entre 70% e 90% das pessoas. Em alguns casos, demográficos + microtargeting funcionava melhor em outros TRAITS funcionavam melhor. Mas os três juntos quase sempre renderam resultados impressionantes. Quase como ter um superpoder!

Na próxima vez que você estiver diante da seção de café de um supermercado e pegar uma determinada marca em vez de outra, se pergunte porquê.

Profissionais de marketing e agências de propaganda têm tentado decodificar porquê consumidores compram desde 1920, quando N.W.Ayer comentou que as pessoas andariam 1km por um maço de Camel. Tempos depois, eles se voltaram para a economia comportamental, uma fusão entre a psicologia e a economia que, até agora, era apenas uma matéria acadêmica e que busca explicar como consumidores decidem sobre aspectos econômicos.

Isso diverge da economia tradicional que diz que os consumidores agem racionalmente, tomando decisões basicamente com base em preço e qualidade. Frequentemente, emoções e fatores sociais afetam e ditam as decisões das pessoas, criando às vezes tendências “não-racionais”. Essas tendências são a base da economia comportamental.O sistema de saúde, serviços financeiros e até a política do governo para indúsrias estão se voltando para essa “nova” modalidade.

Efeitos irracionais
Dan Ariely, autor de “Previsivelmente Irracional” e professor da Duke University, costuma trabalhar com profissionais de marketing e agência prestando consultoria e treinamento para alguns clientes. Ele avisa que publicitários muitas vezes não vê o que não-publicitários veem, o efeito irracional que as emoções têm nas escolhas das pessoas.

Um dos trabalhos de Ariely com agências busca saber porquê as pessoas vão pra academia. Através dos tradicionais grupos de foco, descobriu-se que as pessoas vão pra academia quando é perto do trabalho, mais barato e oferece estacionamento. Entretanto, as academias oferecem isso sem medir o aumento de matrícula.

Ariely descobriu descobriu através de pesquisa comportamental que as pessoas costumam ir mais à academia quando têm horário marcado com treinador — talvez porque se pagou a mais por isso ou teria vergonha de não aparecer. E se fosse criado um sistema de pagamento via débito em conta ou cartão de crédito em que o cliente só pagasse se estivesse frequentando? Diminuiria a alta taxa de abandono?

Jeff Jones, sócio e presidente da agência McKinney diz: “Economia comportamental dá credibilidade e rigor acadêmico à intuição. É realmente difícil tomar decisões de centenas de milhares de dólares com base na intuição. Os estudos ajudam o cliente a perceber que há dados envolvidos e pesquisa por trás das decisões.”

A agência DraftFCB de Nova York adotou a economia comportamental como disciplina chave dentro do seu novo Institute of Decision Making, que também analisa áreas novas como a de neuromarketing.

“É fácil fazer as pessoas concordarem que devem economizar energia — 86% concordam com isso — mas eles não fazem”, disse Matthew Willcox, diretor executivo do Instituto e diretor de planejamento da DraftFCB de São Francisco.

Um conceito de economia comportamental que é particularmente útil para o marketing é framing — o modo como uma oferta é mostrada ou contextualizada, junto com a propensão e experiências que todo consumidor carrega na hora da compra.

Outro conceito chamado de anchoring refere-se à tendência que as pessoas têm de usar algo já mencionado como base para situações futuras. Por exemplo, quando dado um número a uma pessoa, ela tende a usar esse número para comparações futuras. [Preço é um caso.]

O economista Daniel Kahneman, psicólogo que ganhou o Prêmio Nobel de economia — considerado o pai da economia comportamental — diz que, quando as pessoas pensam em algo quantificável, o 1º número tem um grande impacto.

Economia comportamental não vai dizer se uma pessoa é atraída por uma nova marca ou o que ela acha das outras marcas, mas qual café ela pega na prateleira, diz Joel Rubinson, diretor de pesquisa da Advertising Research Foundation.

Com as marcas perdendo força, graças a incontrolável quantidade de opções e de informações, se tornou muito importante descobrir como os consumidores decidem. “As pesquisas de marketing hoje buscam estudar a compra”, diz Rubinson. “Quando apenas metade das pessoas que dizem que vão comprar algo, realmente saem de casa pra comprar; e 50% das decisões sendo tomadas no PDV, saber isso faz a diferença”.

Ele acrescenta que o marketing faz um bom trabalho no que diz respeito brand equity, porém faz menos do que deveria em ativação de marca e menos ainda em estudar como os consumidores compram. “Os estudos em brand equity e intenção de compra estão bons, apenas incompletos”, diz Rubinson.

Até os early adopters e aficionados entendem que economia comportamental não veio para substituir nada, mas para acrescentar às ferramentas que o marketing já dispõem. “Não é aquela história de ‘a gente fazia daquele jeito, agora faremos deste outro’”, comenta Jeff Jones. “Esse é um novo jeito de entender como e por quê as pessoas tomam certas decisões. E esse é um modo mais inteligente de fazê-lo”.

[Artigo traduzido do original "Behavioral Economics Helping Marketers Better Understanding Consumers",com algumas edições]

Aprendemos na escola que o homem é superior às outras espécies porque é o único capaz de pensar, analisar, interpretar e criar. Então, como explicar que a humanidade só começou a evoluir de verdade nos últimos 45.000 anos, cerca de 400.000 anos depois da descoberta do fogo, linguagem, ferramentas e até da cultura? A resposta não está na biologia, mas na economia com o termo “cérebro coletivo” ou como é mais conhecido: a inteligência coletiva.

O homem não é apenas o único a raciocinar, é também o único a trabalhar em equipe em busca de um objetivo comum (os chinpanzés e gorilas também, mas de forma muito primitiva). Grosso modo, podemos dizer que a troca de conhecimento evoluiu a humanidade até os dias de hoje. A criatividade ou inteligência por si só não significa muita coisa sem a consciência do coletivo. O cérebro é extremamente poderoso, agora imagine centenas, milhares, milhões dele unidos.

Conforme o sábio economista Leonard Read exemplicou: “Ninguém. Literalmente ninguém, sabe como fazer um lápis. O conhecimento necessário para moldar, minerar, extrair, sintetizar, combinar, fabricar e vender veio da mente de milhares, talvez de milhões de pessoas”.

Embora a maioria de nós não tenha consciência dos benefícios da inteligência coletiva, ela está cada vez mais presente. É muito comum se ouvir falar sobre “troca de experiências”, por exemplo quando um professor fala que não sabe tudo e que esta ali também pra aprender, a partir da troca de experiências e opiniões. Isso nada mais é que valorizar a inteligência coletiva. Você pode ser um gênio, ser muito talentoso, mas sozinho você é limitado.

Nunca em nenhum curso ou palestra sobre liderança que eu tenha participado mencionou o termo “inteligência coletiva”. E tem tudo a ver! Este talvez seja o argumento mais eficiente para justificar uma boa equipe em um projeto e criar programas para valorizá-los. Quer aprovar um projeto onde as pessoas são fundamentais, baseie seus argumentos nisso. Obrigado ao professor Carlos Nepomuceno pelo interessante post (em que descobri o termo).

Matt Ridley que escreveu o espetacular artigo “Evolution and Creativity: Why Humans Triumphed”, defende que um dos principais fatores da evolução humana foi o comércio (escambo, obviamente). Algo que só aconteceu com o Homo Sapiens, cerca de 80-120 mil anos atrás. Os estudiosos perceberam que em locais onde a civilização era fragmentada ou separada, o primitivismo permaneceu. O benefício das trocas significou mais do que adquirir coisas novas, não foi apenas material, ela levou o homem a inventar a invenção. Isso nos leva à outro termo chamado “sexo de ideias” e que acontece várias e várias vezes no dia-a-dia das empresas, agências de propaganda e até na vida pessoal. Acredito que seja auto-explicativo, não?

O mundo de hoje gira em torno do coletivo; liderança, crowdsourcing, social media, buzz, criatividade e inovação são alguns dos assuntos ou atividades impossíveis de separar da inteligência coletiva. É importante ter consciência de que unindo forças, podemos chegar mais longe. Fazemos isso a vida toda na escola, na faculdade; por que alguns não dão o devido valor quando estão nas empresas?

Abaixo um trecho do artigo de Matt Ridley:

O comércio é para cultura o que o sexo é para biologia. Esse intercâmbio torna a mudança cultural algo coletivo e acumulativo. Sendo possível que o homem se baseie em invenções feitas por toda sociedade, não apenas em seu bairro. A taxa de progresso cultural e econômico depende da taxa com que as ideias fazem sexo.

Em outras espécies, grandes populações não geram inovação. Isso só acontece nos seres-humanos, porque apenas o homem têm o hábito de negociar coisas aparentemente sem relação, com individúos do sexo oposto e até desconhecidos. Então, aqui está a resposta para o enigma da evolução do homem. Ela foi gerada pela invenção de um cérebro coletivo que só foi possível após a invenção da troca.

É possível que você já tenha visto uma definição parecido com essa em algum lugar. O gráfico acima foi tirado da pesquisa que a consultoria Forrester faz todos os anos, comparando ano a ano a evolução das pessoas no vasto universo das redes sociais. A imagem também é usada pela Charlene Li, uma das maiores especialistas em social media do mundo para definir os tipos de consumidores online na rede.

Hoje, é quase certo que se uma pessoa tem acesso à internet ela está em alguma rede social.  Agora em julho, o Facebook anunciou o marco dos 500 milhões de usuários, isso é a população do Brasil e Estados Unidos juntas. Praticamente, o jovem brasileiro  que não têm perfil no Orkut ou Facebook praticamente não existe (ao menos online). E ainda temos Twitter, LinkedIn, Flickr e tantos outras.

Isso significa que, se as pessoas estão passando cada vez mais tempo na internet e menos na TV, rádio e lendo revistas. As empresas precisam estar atentas e achar meios de interagir com essas pessoas onde quer que elas estejam. Esse gráfico nos ajuda a entender os diversos tipos de consumidores online que vai ajudar a prever aonde isso tudo vai chegar, definir as estratégias adequadas e a prever o futuro da comunicação que, a propósito, já chegou.

Por que uma escada?

A escada é o elemento mais interessante do gráfico na minha opinião. Eu modifiquei separando os tipos de usuários por cores, pra facilitar o meu ponto de vista.

O hábito de consumo segue uma evolução, e não é diferente na internet. Antes de você começar a ler este blog, provavelmente já tinha um perfil no Orkut. Eu, por exemplo, antes de criar meu primeiro blog (sobre música alternativa), eu era frequentador assíduo de fóruns.Nem todo mundo parece subir um degrau de cada vez, isso significa que uma pessoa pode entrar na internet direto como “novato” ao criar um perfil na rede.

Mas o que diferencia espectadores/novatos de críticos/criadores é o envolvimento, e ambos grupos são separados pelo divisor de águas que são os colecionadores. Esses são “consumidores” começam a apresentar os primeiros indícios de interação; marcando fotos, participando de votações e utilizando a poderosa ferramenta do RSS.

Marquei críticos/criadores em vermelho porque são eles que têm o poder de destruir e construir marcas na internet. Enquanto o grupo verde atua passivamente, não expressando sua opinião, críticos/criadores são os formadores de opinião dentro da internet. Se uma marca quer ser bem-sucedida através da rede, deve agradar esses caras.

Comparando com o consumo de bens de consumo, críticos e criadores são os chamados heavy users. Eles usam todas as funções de um produto, compram as versões mais caras e são os primeiros a comprar os lançamentos (early adopters). Na internet não é diferente, eles utilizam as principais (quando não todas) ferramentas, falam através de diversos meios e espalham informações rapidamente. Esse grupo de consumidores é o que as empresas precisam dedicar mais tempo. A dificuldade está em fazer com que eles falem bem da marca (uma vez que as marcas não tem mais controle sobre a mídia online), além de doutrinarem os novatos e espectadores para que conformem eles subam degraus,  tornem-se advogados da marca.

É mais provável que um vendedor consiga lhe vender algo com lábia do que com fatos. Na verdade, não apenas vendedores, mas políticos, colegas de trabalho e qualquer pessoa que tente lhe convencer. O pesquisador Don Moore do centro de pesquisa sobre decisão e comportamento da Carnegie Mellon descobriu que as pessoas que demonstram mais confiança exercem maior influência sobre outros, mesmo que não sejam um expert no assunto.

O estudo analisou o comportamento de alguns voluntários que deveriam adivinhar algo, e podiam pedir conselho de uma das pessoas presentes. Aqueles que pareciam mais seguros, foram os que mais deram conselhos. No entanto, conforme o jogo avançava, as pessoas começavam a pedir os conselhos de quem acertava mais, não dos mais seguros, mas isso levou um bom tempo. A conclusão é que, ao menos no curto prazo, confiança é um fator importantíssimo para persuadir alguém.

Isso explica porque algumas pessoas parecem causar melhor impressão do que outras mais bem informadas, mais inteligentes e mais dedicadas. Demonstrar segurança é um fator-chave para profissionais que trabalham influenciando outras, vendendo ideias, projetos, produtos e serviços.

Parece um estudo um bobo e nada complexo. Mas é uma boa demonstração do que acontece diariamente dentro e fora das empresas,  profissionais que transmitem mais confiança —mesmo sem entender muito assunto— tendem a convencer mais pessoas do que aqueles que sabem mais, mas acabam sendo muito detalhistas e pouco práticos. Um bom exemplo disso é o americano Al Gore que chamou atenção do mundo inteiro para a problemática do aquecimento global. Ele fez isso melhor do que qualquer professor universitário faria. Resumindo, é possível convencer mais pessoas com argumentos simples e objetivos de um bom vendedor do que com os de um engenheiro explicando em detalhes o produto.

Confiança é tão importante que o livro “The Invisible Gorilla” relata uma pesquisa um tanto absurda feita com médicos e pacientes. As consultas eram normais, mas na hora de prescrever, os dois médicos se comportavam de maneira extremas. Um médico deu uma olhada em um livro para confirmar sua hipótese, enquanto outro apenas dizia “você não tem nada a perder” ao escrever a receita. Para os participantes da pesquisa, o médico que olhou o livro antes de receitar foi menos satisfatório. Dá pra acreditar?

Christopher Chabris e Daniel Simons autores do livro deixam claro que confiança pode superar competência em um curto espaço de tempo, mas não no futuro ou se houverem muitas pessoas igualmente seguras de si.

O bom vendedor tem boas habilidades e conhece bem o produto, mas o vendedor nato tem um ingrediente extra: confiança. Ele se sente tão à vontade com o que vende, fala de maneira fluida porque conhece o mercado, gosta e conhece o que vende.  Algumas pessoas conseguem transmitir confiança naturalmente, outras precisam gostar do que vende, acreditar e ter muitas informações para se respaldar. Não há nada pior do que negociar com alguem que não demonstra firmeza nos argumentos. Lembro de uma vez na aula de negociação em que o professor disse que executivos admiram uma postura rígida. Ninguém admira uma pessoa que concorda com tudo. Dizer não passa confiança.

Três passos para construir confiança na equipe de vendas:

  • Contrate pessoas confiantes. Embora não exista um teste específico pra isso, os processos de seleção oferecem boas maneiras de separar os seguros dos inseguros.
  • Forneça informações e treinamentos. A maioria das pessoas  se sentem mais à vontade quando possuem informações e recursos suficientes para lidar com os clientes.
  • Lidere na base da confiança. Mantenha o foco em poucos objetivos, seja positivo e claro com os vendedores.

Existem uma porção de dicas e técnicas para fazer vendedores venderem mais, algumas delas até não muito bonitas de se falar, mas os estudos descritos demonstram que transmitir segurança pode fazer grande diferença se somada a técnicas já conhecidas. Isso envolve auto-estima, conhecimento, boa eloquência, admiração pelo produto/empresa e identificação com o que vende. A maior lição que se pode tirar desse estudo é que lábia pode fechar uma venda, mas a confiança é que mantém o cliente.

[Baseado nos artigos "Convince with Confidence" e "Convidence Beats Competence", publicados no Neuromarketing Science Blog]

Particularmente, não gosto de textos na negativa ou irônicos, do tipo “não faça isso” ou “5 passos para garantir o fracasso da sua empresa”; mas eu gosto de exceções e a BusinessWeek publicou a coletânea de erros mais completa que um profissional pode cometer na sua carreira. Erros que podem levar qualquer profissional ao fracasso, se não for percebido a tempo. Fiquei tão impressionando com a verossimilhança das descrições que, automaticamente, minha mente ligou vários itens a pessoas que conheço e serviu até para fazer uma auto-reflexão em aspectos que tenho que melhorar.

As lições a seguir são extremamente nocivas para a sua carreira. Evite-as a todo custo!

1. Passa a maior parte do tempo pensando no seu futuro e esquece que o presente é determinante

2. Deixe para amanhã o que você pode fazer hoje

3. Não tem planos

4. Você procura sempre o caminho mais fácil ou desiste antes mesmo de começar

5. Desconhece o potencial que tem e acha que, um dia, alguém vai descobrir o que nem você sabe

6. É invisível

7. Acha que sabe tudo e não aprende nada de novo

8. Falta de bom-senso ao brincar, vestir e falar

9. Perder a compostura em momentos de pressão (chorar fácil, ser grosso, etc.)

10. O tesão que uma vez existiu, se foi

11. Você fica preso no passado

12. É indeciso e nunca se compromete com nada

13. O seu talento lhe tornou inflexível e você faz as coisas do jeito que quer sem perguntar ou ouvir os outros

14. Você deixa o medo lhe dominar

15. Quer prestígio sem sacrifício e nunca se voluntaria

16. Você prefere se manter na zona de conforto do que arriscar errar, não saber a resposta ou ser visto como fraco

17. Tem medo de usar o tempo livre em atividades que possam melhorar sua empregabilidade

18. Ouvir pessoas menos capazes e talentosas do que você falando que não pode. Esse é o caminho mais rápido para o fracasso

19. Você se preocupa mais com a empresa (seu chefe ou seus colegas) do que com sua carreira

20. Nunca se dá conta de que seu colega está competindo com você [atenção: isso não significa que vale qualquer coisa pra ganhar]

21. Ficar muito tempo no mesmo emprego pelas razões erradas

22. Está sempre desconfortável e não consegue se adaptar a nada novo — filosofias, tecnologias, processos, hierarquisa, experiências, etc

23. Você tem medo dos seus superiores, agindo como eles querem, não como você é. Isso talvez ajude manter o seu emprego, mas acaba com as chances de ganhar o respeito deles

24. Alimente sua frustração com o passar do tempo

25. Você não se permite começar de baixo

26. Burle regras e normas da empresa

27. Passa tempo de mais com pessoas que gosta e tempo nenhum com quem pode melhorar sua carreira — abrir portas, dar feedback e lembrá-lo do quão bom você pode ser

28. Suas atitudes não combinam com seu diálogo

29. Você quer ser a estrela do departamento — está sempre se promovendo, querendo provar que é o melhor e nunca ouve ou ajuda o colega a melhorar

30. Não consegue ver o todo — seu dia se resume ao hoje e está sempre focado só na tarefa que está desempenhando

Lembro vagamente de alguém ter me pedido pra escrever sobre marketing pessoal algum tempo atrás. Se você costuma ler o blog com frequência, sabe que esse assunto não é apenas raro, como nunca apareceu por aqui. Da mesma forma que, se você costuma ler o blog com frequência, sabe que eu escrevo muito sobre desenvolvimento profissional. Porque na minha opinião as duas coisas andam juntas.

As pessoas que estão muito preocupadas em melhorar seu marketing pessoal talvez tenham deixado passar algumas lições básicas de educação, valores, ética e trabalho em equipe. Ou talvez não, elas são educadas, éticas e sociáveis; mas lhe faltem sonhos, ambição e determinação que lhe motivem a ser as melhores naquilo que fazem. O objetivo do marketing pessoal é fazer você um profissional admirável, facilmente “comprável” pelas empresas — e pelos colegas.

Ao meu ver, a maior dificuldade não está na formação profissional. O mercado está cheio de graduados, pós-graduados, com MBA e fluência em idiomas. A maior dificuldade está em encontrar isso tudo em uma pessoa ética, transparente, simpática, acessível e aberta a opiniões. E mais difícil ainda, quando se procura atributos como intuição, criatividade e pró-atividade.

Ou seja, marketing pessoal é simplesmente uma questão de juntar qualidades pessoais, profissionais e bônus. (onde “bônus” é o que torna você diferente dos outros. Importante: ônus não é bônus!)

Eis as 10 principais características que o famoso consultor Max Gehringer considera importante em qualquer organização:

  • Liderança, confiança, visão, equipe, maturidade, integridade, visibilidade, empatia, otimismo e paciência.

As características profissionais tendem ser mais fáceis de desenvolver — liderança, visão, equipe — já as pessoais costumam ser mais difíceis. Paciência, otimismo, maturidade são resultados de uma quantidade incontável de variáveis na qual uma pessoa se depara até a vida adulta. Aqui entra uma boa dose de psicologia, mas acho que não é o que você quer ler agora… O importante é ter consciência do que afeta o seu marketing pessoal (e a sua imagem dentro da empresa).

Se tem uma coisa difícil nessa vida, é mudar a si próprio. Perceber os próprios erros é um grande passo, mas e depois? O que fazer quando se está certo de que é precisa mudar?

Guy Kawasaki –um dos nomes mais proeminentes da internet, admirado por muitos, pelas sábias palavras que escreve e seu jeito descontraído como empreendedor– talvez possa nos indicar o caminho. Em seu livro “A Arte do Começo”, Kawasaki nos ensina 4 lições básicas aplicáveis seja na carreira profissional ou em um novo negócio.

  1. Trabalhe por algo, não por dinheiro: Qual seu objetivo profissional? Todo mundo já ouviu algum dia que dinheiro é consequência. Acredite nisso e trabalhe para alcançar seus objetivos, não para engordar a conta bancária. [leia artigo complementar]
  2. Seja expert em algo: Onde tem marketing, deve ter posicionamento. Algo em que você seja reconhecido por dominar. Não uma ferramenta (ex: sou bom em Excel), mas um campo (ex: sou bom em desenvolvimento de produto). O objetivo aqui é ser excelente em algo, não bom em tudo.
  3. Faça bons amigos: É bobagem pensar que você vai chegar a algum lugar sozinho. Embora seja mais fácil você conseguir um emprego através de conhecidos, amigos são fundamentais tanto na vida pessoal como profissional. Reserve algum tempo pra cultivar as relações, com ex-colegas e atuais. A vida é feita de pessoas, sua carreira também.
  4. Seja forte: Uma das certezas da carreira profissional é que você vai escutar muito mais não do que sim. E aqui entra a importância de se ter objetivos claros. Quanto maior o sucesso, maior sua visibilidade, maior o número de pessoas que falarão de você e, como consequência, as críticas aumentam exponencialmente. Não aceite “não” como resposta, ao invés disso, acredite em você e veja como um “futuro sim”.

É possível que este seja o primeiro e último artigo sobre marketing pessoal que você vai ver aqui no blog. Porque se você está comprometido com o seu auto-desenvolvimento, você já está  fazendo seu marketing pessoal.

Quando ajuda um colega de trabalho, quando toma iniciativa, quando faz algo que não é tarefa sua, quando faz um curso, quando se auto-avalia, quando responde e-mails (ao invés de procrastiná-los)…  marketing pessoal é simples como a frase de Gehringer: “é a habilidade que um funcionário tem de aparecer, sem ser chato. E  de conseguir a simpatia da chefia, sem ser puxa-saco”.

Europeus x latinos

28 de junho de 2010 • TEMAS: Comportamento / /

Quem acompanhou a Copa do Mundo ontem, pode ver dois jogões de bola. Porém, diferentes em vários aspectos — que vão além dos gramados — e  ficaram mais mais evidentes ontem, com um confronto europeu e outro latino.

Alemanha e Argentina são ambas favoritas da Copa e praticamente golearam seus adversários nas oitavas-de-final. E ambas se comportam muito diferente em campo. Não tem nada a ver com esquema tático, talento ou outra peculiaridade do futebol, mas de comportamento e de cultura.

O latino tem sangue quente e joga na raça, por isso faz mais faltas, arrisca mais jogadas individuais de seus talentos e tem mais tendência a criar confusão. O europeu é frio e costuma ser mais pragmático, é menos ansioso e isso permite que ele analise melhor cada jogada, evite faltas e faça poucas jogadas individuais favorecendo o espírito de equipe. Fiquei impressionado com o controle emocional dos alemães, mesmo cara a cara com o goleiro, ainda tocavam a bola. Já os mexicanos, em qualquer oportunidade tentavam driblar e chutar a gol.

Os europeus podem não ser os melhores, mas eles parecem poder nos ensinar um pouco sobre trabalho em equipe. Não importa se você tem um Messi no seu time, é preciso que os outros acreditem nele e ele acredite nos outros. Os latinos tendem a enaltecer um ou outro e esquecer os demais. Isso é ruim porque pode comprometer a harmonia do grupo. Craque não ganha a partida, mas ajudar a ganhar.

O mesmo acontece nas empresas. É bom ter um diretor craque em marketing, mas se ele não trabalhar em conjunto com uma boa equipe ou se ele se achar superior e não quiser “se misturar”, o que tinha tudo pra ser um jogão, pode dar em uma grande zebra.

O ser-humano é fascinado pelo 3D. A possibilidade de se sentir dentro de um universo novo — como um show ou um filme –, ou de poder interagir como objetos –através da realidade aumentada– seduz as pessoas há um bom tempo. Mas só agora a tecnologia parece ter evoluido o suficiente para oferecer uma experiência satisfatória em 3D. Pelo pouco que já podemos ver, filmes realmente ficam mais emocionantes; shows nos dão a sensação de estar na platéia e produtos podem ser testados antes da compra.

Além das telas

A era das telas parece estar chegando ao fim. Nos últimos 10 anos, os televisores ficaram da espessura de uma folha de papel, passaram a gravar programas,  triplicaram o tamanho da tela e até acessam à internet. Tudo isso, gastando menos energia e exibindo uma imagem infinitamente mais nítida. Através da TV, é possível comprar produtos e até pular comerciais. Se não tem mais como melhorar dentro da telinha, o jeito é ir pra fora dela. E é isso que pretendem os maiores fabricantes de eletrônicos.

Na Copa do Mundo da África, a Sony sugere que imaginemos o futebol em 3D. Uma frase fantástica que mostra os pés no chão da japonesa, porque a Sony sabe que a tecnologia ainda engatinha. Talvez em 2014, talvez em 2018, mas em 2010, futebol em 3D ainda não é uma realidade pro consumidor, então, imagine. Outra japonesa aproveitou pra anunciar seu mais novo produto em 3D, a Nintendo. A primeira a lançar um videogame em 3D e que não precisa de óculos, o novo Nintendo 3DS.

Muito buzz e pouca venda

Lançada no final de fevereiro no mundo e em abril no Brasil, as TVs 3D ainda são muito mais buzz do que um mercado lucrativo. Apesar de não atender a demanda dos revendedores, a  Samsung esperava vender 600.000 unidades até junho. Até maio de 2010, o volume de vendas foi de 270.000 (das 300 mil vendidas no mundo todo). No Japão, país mais early-adopter do mundo, o volume de vendas representa apenas 0,9%. do total de TVs.

Faz 1 ano que as emissoras brasileiras fizeram investimentos pesados para se adaptar ao High-definition. E ainda está longe da alta-definição ser uma tecnologia popular. Isso é natural no mercado: tecnologia nova é extremamente cara. 4 anos atrás, na Copa da Alemanha, ter uma TV de plasma era luxo. Hoje, luxo é  LED. Mas não é essa a questão. A questão é: será que os consumidores querem assistir tudo em 3D?

Eu consigo ver as pessoas na frente de uma TV 60″, fascinadas pela imagem do LED conectado a um aparelho blu-ray e admirando cada textura da imagem. Consigo vê-las se desfazendo das TVs de tubo por uma fina que cabe em qualquer mó, gravando programas no HD interno e até fazendo compras com o controle remoto. Afinal, as pessoas sempre desejaram fazer tudo sem sair da frente do televisor. Mas eu realmente não consigo ver as pessoas assistindo 3D sentadas no sofá. Não apenas é estranho e caro, é trivial, nada prático e pode até ser prejudicial à saúde.

O grande salto tecnológico

A dificuldade que a TV 3D enfrenta é diferente do que a Plasma enfrentou anos atrás e  mais semelhante ao que aconteceu com a mudança da TV preto e branco para TV em cores. As pessoas estavam satisfeitos com programas sem cor, afinal, elas não sabiam como era TV colorida. Isso é algo interessante no comportamento humano, as pessoas não acham que o atual é ruim até ver a propaganda do mais novo lançamento.

TV em cores é muito melhor que em preto e branco, você pode diferenciar uma laranja de um limão. Da mesma forma, TV LCD é muito melhor que TV de tubo porque, como disse o Rafinha Bastos em um evento da LG, é possível ver detalhes que não são vistos na de tubo. Já a TV 3D, o que tem de melhor que uma LCD ou LED? É mais divertida, só isso.

Mas isso não é questão de ser melhor e sim de ser percebida como melhor. E não acho que consumidores percebam esse novo recurso como algo muito superior do que eles já têm na sala de casa.

Eu acho que o 3D veio finalmente para ficar, mas não vai mudar a forma como assistimos televisão. Não nos próximos anos. Acredito que o 3D vai ser fantástico para a publicidade, ajudando as empresas a venderem mais e os consumidores a comprarem melhor através da realidade aumentada. Várias empresas já utilizaram o poder dessa tecnologia. Como a Lego e a loja de departamentos Macy’s que está estudando algo parecido com isso, um provador virtual, onde a pessoa é escaneada e vê como fica a roupa e cada tamanho, sem precisar tirar nenhuma peça. Acho que o 3D também vai fazer bonito nos games, contribuindo para aumentar a imersão no jogo. Mas quando diz respeito à assistir filmes e programas de televisão, acredito que o 3D deve continuar recluso a ocasiões especiais como alguns filmes, alguns shows, alguns jogos de futebol… ou você se sentiria à vontade com o William Bonner no meio da sua sala?

Update 02/07/10: “67% dos japoneses não se interessam por TV 3D que necessita de óculos”

Update 27/08/10: “Apenas 2% dos britânicos pensam em comprar televisor 3D”