Particularmente, não gosto de textos na negativa ou irônicos, do tipo “não faça isso” ou “5 passos para garantir o fracasso da sua empresa”; mas eu gosto de exceções e a BusinessWeek publicou a coletânea de erros mais completa que um profissional pode cometer na sua carreira. Erros que podem levar qualquer profissional ao fracasso, se não for percebido a tempo. Fiquei tão impressionando com a verossimilhança das descrições que, automaticamente, minha mente ligou vários itens a pessoas que conheço e serviu até para fazer uma auto-reflexão em aspectos que tenho que melhorar.

As lições a seguir são extremamente nocivas para a sua carreira. Evite-as a todo custo!

1. Passa a maior parte do tempo pensando no seu futuro e esquece que o presente é determinante

2. Deixe para amanhã o que você pode fazer hoje

3. Não tem planos

4. Você procura sempre o caminho mais fácil ou desiste antes mesmo de começar

5. Desconhece o potencial que tem e acha que, um dia, alguém vai descobrir o que nem você sabe

6. É invisível

7. Acha que sabe tudo e não aprende nada de novo

8. Falta de bom-senso ao brincar, vestir e falar

9. Perder a compostura em momentos de pressão (chorar fácil, ser grosso, etc.)

10. O tesão que uma vez existiu, se foi

11. Você fica preso no passado

12. É indeciso e nunca se compromete com nada

13. O seu talento lhe tornou inflexível e você faz as coisas do jeito que quer sem perguntar ou ouvir os outros

14. Você deixa o medo lhe dominar

15. Quer prestígio sem sacrifício e nunca se voluntaria

16. Você prefere se manter na zona de conforto do que arriscar errar, não saber a resposta ou ser visto como fraco

17. Tem medo de usar o tempo livre em atividades que possam melhorar sua empregabilidade

18. Ouvir pessoas menos capazes e talentosas do que você falando que não pode. Esse é o caminho mais rápido para o fracasso

19. Você se preocupa mais com a empresa (seu chefe ou seus colegas) do que com sua carreira

20. Nunca se dá conta de que seu colega está competindo com você [atenção: isso não significa que vale qualquer coisa pra ganhar]

21. Ficar muito tempo no mesmo emprego pelas razões erradas

22. Está sempre desconfortável e não consegue se adaptar a nada novo — filosofias, tecnologias, processos, hierarquisa, experiências, etc

23. Você tem medo dos seus superiores, agindo como eles querem, não como você é. Isso talvez ajude manter o seu emprego, mas acaba com as chances de ganhar o respeito deles

24. Alimente sua frustração com o passar do tempo

25. Você não se permite começar de baixo

26. Burle regras e normas da empresa

27. Passa tempo de mais com pessoas que gosta e tempo nenhum com quem pode melhorar sua carreira — abrir portas, dar feedback e lembrá-lo do quão bom você pode ser

28. Suas atitudes não combinam com seu diálogo

29. Você quer ser a estrela do departamento — está sempre se promovendo, querendo provar que é o melhor e nunca ouve ou ajuda o colega a melhorar

30. Não consegue ver o todo — seu dia se resume ao hoje e está sempre focado só na tarefa que está desempenhando

Lembro vagamente de alguém ter me pedido pra escrever sobre marketing pessoal algum tempo atrás. Se você costuma ler o blog com frequência, sabe que esse assunto não é apenas raro, como nunca apareceu por aqui. Da mesma forma que, se você costuma ler o blog com frequência, sabe que eu escrevo muito sobre desenvolvimento profissional. Porque na minha opinião as duas coisas andam juntas.

As pessoas que estão muito preocupadas em melhorar seu marketing pessoal talvez tenham deixado passar algumas lições básicas de educação, valores, ética e trabalho em equipe. Ou talvez não, elas são educadas, éticas e sociáveis; mas lhe faltem sonhos, ambição e determinação que lhe motivem a ser as melhores naquilo que fazem. O objetivo do marketing pessoal é fazer você um profissional admirável, facilmente “comprável” pelas empresas — e pelos colegas.

Ao meu ver, a maior dificuldade não está na formação profissional. O mercado está cheio de graduados, pós-graduados, com MBA e fluência em idiomas. A maior dificuldade está em encontrar isso tudo em uma pessoa ética, transparente, simpática, acessível e aberta a opiniões. E mais difícil ainda, quando se procura atributos como intuição, criatividade e pró-atividade.

Ou seja, marketing pessoal é simplesmente uma questão de juntar qualidades pessoais, profissionais e bônus. (onde “bônus” é o que torna você diferente dos outros. Importante: ônus não é bônus!)

Eis as 10 principais características que o famoso consultor Max Gehringer considera importante em qualquer organização:

  • Liderança, confiança, visão, equipe, maturidade, integridade, visibilidade, empatia, otimismo e paciência.

As características profissionais tendem ser mais fáceis de desenvolver — liderança, visão, equipe — já as pessoais costumam ser mais difíceis. Paciência, otimismo, maturidade são resultados de uma quantidade incontável de variáveis na qual uma pessoa se depara até a vida adulta. Aqui entra uma boa dose de psicologia, mas acho que não é o que você quer ler agora… O importante é ter consciência do que afeta o seu marketing pessoal (e a sua imagem dentro da empresa).

Se tem uma coisa difícil nessa vida, é mudar a si próprio. Perceber os próprios erros é um grande passo, mas e depois? O que fazer quando se está certo de que é precisa mudar?

Guy Kawasaki –um dos nomes mais proeminentes da internet, admirado por muitos, pelas sábias palavras que escreve e seu jeito descontraído como empreendedor– talvez possa nos indicar o caminho. Em seu livro “A Arte do Começo”, Kawasaki nos ensina 4 lições básicas aplicáveis seja na carreira profissional ou em um novo negócio.

  1. Trabalhe por algo, não por dinheiro: Qual seu objetivo profissional? Todo mundo já ouviu algum dia que dinheiro é consequência. Acredite nisso e trabalhe para alcançar seus objetivos, não para engordar a conta bancária. [leia artigo complementar]
  2. Seja expert em algo: Onde tem marketing, deve ter posicionamento. Algo em que você seja reconhecido por dominar. Não uma ferramenta (ex: sou bom em Excel), mas um campo (ex: sou bom em desenvolvimento de produto). O objetivo aqui é ser excelente em algo, não bom em tudo.
  3. Faça bons amigos: É bobagem pensar que você vai chegar a algum lugar sozinho. Embora seja mais fácil você conseguir um emprego através de conhecidos, amigos são fundamentais tanto na vida pessoal como profissional. Reserve algum tempo pra cultivar as relações, com ex-colegas e atuais. A vida é feita de pessoas, sua carreira também.
  4. Seja forte: Uma das certezas da carreira profissional é que você vai escutar muito mais não do que sim. E aqui entra a importância de se ter objetivos claros. Quanto maior o sucesso, maior sua visibilidade, maior o número de pessoas que falarão de você e, como consequência, as críticas aumentam exponencialmente. Não aceite “não” como resposta, ao invés disso, acredite em você e veja como um “futuro sim”.

É possível que este seja o primeiro e último artigo sobre marketing pessoal que você vai ver aqui no blog. Porque se você está comprometido com o seu auto-desenvolvimento, você já está  fazendo seu marketing pessoal.

Quando ajuda um colega de trabalho, quando toma iniciativa, quando faz algo que não é tarefa sua, quando faz um curso, quando se auto-avalia, quando responde e-mails (ao invés de procrastiná-los)…  marketing pessoal é simples como a frase de Gehringer: “é a habilidade que um funcionário tem de aparecer, sem ser chato. E  de conseguir a simpatia da chefia, sem ser puxa-saco”.

É comum eu ficar em casa parado em frente à minha pequena estante de livros — construída praticamente ao longo dos últimos 4 anos. Fico passeando pelos títulos e lembrando se eu deveria lembrar de algo que já esqueci. Em um desses passeios, caí em 2007 quando comprei um livro de OG Mandino, em um aeroporto, chamado  “O Maior Sucesso do Mundo”. Como a maioria dos jovens de 20 e poucos anos eu não conhecia o autor, mas achei legal o título e li quase tododurante a viagem. Provavelmente, nunca aprendi tanto dentro de um avião.

Há quem critique livros de auto-ajuda, de fato, a maioria não é muito diferente de um livro de receitas. Mas alguns valem ouro e conseguem nos  deixar um pouquinho melhor do que antes. Inclusive, na vida profissional.

OG Mandino pode não ser o pai da auto-ajuda, mas é filho direto do gênero literário que teve um boom na década de 90 e hoje movimenta bilhões de dólares no mundo todo. O escritor que faleceu em 1996, aos 73 anos, escapou de uma vida destruída e do suicídio lendo dezenas de livros sobre motivação e sucesso. Muitos anos mais tarde, ele escreveria um dos mais bem-sucedidos livros de motivação da história: “O maior vendedor do mundo”. E vários outros.

É difícil dizer quando “auto-ajuda” se tornou, de fato, um gênero literário. Mas não é de hoje que o homem busca se auto-desenvolver e inspirar os outros. Os provérbios são a prova disso — há vários séculos repassando a sabedoria dos povos. Outro indício é a bíblia da estratégia e leitura obrigatória de todo administrador, marqueteiro, vendedor e quase pra toda pessoa em busca do sucesso: “A Arte da Guerra”. Sun Tzu morreu no século 4 a.c. e até hoje inspira profissionais no mundo todo.

O objetivo de Sun Tzu era militar, mas a semelhança entre levar um exército à vitória e liderar uma equipe em busca do sucesso tornou o general um dos maiores fenômenos que a literatura já viu.

Mas talvez um dos primeiros homens a escrever algo realmente voltado para o auto-desenvolvimento profissional tenha sido Dale Carnegie ao lançar “Como ganhar amigos e influenciar pessoas”, em 1936. Carnegie dava dicas simples que até hoje, infelizmente muitas pessoas não conseguem colocar em prática. Nunca dizer “você está errado” era uma das lições sábias do escritor. Ouvir mais e falar menos foi outro ensinamento deixado por Carnegie 70 anos atrás. E hoje, nas empresas só o que se fala é em ouvir o consumidor.

Tanto Dale Carnegie como OG Mandino tiveram uma vida difícil e trabalharam com vendas. Carnegie teve uma infância muito pobre e ajudava o pai agricultor.  Foi vendedor e depois tentou ser ator, fracassou. Sem grana, convenceu um cara a dar treinamentos de como falar em público. A partir daí, não parou mais.  Seus cursos e palestras trabalhavam pontos-chave do auto-desenvolvimento como: auto-estima, fortalecimento de competências, melhorar técnicas de comunicação, desenvolver liderança, diminuir a preocupação e ser mais pró-ativo. Até hoje, a base para muitos treinamentos.

Mandino perdeu a mãe poucos dias antes da sua formatura. Na 2ª Guerra lutou contra a Alemanha e encontrou dificuldades em conseguir um novo emprego. Virou vendedor de seguros, se tornou alcoólatra e como consequência foi abandonado pela mulher e filho. Esteve prestes a cometer suicídio até se voltar para os livros, cuja maioria era sucesso, motivação e o ser-humano. Anos depois, Mandino acabou se tornando um profissional de sucesso à frente de uma revista sobre motivação até abandoná-la para se dedicar às palestras.

Essas histórias nos mostram que o fracasso e a tristeza podem ser um grande ponto-de-virada do sucesso. Parece que foi assim que a auto-ajuda surgiu.

Seja como for, motivação e força de vontade é importante para qualquer profissional em busca do sucesso. Essa motivação pode vir de pais amorosos que lhe motive todos os dias, uma namorada, namorado, amigo ou até um chefe. Mas a melhor motivação vem de dentro e os livros nos ajudam a desenvolver isso.

Os ensinamentos deixados por esses 3 sábios são muitos, não caberia neste artigo. No entanto, a partir das principais obras deOG Mandino, Sun Tzu e Dale Carnegie fiz uma lista. Tudo  junto e misturado mesmo. Muitas coisas você já pode ter lido, até por outro autor, mas é por isso que eu os considero os pais da auto-ajuda profissional.

  • Antes de começar algo, planeje. Prepare-se para caso algo saia errado.
  • Seja genuinamente interessado no que as pessoas dizem.
  • Tenha bons hábitos e pratique todos os dias.
  • Se você está errado, admita rapidamente e sem cara feia.
  • Controle suas emoções para não agir por impulso e se arrepender depois.
  • Conheça seus pontos fortes tanto quanto seus pontos fracos.
  • Seja um bom ouvinte. Encoraje as pessoas a falarem de si.
  • Bons guerreiros não atacam, são atacados.
  • Apele, clame, lute e brigue por razões que valham à pena.
  • Disciplina leva à eficiência.
  • Encare as adversidades com entusiasmo, não se deixe abater. Isso só piora
  • Lembrar o nome de uma pessoa é a coisa mais agradável de se ouvir para essa pessoa em qualquer idioma.
  • Diante de uma dificuldade, mude, adapte-se. Seja flexível.
  • Saber com o que você está lidando é fundamental para o sucesso.
  • Persista até vencer.
  • Acredite.
  • Conheça seus concorrentes, mas não deixe eles conherem você.
  • Aproveite o tempo. Ele é um recurso valioso e escasso. Use-o sabiamente.

Quem acompanha o Pequeno Guru aqui e no Twitter sabe o quanto eu sou fã do Dilbert e suas situações que muito nos lembram do dia-a-dia das nossas empresas. Mas quem é o homem por trás do personagem? O que ele faz? Qual sua história? Ele é um artista ou apenas um funcionário frustrado?

Ontem, chegou a minha edição de aniversário de 20 anos de Dilbert. Um livro enorme e mais pesado que um bloco de concreto que conta toda a história desse personagem conhecido em 70 países e publicado em mais de 2000 jornais em todo o mundo. Além de milhares de tirinhas impressas e em um DVD especial, o livro conta a história do seu criador, Scott Adams, uma criança talentosa e que adorava desenhar, mas que por uma crueldade da vida, abandonou a carreira promissora de cartunista pra encarar a dura vida corporativa.

A história de Scott Adams é uma lição de talento, persistência e visão. Scott, em meados de 1990, — quando Dilbert estava “apenas” em 200 jornais — percebeu que a internet era a oportunidade que ele precisava pra fazer Dilbert deslanchar de vez. Mas peraí… antes, deixa eu contar um pouco da vida dele. [Se você não se interessa, leia só as lições.]

A pequena biografia de Scott Adams

O pequeno nova-iorquino Scott, filho de mãe artista e pai economista (ou algo do tipo) já desenhava aos 6 anos, muito bem por sinal. Mas o que mais me impressionou (pelos desenhos da época) não era o desenho em si, mas a história que ele contida

. Depois de alguns anos de desenho com direito a 2º lugar em um concurso para caixa de um cereal, Scott tentou entrar numa escola de artes, foi super bem, os desenhos impressionavam para um garoto de 11 anos, mas ele não passou. Justificativa: ele era muito novo, o curso fora desenvolvido para crianças de 12 anos pra cima. Por 1 ano de diferença, o pequeno Scott não entrou na escola de artes. Resultado: abandonou esse sonho e se dedicou ao colégio. Se formou e foi estudar economia.

Scott foi o pior aluno em artes da sua turma na faculdade, foi barrado em uma entrevista porque não estava usando terno, quase morreu de frio depois que seu carro enguiçou no meio do nada, se mudou pra Califórnia; conseguiu seu primeiro emprego em um banco, depois de ser assaltado 2 vezes em 4 meses pediu demissão; se tornou trainee após sugerir ideias impraticáveis mas que agradaram seu chefe (basicamente pelo senso de humor); virou programador; analista financeiro; agiota; analista de produto, chefe de um grupo de analistas de negócios e conseguiu um MBA. Parece que a coisa estava começando a dar certo. Exceto pelo fato de que Scott jamais conseguiria uma promoção. Motivo: as empresas precisavam diversificar, do ponto de vista racial mesmo. Tinha muito branco e as empresas se viam pressionadas para contratar “pessoas diferentes”.

Em algum momento dessa época, Scott criou o Dilbert, basicamente para ilustrar as apresentações que criava para seus chefes. Dilbert parecia mais jovem, cabeçudo e usava uma pólo em vez da tradicional camisa e gravata. Scott mudou de empresa por não ter perspectiva de crescimento, conseguiu um emprego na Pacific Bell (hoje AT&T) pouco antes de terminar seu MBA. Lá, as coisas iam razoavelmente bem até ele perceber que também não ganharia sua tão sonhada promoção. Então, Scott nos deu a nossa 1ª lição…

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Você já deve ter visto esta cena: durante uma entrevista com uma banda sai a pergunta “quem influenciou vocês?”. Nesse momento, sai de tudo, mas quase sempre os clássicos Bob Marley, Beatles, Radiohead, Rolling Stones, Vinicíus de Moraes e Tom Jobim estão presentes, dependendo do estilo, claro. Nós somos influenciados o tempo todo e isso é fundamental para o nosso aprendizado.

Quem trabalha com criatividade, como publicitários e artistas, precisam de uma coisa chamada bagagem cultural. É muito comum pegar um livro de criação publicitária e ler os autores falando da importância de se ver, fazer e conhecer coisas diferentes, em outras palavras, de aumentar essa bagagem. No inglês, isso é chamado de background – o pano de fundo da sua vida. Washington Olivetto falou uma vez que sabia muito pouco sobre muita coisa. Carregamos esse background aonde quer que vamos e ele tem papel fundamental no resultado do nosso trabalho. De forma inconsciente, altera nossa percepção de mundo e nos abre mais possibilidades (ideias). É a bagagem cultural que nos ajuda a prever tendências e criar coisas realmente atraentes  e originais.

A influência propriamente dita, para mim, é um pouco diferente. Ao contrários dos músicos que se dizem influenciados por artistas que não conseguimos perceber, ela age de forma mais direta no nosso dia-a-dia. Influências são livros, professores, amigos, escritores, gurus e empreendedores que admiramos  tanto que incorporamos um pouco dos seus feitos ou conselhos ao nosso trabalho. De todos os livros que lemos, com sorte, uns 2 ou 3 viram influências para nós. Temos a tendência de agir com base naquele livro, não nos outros 100, esses viram bagagem cultural.

Dois blogs me  influenciaram muito a criar o Pequeno Guru : Seth Godin e Advertising for Peanuts. Ambos usavam uma linguagem um tanto filosófica que me deixava pensando mesmo depois de terminar de ler o artigo. De certa forma, é o que eu tento fazer aqui no PG até hoje. Na minha vida profissional, Al Ries é o mestre, costumo dizer  que quando crescer quero ser como ele. Já na vida pessoal, eu também tenho minhas influências. Obviamente, meus pais são a maior delas, mas tenho uma ou duas outras influências que também estão presentes em quase tudo que faço.

No processo de aprendizado, é importante ter “modelos” a seguir, alguém em quem se espelhar e uma obra para funcionar como guia. Geralmente, é aquele livro que você já leu 2, 3 vezes ou uma pessoa que admira muito. Influências não são regras, mas hábitos que você adotou para sua vida e que podem ser percebidas no seu modo de agir. Certamente, essas influências acabam tendo a sua cara, já que sua bagagem cultural também entra em ação. Resumindo tudo em uma frase, faça como Tom Peters disse, “aprenda com os melhores e depois adapte”.

Eu sei que é um tanto clichê começar um artigo extraindo do dicionário a definição de um termo, mas vamos lá. Stress: Conjunto das perturbações orgânicas, psíquicas, provocadas por vários agentes agressores. Esse é o conceito presente na maioria dos dicionários, mas eu quero trabalhar o conceito de stress utilizado no esporte, especificamente nas academias.

Quase todo mundo que faz musculação ao menos 3x por semana tem o objetivo de ganhar massa muscular, os homens querem ficar fortes e as mulheres com músculos torneados. Qualquer professor de educação física explicará que, para isso acontecer, o músculo precisa de stress. Você precisa passar pelo desconforto de carregar pesos e sentir o músculo doer à cada seção, então você vai pra casa, descansa, e em 1 ou 2 dias seus músculos estarão “reconstituídos” e um pouco mais resistentes que antes. Acontece que ele tem um limite, se for leve demais o músculo não obtém estímulo suficiente e nada acontece, se o treino for muito pesado, ele pode sofrer uma lesão.

Não é segredo pra ninguém que um pouco de stress é bom no nosso dia-a-dia, nos mantém em ritmo acelerado e a nossa produtividade aumenta, não é raro nesses momentos termos mais ideias, argumentamos melhor, finalizarmos mais projetos. Mas manter o ritmo acelerado durante muito tempo é perigoso, nosso corpo precisa relaxar, e aí entram os nossos hobbies, uma cervejinha com os amigos e até não fazer nada. Seja o que for que nos faça sentir bem, o nosso corpo precisa. Biologicamente falando, relaxar ajuda o nosso corpo a se recuperar do desgaste do dia-a-dia. O nosso corpo é movido a reações químicas, sejam nos nossos músculos ou no cérebro, depois de um grande stress é necessário um bom repouso.

Por outro lado, ao contrários dos nossos músculos, as pessoas que ficam muito sob forte stress profissional e nunca relaxam ainda conseguem desempenhar suas funções, mas perdem produtividade ou na pior das hipóteses destroem sua vida pessoal. E a vida pessoal é a base para qualquer grande profissional. Felizmente, muito se tem falado dos males do stress e dos benefícios de ter uma hora pra relaxar. Isso é muito mais importante hoje do que era anos atrás. Estamos na era da intuição e criatividade, não dos fazedores de planilha e ninguém consegue tomar boas decisões ou ter ótimas ideias sob forte stress durante muito tempo.

Stress é bom na medida certa, principalmente para evitar a comodidade e a monotonia. Bons chefes sabem administrar isso e devem administrar isso. Bons funcionários sabem quando stress é um estímulo e quando é prejudicial. Assim como nem todo mundo gosta de malhar (de fato, a maioria foge das academias) mesmo sabendo que obterá bons resultados, no mercado muitos profissionais optam por cargos mais estáveis. Essa é uma opção, mas se você é um daqueles dispostos a sofrer um pouco para vencer lá na frente, adote o lema dos marombeiros: No Pain, No Gain.

Acredito que a maioria dos leitores deste blog não viveu na saudosa época em que curso universitário era a garantia de estabilidade financeira e, em muitos casos, do sucesso profissional. Essa foi uma época que eu também só ouvi falar.

Antes mesmo de entrar na faculdade de comunicação, eu sabia que aquilo seria só o começo de uma longa jornada de pós-graduações, mestrados e doutorados (eu pensava assim na época). O que eu não sabia era que, depois de 4 anos, eu iria sair sem saber uma profissão. Assim como um médico não sai da faculdade pronto pra clinicar, o diploma não me transformou em publicitário como num passe de mágica.

Algumas pessoas têm uma visão errada de pra que serve um curso de graduação. Ele não te ensina a fazer algo (eis porque existe vários profissionais não graduados, alguns muito bons), tampouco lhe garante um emprego, mas ele te dá a base para você dominar uma determinada área profissional. E essa base pode fazer toda a diferença.

Quando eu penso o que aprendi na Universidade, chego a três coisas que foram fundamentais para formar o profissional que sou hoje.

A primeira é que na Universidade você descobre o leque de opções de uma determinada área profissional. Esse leque te mostra as diversas atividades envolvidas  e te ensina o básico de cada uma que vai compor um profissional completo. Sem a Universidade, eu talvez não descobrisse minha paixão por branding (que acabou evoluindo mais para parte de estratégia). Mesmo em um curso de publicidade, você pode descobrir que a sua praia não é agência de propaganda.

A segunda parte eu chamo de: desenvolvimento de habilidades. Essa parte é crucial, se na primeira você descobre o que gosta, nessa você analisa se têm aptidão pra coisa. E se não tiver, desenvolve. Eu sempre escrevi razoavelmente bem, mas o volume de trabalhos e aulas de português fizeram muita diferença. Além disso, uma coisa eu devo totalmente aos anos de faculdade: a habilidade de falar em público e expor minhas próprias ideias. Debates e apresentações me ajudaram a desenvolver esse lado que era ruim, e hoje eu adoro falar em público. Resumindo, você cresce em áreas que era bom e descobre outras que nem sabia que possuía.

A terceira e mais condenada é: você se diverte. Embora a maioria dos universitários se concentrem mais nessa parte do que nas outras duas, ela é um barato! Como se fosse os últimos anos que se tem pra aproveitar a vida antes dela se tornar séria demais. A Universidade sempre renderá boas lembranças, ótimas histórias e amizades duradouras. Você acaba conhecendo muita gente (e os conhecidos são muito importante para o networking), construindo relações com professores, viajando e trocando muita informação que se transformará em bagagem cultural. Os benefícios disso ainda são meio nebulosos, mas com a  “intuição” e “criatividade” recebendo tanta atenção da mídia e especialistas, o simples fato de viver a vida pode ser muito útil na sua profissão.

Ter um diploma, um curso de graduação, uma faculdade ou como quiser chamar, de fato, não é o que importa. O que importa hoje é o que você tira dos anos que passou lá. Quais habilidade desenvolve, o que descobre e o quanto vive. Aprender a fazer mesmo você só aprende quando a hora chegar, no dia-a-dia, cercado de profissionais, com o supervisor na sua cola, o chefe cobrando, lendo, fazendo cursos. Graduação é como um prólogo, a vida profissional começa no momento em que você sai da universidade.

A elite profissional

12 de maio de 2010 • TEMAS: Carreira / /

Por Seth Godin

Em um mundo em desenvolvimento, geralmente há uma divisão bem definida entre elites e as outras pessoas. Os elites têm mais dinheiro e/ou mais educação. Não é raro encontrar países muito pobres onde uma pequena parcela da população não é nada pobre. Às vezes, isso é uma condição não merecida, herdada ou adquirida tirando vantagens sobre os outros.

Independente disso, você não pode apenas dizer que é de elite e se tornar um. Na maioria das sociedades (incluindo a minha e provavelmente a sua), eu diria que a divisão é diferente. Há uma linha entre as pessoas que ativamente se engajam em novas idéias, ativamente buscam mudança, são ativamente engajadas…  e aquelas que aceitam o que lhes é dado e se matam trabalhando.

Isso começa na escola, claro, e então a diferença se acentua conforme crescemos. Algumas pessoas se esforçam para encontrar novos desafios ou se agarram com coisas apesar de discordarem. Elas procuram novas pessoas, novas oportunidades e saboreiam o desconforto que vem com o crescimento (e desafiam outras a experimentar o mesmo).

Talvez eu esteja me vangloriando (e você), mas eu acho que quase todo mundo que lê blogs como este fazem parte da elite. Não por causa do sobrenome ou classe social, mas por causa da escolha feita, da decisão tomada de se manter atento e engajado, de desafiar o status quo da sua escolha.

O número dos que se consideram elite tem explodido. Parte disso é em função da nossa habilidade de ganhar a vida trabalhando 14 por dia em condições precárias, a outra parte vem da facilidade com que encontramos e nos relacionamos com outros elites.

O desafio do nosso tempo talvez seja construir organizações e plataformas que estimulem e direcionem elites, onde quer que eles estejam. Além do mais, é de onde produtividade e mudanças nascem.

Uma vez que você assuma isso como uma missão, você economizará tempo e frustração na sua busca. Se alguém decide não ser parte da elite, acho difícil que você possa persuadi-lo a mudar de ideia. Por outro lado, o ciclo de descoberta, engajamento e entrega dos elites tendem a acelerar com o tempo, e você tem todas as ferramentas necessárias para ser parte disso – liderar, na verdade.

Artigo traduzido do original: “Are You an Elite?”

Pra que serve o seu emprego?

16 de março de 2010 • TEMAS: Carreira / Filosofando /

Conheço duas pessoas que recusaram empregos em duas grandes empresas brasileiras. Talvez isso não fosse grande coisa se ambas não tivessem 20 e poucos anos e trabalhassem em pequenas empresas. Dois jovens profissionais muito bons no que fazem e que, certamente, teriam crescido dentro dessas empresas se tivessem aceitado a proposta.

Mesmo tomando a mesma decisão, o motivo foi diferente. Aliás, os dois são bem diferentes no que diz respeito a formação acadêmica, cultura, objetivo profissional e até estado civil. Enquanto um deles não aceitou por ter que ganhar menos (mesmo tendo grande chance de crescimento), o outro recusou um alto salário (e grande chance de crescimento) pra continuar perto da família e dos amigos.

Esses 2 casos me marcaram, talvez porque são de pessoas próximas a mim, ou talvez porque eu agisse completamente diferente se estivesse na pele deles. Seja qual for o motivo, isso me faz refletir toda vez que penso na minha carreira.

Uma coisa eu sempre tive bem claro: um emprego não é só um contra-cheque feio ou bonito  no final do mês. Também não é um chefe que pega no seu pé, um colega fofoqueiro, ou um cargo que lhe obriga fazer sempre a mesma coisa 365 dias por ano. Um emprego é algo que lhe projeta, de alguma forma o ajuda a alcançar seus objetivos. Qualquer outra coisa é perda de tempo.

Elaborando a minha velha teoria, esbocei três coisas que considero vitais para saber se estamos no lugar certo ou só perdendo tempo:

O que você pode aprender
Esse talvez seja o item de maior peso no começo da carreira de todo mundo e é justamente por negligenciar ele, que muitos jovens profissionais nunca chegarão “lá”.

O que a empresa onde você trabalha pode te ensinar? Algumas oferecem cursos de graça, parcerias com instituições e treinamentos que podem tornar seu currículo mais atraente. Mas bom mesmo é ter a oportundiade de trabalhar com um grande profissional que pode lhe passar um pouco da experiência e do conhecimento dele. Isso não tem preço.

Pense em como você poderia aprender mais na sua atual empresa, com os clientes e com os fornecedores dela. Nem que precise trocar de área ou de função. Na pior das hipóteses, você muda de emprego.

Aonde ele pode te levar
Quando estava no 3º ano da faculdade de propaganda decidi que não queria trabalhar com propaganda.  Dois anos depois, estava eu sentado com o meu dupla pensando em ideias para uma campanha de natal.

Alguns anos e umas agências depois, comecei a trabalhar com marketing em  uma grande empresa. Tudo que eu queria! A questão aqui é: um emprego pode não te ensinar nada de novo, pode pagar mal, mas te levar ao emprego que você sempre quis.

Talvez o melhor fruto que um emprego pode render sejam os relacionamentos. Colegas de trabalho viram amigos da família, clientes tornam-se patrões, fornecedores formam sociedades com ex-funcionários. No mundo dos negócios, tudo é possível e até o impossível depende de você. Trate bem as pessoas, se dedique, ensine e deixe-se ensinar.

Sacrifício exigido
Grana! Vamos falar do que realmente importa pra maioria: dinheiro. A primeira que pensamos quando surge uma nova oportunidade de emprego é “qual é o salário?“, mas quase ninguém pergunta “vou ter que fazer muitas horas extras?”, “posso desligar meu celular nos finais de semana?”, “vocês pagam hora extra ou dão folga?”.

O sacrifício é qual é o preço que se paga pelas vantagens que ele oferece. Por exemplo, um grande amigo uma vez conseguiu um estágio na famosa agência DPZ. Ele já era um publicitário cobiçado na sua cidade de origem e ganhava bem para os padrões. Também ganhava pequenos prêmios por onde passava. Entrar para uma agência grande é o sonho de quase todo jovem publicitário. Também era o dele até começar a trabalhar em  uma. Ele aprendia muito, tinha grandes chances de crescer, mas o sacrifício exigido era enorme. Trabalhar aos sábados, sair de madrugada da agência e  ganhar o mini-salário de estagiário foi demais para ele. O mesmo acontece quando se tem um salário alto, na maioria dos casos significa sacrificar momentos com amigos e a família. Por isso, cada vez mais executivos estão trocando grandes empresas por empresas menores, flexíveis e com salários modestos.

O quanto sacrifício você pode suportar depende de cada pessoa. Basicamente, da situação financeira, dos planos e projetos pessoais e profissionais. Uma vez li uma matéria com uma mulher que trabalhava só para viajar. Obviamente, ela também pagava contas, mas passava 2 anos juntando dinheiro para viajar para países diferentes. A tendência é que quanto maior o objetivo, mais alto seja o sacrifício que a pessoa esteja disposta a fazer.

O que você pode aprender hoje, aonde ele pode te levar amanhã e o quanto você está disposto a sacrificar para chegar lá?

As três coisas dependem de você. Nenhuma empresa vai se oferecer para treinar você, nem vai te ajudar a conseguir os contatos certos para o futuro, tampouco oferecer um aumento pra assegurar que você nunca deixe a empresa. Tudo depende de você, dos seus objetivos e da sua disposição.

Se não fosse por duas coisas, talvez eu nunca tivesse dado chance ao filme Amor Sem Escalas. Mas o fato dele estar concorrendo ao Oscar de melhor filme e ter sido indicado pelo Carlos Faccina despertou a curiosidade que eu precisava.

Pra começar, Amor Sem Escalas não é uma comédia romântica, de amor não tem nada. O título original é Up In The Air. O filme dirigido pelo diretor dos bem-sucedidos “Obrigado Por Fumar” e “Juno” retrata a realidade econômica norte-americana desde a chegada da crise do mercado imobiliário e suas consequências catastróficas para a economia mundial.

O filme gira em torno do desemprego, mas tem uma mensagem mais profunda. Bingham — o personagem do George Clooney — é um executivo responsável por demitir pessoas de empresas cujos chefes não têm coragem de fazer. Então, o filme é cheio daqueles discursos prontos de RH e reações inesperadas de funcionários demitidos. Aliás, muitos dos “atores” não são atores, são pessoas demitidas recentemente de verdade.

Como  muitos podem imaginar, Bingham é um cara frio que passa 320 dias do ano entre aeroportos, hotéis e empresas. Não pensa em ter família, tampouco filhos. Mas em vez de frieza, prefiro chamar de desapego.

Quem nunca conheceu uma pessoa que morreria se perdesse o emprego? Que sentiria vergonha de contar pra família e amigos que foi demitido? E que ficaria perdido ao levantar de manhã sem ter que ir pro trabalho?

Esse tipo de desapego é saudável e no decorrer do filme você percebe que o real trabalho de Bingham é mostrar às pessoas que deixar a empresa depois de 15 anos é uma oportunidade de retormar projetos, experimentar coisas novas e ir atrás de sonhos deixados para trás. Amor Sem Escalas é um filme sobre recomeço, sobre encontrar motivação para continuar a vida mesmo quando o maior de todos os medos vira realidade: o desemprego.

Para terminar, quero transcrever os minutos finais do filme com depoimentos de algumas pessoas reais:

Quando acordei, olhei pro lado e vi minha esposa, isso me deu motivação (…)  Não é sobre dinheiro. O dinheiro te mantém aquecido. Pagar suas contas de luz. Poder comprar um cobertor. Mas nada me mantém mais aquecida do que quando meu marido me abraça. Fazem com que eu me levante, que saia, que procure alguma coisa. Pois meus filhos são a minha motivação. Minha família (…) Esta noite, a maioria das pessoas chegará em casa com cães pulando e crianças gritando. As esposas perguntarão como foi o dia e à noite todos adormecerão. As estrelas sairão de seus esconderijos diurnos. E uma delas, a mais brilhante de todas, será a ponta da minha asa passando por cima.”