Guia para uma vida feliz, segundo os idosos – Parte II

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A segunda parte dos melhores conselhos extraídos do livro 30 Lessons for Living, do médico PhD Karl Pillemer. Se você não leu a parte 1, clique aqui.

AMOR PARA JOVENS

Allison Hanley, 72:

“Eu diria para você conhecer muito bem a pessoa e não se casar cedo. Eu casei muito cedo e fazendo um retrospecto, teria sido melhor pra mim, e eu teria sido mais feliz se eu fosse mais velha e mais forte. Eu achava que podia mudar algumas coisas na pessoa com quem me casei e, infelizmente, não pude. Assim que me casei, fiquei logo grávida e percebi que seria muito difícil sair, por razões financeiras e também pelos valores da minha família. Isso é algo que aprendi ao longo do caminho — que eu jamais poderia mudar alguém. Eu só posso mudar a mim mesmo.

CASAMENTO

April Stern, 71:

“Parece simples, mas vocês têm que gostar um do outro. Ser amigos, tentar passar daquele sufoco inicial e perfeito, e se certificar de que há uma amizade verdadeira por trás. Eu não acho que é preciso ter interesses idênticos, mas é preciso compartilhar valores. Isso é bem importante. Isso foi crítico [pra nós]. É… acho que valores são provavelmente a coisa mais importante.

Valores políticos, a vontade de não querer viver de maneira ostentadora, sobre comprometimento com os outros e com nós mesmos. Nós dois amávamos viajar, e tínhamos um ar de aventureiros. Gostávamos das mesmas pessoas e acho que isso é importante. Nós tínhamos valores muito parecidos sobre nossos filhos e o que queríamos deles.

(após uma breve pausa, continua com um leve sorriso)

E vocês têm que ter um senso de humor parecido. Essa foi uma parte muito importante na nossa vida a dois. De fato, apenas duas semanas antes dele morrer, nós estávamos conversando e ele disse algo que eu me acabei rindo, e ele olhou para mim com uma sensação de satisfação e disse ‘eu ainda consigo lhe fazer rir depois de todos esses anos’. E ele podia mesmo.

Nós ambos amávamos certos tipos de coisas. Nós amávamos filmes, bons filmes, parte do nosso namoro envolveu ficar acordado a noite toda pensando no que Ingmar Bergman queria passar com aquele filme. Nós ambos adorávamos ler, e amávamos falar sobre o que estávamos lendo.

Apesar de termos nos conhecidos nos anos 60, conseguimos nos comprometer com a monogamia e confiar, isso foi muito importante para nós.”

NO CASAMENTO, OU É GANHA-GANHA OU PERDE-PERDE

Sue Bennett, 86:

“Bom, casamento não é uma relação 50/50. Às vezes pode ser 90/10. Depende da situação. Você precisa sempre dar muito. Precisa entender de onde ela vem – se colocar no seu lugar. E precisa ter paz na família. Então você decide, bem, ok, é assim. Você cede. Eu aprendi isso com a experiência. Há momentos em que você cede e momentos em que a outra pessoa cede — você não pode ficar sentado contando quem ganha o que.”

Antoinette Watkins, 81:

“Ao acordar de manhã, pense ‘o que eu posso fazer para tornar o dia dela(e) um pouco mais feliz?’. Você precisa trabalhar para dar suporte um para o outro e trabalhar com um time — então, dará certo por muitos anos.”

CASAMENTO É COMPROMENTIMENTO

Mark Minton, 72:

“Houve momentos em que nós realmente fomos duros um com o outro. Mas casamento precisa de trabalho para ser prazeiroso. É necessário uma esperança teimosa e um comprometimento teimoso que precisa ser levado a sério. Você aguenta, trabalha nisso, e com o tempo você percebe que valeu à pena. Qualquer relacionamento passa por momentos obscuros assim como momentos brilhantes, então os picos são mais valorizados, mas existirão vales que você precisará atravessar e não desistir. Desistir em um relacionamento significa abrir mão de todas as futuras possibilidades. Veja, haverá sacrifício, mas tem que haver sacrifício ou a vida não será vivida integralmente.”

CASAMENTO: AS BRIGAS

Dora Bernal, 86 (casada há 67 anos):

“Eu só consigo pensar em uma coisa: não é porque vocês brigaram que é o fim do mundo, entende? Ao final, vocês ainda são duas pessoas morando juntas, vindo de famílias diferentes, com educação diferentes. Mesmo que a religião seja a mesma, vocês são duas pessoas diferentes. E se brigarem, precisam admitir ‘e daí? nós brigamos’. Dez minutos depois vocês esquecem. Conforme se envelhece, viram cinco minutos. Hoje, as pessoas brigam e agem como se fosse o fim do mundo”.

TENHA FÉ

Trecho do autor: Estudos mostram que pessoas que praticam uma religião se consideram mais felizes e que estar envolvido com uma congregação leva a uma maior satisfação com a vida. Além disso, os religiosos mais praticantes demonstram uma melhor habilidade para lidar com problemas.

Curtis Mcallister, 74 (um senhor em forma, casado com uma senhora de 73 igualmente atraente. Ambos lidaram com sérios problemas de saúde desde os 30 anos):

“Eu lembro quando a Bárbara começou a ter uns sintomas muito malucos em seu abdômen e algum tempo depois ela ela teve câncer no ovário que voltou muitos anos mais tarde. Eu digo que ela é um milagre ambulante. Nós oramos — e agradecemos a Deus. Talvez ele tenha curado ela, mas é mais uma questão de que estávamos juntos cuidando dela. Se ela morresse ou melhorasse, nós tínhamos fé em Deus, não de um jeito fanático ou algo assim. Ela meditava bastante e fazia coisas que ajudava pessoas a superar, contar com Deus a ajudou. Há muito mais na vida do que sua própria existência. Acho que todos nós precisamos de alguma espiritualidade, ter fé que é mais do que estes anos aqui, do que estes 74 anos.. Tem uma recompensa depois daqui.

Renata Moratz, 77:

“É verdade que isso [religião] é uma das raízes da minha essência. Eu não me lembro de quando eu não conhecia que eu era amada por Deus, uma generosa e onipotente divindade. Isso me levou a espalhar a mensagem gospel de Jesus, o Cristo. Mas não importa a que igreja você pertence ou não pertence. Se muçulmanos estivessem aqui, hindus estivessem aqui, budistas estivessem aqui, judeus estivessem aqui, todos lhe falariam que a religião deles diz ‘ame uns aos outros e perdoem uns aos outros’. Esse é o ponto em comum.

Cora Jenkins, 97:

“Tenha uma profunda fé, mas não fanática.”

ENVELHEÇA COM ENTUSIASMO

Trecho do autor: O longo estudo de Alameda County  descobriu que a ausência de laço sociais é o fator mais determinante na morte de idosos, superando classe social e condição de saúde.

Ramona Olberg, 76:

“Eu falo para os jovens que envelhecer é ótimo porque você pode fazer o que tiver vontade e aproveitar qualquer coisa. Você não está presa. Você pode fazer qualquer coisa. Levante e vá a algum lugar sozinho. E se alguém convidar você, você vai. Não fique em casa. Quando mais jovem, se alguém me convidava, eu achava uma desculpa. Mas agora, não! Fui!”

CUIDE DA SUA SAÚDE!

Todd Ouellette, 76

“Bom, eu sei disso: envelhecer é normal. Mas se você precisa ser empurrado em uma cadeira de rodas com um cilindro de oxigênio, e sabe alguma coisa hoje que pode prevenir isso, faça. Porque é quando você envelhece que mais tem oportunidade de sentar e aproveitar a vida. Mas só se você não estiver com a saúde horrível, como obesidade ou algo parecido. O que você puder fazer pra manter sua saúde, faça agora. Fique longe de cigarros ou o que quer que seja, porque isso definitivamente fará diferença mais tarde na sua vida.”

CUIDE DA SUA SAÚDE! PELOS OUTROS TAMBÉM.

Tina Oliver, ?:

“Meu marido me prometeu que faríamos 50 anos de casados, e ele mentiu. Ele me deixou depois de 47 anos e meio. Ele estava doente há algum tempo. Ele teve um enfarto, e antes disso uma cirurgia na carótida, primeiro de um lado, depois no outro. Ele fumava.

Nenhum dos meus filhos fuma, graças a Deus. Eles viram como o pai deles estava. Ele foi para o hospital, ficou lá por 5 meses e meio depois da cirurgia no coração e nunca voltou pra casa. Cinco meses e meio. Eram 83km todos os dias por 5 meses e meio, e eu fui todos os dias.

Sabe, as crianças viram como ele sofreu. E quando você falava algo, ‘não fume assim’ ou do quanto bebia, ele falava ‘o que tem? Todos vamos morrer um dia.’ Mas quem sofre? A família.”

O QUE VOCÊ IRÁ DEIXAR?

Mabel Leutz, 91:

“Acho que a principal coisa é o amor. Dê amor, deixe seus filhos e netos convencidos que você ama a eles e às suas famílias. Se eu pudesse fazer uma coisa diferente na minha vida, seria ter demonstrado mais compaixão com as pessoas em geral. Sabe, quando se é muito crítica com certas pessoas… mas agora que eu vejo o que eles estavam passando, eu queria ter sido mais atenciosa.”

Joshua Bateman, ?:

“Quem você já ajudou? Que círculos participou? Quem gosta de você? Algumas pessoas que eu conheço nunca ajudaram ninguém. Elas nunca fizeram nada. Nunca participaram de grupos — elas viveram as próprias vidas por conta própria. Sabe o que mais? Ninguém vai ao funeral delas. Vai ser como se elas nunca tivessem passado pela Terra. Elas nunca deixaram nenhuma marquinha.”