Como acabar com a sensação de que você não é capaz

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trabalho engravatado comportamento 101727532Todos os anos, os calouros de Stanford respondem à seguinte pergunta: “Quantos de vocês acham que só estão aqui por um deslize do departamento de admissão da Universidade?” E todo ano, mais de 2/3 dos alunos levantam a mão. É realmente curioso saber que alguns dos alunos mais bem preparados do mundo não se consideram merecedores de entrar em uma grande universidade. Esse caso é contado no livro “O Mito do Carisma” e ilustra bem o que é a chamada “síndrome do impostor”, uma sensação que há grandes chances de você ter sem saber que existia um nome para isso.

Você talvez já tenha conquistado algo (um emprego, um prêmio, passou em um concurso, ganhou um torneio) que quase não acreditou quando se concretizou, afinal os desafios eram inúmeros: os outros eram melhores que você, você não se dedicou tanto quanto deveria e cometeu erros imperdoáveis. Sentir-se assim é um sinal claro da síndrome. Não é apenas achar que não é capaz, é mais do que isso. De acordo com o Centro de Aconselhamento do Caltech (eles têm um departamento só para promover o bem-estar mental dos alunos), a Síndrome do Impostor é:

“Uma coleção de sensação de inadequação que persiste mesmo diante de informação que indica o contrário. É sentido internamente como uma sensação crônica de dúvida e sentimento de fraude intelectual.”

É quando muita gente diz que você é um excelente chefe, mas você não consegue ver dessa maneira. O grande problema da síndrome é que ela não condiz com a realidade. Pessoas assim acham que seu desempenho estão muito abaixo do que realmente estão — mesmo que relatórios e avaliações de desempenho indiquem exatamente o contrário. Sentir-se assim faz com que eles se esforcem e entreguem ainda mais resultados,  mas isso não é o bastante para acabar com a sensação de insegurança, incapacidade e encararem mais risco. E se tem uma coisa capaz de minar todo o seu potencial profissional e prender sua carreira no pé da mesa, é a falta a insegurança.

Fingir que somos poderosos nos faz sentir poderosos.

Empresas gostam de profissionais determinados e confiantes e descartam candidatos que não demonstram essas características. Estima-se que 70% a 80% das pessoas se sintam assim ao menos de vez em quando, e como já deu para perceber, isso acontece mais com pessoas de alto desempenho. Bizarramente, os melhores alunos e funcionários são os que mais tendem a pensar que não merecem o lugar que ocupam. Mulheres são ainda mais propensas a se sentirem assim, e segundo testes que avaliam a síndrome, quanto mais forte a síndrome, mais duro elas dão no trabalho para mostrar sua qualidade. Por outro lado, homens com síndrome forte, procuram evitar situações onde suas “fraquezas” (na cabeça deles) podem vir à tona.

“Nossos corpos podem mudar nossas mentes, nossas mentes nossos comportamentos e nossos comportamentos os resultados”

Em época de neuromarketing, é curioso dizer que o corpo altera a mente e não apenas o contrário. Achei absolutamente fascinante a palestra da Amy Cuddy no TED em que ela fala isso — que a propósito tem 17 milhões de views e não vi uma única pessoa compartilhando. Seus estudos mostraram que uma das maneiras mais eficientes (e engraçadas) de mandar bem em uma negociação, apresentação ou entrevista de emprego é reservar uns minutos antes para ir ao banheiro, parar diante do espelho e manter uma pose de poder por 2 minutos — levante os braços (posição de vitória), coloque as mãos na cintura, estufe o peito e levante o queixo, coisas do tipo. Fingir que  somos poderosos nos faz sentir poderosos.

A prova de que a nossa postura pode mexer com a nossa mente não vem apenas de observação. As pesquisas de Amy mostraram que 2 minutos são suficientes para aumentar em 20% a quantidade de testosterona no sangue e diminuir em 25% o nível de cortisol (hormônio do estress). Isso é bastante significativo quando você sabe que esses são as duas principais substâncias associadas ao poder dos machos alfa, na natureza. Para ter a firmeza necessária para liderar outros e encarar riscos, é preciso se sentir mais poderoso e menos estressado. E antes de ter poder, você precisa sentir o poder e como fazer isso senão fingindo que você realmente é? Sinta-se mais poderoso dentro de você, saiba que você é realmente capaz, confie no seu taco e fale com autoridade.

(Obs.: vale ressaltar que mulheres também produzem testosterona.)

Posturas de poder - poses

Eu sei que pode parecer idiota ir ao banheiro, levantar os braços e ficar se sentindo o Super-Homem, então se você não estiver preparado para isso, apenas evite as poses de baixo poder. Elas exercem o mesmo impacto que as de alto poder, porém de forma negativa. A imagem acima mostra algumas delas e podemos ver que são posturas bastante comuns, principalmente no ambiente corporativo. Tente imaginar pessoas aguardando para serem entrevistadas para um emprego, como elas estão? Algo me diz que não é com o peito estufado e o olhar elevado.

Você raramente verá diretores de empresa cabisbaixos e de ombros caídos, políticos poderosos e atletas campeões muito menos. Eles são vencedores e exalam poder. É possível que essa postura imponente tenha surgido com o poder, porém eu acredito mais na ideia de que eles sempre carregaram isso,  sempre agiram como vencedores mesmo antes de ter o que o que comemorar. Sejamos confiantes, sagazes e determinados, até quando estamos prestes a borrar as calças.