Ser é feliz é grátis (ou quase)

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felicidade_e_gratis“O melhor remédio para aqueles que estão assustados, solitários ou infelizes é ir para fora, algum lugar onde possam ficar sozinhos com o céu, natureza e Deus. Para então, e só então, você conseguir sentir que tudo é como deveria ser e que Deus quer que as pessoas sejam felizes entre a beleza e a simplicidade da natureza.” (Anne Frank)

A receita de Anne pode soar romântica demais para muitos ouvidos, mas nada como a pureza e o otimismo de uma criança para resgatar emoções há muito abandonadas pelos adultos. Crianças podem não conhecer muito da vida, mas se tem uma coisa que elas sabem é ser feliz. Comer guloseimas coloridas, brincar fora de casa sem importar com a cor da roupa ou com joelho ralado, ter muitos amigos e até brigar com alguns, mas sem guardar mágoas. Ser criança é quase um sinônimo de ser feliz — e o maior pecado do mundo deveria ser destruir a infância de alguém. Talvez por isso a maioria das pessoas sentem tanta saudade dessa época, porque desconhecem essa sensação hoje. Ser um adulto feliz parece exigir tanto esforço que o assunto se tornou popular em livros e palestras. Não é mais difícil ser feliz hoje do que aos 7 anos, é apenas diferente, e requer algumas mudanças na forma como você vê a vida.

Quando somos crianças temos 1 milhão de motivos para ser feliz e 1 ou 2 problemas para nos preocupar. Na vida adulta, isso parece se inverter — os problemas aumentam e sem os devidos cuidados podem superar as coisas boas. Dinheiro é o líder da quadrilha da infelicidade, afetando bilhões de pessoas no mundo. E aqui vem o primeiro segredo, o impacto que o dinheiro exerce na nossa vida depende da importância que damos: dinheiro é fonte de felicidade ou um mal necessário?

Felicidade não é algo a pronta entrega, é um produto caseiro feito nos detalhes e com muito amor.

É difícil falar de felicidade sem falar de dinheiro, então a importância que damos a ele afeta diretamente à nossa felicidade. Quer ver uma coisa? Suponhamos que você receba duas ofertas de emprego para trabalhar em outra cidade com moradia paga pela empresa e precisa escolher entre elas:

a) Empresa multinacional com salário de R$14.000 e uma boa casa (mas não a melhor) em condomínio fechado de altíssimo padrão em um dos bairros mais ricos da cidade.
b) Empresa multinacional com salário de R$9.000,00 e uma cobertura em edifício de alto padrão em bairro classe média.

Qual você escolheria? Segundo cientistas britânicos, as pessoas são mais felizes quando são mais bem sucedidas que as outras com quem convivem, independente do quanto ganham e do valor dos seus bens. Em outras palavras, é melhor ser o magnata do bairro do que um Zé Ninguém do Alphaville.

Se você quer comprar felicidade, precisa comprar momentos, não coisas. Você ainda vai sair ganhando porque momentos geralmente custam menos do que coisas. Para alguns, trocar de carro por um melhor é o maior exemplo de felicidade que se pode ter. Até faz sentido, pois carro gera status e se nosso status for maior que os dos outros, ficamos felizes (é a ideia do estudo acima). Mas é mais provável que o  carro, por melhor que seja, ainda o faça desejar a caminhonete do vizinho. Também é provável que lhe deixe com a grana curta e lhe faça adiar aquela viagem para Europa que há tanto tempo sua namorada sonha. Momentos são mais valiosos que coisas.

Mas não precisamos viver como monges para encontrar a felicidade. Ter coisas nos faz feliz sim, ganhar mais no final do mês também nos faz feliz, mas apenas se os nossos desejos não aumentarem junto.

É impossível não transbordar de felicidade com a compra do primeiro imóvel, mas se você já pensa em dar de entrada por outro maior no futuro, essa felicidade durará pouco. O dinheiro gera felicidade ao preencher um vazio, mas muitas vezes acaba acontecendo como Benjamin Franklin disse uma vez, criando um novo. Ao invés de satisfazer uma vontade, ele dobra ou triplica. Dinheiro deveria vir com uma dose de sabedoria porque só assim elas saberão usar a seu favor.

Felicidade tem preço sim, de banana

Ao saber que a palavra “vovó” é mais associada à felicidade do que  “iPhone” ou “milhão”,  realizei uma pequena pesquisa em busca de um consenso sobre felicidade entre pensadores, filósofos e escritores. Embora cada um tenha sua própria opinião, uma das noções mais comuns pode ser resumida em uma frase do sábio escritor americano William Ward: “felicidade é um trabalho interno”.

Aristóteles, Dale Carnegie, Dalai Lama, Eleanor Roosevelt, Marco Aurélio todos compartilhavam a ideia de que felicidade vem das suas próprias ações e pensamentos. Mas só você sabe o que lhe deixa feliz, não é? Seja o que for, apenas não esqueça que ela está dentro de você e não em um shopping center. Felicidade não é algo a pronta entrega, é um produto caseiro feito nos detalhes e com muito amor.

Não há regras, mas você pode começar por aqui

É tudo sobre sua habilidade de viver um momento de cada vez e valorizar o que já conquistou. Quanto mais você pensar no futuro e viver para ele, menos você aproveitará o hoje e maiores as chances de viver frustrado, preocupado e infeliz. Nunca esqueci da história de um homem que durante muitos anos trabalhou no turno da noite da redação de um jornal, o único momento que tinha com seus filhos pequenos era quando os levava para escola e raros eram os momentos a dois com amigos e a esposa. Seu objetivo era trabalhar duro para se aposentar cedo e então aproveitar a vida, e o turno da noite pagava mais. Ele faleceu em um acidente de trânsito bem antes da aposentadoria.

Dinheiro é importante, mas está longe de ser tudo. Para provar que você pode ser mais feliz sem o salário dos sonhos, há 4 pequenos conselhos que gostaria de compartilhar. Como a felicidade reside na simplicidade, você verá que esses conselhos não trazem nada de novo. A força deles está no quanto você os aplica na sua vida.

1. Aproveite os amigos e a família

Enquanto você ainda pode. A amizade é uma das maiores fontes de felicidade. É quase um consenso na ciência hoje que é impossível ser feliz sozinho. A consultoria Gallup diz que são necessárias pelo menos 6 horas diárias de convívio social para uma vida feliz. Se uma simples conversa com um colega de trabalho contribui para sua felicidade, imagine o impacto de um happy hour com um amigo. Quantas vezes seus pais lhe telefonaram reclamando que você não os visita mais? E aquele amigo que já lhe convidou várias vezes para fazer algum coisa e você “nunca pode”? Compromissos sempre vão existir, mas é preciso achar uma brecha na agenda para quem você ama. Lembre-se que amizades verdadeiras não são construídas a partir do dinheiro. Se tudo que seus amigos gostam de fazer é ir para baladas caras em roupas de marca, talvez você devesse rever essas amizades (como sua mãe deve ter lhe dito alguma vez na vida). Amigo não é aquele que lhe acompanha em uma viagem à Europa, mas aquele que pega um ônibus lotado para o litoral sem ter onde ficar. Só pela parceria.

2. Seja generoso

Altruísmo é outra grande fonte de felicidade. Dar R$1,00 para uma criança no semáforo não faz muita diferença no seu bolso, mas provavelmente faz para o seu bem-estar. Pessoas que fazem trabalhos voluntários ou doam regularmente desfrutam de um ganho emocional considerável. Mas ações ainda menores do que essas contribuem para a felicidade, como dar uma lembrança inesperada para alguém.

A felicidade é uma empresa de um único funcionário, você.

Gastar dinheiro com alguém que você gosta tende a lhe deixar mais feliz do que se gastasse com algo para você, é o que dizem os autores de “Happy Money”. Por quê? É contagiante. Fazer algo por alguém nos faz com que nos sintamos bem conosco, fortalece laços e gera maiores lembranças positivas.

3. Faça o que gosta

Todos os dias, eu tento fazer pelo menos 1 coisa que eu gosto muito. Sem culpa. Assistir uma série, jogar videogame, tomar uma cerveja. O que quer que você goste muito, assegure de fazer com regularidade. De preferência, procure atividades relaxantes, mas não é regra. Tem gente que fica feliz ao correr 5km, outras ao ficar esparramado no sofá. Apenas uma observação: preste atenção se isso contribui de forma genuína para uma sensação agradável duradoura que durante e depois. Muitas coisas das quais gostamos trazem benefícios momentâneos e depois geram sensações de culpa, angústia e inferioridade (por exemplo, Facebook). Nem tudo que é bom nos faz bem.

4. Dedique sua vida alguém

O amor é a única coisa que conhecemos no começo de nossas vidas. Com o tempo, nasce o medo através dos nossos erros, más experiências e julgamentos. Toda fonte de amor é válida e incrivelmente poderosa, mas o amor de casal é o que leva homens e mulheres às experiências mais intensas. Quando puro e sincero, o amor por alguém é a maior fonte de felicidade que se pode sentir. Fica-se feliz só por estar na presença do outro e tudo é mais intenso, tudo parece melhor do que realmente é. Claro, também é fonte de tristeza e melancolia, mas grandes recompensas carregam grandes riscos e uma vez que você encontra a pessoa certa, a felicidade invade sua vida de uma maneira impressionante. (leia: “Pré-requisito para amar”) Nunca deixe essa pessoa ir embora da sua vida. Como instruiu o pastor no casamento de um grande amigo meu: “viva para a sua esposa. Ela é a pessoa mais importante da sua vida, mais até que os seus filhos”. Quando encontrar a pessoa certa, dedique sua vida a ela, essa também é uma das maiores lições que você pode ensinar aos seus filhos. Nada é mais forte que o amor para mudar o mundo — e a sua vida.

Quer ser feliz? Então seja!! É um trabalho interno no qual o exterior influencia até onde você permitir, não existe nada lá fora que possa lhe ajudar mais do que você mesmo. A felicidade é uma empresa de um funcionário só: você.