A dúvida Nº1 entre os universitários

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duvida de universitario

Quando o assunto é escolher uma profissão muita gente se apavora e treme na base. No Brasil temos o hábito de emendar o Ensino Médio com a Graduação, o que nos leva a escolher uma carreira aos 17, 18anos sem margem para erros e dúvidas. Já na Europa, devido a curta distância entre os países e a praticidade do Euro, jovens costumam viajar por um ano, às vezes dois, antes de prestarem os exames de admissão, o temível vestibular como nós conhecemos (hoje bem menos assustador que outrora).

Nessas viagens, o único compromisso é viver. Eles trabalham em restaurantes, hostels, cafés e vão pulando de país em país conhecendo outros jovens perdidos e o mais importante, se encontrando com habilidades escondidas, paixões abafadas e sonhos que eles nem imaginavam ter. Assim, quando a hora H chega, eles têm mais certeza da profissão escolhida. Viajar sozinho e explorar novos lugares, conhecer pessoas diferentes, falar outras línguas (ou tentar) estão entre as experiências mais ricas que uma pessoa pode vivenciar. A cada espaço desconhecido cresce o conhecimento sob si mesmo — desejos, limites, gostos, vontades, reações, medos, coragem. Tudo isso vem à tona e te ajuda a entender que tipo de ser humano você é e consequentemente que carreira tem vontade de seguir na vida adulta.

Aqui no Brasil, não temos esse tempo disponível antes de se enfiar numa universidade.  O que temos são adolescentes desesperados escolhendo a profissão dos pais, ou a que paga melhor, ou a que o teste vocacional acusou e não a que eles realmente têm vontade de cursar, não por desleixo, mas por ignora-la. Escrevo sobre isso por fazer parte deste grupo de jovens perdidos. Prestei meu exame do vestibular aos 17 anos para Comunicação Social – o curso dos perdidos. Durante os 4 anos da graduação tive a certeza de que não era aquilo que queria seguir, mas como também não sabia o que era fui levando até pegar o tal do diploma que deixam os pais tão eufóricos. Decidi cursar mais 2 anos de faculdade para sair Bacharel em Cinema. Não tinha a mínima ideia do que essa graduação me traria, mas estar mais próxima da arte fazia mais sentido naquele momento do que o marketing empresarial. Pois bem, lá se foram 6 anos de aulas, trabalhos, estudos, provas até que sai da faculdade com dois diplomas na mão. “Ufa! Agora posso começar minha carreira!”,  pensei.

Não. Não é assim que a banda toca. Ter uma formação não te garante uma profissão e muito menos uma carreira. É algo a ser construído dia após dia através do seu esforço e determinação. Mas de onde tirá-los quando o desejo não fala em nenhum dos dois lugares? Arrisque-se e tenha paciência. São os conselhos que tenho para compartilhar. Trabalhe com o que surge, se infiltre em diferentes áreas, experimente funções variadas e perceba se, no meio disso tudo, não há uma pecinha perdida que se encaixa, quase que perfeitamente, à esta fase da sua vida. Foi assim que encontrei o roteiro e o drama. Hoje, faço parte do núcleo de dramaturgia de uma companhia de teatro e finalmente tenho prazer em acordar e seguir mais uma dia de trabalho.

Naquela época eu não sabia, mas precisaria de mais 8 anos de vida para ter certeza qual era o quadradinho certo para mim naquele cartão de inscrição. Mas tudo bem. Todas as experiências que passei foram importantes para me trazer aonde estou hoje. E não tem nada mais gostoso do que ter a certeza de que você está exatamente aonde deveria. Sabemos que tudo é uma questão de tempo e investimento. Como disse ali em cima, paciência é a palavra de ordem se não queremos desperdiçar um período precioso da vida exercendo funções que não nos estimulam ou agregam.

Estejamos atentos às nossas escolhas para não cair na cilada que o ensino superior brasileiro nos preparou. Vamos ouvir o que nosso coração nos diz e dar atenção a ele. Sempre é tempo de correr atrás dos sonhos e mudar os rumos da nossa vida, basta ter paciência e coragem. Se você não as tem, trate de busca-las, elas serão duas principais aliadas nessa coisa misteriosa que chamamos de vida. E o diploma é apenas o começo.