Cinco minutos com o ‘Guru dos CEOs’

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Marshall GoldsmithLuz amarela para os executivos brasileiros. Essa foi a mensagem que Marshall Goldsmith deixou para os executivos do alto escalão das empresas no Brasil em sua última passagem pelo país no final de abril. Marshall é o cara quando se trata de executivos, já treinou mais de 150 CEOs de grandes empresas e escreveu mais de 30 livros sobre liderança e carreira, não é por acaso que ele é considerado o ‘guru dos CEOs’. Dos seus alunos hoje, apenas 30% não ocupa o cargo mais alto da companhia.

O autor de uma das minhas frases favoritas — “o que trouxe você aqui, não o levará até lá” — falou sobre o perigo do sucesso e outros pontos valiosos do selvagem mundo corporativo:

Pedir em vez de mandar
Saber mandar é coisa do passado, o bom líder hoje deve saber como pedir. O mercado está cheio de opções e com os profissionais cada vez mais preparados, eles podem se dar o luxo de escolher. Se um chefe os trata sempre mal, eles vão embora. Antes, as pessoas corriam atrás das empresas, hoje são as empresas que correm atrás do funcionário. Marshall falou algo que sempre acreditei, hoje as pessoas não trabalham só por dinheiro, elas querem qualidade de vida, querem ser tratadas com respeito. E quanto mais jovem, menos grosseria aceitam. Basta considerar que o fator número 1 de satisfação no trabalho hoje, segundo a Society of Human Resource Management, é a oportunidade de usar nossas habilidades. Esse fato fica ainda mais interessante se você considerar que, em 2004, esse era o quinto fator mais importante e o salário era o primeiro. As coisas definitivamente mudaram.

Nem todos são treináveis
Se você acha que pagar um curso ou contratar um coach para aquele executivo talentoso, mas grosseiro, o tornará um profissional melhor, você está errado. Nem o melhor professor mundo consegue salvar um aluno desinteressado. O que os recrutadores das grandes empresas querem não é apenas profissionais talentosos, mas líderes dispostos a se desenvolver.

Puxa-saco sempre existirá
O ser humano é interessante à beça. Apesar de ninguém assumir que gosta de funcionários puxa-sacos, eles estão em todo lugar, da micro à grande empresa dos mais variados segmentos. Marshall tem uma analogia interessante: “puxa-saco em uma empresa é como o cachorro dentro de uma casa. Não briga, não reclama, está sempre feliz em ver o dono, não liga se o dono chega bêbado em casa. E, no final das contas, o membro mais amado da família acaba sendo quem? O cachorro.”

Os brasileiros são mais emotivos
O sangue latino tem sua contribuição no perfil profissional do executivo brasileiro. Uma das coisas que mais chama atenção do Guru dos CEOs é que o executivo brasileiro é muito ligado à família, isso os torna mais emotivos e menos ambiciosos que os europeus e indianos. E também menos focados no aprendizado — Marshall diz que o professor no Brasil não tem tanto status. Muitas vezes, a motivação profissional do brasileiro vem da necessidade de agradar a família, e não da vontade de aprender e crescer. Isso não é algo ruim, é apenas diferente dos colegas europeus e asiáticos.

As mulheres precisam se mostrar mais
No bom sentido, é claro! O livro da Sheryl Sandberg trouxe para o topo da discussão o perfil da mulher executiva. Para Marshall, o que elas precisam é se mostrar mais, o que muitas vezes não acontece pelo fato delas serem muito exigentes consigo mesmas, e presumem que a empresa automaticamente irá reconhecer seu bom trabalho, o que não acontece. No geral, elas são melhores do que os homens, mas a diferença é que eles não ligam para isso e continuam fazendo o seu trabalho e se auto-promovendo como se fossem o dono do mundo. “Elas não podem ter medo de mostrar o seu trabalho”, essa é a lição de Marshall Goldsmith para as mulheres. Mas tem uma coisa, você mulher precisa se promover diferente de nós homens, não seja dura. Vocês chegaram até aqui sendo mais sutis e respeitosas, continuem assim. Só não tenham medo de valorizar o seu trabalho.

O perigo do sucesso
Onde há sucesso, há ego, presunção e a arrogância. O cenário ecômico positivo do Brasil sem precedentes aumenta essas armadilhas do sucesso. É preciso ficar atento para essa luz amarela não virar vermelha. Lembre-se: saber ouvir e estar disposto a aprender são as duas chaves para o sucesso.

Leia a entrevista na íntegra.