Caine’s Arcade, a encantadora história de empreendedorismo de um menino

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230213_caine_monroy_licaoDisney dizia que o problema dos adultos é que eles crescem, e se esquecem como é ter 12 anos. Picasso também admirava as qualidades dos pequeninos, e chegou a dizer que demorou anos para pintar como Raphael e a vida toda para pintar como uma criança. A ligação entre criar coisas com a curiosidade e inocência das crianças não se resume “apenas” às opiniões de dois grandes ícones do século XX. Criatividade e ousadia são duas das qualidades mais desejadas dentro das empresas, então porque nos esforçamos tanto para ser adulto e reprimir qualquer aspecto infantil da nossa personalidade?

A história deste garoto de 9 anos tem a ensinar a vários marmanjões engravatados das empresas mundo afora, aliás foi isso que ele foi fazer no Festival de Criatividade de Cannes, tornando-se o mais jovem palestrante da história do evento.

Mas como raios uma banquinha de jogos à la Festinha de São João tornou um menino comum em uma das maiores lições de empreendedorismo de 2012? Senta que lá vem a história.

Caine voltou das férias escolares disposto a criar um pequeno centro de diversão feito com… papelão. Ele criou tudo sozinho utilizando, basicamente, caixas, Durex e outros materiais comuns. Isso em uma parte da loja de auto-peças do pai, que permitiu que o lado empreendedor do filho tomasse forma. Apesar da estrutura muito simples, os jogos (conhecidos como arcade, em inglês) foram montados com muita criatividade, o que os tornavam especiais. Por exemplo, após reclamarem que o jogo de futebol era muito fácil, ele resolveu o problema colando soldadinhos no meio do campo. Soldados goleiros? Essa é a criatividade infantil que tantos falam, as coisas não precisam fazer todo sentido do mundo, se resolve o problema sem comprometer a experiência, manda ver.

Um dia, o garoto chegou para o seu pai, George, e disse que queria comprar uma claw machine (aquelas máquinas em que você tenta pegar um bichinho de pelúcia com um garra). E George disse: “por que você não monta?”. E não foi que ele montou mesmo utilizando fio e um gancho de ferro? Inovação é com ele mesmo, seus jogos possuem sistema de segurança feito com calculadoras e imprime tickets extras quando os clientes marcam pontos — impressão essa feita pelas mãos de Caine que empurra o papel para fora.

O primeiro cliente
No entanto, havia um problema: a falta de clientes. Quem no subúrbio de Los Angeles — onde não havia turistas nem muito pedestres nas calçadas — iria querer brincar com coisas feito de papelão? Caine bem que tentava chamando quem passava em frente, mas ninguém parava. Um dia, para surpresa do Seu George, um cliente parou para jogar. Mas não qualquer cliente.

Como num conto de fadas, este primeiro cliente era cineasta. Ele gostou tanto do entusiasmo do menino e da criatividade envolvida nos games que perguntou ao pai se podia gravar um curta, e de quebra,  trazer outros clientes. Com a permissão garantida, o cineasta organizou um flashmob via Facebook e começou a gravação do filme (que você pode ver aqui). Tudo ocorreu tão bem que Caine foi à Europa pela primeira vez, falar sobre criatividade com os profissionais criativos do mundo todo.

A lição
A história de Caine tem várias pequenas lições, como ouvir os clientes (colocando soldadinhos), usar criatividade para diminuir custos (construindo em vez de comprar), ser vendedor (convidando as pessoas a experimentar), oferecer vantagens (o passaporte é melhor que o ticket). Mas nada como ele mesmo dar as suas lições, a propósito, escritas em um saco de papel para vômito durante o voo para França.

1. Seja legal com os clientes. (circulado.)
2. Tenha um negócio divertido.
3. Não desista. (circulado e grifado três vezes.)
4. Comece com o que você tem.
5. Use coisas recicladas

É gostoso pensar que essas lições poderosas nasceu das mãos de um garotinho que ainda precisava de muito caderno de caligrafia. Pense bem, ele poderia passar as férias vendo TV, jogando videogame ou puxando o cabelo das coleguinhas, mas passou administrando seu pequeno negócio. Contudo, para nós adultos, não são lições novas. Já vimos isso. Vemos o tempo todo. A maior lição de todas é, na minha opinião, que a inocência rende frutos. É ver uma ideia que poderia ter morrido com um simples “não” do seu pai (como tantas por aí) levar um menino a palestrar na Europa, garantir o seu futuro e o de outras crianças — através da criação da Fundação Imagination, que até agora já arrecadou quase $250.000 dólares.

Caine foi uma grande inspiração para mim, uma mensagem linda, rica e poderosa. Não precisamos ter 30 ou 50 anos para mudar o mundo, talvez nem consigamos mudar o mundo, talvez não consigamos nem mesmo ter um negócio saudável, mas não importa, é preciso tentar como otimismo e dedicação. Não importa quantos anos tenha, tente com o entusiasmo de uma criança de 9 anos. O conhecimento transforma os adultos em seres mais capazes, porém menos imaginativos. Acho que era isso que Walt Disney queria dizer com o problema dos adultos é que eles crescem.

[Assista ao filme, em português.]