As novas descobertas sobre felicidade no trabalho e fora dele

PDF pagePrint page

A felicidade sempre foi um assunto muito abordado, mas o enfoque no trabalho e a entrada da ciência na conversa são coisas recentes.

Para os nossos antepassados, trabalho e diversão eram como óleo e água, mas com o mercado cada vez mais competitivo e a ascensão de cargos criativos — movidos à paixão e motivação– percebeu-se a importância de um ambiente gostoso para se obter grandes resultados. Cada vez mais surgem pesquisas que mostram que funcionários felizes produzem melhor, e a ciência veio trazer fatos para um assunto dominado pela sabedoria da popular.

Economia, neurociência e psicologia tem trabalhado em conjunto para tentar responder perguntas como: o que nos faz feliz? Quando somos mais felizes? Quanto um funcionário satisfeito com seu trabalho produz  a mais e por quê?

Partindo da premissa que não é possível ter um emprego estressante e ser realmente feliz, ou ter uma vida cheia de problemas e fazer um bom trabalho; este é um assunto que eu gosto muito. Como já falei outras vezes aqui, uma coisa afeta outra diretamente, por isso é importante para a sua saúde, auto-estima, bem-estar e até para a sua carreira que você se sinta bem tanto no trabalho como no final de semana em casa.

Estudos recentes já revelaram que dinheiro só compra felicidade até certo ponto, que pessoas que vão a igreja são mais felizes, altruísmo aumenta satisfação pessoal e outras coisas. Contudo, quero fazer outras adições que descobri ao conhecer o trabalho de 3 caras: Ed Diener (professor da Universidade de Illinois), Daniel Gilbert (professor de Harvard) e Matthew Killingsworth (doutorando de psicologia em Harvard).

Quantidade faz a diferença.

O que lhe deixaria feliz? Responda. Eu espero…

A maioria das pessoas diria coisas como ser promovido no trabalho, casar, ou arrumar um parceiro(a) perfeito, viajar, trocar de carro… coisas grandes. Mas o que estudos recentes mostram é que a qualidade das boas experiências não compensa a quantidade. Em outras palavras, coisas pequenas em grande número nos fazem mais felizes do que comprar aquela TV de 50 polegadas. Além disso, são raras as coisas na nossa vida quem tem a capacidade nos afetar por mais de 3 meses, seja de forma positiva ou negativa. Portanto, tome um sorvete, jogue videogame depois do trabalho, converse um pouco com quem você gosta, dê um beijão por dia na namorada. Como diz o professor Gilbert, “coisas pequenas pesam”.

O perigo da dispersão

Uma vez eu vi uma pesquisa sobre quando a nossa mente vagueia mais, por exemplo no trânsito, a nossa mente viaja cerca de 30% do tempo para os mais diversos assuntos que não têm nada a ver com o carros, retrovisores e semáforos. Lembro que pensei: “caramba! Até pra isso existe estudo”. Pois bem, a minha mais recente descoberta é a correlação entre o vagar da mente (dispersão) e a felicidade. Quanto mais concentrados estamos, mais felizes somos. É o que mostram os estudos. Paremos para pensar, o que é o tédio? Uma dispersão exagerada, e o tédio não deixa ninguém ser feliz.

Profissionais felizes no trabalho produzem mais, em parte, porque o comprometimento deles geram a um foco maior, e a uma menor taxa de dispersão — que é altíssima no trabalho. [Clique na imagem ao lado para ampliar.]

Social é a chave da felicidade

Se o professor Daniel tivesse que escolher a coisa mais importante para a felicidade humana seria sociabilidade. Somos sim dependentes dos nossos amigos, familiares, colegas de trabalho e eles nos fazem mais felizes do que imaginamos. Então, se você gosta de passar um tempo sozinho (como eu), saiba aproveitar os momentos em grupos e dar valor às pessoas a sua volta, sobretudo aquelas que se importam com você.

O que você faz é mais importante do que você é

Ao que parece, a felicidade é uma constante. Se você tiver picos, existirá sempre momentos ruins entre eles. Vamos parar de adorar os finais de semana e começar a aproveitar melhor os outros dias. Algo que sustenta isso é o que os psicólogos chamam de “experiências momento a momento” que nada mais são do que coisas que você faz e com que frequência faz. Essas experiências são mais importantes do que condições estáveis.

Isso significa que se você pode ser mais feliz sendo um estagiário do que um gerente, desde que esse estágio lhe proporcione crescimento, projetos enriquecedores, dia-a-dia agradável com os colegas e você sinta que seu trabalho importa dentro da empresa.