O guia de tendências 2012

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Agora que passou o carnaval e o ano novo realmente começou, vamos falar de tendências. Um post que eu vinha protelando há 2 meses porque precisava terminar de ler o relatório de 100 páginas do Trend Watching, algo um tanto difícil em meio a festas de final de ano, preguiça, férias, volta das férias e preguiça. Peço desculpas.

Final de ano, quase tão certo como o peru de natal são as tendências e previsões para o próximo ano. Quase todos os portais, blogs e revistas especializadas publicam matérias sobre como será o próximo ano, seja qual for o assunto. Confesso que cansei de ler artigos e posts sobre, mas cá estou eu escrevendo sobre. Se você tem feito o dever de casa, já deve conhecer boa parte delas, parabéns! Se você tem andado meio ocupado (o que não é desculpa), resumi as melhores tendências antigas e novas neste post. A tecnologia impera este ano, mas tente ver além de tablets e smartphones, pense em hábitos, consumo, geração de valor e mãos a obra!

As menos faladas

# Feito para nós

Crise nos Estados Unidos, Grécia quebrada, desemprego na Inglaterra… e os chineses rindo à toa. Motivos para rir também tem as empresas que estão nos países emergentes como Rússia, Brasil, Índia, Tailândia e China. Embora os consumidores desses países adorem um belo produto global, que viram em filme ou leram algo a respeito no jornal, há um extraordinário mercado para produtos que contemplem o estilo-de-vida, a cultura e os interesses desses países.

Veremos produtos e ações de marketing mais personalizados para cada região, tão diferente um do outro. Consumidores adoram saber que estão comprando algo que poucos têm acesso e saber que a empresa pensou eles antes de colocar à venda. Além disso as pessoas são diferentes fisicamente, algumas cores têm significados distintos dependendo da cultura e as grandes multinacionais precisam adaptar seus produtos, serviços e promoções para esse público cada vez mais endinheirado.

#Marca humana

Este não é um conceito novo. De fato, as marcas mais admiradas do mundo têm mais características humanas do que empresariais. É um conceito pouquíssimo praticado. Para ganhar mercado nos próximos anos, as empresas precisam praticar hábitos pouco valorizados nos negócios em décadas anteriores. Marcas fortes terão:

Empatia: entender não apenas o que os consumidores querem, mas como você faz eles se sentirem.

Generosidade: deixar de ser puramente comercial e ajudar a comunidade a se desenvolver.

Humildade: deixar os outros falarem sobre o que você faz.

Honestidade: não tentar esconder ou mascarar situações.

Bom humor: negócios não precisam ser um assunto chato.

Maturidade: ir sempre além.

Flexibilidade: abrir mão da rigidez; dando autonomia e se livrando de processos engessados.

# Desconhecidos iguais

Na era do 3 F’s (friends, fans, followers) esta tendência está ligada a outra mais conhecida que podemos chamar de  “Todo  mundo conectado” (descrevo mais abaixo). O que eu achei interessante nela é o conceito de taste twins (gêmeos de gostos), ou seja, existem pessoas com interesses iguais aos seus por aí. Em algum lugar do mundo, existe “outro Sylvio” que também escuta Manic Street Preachers, coleciona copos de cerveja e pratica artes-marciais. Talvez até no Brasil, talvez até na cidade onde moro. E a tecnologia facilitou esse encontro de interesses. Já que eu estou sempre conectado à internet, posso interagir com essa pessoa que poderá influenciar minhas decisões e opiniões. E não estamos falando de uma pessoa, mas de centas ou milhares.

# Solidão

A solidão fará mais parte na vida das pessoas. Uma tendência estranha, é verdade. Mas acredite,  as pessoas precisarão dela. Com o mundo cada vez mais acelerado –sobretudo nas grandes cidades– conectado, cheio de opções e atribulaões. As pessoas vão apreciar mais sua própria companhia seja em casa ou em um passeio. Atenção, isso não tem a ver com personalidade, ou seja, não estamos falando de pessoas solitárias ou de pessoas populares, mas de que as pessoas oscilarão mais entre um estado (agitado) e outro (mais calmo), na busca pelo equilíbrio no dia-a-dia. Elas continuarão adorando uma muvuca, frequentando lugares populares, apreciando muitas opções, utilizando gadgets… mas haverá um momento em que elas simplesmente irão reduzir a velocidade. E aí? Que opções sua empresa oferece?

As mais faladas

# Todo mundo conectado

Alguns dados falam por si:

  • Em média, uma pessoa checa seu celular 150 vezes por dia.
  • 85% da população mundial é coberta pela internet; 80% pela luz elétrica.
  • São 5,9 bilhões de celulares conectados no mundo.
  • Segura essa: 33% abriria mão de sexo por uma semana para ficar com o celular. 63% de chocolate e 22% da escova de dente.
  • 19 milhões de brasileiros começaram a usar 3G em 2011. 130% a mais que em 2010.

# Menos opções

Eu já falei sobre isso aqui no blog algumas vezes (um estudo e um conselho do Robert Cialdini). Como toda tendência, isso é algo que tende a ficar mais e mais forte com o passar do tempo. Quantos celulares a Apple tem? Quantos carros a Mini fabrica? Quantos sabores de Coca-Cola existem? (Ok, ok,  Coca-Cola tem outros sabores e o Mini outros modelos, mas basicamente variações do mesmo, e são poucos.) E a Samsung? Fiat? Smirnoff?

Apenas 20 anos atrás, o mercado vivia uma loucura de opções. Al Ries escreveu um livro cheio de cases de fracasso. Hoje, empresas inteligentes estão reduzindo seu portifólio ao máximo na busca pela maximização dos lucros. Isso permite concentrar o foco e investimentos, mas o conceito-chave desta tendência é: facilitar a vida dos consumidores. Eles não querem ficar diante da prateleira tentando decifrar as diferentes versões de produtos de uma mesma marca. Por que você acha que é tão difícil alguém mudar de marca? Porque elas confiam e não as fazem perder tempo. Simples.

# Off = On

Com smartphones a preços mais acessíveis, tablets populares e planos 3G pré-pagos, é natural que as pessoas passem cada vez mais tempo online. E ao contrário de alguns anos atrás, não é sentando na mesa do quarto. É no cinema, no ônibus, na rua, no carro (estacionado hein pessoal!), praticamente em todo lugar. O que significa que as pessoas nunca estão offline, e mesmo quando estão, levam um pouco do online com elas e vice-versa. As empresas precisam trabalhar isso como uma coisa só, porque, para os consumidores, já é uma realidade.

# Serviços sincronizados

Acabou aquela “frescura” de não usar uma ferramenta ou serviço de outra empresa e querer criar sua própria. Isso é tão 1990. Empresas farão cada vez mais parcerias e alianças na busca pelo cliente, seguindo a filosofia: se é bom para o cliente, é bom para gente.

# Dinheiro invisível

Tudo começou com o cheque, depois com o cartão de crédito, depois com o de débito. Então veio o PayPal e mudou a forma de fazer transações online. Para você ter uma ideia do crescimento desse mercado, em 2010 o PayPal fez circular $700 milhões de dinheiro digital, em 2011 foram $4 bilhões. Visa e MasterCard estão desesperadas em busca de uma fatia desse mercado, já lançaram alguns produtos e até agora não conseguiram deslanchar nenhum. Fato é que depois da massificação das compras online, o dinheiro está indo para o mobile. Não é difícil ver daqui a poucos anos, as pessoas usando o seu smartphone e não um cartão para pagar a conta do restaurante. (Obs.: isso já é possível.)

# Aqui e agora

Smartphones, tablets… confesso que estou um pouco cansado de ler e falar sobre isso, mas é a próxima grande coisa. Então, mais uma tendência. O relatório do TrendWatching aponta duas coisas: 1) Ver-ouvir-comprar permitirá que o consumidor compre no mesmo instante em que esteja vendo ou ouvindo, evitando que ele precise ir a uma loja ou visitar o site para adquirir (tirando vantagem da compra por impulso). 2) Apontar&saber; nunca foi tão fácil achar uma informação sobre qualquer coisa em qualquer lugar, seja um lugar bacana em uma cidade que você não conhece ou se aquele livro que você está pensando em comprar vale mesmo à pena. Os consumidores sabem tudo, e agora?

# Informação é tudo

Com as pessoas passando tanto tempo conectadas, gerando uma quantidade de dados como nunca se viu, é possível desvendar seus hábitos e gostos mais facilmente. O problema é que mergulhar nesse volume desumano de informações, convertendo-as em algo útil para o marketing, não é para qualquer um. Mais e mais empresas de pesquisa têm começado a trabalhar nisso.

Por outro lado, as próprias empresas podem adquirir informações de seus clientes, concedendo vantagens para quem optar em compartilhar informações. Empresas de software já monitoram o uso de seus produtos há tempos, e nunca foi tão fácil como hoje.

# Cultura da tela

As pessoas ainda estarão apaixonadas por telas, atraindo olhares, dedos, ajudando consumidores e empresas a se engajarem, melhorando, assim, a experiência com a marca.

# Caçador de descontos

Todo mundo adora descontos. Até quem é podre de rico não perde uma boa oferta. Mais do que gostar de descontos, as pessoas gostam de ofertas relevantes, personalizadas. As empresas precisarão mergulhar em dados e caprichar nos logaritmos para criar ofertas cada vez mais “isso é a minha cara” e também naturais — não adianta empurrar! Já que elas têm ferramentas melhores, elas irão caçar descontos, mas elas sabem o que procuram, então trate de entregar isso.

Considerações finais

Tendências, cuidado quando você ouvir essa palavra. Não são regras, leis, ordens, tampouco algo que você tem que fazer. São direções.

Como o TrendWatching enfatiza, elas não surgem no dia 1º de janeiro e desaparecem no dia 31 de dezembro.  Elas vão surgindo aos poucos, algumas morrem pelo caminho, outras se fortalecem, algumas demoram anos para alcançar a massa, outras são mais rápidas. Varia de cidade para cidade, de país para país. E o mais importante mandamento quase se fala de consumidor é: nada se aplica a tudo o tempo todo.

[Artigo baseado no relatório anual de tendências do Trend Watching]