Mudando o jogo

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No mundo, há pessoas que conseguem passar a vida toda fazendo a mesma coisa e aquelas que não conseguem. Um misto de inconformismo, ambição e coragem, fazem essas pessoas procurarem novas perspectivas e abordagens diante de um problema. Esse é o caso de Billy Beane, gerente do time de baseball Oakland Athletics e personagem central do filme “O Homem Que Mudou o Jogo” que concorre ao Oscar 2012.

Mudar o jogo é uma capacidade extremamente valiosa nos dias de hoje, e como tal, muito, muito rara. Para cada pessoa que consegue fazer diferente, existem milhares que fazem tudo da mesma maneira sempre. Mudar o jogo é o popular “tudo ou nada”. É estar perdendo a 20 minutos do final e arriscar uma estratégia que parece loucura, mas que é a única coisa capaz de render a vitória.

O curioso é que se você perguntar para as pessoas sobre o fazer diferente, quase todas irão lhe dizer que admiram isso. Boa parte delas também dirão que são assim. Não mesmo! Mudar a maneira de fazer algo é difícil até para mim que defendo “o novo” há anos. E é tão difícil mudar como aceitar a mudança do outro.

Agora, se mudar os seus próprios hábitos já é difícil, imagine mudar o mercado.

Passo 1: Identifique o REAL problema

Foi exatamente o que Billy Beane fez ao perceber que seu time — de baixo orçamento — não teria chances contra os grandes que gastam milhões com jogadores. Enquanto os velhos conselheiros do time procuravam uma maneira de substituir as estrelas do time que foram vendidas, Billy procurava uma maneira de ter o mesmo resultado gastando muito menos.

Ele percebeu que o real problema não era a falta de verba para contratar um bom jogador, mas a miopia dos times que não exergavam a vitória como resultado de uma equipe, mas de dois ou três grandes talentos.

Os times compravam jogadores, não vitórias. Esse era o problema.

Passo 2: Reconheça a sua posição e encontre alternativas

Esporte em geral é algo injusto onde o dinheiro supera o suor, o talento e a inteligência. Billy sentiu na pele isso, e apostou na ousadia (loucura para os outros): contratar jogadores com bom desempenho, mas altamente subestimados.

Fazer diferente só é possível se você reconhecer que precisa mudar e isso geralmente vem de uma situação difícil. Seja no esporte ou nos negócios, uma das coisas mais arriscadas que se pode fazer é jogar o jogo do outro. Billy não tinha dinheiro para formar a equipe dos sonhos, então ele formou uma equipe de vitórias. Ousadia é o que destaca o bom do ótimo. O que nos leva ao passo 3.

Passo 3: Seja macho quando necessário

Mudar o jogo não é para quem quer ganhar uma partida, é para quem quer vencer o campeonato. E isso não é para os fracos.

Mesmo que você seja mulher, é preciso que aja com a firmeza de um homem de vez em quando. Vamos separar o que é ser estúpido e mal-educado do que é ser firme. Falar sempre gritando é ser estúpido, ser firme é usar a sua autoridade para resolver uma situação isolada que passou dos limites. Se você acredita em algo, não baixe a cabeça.

Passo 4: Arrume um grande aliado

É difícil aguentar toda pressão sozinho. Pessoas irão falar que você vai quebrar a cara, que você está fazendo bobagem, que você não é ninguém. Segure firme!

Billy Beane arrumou um grande aliado que também achava ser possível montar um bom time sem gastar fortunas; um jovem de 25 anos formado em Yale que dominava estatística (na história real, era de Harvard) e avaliava jogadores utilizando uma complexa análise de dados chamada sabermetrics. Avaliar jogadores com base em números, diagramas, planilhas e projeções feitas por um computador parecia absurdo. O computador tinha 10 anos, o baseball 150, e jogadores sempre haviam sido avaliados de maneira empírica por homens muito experientes. E daí?

Passo 5: Resista a propostas irresistíveis

O problema com o dinheiro é que ele faz tudo girar em torno dele. A paixão diminui, a motivação seca e, frequentemente, perde-se autonomia ao mudar de posição. Billy Beane recusou um contrato milionário de um dos maiores times da divisão de baseball e está até hoje no time que lhe deu a fama — e a oportunidade.

O que é o sucesso? Dinheiro, reconhecimento, princípios, fazer o que gosta? O peso de cada um varia de pessoa para pessoa. Por exemplo, fazer concurso público não irá lhe render reconhecimento e, provavelmente, nem fazer o que gosta, mas dá dinheiro. Para Billy, sucesso era vencer. Era ser reconhecido por um bom trabalho, não apenas assegurar umas vitórias de vez em quando, mas brigar pelo título. O jogo era injusto, então ele mudou as regras e venceu.

NOTA: Billy Beane foi eleito um dos 10 melhores gerentes de todos os esportes da década passada. Seu modelo de gestão virou livro, filme e fez todos os outros times de baseball reavaliarem seus investimentos.