Arquivo de dezembro de 2011

Todos os anos, dedico o último post do Pequeno Guru ao novo ano com uma mensagem de reflexão. Ao longo desse tempo, percebi que a vida pessoal é tão ou mais importante do que a profissional e que é muito difícil ser bem-sucedido no trabalho sem ser feliz em casa.

Especialmente em 2011, trouxe vários artigos voltados para o auto-desenvolvimento que acredito serem capazes de nos tornar pessoas melhores, e claro profissionais melhores.

Uma das maiores fontes de sabedoria e crescimento pessoal que eu conheço é o Buddha. Independente do que você acredita (eu não sou budista), seus ensinamentos como líder espiritual são de grande valia para todos nós seja qual for a sua religião. Coisas como saber esquecer e se libertar do passado, adquirir conhecimento, bondade, ter iniciativa e amar a si próprio. São valores praticamente universais e que a maioria de nós esquece de por em prática.

Então, desejo aos meus queridos leitores, um 2012 de crescimento pessoal e profissional na mesma proporção. Espero que essas mensagens sejam tão inspiradoras para você como são para mim.

1. “Não viva no passado, não sonhe com o futuro, concentre sua mente no presente momento.”

Eu vejo a maioria das pessoas nostálgicas demais, mas pergunte e elas dirão que não. Começar um novo ano é uma oportunidade de fazer algo novo, não seja limitado por lembranças de momentos prósperos ou planos frustrados que, por algum motivo, deram errado. Faça acontecer. Não amanhã, hoje!

2. “Existem apenas dois erros a serem cometidos em uma jornada; não ir até o final e não começar.”

Isso é tão verdade que Seth Godin escreveu um livro sobre não ir até o final (“O Melhor do Mundo”) e outro sobre não começar (“Poke the Box”). Desligue o pensamento do “isso não vai dar certo”, pessimismo nunca foi característica de pessoas bem-sucedidas. E se você é daqueles que chama isso de “realidade”, vale dizer que pessoas realistas demais, que nunca sonham, também não conquistam grandes coisas.

3. “Se tudo é conquistado em sonhos, irá desaparecer também como um sonho.”

Mas apenas não sonhe, aja! Aliás, esse talvez seja o único problema de sonhar. Ficar preso nele. Um passinho de cada vez e um pulinho de vez em quando é tudo que você precisa.

4. “Não acredite em nada que você lê, ou em quem diz, não importa se eu disse; a menos que isso faça sentido para você e o bom-senso.”

O legal de ler blogs é que você lê opiniões, não vereditos. E é com a análise crítica de uma opinião que você deve receber tudo. Seja a ordem de um chefe, o conselho dos pais ou os argumentos de um especialista. Se não faz sentido pra você, conteste. Está de acordo com os seus valores? Você acredita realmente ou apenas não quer criar atrito? Ser crítico não é ser chato, é ter opinião própria.

5. “Educação é um guia, conhecimento é a chave.”

Análise crítica — e outras habilidades — dependem da educação que você recebe da escola, pais, pessoas a sua volta e do conhecimento adquirido com elas. Educação é o começo, mas o verdadeiro fim é o conhecimento.

6. “Conforme você semeia, você colhe.”

Trabalhe duro e suba de cargo; trate as pessoas bem e você terá funcionários comprometidos; construa um bom networking e obtenha oportunidades; cuide da sua namorada e ela não o deixará;  semeie alegria e colha felicidade. Tudo que vai, volta, de uma forma ou de outra.

7. “Não existe glória em uma pessoa preguiçosa, mas bem apresentável.”

Aparência não compensa bom caráter ou comprometimento. Evite julgar as pessoas pela roupa ou beleza (ou falta dela). Ela pode ser a sua melhor opção.

8. “Fracasso ensina o homem como obter o sucesso.”

Fracassar é um saco, mas é a única maneira de alcançar a excelência e conquistar grandes coisas. O erro nos força a reconhecer pontos negativos e a trabalhá-los. Quem perde nunca esquece; se você não desistir, estará em vantagem em relação aqueles que se vangloriam de nunca ter errado.

9. “Paz vem de dentro. Não busque fora.”

Alivie a mente da pressão do mundo exterior. Aqui vão algumas dicas: pegue leve com você, não espere tanto dos outros, dê mais valor ao que você tem, aprecie as pequenas coisas da vida, seja menos materialista, aproveite o hoje!

10. “Chorar com os sábios é melhor que rir com os idiotas.”

A sabedoria começa em escolher bem os seus amigos.

11. “Todo trabalho honesto é um trabalho honroso.”

Talvez você esteja descontente com o seu trabalho atual, talvez você fizesse alguma “loucura”, se ela lhe pagasse melhor. Mas você sentiria bem? Lembre-se que a paz vem de dentro. Eu já conheci vendedores de bala mais admiráveis do que executivos de empresas. Entre os dois, com certeza eu não me espelharia no executivo.

12. “Hoje é melhor que dois amanhãs.”

O ano novo está chegando chegou e ele será melhor que 2013 e 2014… pelo simples fatos dele estar bem a sua frente.

FELIZ 2012 !!

Mais um ano chega ao fim e com um balanço positivo para o Pequeno Guru. Embora longe de ser um blog mainstream, este ano vi o número de visitantes quase dobrar e o de seguidores no Twitter ultrapassar os 1000 e quase os 2000. Sempre procurei focar em qualidade, o que significa menos posts, mas conteúdo relevante; menos visitantes, porém fiéis.

Nesses 12 meses, publiquei 134 posts, na sua maioria artigos importantes sobre o mercado, carreira e vida pessoal. E como eu escrevi cada um deles, é sempre difícil escolher os melhores. Mas eu tenho os meus melhores. O critério principal foi o caráter único de cada artigo, do tipo que você não costuma encontrar por aí, algo que refletisse a essência do Pequeno Guru. Alguns me deram muito trabalho pesquisando, outros foram mais fáceis porque eram resultados de minhas experiências. Em todo o caso, aqui estão os meus preferidos do ano.

OBS.: a seleção inicial foi drasticamente reduzida para não ficar muito extensa. Então, se você não foi um leitor assíduo este ano, sinta-se livre para ler os outros artigos, clicando em 2011 na barra lateral.

1. Premium. A estratégia além do nome

Por que ler: entenda o real sentido de um produto premium para o marketing. Não é nome, é desejo e valor.

2. O poder de não saber

Por que ler: saber que você nunca saberá o suficiente é o começo da sabedoria.

3. Os três caminhos mais fáceis para encantar um cliente

Por que ler: a maioria dos empresários devaneia sobre teorias e a dificuldade se encantar um cliente. Na verdade, é muito mais simples do que eles imaginam.

4. Quatro lições extraordinárias de Harvey MacKay (video)

Por que assistir: porque são simplesmente incríveis.

5. O meio rádio em 2020

Por que ler: se você trabalha com rádio ou se interessa por mídia, este post traz uma boa noção de como será (e está sendo) o novo rádio.

6. Quatro receitas da Amazon para lidar com problemas

Por que ler: atendimento ao cliente é sempre o calcanhar de Aquiles dos negócios. Aprenda com quem dominou a arte de encantar clientes.

7. O mais importante conselho para universitários

Por que ler: é o conselho que eu queria ter ouvido quando estava na universidade.

8. Nada se cria, tudo se copia

Por que ler: para deletar de vez essa frase que é atestado de falta de criatividade — e preguiça — de uma empresa ou profissional.

9. Grandes frases de Tom Peters

Por que ler: para pendurar no seu escritório e ler todos os dias.

10.  O preço de deixar para depois

Por que ler: para finalmente parar de procrastinar e fazer o que você sempre teve vontade de fazer.

11. As 7 métricas mais importantes da web

Por que ler: para medir de forma eficaz sua campanhas digitais.

12. Tweakers

Por que ler: você pode ser muito bom em algo que não criou, tornando o muito melhor que o original.

13. Como tirar o máximo das suas férias

Por que ler: preciso dizer? :)

14. Teorias fascinantes de Malcolm Gladwell

Por que ler: se você não conhece ele, está totalmente por fora dos negócios.

15. 36 fatos interessantes sobre pessoas

Por que ler: você precisa entender de pessoas para se relacionar (e fazer negócios) com elas, certo?

16. Não adianta

Por que ler: para depois não dizer que eu não avisei.

17. Frases de Steve Jobs para nunca esquecer

Por que ler: porque daqui a 100 anos, ele ainda inspirará muitas pessoas.

18. O mito da responsabilidade social

Por que ler: primeiro, porque as pessoas não entendem direito. Segundo, porque ainda é um tendência global que ficará cada vez mais fortes nos próximos anos.

19. Lições de vida de Bruce Lee

Por que ler: ele não foi apenas um grande ator e lutador, ele foi um grande ser humano.

20. Porque brainstorming não funciona tão bem quanto deveria

Por que ler: a maioria das empresas estão fazendo errado.

Vamos aproveitar a magia do natal e fantasiar um pouco.

O Papai Noel é alguém que existe para fazer os outros felizes, há gerações e gerações ele se mantém na ativa, gerando buzz, satisfazendo seu público, fortalecendo sua marca forte e gerando muitas imitações que desejam aproveitar uma fatia do seu sucesso. Sem ele, o natal não seria o mesmo.

Empresas de sucesso são assim em seus mercados, tão importantes que o mundo não seria o mesmo sem elas.

Aqui vão 5 lições que fazem do Papai Noel um sucesso há muitos anos.

OUÇA: tudo começa com um carta descrevendo o que aquele menino ou menina deseja ganhar neste natal.  Ouvir ainda é a melhor maneira de satisfazer alguém, seja entregando exatamente o que se pede ou acrescentando um toque pessoal e, assim, o surpreendendo. Nem sempre é possível entregar o que se quer, mas os esforços serão grandes para que isso não aconteça.

FOCO NO CLIENTE: a carta não serve apenas para satisfazer o remetente, serve para conhecê-lo melhor. Ouvir não é apenas para saber qual o melhor caminho a seguir, mas demonstra carinho e comprometimento. O Papai Noel se importa com cada criança, ele não quer entregar qualquer presente, de qualquer jeito, para voltar o mais rápido possível para o Pólo Norte. Ele quer chegar no dia 25 com a certeza de que fez o melhor que podia. Isso dá a garantia que, no próximo, ele terá a oportunidade de fazer tudo de novo. E é isso que todos nós queremos, não?

SEJA CONSISTENTE: Papai Noel tem tudo a ver com credibilidade. Se cabelo e barba branca já costumam transmitir confiança naturalmente, a roupa e o gorro vermelho aumenta isso ainda mais. Para uma criança, o que o Papai Noel diz é lei. Elas escutam muito mais ele do que seus próprios pais. Afinal, ele é legal, visita apenas uma vez por ano, usa uma linguagem que todos entendem e sempre cumpre o que promete. O natal começa com acreditar em algo, o marketing também.

SEJA ÚNICO: seu visual é algo memorável. Pense em natal e provavelmente você pensará em um senhor barbudo gordo de roupa vermelha, botas, cinto largo e gorro, gritando “Ho! Ho! Ho!”. Pode não ser o mais moderno e fashion, mas esses elementos fazem do Papai Noel uma das melhores marcas da cultura popular. Tem identidade forte, muitas associações de marca, alma e personificação. Quando algo único está tão enraizado na mente das pessoas, é difícil criar algo para competir que não pareça de segunda linha.

MODERNIZE-SE: como alguém de barba branca e sabe-se lá quantos anos de idade consegue manter o público interessado e fiel há gerações? Acompanhando tendências e inovando, é claro. Não, ele não trocou suas renas por jatinhos nem aceita pedidos online, mas troca algumas mensagens no Twitter e responde alguns e-mails. O desafio é não deixar a modernização afetar a tradição (se essa for a estratégia da empresa). A tecnologia deve ajudar a alcançar os objetivos, melhorar processos, diminuir problemas; mas não pode comprometer a essência da marca e conflitar com valores e estratégias já estabelecidas. O Papai Noel sempre será o Papai Noel mesmo que ele entre em nossas casas com um smartphone no bolso.

Quer ter clientes felizes e satisfeitos? Coloque-os no colo e os trate muito bem.

[Baseado no divertido post publicado no Social Media Today]

Já faz algum tempo desde que eu publiquei meu último post com exemplos de publicidade. Com o passar dos anos, tentei direcionar o blog mais para lições do que para exemplos. Não quero dizer como você deve fazer o seu trabalho, mas fornecer conhecimento e insights que lhe ajudem neste processo. É com esta intenção que eu trago um péssimo exemplo do mercado publicitário brasileiro.

Como brinde de final de ano, uma agência de Goiânia deu caixas com pintinhos para seus principais clientes, o que gerou uma grande comoção na internet pelo absurdo da ideia.

A criatividade é um campo quase sem limites, e um dos raros limites é a ética. Dar uma vida é absurdo em qualquer situação, como desabafa o autor deste post. Não faz nem uma semana que o Brasil repudiou o ato de uma enfermeira que espancou seu yorkshire até a morte, também em Goiás. A agência tuitou que poderia dar um cachorro, mas optou pelo pintinho por fazer referência ao símbolo da propaganda, o galo. Boa ideia se não estivéssemos falando de um ser vivo. Uma vida é para ser amada, não para brincar, decorar, expor ou comer (na minha opinião, mas esse é outro assunto).

A dona da agência disse que é vegetariana. Não quero julgar, mas quem realmente compartilha dos preceitos do vegetarianismo jamais faria isso. Na verdade, isso transcede o vegetarianismo, já que é possível ver todo o tipo de pessoa condenando a ação. Ela também disse que é melhor dar um pintinho do que dar um chester de supermercado, mas se contradisse ao falar que sua intenção não era que ele virasse alimento quando adulto. Vamos ser francos, as pessoas não costumam ter galos como animais de estimação. Além disso, como esse animal poderia ter uma vida boa longe do seu habitat natural em meio a loucura do clima urbano? Resumindo: o animal não era para comer, não era para ser animal de estimação, era um simples souvenir.

Não vamos confundir criatividade com “tudo pode”, existe algo acima da inovação e avanço tecnológico ou corporativo, e isso se chama amor.

Quando eu era criança e queria pedir algo para o meu pai, ficava pensando qual seria o momento ideal que aumentaria minhas chances de sucesso. Quase sempre escolhia o momento depois da sesta, minutos antes dele voltar para o trabalho. Em qualquer negociação, timing é muito importante. Mal eu sabia que depois do almoço é quando as pessoas estão mais dispostas e abertas, e menos inclinadas a agir por impulso. Mas vale dizer que, na maioria das vezes, funcionava.

Acredito que negociar é basicamente fazer a coisa certa, na hora certa, no lugar certo. A coisa é o argumento e o produto. O lugar geralmente é o escritório ou um restaurante, mas qual a hora certa? Ela existe?

Vamos usar como base um estudo feito com juízes americanos. Como leigo assumido da área judicial, vejo o trabalho deles basicamente como tomadores de decisão, o que torna esse exemplo ainda mais valioso. O estudo separou a agenda dos juízes em 3 períodos, cada um dividido por um intervalo para almoço e lanche. Conforme os juízes julgavam os casos, a taxa de resultados positivos para o réu ia diminuindo — em uma escala de 65% a quase 0%! Após o intervalo, a taxa voltava a 65%, e isso nada tinha a ver com variáveis legais. Ou seja, quanto mais próximo do intervalo (e mais tempo trabalhando) menos chances o acusado tinha de ser absolvido.

A explicação disso está em algo chamado fadiga mental. Seja um juiz ou o seu cliente, todos são afetados por ela, até mesmo com pessoas experientes, sérias e focadas. Como explica o professor Jonathan Levav:

“Isso pode acontecer em qualquer lugar onde a decisão ocorra de forma sequencial e haja algum tipo de status quo ou padrão que permita simplificar as decisões.”

O poder de decisão de uma venda está na mão do cliente como a vida de uma pessoa está na mão do juiz, esse poder é capaz de dificultar as coisas para quem está do outro lado. Isso porque somos facilmente afetados por mal humor, repetição, cansaço e a famosa vontade de ir para casa. Comigo acontece com frequência; para “evitar a fadiga”, acabo comprando logo um produto ou deixando para depois em vez de pesquisar mais até encontrar a oferta imperdível. Ou decido rápido ou não decido nada. Mas isso depende do quão complexa é a decisão.

O segredo do almoço

Afinal, almoço de negócios é bom para fechar uma venda ou não? Depende.

As pessoas tendem a simplificar decisões quando estão perto do almoço ou no final do dia. Então, se o cliente estiver satisfeito com a empresa, esses momentos difíceis são bons para fazer um novo pedido ou renovar um contrato. Se a situação for mais complicada, como a mudança de contrato, preço ou você quiser oferecer um novo produto, o almoço é uma boa jogada. Não apenas bom para estreitar relacionamentos e descontrair, mas principalmente para recarregar as baterias, o que provavelmente aumentará as chances de sucesso, deixando-o mais disposto para analisar propostas e ouvir o que você tem a dizer.

A fadiga mental pode estar atribuída à exaustão do córtex pré-frontal, região que curiosamente é estimulada com a ingestão de açúcar, como explicado neste post. É difícil afirmar o que faz as pessoas tomarem piores decisões no final da manhã ou do dia, pode ser puro desgaste físico ou estresse. Fato é que isso acontece, e os profissionais de vendas devem saber como lidar com isso. Seja convidando o cliente para almoçar ou marcando uma reunião bem cedo.

Acredito que a maioria dos profissionais que trabalham com mídias sociais possuem uma visão superficial da coisa, a maioria acaba se focando em tecnologia em vez de comportamento. Não importa se usamos Facebook para compartilhar, MSN para conversar, Tumblr para blogar, Instagram para fotografar… Há alguns anos usávamos o Orkut, o mIRC, o Blogspot e o Fotolog para exatamente as mesmas coisas. O importante disso não é o que usamos, mas como usamos.

Marc Schiller, profissional e estudioso de internet há 15 anos, deu uma entrevista falando sobre as mudanças que ocorreram nos últimos anos na forma como nos relacionamos, compramos e, por que não, vendemos.

Como as coisas mudaram no marketing nos últimos 15 anos com o surgimento dessas novas tecnologias?

Eu sempre observo primeiro o comportamento e depois a tecnologia. Eu não acho que o Twitter, como empresa, cria a maneira de usar o Twitter. Isso vem do comportamento das pessoas que usam. As tecnologias vêm e vão, o que permanece é a necessidade fundamental de ser ouvido, de se expressar e encontrar uma audiência que abrace sua paixão e ponto-de-vista. A internet sempre foi uma maneira de ter as mesmas oportunidades da mídia de massa, quando não se tem acesso a ela. Para ser ouvido, basta falar.

Hoje, nós temos a mesma cultura, mas o que temos de diferente é a integração total. Antes, você tinha que ir a um website, sala de bate-papo, fórum e eles eram bastante separados. Agora eles estão todos conectados a um só. Também havia uma grande desconexão entre experiência online e offline, e tinha aquela história de ficar perdido no ciberespaço. Isso, na verdade, nunca aconteceu devido ao surgimento do celular e internet móvel. De fato, nós estamos tirando mais das nossas vidas e compartilhando online, em vez de curtir o menos o mundo real.

As ferramentas mudaram, mas o comportamento não. Eles só ficaram mais fortes e acessíveis a um número maior de pessoas.

E sobre os influenciadores? Como eles mudaram?

Certamente, há mais deles agora. Acesso a ferramentas como Twitter, Facebook e podcasts; esse novo mundo deu poder às pessoas.

A maior mudança é como consumimos mídia. Heavy users estão selecionando que tipo de informação os atinge. O que eles estão fazendo é pegando de várias fontes — família, amigos, celebridades, blogs, jornalistas, mídia tradicional, RSS — e basicamente construindo sua rede de influência. Se notícias ou informações não me atingirem, não importa. Porque eu organizei tão bem as coisas com as quais tenho contato que, se eu não ouvi sobre algo, é porque não é importante.

Esse comportamento é algo novo. Esta ideia de “the feed”, é como aparar as arestas; você adiciona coisas novas e não quer informação demais, então corta os galhos mortos. Você confere o seu feed, seja no Facebook, Twitter ou outro e mantém só as coisas que quer.

Por que as pessoas querem tanto se expressar e como marcas podem tirar proveito disso?

A maioria das pessoas não têm a segurança que eles têm no mundo real, e eu sei que isso soa dramático, mas 90% da população não tem a confirmação de que eles estão sendo ouvidos. Eu acho que o que faz as pessoas se expressarem online é a necessidade de confirmar que eles têm valor. A razão das pessoas escreverem nas paredes é para dizer: “ei, veja, eu estou aqui! Eu sou uma pessoa”.

O que as empresas precisam fazer é reconhecer essa necessidade, e ajudar a satisfazer essa necessidade. As marcas que conseguem se aproximar dos consumidores são aquelas que celebram a criatividade, a presença da audiência. Estamos constantemente procurando novas maneiras de fazer isso. No campo do cinema, a maioria das campanhas de marketing são uma via de mão única. Aqui estão as nossas estrelas, aqui está a nossa mensagem e nós estrearemos nesta sexta-feira. A maneira que nós fazemos digitalmente é fazer dos fãs o centro da nossa campanha. Mostrar que nós estamos aqui por causa deles, e colocar um espelho na frente de quem vai amar nossos filmes.

O objetivo não é usar as mídias sociais como canal de distribuição, mas como uma verdadeira comunidade em que as pessoas estão envolvidas e vestidas com o sucesso do nosso produto. Embora isso possa parecer meio óbvio, ainda não se tornou uma norma.

A digitalização de tudo está levando os consumidores a mudarem quem eles seguem?

Nós precisamos trabalhar mais duro agora para assegurar que eles continuem comprometidos. Ao final do dia, é escolha, e a quantidade de escolhas que você tem agora significa que precisa usar seu tempo com sabedoria. No passado, nós não podíamos ser muito arrogantes, haviam apenas três canais de TV para assistir. Agora, existem 5.000 e mais a internet. Eu não acho que a audiência esteja mais instável, eu acho que a audiência consegue discernir melhor hoje e abandonar mais facilmente o que ela não gosta.

Pequenas empresas que não podem arcar com propaganda tradicional podem contar apenas com as mídias sociais para fazer marketing?

Mais e mais, a resposta é sim. Eu penso que eles precisam de um bom produto, comprometimento e paixão. Dinheiro não pode comprar paixão, e essa é a mais poderosa arma do marketing. Eu quero criar um ambiente que gere paixão, e então amplificar essa paixão. Pequenos negócios são mais comprometidos com seus produtos e clientes do que qualquer outra, e eu acho que quanto mais eles refletirem os seus valores e cultura, mais pessoas irão responder e fazer parte disso.

Como profissionais de marketing, nós precisamos contar histórias. Se nós documentarmos a nossa jornada e as pessoas vierem juntos nessa jornada, o comprometimento que eles terão será gigantesco. A chave é criar uma narrativa e deixar as pessoas fazerem parte dela. Deixar elas realmente afetarem a narrativa. E isso é o que social media marketing é; criar uma narrativa que qualquer pessoa possa participar. Como toda grande narrativa, há tramas, reviravoltas e coisas inesperadas. E se você fizer bem feito, sua audiência virá junto e vestindo a camisa do seu sucesso.

Max Gehringer é como um Tom Peters brasileiro para mim. Cabeça branca, inteligente e dono das respostas de muitas perguntas que eu mesmo me fiz várias vezes. Em outras palavras, Max e Tom são dois dos meus maiores heróis de carreira. Mas eu nunca escrevi nada sobre o Max aqui no blog como já escrevi do Tom.

Como guru de carreira, o que poderia ser melhor do que falar dos erros que o próprio Max cometeu em sua carreira?

Erro 1: esperar nunca é bom.

Já faz um bom tempo desde que ouvi Max Gehringer dizer “esperar nunca é o bastante, quem espera é sempre atrasado”. Pense agora, quantas pessoas você conhece que fala em mudar de emprego, mas nunca muda? Eu conheço uma pessoa que fala isso há 2 anos. Temos sempre uma desculpa para esperar; a faculdade, o curso de inglês, as contas, uma oportunidade melhor. Paciência é uma qualidade, mas esperar demais é atraso.

Erro 2: atirar pra tudo que é lugar.

É comum alguém estar em um cargo querendo estar em outro. O problema é que quando mais se fica em um cargo, mais oportunidades  linkadas a esse cargo aparece, ao passo que aquele que você quer se distancia.

Max diz que a maioria de nós é bom em 1 ou 2 coisas, razoável em uma meia-dúzia e ruim em uma dúzia.

Responda 2 perguntas: 1) em que você é bom?; 2) o que você gostaria de fazer? Agora defina os possíveis cargos e vá fundo! Pode ser difícil no começo, pode mudar um pouco de direção, mas uma carreira é cheia de buracos e curvas, em vez de uma estrada lisa e reta. Saiba aonde você quer chegar, invista em seus pontos fortes em vez dos fracos e trabalhe duro. A chegada é uma questão de tempo, não de “se”.

Erro 3: não perguntar quando podia.

Eu confesso: cometo esse erro com frequência. Na tentativa de aprender por conta própria, acabo não perguntando quando posso, e pior, quando devo. Mas isso melhora se você aceitar, aí fica mais fácil puxar a própria orelha quando estiver dando uma de teimoso. Vivemos em mundo colaborativo, cercado de pessoas interessantes capazes de nos ensinar algo. Ser inteligente não é descobrir o caminho sozinho, é aprender com os outros o necessário para abrirmos o nosso próprio caminho.

Erro 4: insistir em algo que já havia sido rejeitado

Existe uma linha tênue entre ter ideias e ser chato. Porque é muito fácil insistirmos para que os outros aceitem as nossas ideias e pontos-de-vista. E, infelizmente, atrair muita atenção incomoda as pessoas. Às vezes, insistir em algo que ninguém acredita pode fazer a diferença, mas como diz Max, isso está longe de ser a regra.

Erro 5: culpar os outros

Comum principalmente no começo da carreira; quando as coisas demoram a acontecer, tendemos a imaginar complôs e que alguém está impedindo o nosso crescimento. É preciso avaliar com cuidado se estamos realmente fazendo tudo o que podemos antes de culpar os outros do nosso próprio fracasso. Em 2/3 dos casos, a culpa é  nossa — por ter deixado acontecer ou por não fazer nada para mudar. Procure ouvir a opinião dos outros para ver se confere com a sua. Se a culpa for realmente do outro, não aponte; apenas pegue suas coisas e vá em busca de um lugar onde pessoas cresçam juntas, não cada um por si.

Todos nós somos imaturos em algum ponto da carreira e, assim como na vida, uns amadurecem mais rápido do que outros. E, assim como na vida, às vezes não damos ouvidos aos mais experientes até que percebemos que é a melhor e mais rápida maneira de crescer. Faça uma auto-reflexão, veja se você não está cometendo os mesmos erros. Eu cometi vários deles. Aprenda com esses erros, porque Max demorou, como ele mesmo declara em uma poderosa frase: “eu podia dizer que aprendi com os meus erros, mas a verdade é que quando os cometi, não sabia que eram erros.”

[Baseado em podcast publicado na CBN.]

Moral da história: o que você está fazendo para chamar de seu? Fabricar é fácil, difícil é criar algo novo e único. E são esses que fazem a diferença.

O marketing de hoje

12 de dezembro de 2011 • TEMAS: Filosofando / Marketing

Quando Theodore Levitt escreveu seu famoso artigo “Miopia em Marketing”, em 1960, praticamente inventando o termo marketing, ele não fazia ideia de que se tornaria uma ferramenta complexa, versátil e o principal ingrediente de sucesso das maiores companhias do mundo. Não só isso, o termo faria parte do vocabulário das pessoas independentemente de suas profissões. Seria algo popular, no entanto, insuficiente para acabar com a miopia 50 anos depois.

Em 1960 ninguém sabia o que era marketing porque, de fato, marketing não existia como uma ferramenta. A partir de 1960, tudo mudou. Bill Bernbach revolucionou a indústria da publicidade, Kotler escreveu a bíblia do marketing e Al Ries criou o conceito – de posicionamento – que deu origem à gestão de marcas.

Embora os conceitos desses gurus tenham mudado o mundo dos negócios e grande parte deles ainda seja eficiente hoje, o mundo mudou. Principalmente, o de quem trabalha com marketing.

Hoje, as pessoas assistem menos televisão, ouvem muito menos rádio do que seus pais ouviam, outdoors são proibidos em muitas cidades, é possível comprar um produto sem sair de casa e até pular o break comercial se tiver uma TV LG Time Machine em casa. Isso significa que se você está tentando vender em 2010 da mesma forma que vendia em 1990, não vai conseguir. Irá gastar muito dinheiro para pouco resultado, em uma proporção inversa de décadas atrás quando maior investimento em publicidade significava maior o retorno.

Segundo uma pesquisa americana, em 1965, as pessoas lembravam 64% dos comerciais que assistiam; em 2007, apenas 2,2%. Essa dura realidade deixa claro que uma boa agência, campanhas criativas e mídia nos principais veículos não são suficientes. Ser um bom profissional de marketing começa com assumir de que marketing não é só publicidade.

Enquanto a propaganda cria desejo, fixa marca e leva o consumidor para dentro da loja, são os vendedores e o ambiente que o leva para o caixa. Estudos recentes apontam que a proporção de boca a boca negativo e positivo é cerca de 3 para 1. Em outras palavras, marketing não é só vendas, é credibilidade.

É comum ouvirmos alguém dizer “fulano está fazendo seu marketing pessoal” para se referir a “está vendendo o seu peixe”. Na verdade, marketing pessoal significa construir uma boa imagem. É exatamente esse o papel do marketing nas empresas: gerar valor.

A era de Henry Ford, Sam Walton e Ray Kroc deu lugar a uma era de Steve Jobs, Jeff Bezos e Howard Schultz. Empresas centradas na experiência do consumidor e no capital humano, onde tudo importa e o objetivo final é deixar os clientes internos e externos felizes. Há quem ache isso conversa furada, que o objetivo de toda empresa é vender. Verdade. Mas olhem as empresas dos caras acima, Apple, Amazon e Starbucks tornaram-se exemplos não apenas nos seus segmentos, mas para todo o mercado global. Elas também estão lucrando, e muito, mas também estão ajudando a construir um mundo melhor, fazendo as pessoas de dentro e de fora da empresa, felizes. Qual o segredo? Todas colocaram a experiência do consumidor como prioridade número 1. Nada contra a Ford, Walmart e McDonald’s, empresas eficientes e referência em seus mercados; elas apenas representam um modelo de negócios que tem cada vez menos espaço hoje.

O marketing de hoje é simplesmente uma questão de fazer as pessoas felizes. Não deixe uma infinidade de conceitos tornar a mais humana, e importante área de uma empresa, em algo frio e impessoal.

Artigo originalmente publicado na Revista Zunido Nº1, escrito por mim.

O idioma negócios

10 de dezembro de 2011 • TEMAS: Negócios / /

Vamos ser sinceros, o mundo corporativo está cheio de coisas sem sentido. Alguns fingem que dizem algo enquanto outros fingem que entendem e fazem cara de quem está gostando. Boa parte desse besteirol corporativo é resultado da necessidade que a área de negócios têm de usar uma linguagem rebuscada, “atualizada”, mas que muitas vezes parece ser um idioma totalmente novo.

Há mais de 3 anos, eu falei sobre o “Dicionário da Besteira Corporativa” que descreve o real significado das expressões usadas nas empresas. O livro tem tom de humor, mas dizem que toda brincadeira tem um fundo de verdade, e não é diferente aqui. Fato é que muitos profissionais acham que precisam falar difícil para impressionar o outro, mas a única “impressão” que ficará depois de um discurso que ninguém entende é “…”.

Durante vários meses, eu mantive um bloco de notas no meu desktop chamado “palavras que perderam o sentido”, incluindo termos como “premium”, “diferencial” e “valor”. Assim como o livro que eu citei, um recente artigo da HBR corrobora com a minha opinião de que muito do que se fala nos negócios não acrescenta nada, são meras palavras ao vento.

O artigo cita os 4 problemas graves desse idioma corporativo: abstracionismo, acrônimos, expressões sem sentido e “tecnologismo”. Apesar das pequenas diferenças, todos evidenciam um problema único, a falta de coerência e coesão. Ou seja, as pessoas estão falando mais e entendendo menos. Isso distancia ainda mais o discurso da prática. E esse é o maior problema com frases como “pensar fora da caixa” (você não pensar fora dela a menos que a conheça muito bem), “agregar valor” ou a minha favorita “queremos exceder as expectativas dos clientes”.

EXCEDER???

A maioria das empresas não conseguem nem satisfazer os clientes, como pretendem exceder suas expectativas? Aliás, a maioria delas nem sabem que expectativas são essas. Frases como essas soam vazias tanto para funcionários quanto para clientes. Falar não muda nada, fazer muda tudo.

Segundo uma enquete no site da HBR, “pensar fora da caixa” é o pior jargão de negócios, seguido de “sinergia”“mudança de paradigma” e agregar valor. Sem dúvida, essas expressões fazem sentido, mas elas são usadas de forma tão leviana e com tanta frequência que perderam a força. A maioria das pessoas não sabem o real significado delas, às vezes nem mesmo quem diz sabe.

E você,  o que acha dessas frases?