Quer ser criativo? Seja rebelde!

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Eu não tenho dúvida de que o curso de publicidade das universidades é um dos com a maior taxa de gente diferente. Não sei porque, mas para passar pela faculdade de propaganda, é preciso ser meio louco. Eles costumam gostar de música alternativa, cinema europeu, têm ideias mirabolantes, alto senso estético e apreciam tudo que é novo e desconhecido. Não sei você, mas eu não vejo muita gente assim por aí. Mesmo depois da faculdade, eles continuam sendo diferentes, e isso não tem nada a ver com a faculdade ou região, conheci publicitários de todo o Brasil e nos mais diversos estágios da carreira e eles são diferentes,  são mais rebeldes, autênticos quebradores de regras. De alguma forma, essa rebeldia está associada à criatividade.

Claro, não apenas publicitários são criativos, utilizei como exemplo por ser a profissão mais associada à criatividade do mundo. Durante os últimos anos eu tenho me perguntado: como ser mais criativo? Como eu posso ter mais ideias e ideias de qualidade? Mais do que isso, como eu posso fazer para a minha equipe ter mais ideias?  Acredito que o principal caminho é o que chamo de rebeldia criativa.

Ninguém muito certinho é criativo, isso é algo que comprovei com o passar dos anos. Da mesma forma, ninguém consegue ter grandes ideias em ambientes muito normais. Alguém pode dizer que isso é relativo, eu digo que pensar assim é “certinho demais”.  Claro que exceções existem, mas não acho que alguém que queira estimular a criatividade deva contar com a relatividade. A regra número da criatividade é: faça algo, qualquer coisa!

Recentemente, me deparei com uma teoria que me deixou pensativo. Ela defende que o ambiente fértil para boas ideias nascerem (e sobreviverem) é aquele que está entre a completa ordem e o completo caos. Ou seja, não é um acampamento hippie, mas está longe de ser um quartel — que muitas empresas parecem se basear. Um ambiente criativo é democrático, onde todos podem falar, ouvir e tentar independente dos cargos que ocupam. Em um ambiente criativo, errar faz parte do processo e sabe-se que são necessárias dezenas de ideias ruins para uma boa. Aceitar isso, é aceitar o diferente, é aceitar ideias rebeldes.

Ambientes e chefes certinhos não estimulam experimentação e, frequentemente, punem o diferente. Na medida certa, o caos pode render bons frutos porque libera o pensamento do “eu posso” na equipe. Esse conceito de “poder rebelde”  proporciona uma área maior para os pensamentos transitarem atrás de novas ideias.

Criei a régua acima para mostrar o que eu acho que acontece. O completo caos ou ordem são os piores cenários, mas restringir (quadradinho) também é ruim. Acredito que o segredo é vagar livremente pelo azul o que, de vez em quando lhe levará a desafiar a fronteira do completo caos ou da completa ordem. Essa liberdade de tentar e de experimentar tanto o caos como a ordem lhe levará a novas perspectivas e, consequentemente, a ideias inovadoras.

Ser um rebelde criativo é achar que tudo é possível, é ir além do que os outros falam e fazem. Os outros são os outros, você é você, e ninguém nunca ficou alcançou notoriedade fazendo o que todo mundo faz nem pensando como todo mundo pensa. O Google é uma empresa rebelde, Steve Jobs foi tão rebelde que chegou a ser demitido da própria empresa, Richard Branson criou empresas rebeldes milionárias e ninguém nunca ganhou um Leão em Cannes sem ser rebelde.

Ser rebelde não é não aceitar regras, é enxergá-las como uma margem de segurança. Você pode ultrapassar, mas terá que lidar com as consequências. Vale a pena tentar? Você tem coragem? Acredita o suficiente? Porque não é garantido que você vai conseguir. Mas e aí, você não quer ser criativo?

NOTA: quem quiser saber mais sobre como a ordem e o caos pode influenciar ideias, sugiro ler o livro “De Onde Vêm as Boas Ideias” de Steven Johnson. Ele fala o livro todo sobre essas e outras teorias pra lá de interessantes.