Arquivo de novembro de 2011

Eu fico maravilhado sempre que conheço alguém que fazia muitos anos atrás o que deveríamos estar fazendo hoje e não estamos.

O último dessas pessoas raras que conheci foi William L. McKnight, presidente da 3M de 1929 a 1966 e filósofo de negócios, foi responsável por criar uma das empresas mais inovadoras da história. McKnight defendia a autonomia dos funcionários no momento em que gestão era sinônimo de controle.  Foi ele quem permitiu, pela primeira vez, que funcionários tivessem tempo livre para desenvolver seus próprios projetos — comum no Google, Facebook e outras empresas do Vale do Silício.

Abaixo, está o princípio de gestão implementado por William McKnight até hoje em vigor na 3M. Não tenho dúvida, de que é um dos mais importantes conselho que você pode receber como gestor.

“Conforme nosso negócio se expande, se torna incrivelmente necessário delegar responsabilidade e encorajar homens e mulheres a exercitar a iniciativa. Isso requer uma tolerância considerável. Esses homens e mulheres, a quem nós delegamos autoridade e responsabilidade, se eles forem boas pessoas, irão querer trabalhar do seu próprio jeito.

Erros serão cometidos. Mas se a pessoa estiver essencialmente certa, os erros cometidos por ele ou por ela não serão tão graves, no longo-prazo, quanto aqueles cometidos autoritariamente pela gestão ao dizer exatamente como eles devem trabalhar.

A gestão que critica destrutivamente quando falhas acontecem mata a iniciativa. E é essencial que nós tenhamos pessoas com iniciativa se quisermos continuar crescendo.”

Você pode conhecer a 3M como a criadora do Post-It (sabia disso, certo?); mas ela também inventou a fita crepe e produz hoje mais de 55.000 produtos, de adesivos a produtos médicos e circuitos eletrônicos.

Figurinha carimbada nos rankings das empresas mais inovadoras do mundo, a 3M é um dos maiores exemplos de inovação da história. Em uma era onde inovação geralmente emana de empresas de TI como Apple e Amazon, a 3M é um exemplo não apenas por criar produtos de grande utilidade nas mais variadas áreas, mas por ser um exemplo há muitas décadas.

Qual o segredo do sucesso? Como a 3M conseguiu se manter uma das empresas mais inovadoras do mundo sem perder qualidade com as mudanças tecnológicas e de seus presidentes? Larry Wendling, VP de Pesquisa Corporativa, funcionário da 3M há 30 anos acha que sabe a resposta e a resumiu em 7 pilares que foi publicado há alguns anos na Business Week.

1. Altos investimentos; inovação custa dinheiro.

Assim como uma boa formação, importante para o sucesso profissional,  demanda dinheiro; empresas precisam investir em pesquisa se quiserem criar produtos relevantes e fortalecerem suas marcas. Em 2005, a 3M investiu 6% de todo seu faturamento em P&D, uma quantia de $1,24 bilhão de dólares. Note que estamos falando de uma empresa manufatureira, um segmento que não costuma ter altas taxas de inovação. Mesmo em época de crise, a 3M lança pelo menos 1.000 produtos por ano. Para Larry, essa é a chave do sucesso, “crescimento orgânico e novos produtos é o que move uma empresa inovadora”.

2. Cultura organizacional é importante.

Não sei se proposital ou não, a média de tempo do CEO no cargo é de 5 anos, e foi assim nas últimas 4 décadas. Ou seja, a fonte de inovação da 3M não vem de uma pessoa, mas das milhares de pessoas que compartilham da mesma filosofia deixada por William McKnight, o mais importante presidente da 3M –  e o último a ficar mais de 10 anos no cargo (37 para ser mais exato). Os novatos conhecem as histórias de como foram criados velhos produtos, sentem orgulho, falam sobre elas e vivem em um clima de autonomia e inspiração criado muitas décadas atrás.

3. Conhecimento vasto em diversas áreas.

Como a tecnologia por trás de lentes de óculos ajudou os cientistas da 3M a criar abrasivos mais duradouros, placas de trânsito mais reflexivas e luvas de golfe com maior atrito sem precisar apertar mais? Não sei como, mas ajudou. A empresa acredita que conhecer bem diversas tecnologias ajuda a resolver problemas que apenas uma especialidade não conseguiria — a velha e boa interdisciplinariedade. Por isso, ela possui profissionais que dominam, pelo menos, 42 tecnologias diferentes.

4. Integração.

Se Steven Johnson e seu conceito de “slow hunch” (que diz que grandes ideias são concebidas pela metade e é preciso de tempo ou de outra pessoa para completá-la) estiver correto, então esse é o segredo da 3M. De fato, Larry considera a conversa a arma secreta da sua empresa. A 3M estimula o networking tanto formal quanto informal; realizando simpósios onde os cientistas podem ver o trabalho dos outros e através de uma estrutura onde eles podem se conhecer melhor e descobrir para quem podem ligar quando tiverem alguma dúvida ou precisarem formar uma equipe.

5. Premiação.

Na 3M é possível continuar crescendo na empresa sem precisar se tornar gestor. Isso é fantástico! Porque a gente sabe que um profissional pode ser um grande especialista e um péssimo gestor. Veteranos se tornam 3Mers, enquanto centenas de outros funcionários têm a chance de serem indicados e selecionados por colegas para concorrerem a prêmios em um grande evento anual.  Os 20 melhores ganham uma viagem de 4 dias com suas esposas/esposos com tudo pago.

6. Avaliação.

Inovação custa dinheiro, por isso é preciso analisar os resultados. A empresa calcula quanto de receita está vindo dos produtos lançados nos últimos 4 anos e compara com o montante investido. Isso ajuda a ver se o dinheiro está sendo investido da forma apropriada e quais laboratórios — ao redor do mundo — estão se saindo melhor.

7. Gaste tempo com consumidores.

Funcionários sabem da importância de alinhar suas pesquisas às necessidades dos consumidores. Não são cientistas loucos querendo inventar coisas que satisfaçam seu próprio ego. A 3M se tornou a empresa que é hoje por criar produtos relevantes — enquanto milhares de outras fracassaram. O Post-It Photo Paper surgiu da percepção de que as pessoas tiram um monte de fotos que são difíceis de encontrar no computador ou no fundo do armário. Por que não uma foto que pode ser colada em qualquer lugar? Bingo!

O próprio Larry sabe que cada empresa tem seu próprio jeito de gerar inovação, e diz que isso foi o que funcionou na 3M. No entanto, o grande pesquisador acredita que esses 7 pilares da inovação podem ajudar qualquer empresa a inovar mais. E eu também.

Marketing é realmente simples, descubra o que seus consumidores querem e entregue a eles. Eles estão querendo empresas responsáveis, mas quem está entregando isso?

Os consumidores não querem que empresas troquem o papel comum pelo reciclato, eles querem algo que faça  que impacte de forma significativa o mundo em que elas vivem. O mundo está precisando de ajuda, as pessoas estão precisando de ajuda; e elas estão de saco de cheio de empresas que só querem tirar mais dinheiro delas e interrompê-las em seus momentos de lazer. Os consumidores querem empresas com propósito, que as ajudem a tornar o mundo um lugar melhor, e que facilitem o dia-a-dia atribulado do século XXI.

Responsabilidade social não tem a ver somente com o meio-ambiente, tem a ver com o bem-estar das pessoas que nele vivem. Esse é o mito. O que os consumidores querem não são mais árvores plantadas ou plástico reciclado, são empresas que pensam com a cabeça, não com o bolso.

Criar sentido é basicamente melhorar a vida das pessoas, e essa mudança acontece em 2 esferas: individual e coletivo.

  • Individual: Facilitar a vida, fitness, saúde, auto-estima, felicidade, satisfação, finanças, aprender coisas novas, valores, inclusão social, ajudar os outros, conectividade, parecer bem, sentir bem, melhorar habilidades, etc.
  • Coletivo: Reciclagem, transparência, responsabilidade social, ética, problemas ambientais, economia, trabalhos, relações de trabalho, problemas sociais, condições de trabalho, etc.

Esse é um dos novos desafios das empresas de hoje. De assunto limitado a empresas envolvidas em questões ambientais a empresas em geral. Responsabilidade social é um dever de todos, e está cada vez mais presente na lista de “desejo” dos consumidores, é o que mostra uma recente pesquisa com 50.000 pessoas em 14 países.

Se você trabalha com marketing, vai precisar estar por dentro de assuntos como meio-ambiente, sustentabilidade e ética porque esses assuntos não mais estão separados do como os consumidores se relacionam com as marcas. Eles querem muito mais do que produtos de alta-qualidade com preços justos e atendimento humano.

85% dos consumidores esperam que empresas se envolvam ativamente com questões sociais; o que é mais alarmante, é que esse número cresceu 15% só no último ano. Mas quantas estão engajadas com um mundo melhor? Você se lembra de alguma? Pelo menos no Brasil, 58% dos brasileiros não conseguem se lembrar de uma marca associada a preservação do meio-ambiente. Ou seja, se alguma grande empresa está investindo pesado na construção de uma marca verde, provavelmente está fracassando.

Há quem diga que as empresas só fazem ações sociais para aparecer e, assim, lucrar. Isso é tão clichê quanto superficial. Não chamamos de “negócios” a toa, empresas precisam ganhar dinheiro para existir — ajudar a economia crescer, empregar funcionários e gerar renda. Eu não tenho dúvidas de que existem empresas autênticas dirigidas por pessoas que se importam e fazem o que podem para melhorar a vida de todos. Os consumidores estão atentos a isso, premiando marcas comprometidas e punindo as irresponsáveis. Metade deles disseram optar pelas marcas mais responsáveis e até que pagariam 10% mais por produtos fabricados de forma mais responsável. O CEO da Havas Media Intelligence resumiu muito bem com a seguinte frase:

“Hoje em dia, nós queremos muito mais das marcas do que apenas promessas e histórias”.

Vale notar que, para empresas colherem os benefícios, são necessárias medidas em diversas áreas da empresa, desde a escolha da matéria-prima até a forma de distribuição, passando por embalagem, qualidade de vida dos funcionários e ações na comunidade. O problema com o pensamento “socialmente responsável” é que se pensa em ações, programas, que geralmente acontecem isoladas de outras atividades da empresa. Para funcionar, é preciso que seja algo holístico, um propósito que mova todos na empresa e sirva como base para as decisões da empresa como um todo.

Responsabilidade social não é ter que fazer, é querer fazer. É assustador ver que apenas 1 pessoa em 5 acredita nas informações divulgadas por empresas acerca de ações sociais/ambientais que estão realizando. Some isso ao fato de que 72% acham que as empresas não se esforçam o suficiente para mudar as coisas, sendo que 85% delas gostariam que as empresas o fizessem.

Você não vê uma grande oportunidade aí? Uma oportunidade incrível de melhorar o mundo e ainda lucrar. Tem algo melhor do que isso?

Quando pensamos em algo que gostamos, tendemos a lembrar de coisas como carro, roupas e aparelhos eletrônicos; e raramente nos damos conta de que as melhores coisas da vida não podem ser compradas. Não é idealismo, é claro que devemos aproveitar o que a vida moderna nos oferece, mas não devemos vincular nossa felicidade a isso.

Dinheiro é bom, mas não é tudo. O materialismo é uma das maiores fontes de infelicidade; por ele, pessoas trabalham demais e esquecem da família, cometem crimes e se tornam invejosas. Realmente acredito que um dos segredos da felicidade é evitar esse materialismo tão onipresente hoje. Sabe quando dizem que a felicidade está nas pequenas coisas da vida? Ela está.

O brilhante blog tinyBuddha perguntou aos seus leitores “o que você ama na vida?”. As respostas foram coisas simples, até bobas, mas que fazem toda a diferença na vida de uma pessoa.

Uma música para ouvir enquanto lê:

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1. Amor.

2. Família.

3. Poder acordar com a luz do sol invadindo o quarto.

4. Nossa habilidade de empatia que permite nos conectar e ajudar uns aos outros.

5. As coisas ridículas que meus cachorros e gatos fazem. Eles vivem o momento e apreciam o fato de estarem vivos, o que me lembra de fazer o mesmo.

6. Momentos de realização em que eu não estou tão sozinho como eu acho que estou.

7. Meus filhos estarem saudáveis e felizes.

8. Cada respiração que lembra que eu estou aqui e ainda tenho muito para aproveitar.

9. Aqueles que nunca desistem de mim.

10. Pessoas positivas e criativas.

11. O amor e o apoio do meu esposo(a).

12. Afetar as pessoas sem perceber.

13. Todas as pessoas engraçadas.

14. A beleza disso. Não importa quão ruins as coisas estejas, sempre tem algo belo para nos fazer seguir em frente.

15. Esperança.

16. Coisas inesperadas.

17. Que cada momento da vida é a chance de um novo começo.

18. A diversidade que todo mundo traz.

19. Tentar coisas novas.

20. O jeito incrível como o universo materializa o que nós precisamos.

21. Segundas chances.

22. O jeito em que os traumas da vida nos fazem valorizar ainda mais os bons momentos da vida.

23. Quando a minha filha sorri pra mim e diz “te amo mãe”.

24. A liberdade de escolha!

25. Todo dia é uma nova chance de fazer direito.

26. Ver plantinhas crescendo e florescendo.

27. São os pequenos gestos que importam pra mim, como beijos na testa.

28. Pessoas, natureza, animais — tudo.

29. A oportunidade de começar tudo de novo.

30. Boa comida, bons amigos, boa saúde e uma boa noite de sono.

31. Sorrisos e gargalhadas.

32. Ser livre pra fazer o que eu quero, quando eu quero e como eu quero.

33. O fato de existir vários caminhos para felicidade, não apenas um.

34. O fato de que nada é permanente. Você sempre pode mudar o que não gosta.

35. Que nunca sabemos o que vem a seguir.

36. Música.

37. O espontâneo e inesperado, quando positivo.

38. Saber a diferença entre estar vivo e viver.

39. Calmaria.

40. Estar em paz.

Os 8 mandamentos do web design

21 de novembro de 2011 • TEMAS: Digital / / /

Se eu tivesse que atribuir o fator que mais influenciou a minha decisão em seguir uma carreira criativa foi o webdesign. Isso foi há cerca de 11 anos, antes do CSS, XHTML, Flash, tableless e PHP fazerem parte da complexa programação de sites. Naquela época, eu criava alguns sites para amigos utilizando ferramentas pré-históricas como html puro e javascript para dar alguns efeitos legais, mas que hoje são super cafonas. Para imagens, usava o Fireworks (hoje da Adobe) porque o Photoshop parecia complexo demais para mim. Tudo era simples demais, feio demais e tão leves que sites enormes caberiam em um pen-drive.

Hoje, o webdesign evoluiu tanto que eu me tornei quase leigo; se não fosse pelo WordPress e designers que desenvolvem lindos temas para ele, o Pequeno Guru não seria tão bonito assim (cof cof!). Como “quase leigo”, procuro me ater aos aspectos mais universais do design como usabilidade e estética, e deixar a criação para profissionais. Mesmo que você não seja webdesigner, mas trabalha com marketing ou tem um site pessoal, deve ter algum conhecimento nessas áreas.

Desenterrei um post antigo da BusinessWeek, porém ainda atual, com os mandamentos do web design segundo 14 especialistas de diversas áreas como: presidente da Rhode Island School of Design; diretor de design do NYTimes.com; autor do livro “The Zen of CSS Design” e outros.

1. Não abusarás do Flash

Alguns sites simplesmente não precisam de Flash. Animações e efeitos são bonitos, mas podem confundir o visitante, prejudicar o acesso a informações importantes e ser exagerado. Acredito que o segredo do Flash está em responder a pergunta: ele irá agregar ou só ficará mais bonitinho?

2. Não esconderás o conteúdo

Um dos motivos pelo qual eu sou contra propaganda no Pequeno Guru é que ela geralmente atrapalha o conteúdo. Alguns sites parecem não se importar com os seus visitantes e colocam anúncios no lugar que der mais dinheiro. O AdSense do Google é o pior deles, principalmente quando estão  no meio do conteúdo, levando os visitantes a desviarem deles e, às vezes, clicando sem querer. Não há nada errado em ter anúncios no seu site, mas eles precisam estar separados do conteúdo e o mais importante de tudo: em segundo plano.

3. Serás organizado

Dependendo da quantidade de informação do seu site, estruturar bem o site é crucial. Nos 3 anos do Pequeno Guru, eu fiz algumas melhorias para tornar posts antigos mais acessíveis, mudei o sistema de busca, tirei as categorias da lateral para superior, destaquei os assuntos de cada post colocando-os logo abaixo do título e adicionei uma nuvem de temas. Categorias, posts e produtos relacionados, banners com seções especiais, mapa do site e menus em árvore são algumas das opções para ajudar o visitante a encontrar o que ele busca.

4.  Não abusarás do efeito glossy

O que já foi moderno e estiloso hoje é um clichê. Cuidado!

5.  Cultuarás o altar da tipografia

Houve a era dos jpegs, dos gifs animados, do javascript, do Flash e a mais recente delas é a da tipografia, designs compostos basicamente de texto, organizados de uma forma incrivelmente harmoniosa e requintada. Enfim, a tipografia conquistou um lugar importante no web design, que sempre possuiu em outros tipos de design. Percebeu-se que não é preciso de imagens para criar algo bonito e funcional. Sites como Mercado Livre, Craiglist e o blog ZenHabits são bons exemplos. O objetivo não é usar apenas texto, é usar menos imagens, criando um visual leve, como foco no conteúdo e agradável aos olhos.

6. Criarás uma experiência imersiva

Tão importante quanto o design de um site é o seu conteúdo. Sites não mais são como páginas amarelas virtuais onde telefone, endereço e produtos bastam. Bons sites criam experiências, são úteis para o visitante, fazendo ele voltar com frequência e não apenas quando precisa saber onde fica.

7. Serás sociável

Todo website que se preze já carrega ícones de redes sociais como Twitter e Facebook. Porém, mais do que pedir seguidores e fãs é preciso ser simpático e estimular a conversa. Essas ferramentas existem para aproximar pessoas, criando relações mais humanas e menos impessoais. Use-as com esse propósito em mente.

8. Usarás tecnologias conhecidas

Eis algo interessante que os especialistas sugerem. Se for utilizar ferramentas como vídeos, apresentações e fotos; opte por ferramentas já consolidadas. YouTube, SlideShare, Flickr, Wikipédia. Familiaridade é um aspecto importante da usabilidade, utilizar ferramentas que os usuários já utilizam aumentam a chance de interação, uma vez que há maiores chances deles adicionarem aos favoritos, comentarem e utilizar outros recursos de sites que já são cadastrados.

Seja um lutador!

19 de novembro de 2011 • TEMAS: Carreira / Filosofando

Quanto maior a luta, maior a recompensa, eu costumo dizer. Gostamos de vencer, mas não gostamos de lutar, temos medo. O que é utópico, porque grandes vitórias são proporcionais ao tamanho do desafio.

Sendo menos filosófico, você pode tornar os seus projetos pessoais realidade, vencer o isso-nunca-foi-feito-antes e conseguir ser ouvido pelo temido status quo, mas para isso é preciso lutar. Você não vai conseguir o que deseja todas as vezes, mas terá feito o seu melhor e esse é o espírito de um lutador.

Um lutador não teme a derrota, teme a impotência. E impotência é quando algo está além do seu alcance, mas como saber que algo está além do alcance sem tentar? Bem, a maioria das pessoas assumem que é isso que vai acontecer e não tentam — preservando assim o seu espaço, mas jamais ganhando novos. Lutadores são mais vulneráveis que a maioria das pessoas, então costumam apanhar mais, quebrar mais a cara (não literalmente, claro). Mas, com o tempo, eles se tornam mais resilientes, espertos e corajosos que os demais. Em outras palavras, pessoas assim se tornam profissionais valiosos.

Olhe para as pessoas que conquistaram grandes coisas sozinhas e há grandes chances de você encontrar um lutador dentro delas. Elas não desistem fácil, não têm medo de comprar brigas por algo que acreditam, sempre expressam sua opinião, lutam pela sua equipe como se fossem  filhos e defendem suas ideias com vigor. Lutadores não têm medo, mas eles sabem quando perderam uma briga. Também sabem que a derrota é passageira, escondendo uma grande oportunidade de melhorar os pontos fracos.

Você não tem que ser mal-encarado, arrogante ou estúpido para conseguir o que quer, tampouco para ser respeitado. Existe um provérbio inglês que diz: “use palavras suaves, mas argumentos fortes“. A gentileza ainda é uma das mais poderosas armas da liderança, as pessoas precisam admirar e acreditar, não temer você. Acho que foi em uma aula de vendas que ouvi dizer que clientes gostam de vendedores confiantes e, até certo ponto, durões. De fato, os melhores negociadores não cedem à primeira ameaça nem caem no primeiro golpe. Os melhores vendedores não querem fechar uma venda, querem ganhar um cliente.

Seja um lutador. Acredite algo e lute para conseguir. Não baixe a cabeça para as pessoas só porque elas são maiores do que você, lembre-se de que grandes campeões um dia foram iniciantes, eles melhoraram suas habilidades, mas a força sempre esteve dentro deles.

Moral da história: não é que as pessoas não querem ouvir a sua história, elas não querem ouvir você.

OBS.: “Síndrome de encarceiramento” é uma condição rara semelhante ao coma ou estado vegetativo em que o paciente não consegue se mover, a diferença é que ele permanece consciente.

Valeu a pena?

16 de novembro de 2011 • TEMAS: Filosofando /

Com a semana começando na quarta-feira devido ao feriadão e estando um dia atrasado para enviar a minha apresentação para o TEDx, receio não conseguir escrever novos artigos, então deixo mais um excepcional post de reflexão do guru mais comentado da internet, Seth Godin.

Essa é uma pergunta que você ouve um monte. “Valeu a pena?” Mesmo sem saber a que se refere, costumamos dizer “a chegada valeu a jornada? O esforço valeu a recompensa?”

O lance com o esforço é que o esforço já é a própria recompensa se você permitir que seja. Então, a resposta pode ser sempre “sim” se você deixar.

Para alguns, ele foi um ator; para outros o maior artista marcial de todos os tempos. Mas poucos conhecem um outro lado igualmente excepcional, o de filósofo. Confesso que fiquei surpreso quando peguei emprestado o livro “O Tao do Jeet Kune Do” e conheci um lado que não imaginava. Bruce foi um grande pai, um marido dedicado e detentor de uma disciplina marcial de dar inveja a qualquer lutador do UFC.  Ele foi um exemplo em todos os aspectos, mas acredito que o maior de todos exemplos dele é o de vida.

Abaixo estão 10 lições de vida que um dos maiores lutadores de todos os tempos deixou para nós em apenas 32 anos de vida.

1. OBJETIVO

“Um objetivo nem sempre é para ser atingido, frequentemente serve apenas como algo a ser mirado.”

Esse talvez seja um dos clichês da motivação mais negligenciados.  Ter objetivo é importante, mas não é tudo. É preciso apreciar a jornada tanto quanto a chegada. De fato, estudos comprovam que o corpo humano produz mais serotonina (hormônio da felicidade) quando estamos prestes a conseguir algo do que quando conseguimos. Se você tem um objetivo, faça dele uma consequência de algo valioso, e que se não der certo, tudo bem, valeu a pena.

2. FLEXIBILIDADE

“Limpe a sua mente e seja como a água, sem forma. Você coloca a água num copo e se torna o copo, coloca água em uma garrafa, se torna a garrafa.”

Resiliência e adaptabilidade são duas das mais valiosas qualidades que uma pessoa pode ter. Não seja duro, lento e difícil de lidar. Seja flexível, rápido e fácil de conviver — adapte-se às circustâncias em vez de confrontá-las. Flexibilidade é a capacidade que algo tem de se moldar às adversidades, a água é o maior exemplo, ela não se opõe aos obstáculos, se molda a ele.

3. TEMPO

“Se você ama a vida, não desperdice tempo, é de tempo que a vida é feita.”

Você já leu isso em algum lugar, mas Bruce colocou isso de uma forma diferente. Se a vida é feita de tempo — logo é limitada — , então viver é aproveitar o tempo. Evite reclamar que você não tem tempo, evite sonhar com um dia de 30 horas, isso é perda de tempo.  Se você tem apenas 1 hora livre no final do dia, aproveite! Faça algo que realmente te deixe feliz. E se você não está feliz hoje, se algo lhe incomoda, saiba que você está perdendo tempo. Mude!

4. PROPÓSITO

“Viver de verdade é viver para os outros.”

Que graça a vida teria se não tivéssemos ninguém para compartilhar? Ninguém para cuidar, ninguém que nos esperar ao final do dia, ninguém para nos motivar…  alguém que valha a pena luta. Não é hipocrisia, não falo da boca pra fora, eu realmente acho que o propósito da vida de cada um é fazer os outros felizes. Porque se as pessoas com quem me importo forem felizes, eu também serei. Para manter isso sempre aceso dentro de mim, frequentemente me pergunto: o que você pode fazer para alegrar o dia de alguém (sem esperar nada em troca)?

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Eu não tenho dúvida de que o curso de publicidade das universidades é um dos com a maior taxa de gente diferente. Não sei porque, mas para passar pela faculdade de propaganda, é preciso ser meio louco. Eles costumam gostar de música alternativa, cinema europeu, têm ideias mirabolantes, alto senso estético e apreciam tudo que é novo e desconhecido. Não sei você, mas eu não vejo muita gente assim por aí. Mesmo depois da faculdade, eles continuam sendo diferentes, e isso não tem nada a ver com a faculdade ou região, conheci publicitários de todo o Brasil e nos mais diversos estágios da carreira e eles são diferentes,  são mais rebeldes, autênticos quebradores de regras. De alguma forma, essa rebeldia está associada à criatividade.

Claro, não apenas publicitários são criativos, utilizei como exemplo por ser a profissão mais associada à criatividade do mundo. Durante os últimos anos eu tenho me perguntado: como ser mais criativo? Como eu posso ter mais ideias e ideias de qualidade? Mais do que isso, como eu posso fazer para a minha equipe ter mais ideias?  Acredito que o principal caminho é o que chamo de rebeldia criativa.

Ninguém muito certinho é criativo, isso é algo que comprovei com o passar dos anos. Da mesma forma, ninguém consegue ter grandes ideias em ambientes muito normais. Alguém pode dizer que isso é relativo, eu digo que pensar assim é “certinho demais”.  Claro que exceções existem, mas não acho que alguém que queira estimular a criatividade deva contar com a relatividade. A regra número da criatividade é: faça algo, qualquer coisa!

Recentemente, me deparei com uma teoria que me deixou pensativo. Ela defende que o ambiente fértil para boas ideias nascerem (e sobreviverem) é aquele que está entre a completa ordem e o completo caos. Ou seja, não é um acampamento hippie, mas está longe de ser um quartel — que muitas empresas parecem se basear. Um ambiente criativo é democrático, onde todos podem falar, ouvir e tentar independente dos cargos que ocupam. Em um ambiente criativo, errar faz parte do processo e sabe-se que são necessárias dezenas de ideias ruins para uma boa. Aceitar isso, é aceitar o diferente, é aceitar ideias rebeldes.

Ambientes e chefes certinhos não estimulam experimentação e, frequentemente, punem o diferente. Na medida certa, o caos pode render bons frutos porque libera o pensamento do “eu posso” na equipe. Esse conceito de “poder rebelde”  proporciona uma área maior para os pensamentos transitarem atrás de novas ideias.

Criei a régua acima para mostrar o que eu acho que acontece. O completo caos ou ordem são os piores cenários, mas restringir (quadradinho) também é ruim. Acredito que o segredo é vagar livremente pelo azul o que, de vez em quando lhe levará a desafiar a fronteira do completo caos ou da completa ordem. Essa liberdade de tentar e de experimentar tanto o caos como a ordem lhe levará a novas perspectivas e, consequentemente, a ideias inovadoras.

Ser um rebelde criativo é achar que tudo é possível, é ir além do que os outros falam e fazem. Os outros são os outros, você é você, e ninguém nunca ficou alcançou notoriedade fazendo o que todo mundo faz nem pensando como todo mundo pensa. O Google é uma empresa rebelde, Steve Jobs foi tão rebelde que chegou a ser demitido da própria empresa, Richard Branson criou empresas rebeldes milionárias e ninguém nunca ganhou um Leão em Cannes sem ser rebelde.

Ser rebelde não é não aceitar regras, é enxergá-las como uma margem de segurança. Você pode ultrapassar, mas terá que lidar com as consequências. Vale a pena tentar? Você tem coragem? Acredita o suficiente? Porque não é garantido que você vai conseguir. Mas e aí, você não quer ser criativo?

NOTA: quem quiser saber mais sobre como a ordem e o caos pode influenciar ideias, sugiro ler o livro “De Onde Vêm as Boas Ideias” de Steven Johnson. Ele fala o livro todo sobre essas e outras teorias pra lá de interessantes.