O marketing é a capital das pessoas vaidosas. E por vaidade entenda como “o desejo [demasiado] de atrair a admiração das outras pessoas”, e essas “outras pessoas” não são clientes — o que até seria compreensível. São colegas de trabalho, fornecedores, superiores, subordinados, conhecidos… qualquer um que possa dizer “aquele cara é muito bom hein?”

Camarotes open bar, lugares privilegiados em shows, entrevistas, elogios e mais elogios (a maioria deles nada sinceros), brindes que nada mais são do que logomarcas decorativas e anúncios recheados de “o nosso”, “temos o melhor”, “somos”… ego, muito ego.

Ora, todo mundo quer ver seu nome mencionado em alguns círculos sociais, ser exemplo ou inspiração para alguém e obter algumas regalias, mas isso são consequências. Consequências.

Não tenho dúvida de que profissionais egocêntricos existem em todo lugar, isso é óbvio, mas acho que o marketing abriga a maior população deles. Culpa, talvez, do tal “marketing pessoal” que diz que você precisa aparecer. Ou talvez de tanto estudar imagem e persuasão ensinados nas faculdades de marketing e propaganda. Mas isso é um mal entendido, a premissa número 1 do marketing é  se colocar no lugar dos outros. É mais altruísmo do que egocentrismo.

Marketing não é vender para si, é ouvir, entender e entregar o que os consumidores querem/gostam/usam. Profissionais e empresas competentes entendem que os consumidores não precisam pensar com elas, elas é que precisam pensar como os consumidores. Bons profissionais de marketing e publicidade têm uma capacidade enorme de deixar seus gostos pessoais de lado e satisfazer as necessidades dos outros.

Se isso parece bobagem para você, talvez tudo que você precise seja o que sugeriu Seth Godin, um espelho grande e um microfone mais alto.