O problema é o “rock” e o “Rio” do nome. Essas duas palavras acabam limitando as possibilidades do evento tanto em gênero musical como localidade. E é justamente por esse “limite” ter sido rompido, que o Rock in Rio vem sendo alvo de duras críticas, o que provavelmente terá algum impacto na imagem do maior festival que o Brasil já viu.
Como nome de marca, Rock in Rio é um nome forte pois carrega dois elementos com muitos valores e associações. O primeiro é o gênero musical mais tocados no mundo todo. O segundo é uma das mais belas cidades tropicais do planeta, e que o mundo todo deseja visitar ao menos uma vez na vida. Então, como um festival de rock em uma das cidades mais atraentes do mundo poderia dar errado? Quando o rock é colocado em segundo plano e o Rio não é o único palco desse festival. Para quem não sabe, até a edição deste ano, o Rock In Rio aconteceu mais vezes em Lisboa do que no Rio de Janeiro.
O Rock in Rio poderia entrar para a lista dos maiores festivais do mundo se tivesse trabalhado bem a sua marca — mantendo a identidade que o tornou famoso e agradando seu público apaixonado. A escolha do nome, para qualquer marca, é importantíssimo. Consumidores assumem coisas de forma inconsciente e criam expectativas mais rapidamente do que você pode imaginar. Então, se você diz Rock in Rio, as pessoas assumem que é um festival de rock no Rio de Janeiro. E não Shakira em Lisboa. O que poderia ter acontecido sem problemas, se o nome fosse diferente.
Nome é coisa séria para um negócio assim como música é coisa séria para amantes da música. Obviamente, também é sério para os organizadores e patrocinadores do festival que querem obter retorno financeiro e obter sucesso suficiente para render outras edições futuras. Sob a perspectiva desses caras, faz sentido colocar Ivete Sangalo e Claudia Leite no palco principal do evento para atrair outros públicos (e faturar mais). Tudo isso seria perfeitamente possível… se o nome não fosse Rock in Rio.
Peguemos 6 dos maiores festivais do mundo: Glastonbury, Coachella, Lollapalooza, T in the Park, Bonnaroo, Benicassim. Quatro festivais têm nomes associados ao lugar que acontece – como o Glastonbury, uma cidadezinha a 200km de Londres ou o Coachella em um dos vales californianos – e 2 têm nomes inventados ou sem fortes associações. É normal associar um festival a um lugar, desde que ele só aconteça nesse lugar. Você nunca verá um Glastonbury acontecendo em Seattle, e nem acho que seja porque ele não teria sua atmosfera inglesa, mas porque o nome é tão forte que seria quase como um insulto aos britânicos, que há décadas vão a esse festival, vê-lo em terras estrangeiras.
Não podemos dizer que o Rock In Rio “deu errado”. Mas do ponto de vista do branding, ele fracassou. Sua marca certamente vai perder força com a edição deste ano, enquanto outras como SWU e o Lollapalooza (que terá sua 1ª edição brasileira em 2012) se fortalecem.
Espero que entendam que eu me refiro exclusivamente à marca do evento, respeito o gosto das pessoas e cada um é livre para escolher se gosta de Ivete Sangalo, Slipknot ou dos dois. Mas com tanta gente criticando a “falta de identidade” (pra não falar coisa pior) do evento, fazendo paródias e piadas, além do assustador número de assaltos por dia… acho que a menor preocupação que os organizadores devem ter é se vai chover.









Exatamente cara… Vc falou tudo.. Eu sempre disse q o Rock In Rio nunca será um Glastonbury, Coachella, Lollapalooza, T in the Park, Bonnaroo ou Benicassim !!! Até Rock In Rio Lisboa é melhor !!! kkkkkkkkk
Olá Sylvio,
como sempre você soube expor de forma clara e objetiva muitos conceitos e opiniões, parabéns, por isto acompanho sempre seu blog.
Sobre este artigo, me senti na obrigação de comentar.
Tenho convicção que o Rock in Rio está caminhando para se tornar a maior marca de música e de festivais do mundo!!!
Falo isto, pois música é experiência, é emoção, assim como eventos, festivais musicais, e vai muito além de nomes e marcas… Afinal, quantas músicas que amamos não sabemos nem o nome ou por vezes quem as toca?
Emoção é vibração, energia, força, luta, perrengue, situações boas e ruins…é HISTÓRIA.
O maior atrativo de um festival é o seu line-up, fato. Ingressos esgotados, significam no mínimo acerto por parte da organização no line-up, pois a compra prévia, é sempre uma esperança acerca da experiência que se irá viver.
Este Rock in Rio está demais, primeiro cumpriu o seu papel principal, que é encher a casa… ingressos esgotados, ponto.
Depois angariou diversas marcas se conectando ao evento, mais dinheiro, mais buzz, maior retorno para todos.
Por fim, esta no “agenda setting” durante essas semanas, em toda mídia, nas rodinhas de amigos, em casa com a família.
Todo mundo sabe o nome do Evento, e principalmente das atrações que estão tocando!!!!!!!!! Cumprindo os 3 pontos acima, sendo no Rio de Janeiro, Lisboa, Madrid, Cidade do México ou Bogotá, o nome teria a mesma função (DIVULGAR UMA EXPERIÊNCIA) e espero que o mesmo retorno.
Creio que a proposta do Rock in Rio sempre foi popular, mesmo com seu início mais rockeiro, o QUEEN já era popular, o AC/DC já era popular e o Maiden estava caminhando para tal…a evolução dos gostos, uma maior abertura é essencial para se adaptar aos diversos nichos, para assim se tornar o maior festival/marca de MÚSICA do mundo (e se for pra ser assim, que mantenha o nome do estilo mais popular do mundo -ROCK- e da cidade onde nasceu este festival -RIO-) !!!! Ampliar os nichos é essencial para fazer um festival destes, se não ele não seria viável, e o primeiro impecilho seria a agenda (e o orgulho) das maiores bandas ROCKEIRAS do mundo para vir ao nosso país…ou seja, um problema no line-up.
Espero que meu ponto de vista possa ser bem compreendido e que possa simplesmente lhe somar em algo.
Um abraço,
Helder Ribeiro
Sou da mesma opnião.
O nome do evento não faz mais nenhum sentido e um dia desses debati em sala de aula (faço MBA em MKT) e falaram que eu estava errado por criticar que o evento tinha nome de rock e as atrações eram Claudia Leitte, Ivete e Shakira, e também que teve edições na Europa.
O professor justificou que o evento fora do Rio é que estavam vendendo uma marca, a sensação de evento que teve no Rio.
Pra mim é ridículo. O Festival de Música de Salvador acontece todo ano tem quase o mesmo número de pessoas (ou pelo menos espero) e ninguém reclama do nome, porque ele não acontece fora de Salvador e não tem estipulado o ritmo das músicas que serão tocadas.