Arquivo de maio de 2011

O trabalho de Steve Jobs

31 de maio de 2011 • TEMAS: Digital / Negócios / / /

O veterano engenheiro da Apple Mike Evangelist uma vez foi encarregado de liderar a equipe de design de um programa para gravar DVDs do Mac. Seu time desenvolveu dúzias de esboços altamente sofisticados e os reuniu numa apresentação para Steve Jobs. A seguir, Mike descreve o que aconteceu: “Ele pegou uma caneta piloto e foi para o quadro branco. Desenhou um retângulo e disse ‘aqui está a nova aplicação’. Tem uma janela. Você arrasta o seu video para a janela, então clica no botão BURN. Só isso. Isso é o que vamos fazer.”

Mais:

1. Toda as segundas-feiras, Steve Jobs avalia(va) cada produto na fase de desenvolvimento.
2. Uma vez, ele pediu que uma amostra do mármore que seria usado em uma Apple Store fosse enviado primeiro para ele.

Poderíamos dizer que ele pratica o que se chama de micromanagement, ou em uma linguagem mais popular: centralização. Isso poderia ser um problema se Steve Jobs não fosse Steve Jobs. Fato é que design (leia-se: mais do que estética, usabilidade) é o que faz da Apple única, e é preciso ser bastante chato para assegurar que os consumidores tenham o que esperam –  e da Apple, todo mundo espera algo fantástico.

Quando você tira uma empresa à beira da falência e a coloca no topo dos negócios, cria empresas como NeXT e Pixar… acho que tem o direito de ser um pouco concentrador. Na verdade, esse é o seu trabalho.

Este post contém trechos do artigo: “Why Apple Is Doomed”

Uma ova!

Faça um favor a si mesmo e exclua essa frase da sua vida. Se você já o fez, sinto muito dizer, mas afastar-se de pessoas a usam também é necessário. Assumir que “nada se cria, tudo se copia” não só vai comprometer todo o seu trabalho para o resto da vida, como irá prejudicar a sua imagem e limitar o seu sucesso.

Você é um criador ou um copiador? Embora quem copie, dificilmente assuma, quem copia sabe que copia e o pior, aceita a condição. Existem dois tipos de copiadores: os que se acham criativos e copiam; e os que sabem que não têm talento para isso e por isso copiam. A diferença — e o problema — é que um deles costuma ser pago para criar. Quem se acha criativo, provavelmente trabalha em uma área onde criatividade é a principal ferramenta. Ou seja, uma coisa é o meu chefe que não entende nada de design copiar o layout de um PowerPoint; outra coisa é um publicitário copiar o layout ou a ideia de uma campanha.

Hoje, é muito fácil parecer gênio sendo um copiador. (Eu mesmo poderia copiar os posts de um blog da Austrália e dificilmente vocês saberiam. No entanto, cito todas as fontes que contribuíram com o material postado.) Aqui vão alguns meios: YouTube, anuários do CCSP, revistas, Ads of The World, blogs, Google,  TV à cabo, aquela campanha de outro país, aquele anúncio de outro Estado, ideia do colega, e por aí vai. E se a pessoa for realmente esperta e tiver sorte, talvez nunca será descoberta. Mas elas sabem, (nem tão) no fundo, suas habilidades se equivalem a de uma máquina Xerox.

Ser um criador, por  outro lado, é trabalhoso. Começa com querer ser diferente e rejeitar a mediocridade. Você sabe que é assim quando sente náuseas sempre que ouve a frase “nada se cria, tudo se copia”; e/ou tem ataques de fúria quando vê algo sendo copiado descaradamente. É preciso ser curioso, ler, ver, ouvir e experimentar tudo que puder. É impossível criar algo bacana e original se tudo que se absorve é o trabalho dos outros.

O que você diz para si mesmo é mais importante do que diz para os outros. Quando você diz que nada se cria, está assumindo que é incapaz de criar algo novo. Porque o mundo prova todos os dias que ainda existe muita criatividade por aí; caso contrário, de onde as pessoas iriam copiar? Produtos como o iPad, ações como a da Brastemp, virais como o da Heineken, propagandas irritantemente criativas, empresas como a Pixar, artistas como Terje Sorgjerd, revoluções como Twitter e tantas outras coisas que nos encantam, impressionam, viciam e nos fazem querer viver mais para conhecer coisas novas. A vida não é um disco furado que roda sempre a mesma música. Ou pelo menos não deveria ser, e a forma como você pensa determina a qualidade do seu trabalho.

Seja um criador. Como Seth Godin tão exaustivamente enfatiza no seu livro Poke the Box: seja alguém que começa coisas! Alguém que dá o primeiro passo rumo ao desconhecido. Tudo que é novo é desconhecido e isso talvez o assuste, mas basta dar uma lida na Exame ou em alguma outra publicação que fale de pessoas e organizações de sucesso, e você verá que não há espaço para quem simplesmente copia.

Eu sou tão novo que quando comecei a me barbear já era comum usar Gillette de  três lâminas e ter uma navalha em casa era como andar com um pente no bolso da camisa. Mas houve uma época em que ir à barbearia era quase como ir à padaria; e o marketing tem algo a aprender com o modo de como aqueles senhores administravam seus negócios.

O lugar predominantemente masculino era parecido com o que é hoje o salão de beleza para as mulheres (deixando o  preço de lado). Era um lugar de socialização em que homens de todas as idades conversavam, conheciam aos outros e se informavam. Os barbeiros possuíam o que toda empresa persegue hoje: a fidelidade dos seus clientes. Eles sabiam exatamente o que oferecer, o que conversar, o que o cliente gostava, o que não gostava e como resultado: o cliente sempre voltava com um sorriso no rosto barbado. Talvez nunca na história das empresas, houve um tipo de negócio com uma taxa de retenção de clientes tão alta. E, talvez, nunca haverá.

Lendo a biografia do Charles Schulz, pude aprender um pouco mais sobre o negócio barbearia, algo que sempre considerei um exemplo de atendimento sem nem mesmo ter sentado na cadeira de um barbeiro.  Carl Schulz era um homem influente (barbeiros costumavam ser bem conhecidos antigamente) na sociedade e no comércio de Minneapolis no começo do século 19. Ele publicou um texto chamado The Art and Science of Barbering que, por algum motivo, guiou toda vida do seu filho Charles além de orientar muitos

Os 10 princípios a seguir são verdadeiras lições de atendimento para qualquer negócio. Leia, absorva, espalhe, imprima, pendure na parede.

  1. Mantenha a boa postura.
  2. Seu uniforme é o sorriso e um semblante convidativo.
  3. Pratique constantemente a amizade.
  4. Fale de maneira clara.
  5. Não ceda tanto à tentação de dar bons conselhos.
  6. Não seja didático.
  7. Seja um bom ouvinte. Um bom ouvinte faz as perguntas certas.
  8. Seja essencialmente informal.
  9. O sucesso de uma pessoa em qualquer área da vida depende da habilidade de chegar a um ótimo acordo sobre a habilidade em vendas.
  10. Não se leve tão a sério.

Habilidade não é nada sem oportunidade”, disse Napoleão Bonaparte refletindo sobre estratégia. E o que é uma oportunidade sem ter tempo e a visão necessária para enxergá-la? Ela pode ser a salvação de uma empresa, a consolidação de uma marca, gerar muito lucro,  criar uma nova categoria ou tendência, etc; em uma palavra, oportunidade significa sucesso em potencial.

Certamente, nem toda oportunidade gera sucesso, mas todo sucesso vem de uma oportunidade. Partindo dessa premissa, é de se imaginar que as empresas possuam uma equipe para desenvolver novas ideias e disseminar a cultura da inovação. Exceto pelo fato de que isso não acontece, e na maioria das empresas é melhor você ficar na sua se não quiser ser mal visto.

Harvey Mackay é um dos executivos mais experientes dos Estados Unidos, ele conhece pessoas e estilos gerenciais como poucos, e eu acredito quando ele diz que hoje ninguém pensa nas empresas. Na verdade, não é de hoje, sempre foi assim e, embora acredite que esteja mudando, a velocidade está muito aquém do necessário. Harvey sugere algo inusitado: quando você ver algum funcionário seu olhando para a parede, pare e o elogie; porque ele está pensando. Claro que ele pode estar pensando na balada do dia anterior ou analisando as estatísticas do seu time no Brasileirão, mas não importa, isso demonstra que a empresa valoriza ideias. E ninguém tem as melhores ideias se tiver o tempo todo atolado de serviço.

Sua empresa está mais preocupada em realizar tarefas rotineiras ou em enxergar oportunidades? Tarefas diárias como metas, planilhas, reuniões, planos de ação e responder e-mails é o básico, é preciso fazer ou a empresa não chega ao mês seguinte. Criar ideias, iniciar projetos e visualizar oportunidades é o futuro, são apostas que não costumam trazer resultados a curto-prazo (por isso, poucos fazem). A justificativa de muitos gerentes é que não há tempo para isso, mas se você não tiver tempo para isso hoje, terá todo o tempo do mundo quando for demitido.

Estima-se que o ser-humano usa de 2% a 10% da região do cérebro responsável pelos pensamentos, ideias e emoções. Ou seja, as pessoas passam 98% do dia em atividades que não utilizam a maior capacidade humana: pensar. Batizada de “região executiva”, o córtex pré-frontal é o que difere um profissional comum de um talentoso — e basicamente o que faz a diferença hoje. Os cargos mais bem pagos são aqueles exigem adaptabilidade, criatividade, capacidade de análise e domínio das emoções. Tem cada vez menos espaço no mercado para profissionais e empresas “ligados no automático”.

Talvez a questão seja um pouco mais complexa, não é uma simples questão de dar tempo para os funcionários pensarem e contribuirem com ideias. A maioria das pessoas foram programadas para realizar tarefas específicas, culpa da baixa qualidade do nosso ensino, da sociedade e, claro, das próprias empresas. É preciso ensiná-las, oferecer incentivos e ser específico.

Seja você um gestor, empresário ou um jovem profissional lutando pelo seu sucesso, seu trabalho é pensar,  fazer as pessoas contribuirem e espalhar a cultura de que elas são pagas para isso, mesmo que não esteja em contrato nenhum, mesmo que ninguém tenha falado para fazer. Criar uma equipe para pesquisar tendências e compartilhar com os colegas; pedir que os funcionários tragam pelo menos uma ideia para o coffee break quinzenal e  agradecer todas as sugestões enviadas por e-mail por mais inocentes que sejam, são apenas algumas providências que se pode tomar para estimular isso. Ninguém mais é bem pago para fazer algo que qualquer pessoa faz, o mundo não é mais dos fortes, e sim dos inteligentes.

Bom ou diferente?

24 de maio de 2011 • TEMAS: Marcas / Marketing / /

Podemos constatar o seguinte:

  • Quando é diferente, o produto requer um grande esforço para ser lançado, mas têm as melhores chances de sobreviver a longo prazo.
  • Baixa qualidade é o pior inimigo da marca.
  • Market-share é fruto de uma das duas estratégias: diferenciação ou preço baixo.

AGRADECIMENTO ao Henrique por informar o autor original, Marty Neumeier.

Moral da história: Deixe as pessoas fazerem o trabalho para qual elas são pagas. O trabalho da empresa é contratar os melhores e fornecer as condições necessárias para eles desempenharem o seu trabalho, não refazer ou contestar. Esse é um dos segredos das empresas de sucesso.

Um dos requisitos para marcar seu nome na história é criar obras atemporais. Lições que não se percam no tempo, sejam transmitidas de gerações a gerações e nunca fiquem velhas o bastante a ponto de não gerar mais interesse. A nossa história está cheia de Grandes Nomes,  nomes que se tornaram símbolos de uma sabedoria quase de outro plano. Alguns gênios (outros nem tanto) cujos trabalhos e o tempo os tornaram extraordinários, inspirando milhões de pessoas muitos séculos depois.

E se os grandes nomes da história, especialmente filósofos, fossem homens de negócios ou professores universitários, que lições eles teriam deixado para nós? Retirei algumas das suas frases mais interessantes e tentei aplicá-las no contexto da carreira profissional e das empresas. É um hábito meu que já faço há algum tempo, a vida pessoal e profissional andam juntas e acredito que a sabedoria, em essência, pouco mudou nos últimos 500 ou 1000 anos.


Eis uma conversa que todo pai deveria ter com o seu filho antes do primeiro emprego:  “Meu filho, você vai encontrar muita gente arrogante, pretensiosa e que acham que sabe mais do que você. Alguns deles saberão, mas isso não os tornam melhores do que você”.

Para se dar bem no mundo corporativo, é preciso ter bom-senso, se conhecer muito bem e saber lidar com todo tipo de gente. Esteja preparado para perder uma promoção para alguém menos talentoso do que você ou não conseguir o emprego menos sendo o mais qualificado. Não basta você ser o melhor, é preciso parecer o melhor. Seja humilde, confiante, dedicado e tenha princípios. Cada vez mais, as empresas buscam pessoas com valores além de um bom currículo.

Troque  governante por líder e governado por liderado e teremos uma lição de liderança de 2.300 anos. Ainda muito se discute se a habilidade de liderar é algo nato ou pode ser desenvolvida. A minha opinião é que ninguém nasce líder, e sim desenvolve uma série de habilidades — muitas delas emocionais –  ao longo da infância, adolescência e começo da vida adulta. Quando a pessoa entra em uma empresa ela já possui ou não esse conjunto de habilidades/características do bom líder. Pode ser desenvolvida depois? Sim, porém é difícil já que a sua personalidade está praticamente 100%  definida.

Eu acredito piamente que as pessoas  dão mais valor e são mais humildes quando começam de baixo. Essas pessoas costumam conhecer diferentes perspectivas (ao invés de apenas ler sobre elas), ter mais problemas (logo, aprendem a lidar melhor com eles) e a se esforçar mais.

O seu estilo de liderança virá do resultado de boas e más experiências que você teve na sua carreira e na sua vida. Ser escoteiro quando criança, ter que obedecer os mais velhos, começar uma arte-marcial como faixa-branca, ser estagiário antes de contratado … todas essas experiências como “governado” irão lhe tornar um líder melhor, quando chegar a hora.

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Os três assuntos mais falados no mundo do marketing globalmente são: internet (social media + e-business), classe C e poder de consumo da mulher. Quando dois desses assuntos se envolvem, imagine a importância disso para as as empresas. ENORME!

Historicamente, a mulher sempre influenciou compras, apesar de quase todos produtos terem sua comunicação voltada para eles. Porém, elas sempre tiveram baixo poder de compra. Esse ciclo onde elas atuavam basicamente como influenciadoras de compra, mudou. Uma vez que as mulheres estão mais independentes e ocupando lugares que não costumavam ocupar; elas estão comprando mais e falando mais ainda. Apesar dos homens terem se tornado mais independentes no quesito compra, ainda precisamos delas.

Mas elas não precisam de nós. E as empresas precisam entender como é a mulher século XXI. Entre os avassaladores números das redes sociais, está escondido um fato pouco notado pelos profissionais de marketing digital: a importância da mulher. Elas deixaram de ser coadjuvantes para ocupar um papel tão importante ou mais do que os homens quando se trata de consumo.

Pelo fato da mulher passar 30% mais tempo em redes sociais do que os homens e ser a que mais acessa pelo celular, as empresas talvez devam reavaliar suas ações. Elas já são a maioria em várias lojas virtuais americanas, a maioria no Facebook, a maioria no Twitter e 3 em cada 4 usuários registrados no Groupon são do sexo feminino.  Segundo o US Census Bureau, elas estão por trás de 80% de todo o dinheiro gasto com compras: um valor de cerca de $ 5 trilhões de dólares.

Acredito que as mulheres vão dominar ainda mais a internet. Talvez pelo caráter protetor da mulher  e de se expor menos aos riscos, os early adopters costumam ser, na sua maioria, homens. Ou seja, os homens foram os primeiros a comprar pela internet, a pesquisar usando sites e a comprar pelo celular. Mas uma vez que isso tenha se tornado algo comum — algo seguro –,  as mulheres passam a dominar. Afinal, elas adoram comprar! Outra característica clássica das mulheres: elas são mais sociáveis que os homens. Logo, tem maior tendência a dar sua opinião e espalhar  mensagens.

As mulheres respondem por 62% da atividade do Facebook – mensagens, updates e comentários. E, se você possui ou administra uma página lá, vai gostar de saber que 71% de toda atividade gerada em páginas de fãs vem de mulheres. Além disso:

  • Mulheres têm, em média, 8% mais amigos em redes sociais que os homens
  • 60% dos “donos de fazendinhas” são mulheres (usuários registrados nos games da Zynga)
  • Em termos de visitantes, elas são a maioria no: Facebook, Twitter, Del.icio.us, Flickr, Myspace, Bebo, Classmates e Yelp (eles apenas no Digg)

Se você, de alguma forma, trabalha com marketing digital deve ter em mente que agradar as mulheres na web é um dos segredos do sucesso online. Principalmente se forem mães; um estudo da Nielsen mostrou que elas são muito engajadas em redes sociais e compram bastante online, mas prestam menos atenção a comerciais — e mais na história.

De uma maneira geral, as mulheres falam mais, exercem grande influência online e já são grande compradoras virtuais (de 2009 para 2010, o número de mulheres que compraram pela internet saltou de 10% para 18%). Elas devem receber maior atenção também por parte da estratégia, colocando mulheres em cargos importantes, criando mais ações e produtos para o público feminino, ampliando, assim, não só as vendas, mas principalmente o boca-a-boca. Em uma época onde relacionamento social dita as regras, é melhor você deixar elas comandarem essa relação.

[Baseado no artigo "Why Women Rule the Internet"]

Quer ganhar o novo livro do Seth Godin, Poke the Box?

Poke the Box é sobre criar algo raro, evitar o comodismo  e começar algo novo.

Como participar

Estará concorrendo ao livro (vale ressaltar que é em inglês) todos aqueles que twittarem citando o @pequenoguru e o link para este post.

Exemplo:

Quero ganhar o livro Poke the Box do Seth Godin que o @pequenoguru está sorteando. http://tinyurl.com/promopg4

O sorteio

Cada tweet receberá um número (pela ordem) que será sorteado através do Random.org no dia 3 de junho de 2011.

Se quer saber um pouco mais sobre o livro, leia a entrevista com o autor.

O ganhador (atualizado dia 4 de junho)

Filipe Remedios – @filiperemedios

Sempre que surge uma ferramenta, há um alvoroço no mercado que passa a usá-lo desenfreadamente julgando ser a solução para todos os problemas. Na sentido universal da palavra, “ferramenta” é algo que serve para um fim específico, cada uma com suas peculiaridades e limitações. O marketing dispõe de várias delas, e essa é só mais uma. Antes de decidir para onde vai o seu dinheiro, é preciso conhecer cada ou o investimento pode virar prejuízo. Quando uma empresa investe mal sua verba de marketing, ela está arriscando duas coisas: dinheiro e clientes.

Eu tenho uma opinião clara sobre sites de compras coletivas: eles são superestimados. Só este ano,  20% dos sites de compras coletivas brasileiros já fecharam as portas, mas como é um assunto que ainda está em alta (o Facebook recentemente anunciou sua entrada neste mercado), ainda tem empreendedor achando que é um bom negócio investir e empresas têm usando erroneamente em seu planejamento de marketing.

Por isso, preciso falar desse assunto mais uma vez e irei utilizar um artigo da revista INC. e ir direto ao ponto: 5 vantagens e 5 desvantagens de usar compras coletivas para promover seu negócio.

1. Atrai um monte de clientes

Não há dúvida que é uma grande maneira de atrair novos clientes, uma vez que a empresa tenha como prever e se planejar para atender a demanda. Como muitos clientes que compram já são clientes, o que acaba acontecendo é que você vende algo pela metade do preço para pessoas que costumavam pagar o preço cheio.  O professor de marketing Utpal Dholakia diz que esses sites funcionam melhor em promoções que não canibalizem vendas para seus atuais clientes.

2. Promove o  negócio

Eu não sou um dos maiores fãs de compras coletivas, mas adorei conhecer uma casa de chá que, caso contrário, não teria conhecido se não fosse através desses sites. Pouca gente sabe, mas o foco de Andrew Mason ao criar o Groupon sempre foi os pequenos estabelecimentos comerciais de Chicago, uma cidade grande, cheia de oportunidades e, como toda capital, lugares desconhecidos. No Brasil, tem muita empresa relativamente grande, com bons investimentos em propaganda, usando o Groupon para promover seu negócio. Funciona perfeitamente em empresas com pouca verba publicitária, nas demais nem tanto.

3. Ajuda a escoar

Aquela coleção antiga, aquele produto de pouca aceitação, aquele dia de pouco movimento… sites de compras coletivas podem ajudar a melhorar suas baixas. Particularmente, acredito que essa é uma das melhores estratégias. Especialmente, se for uma maneira de incentivar vendas de outros produtos adicionais. Mas só de vez em quando!

4. Constrói relacionamentos

As empresas devem ter mente que levar as pessoas para dentro da loja é só começo de uma árdua relação com o cliente, em que um está sempre está agradando o outro. Cada visita do cliente tem apenas um objetivo: fazê-lo volta uma outra vez. Uma dica do professor Dholakia é conceder benefícios para futuras visitas. Agora uma percepção minha: a primeira vez, por mais marcante que seja, não cria o hábito. Faça o cliente ir uma segunda e uma terceira vez e ele provavelmente voltará outras por conta própria.

5. Aumenta o faturamento

É muito importante que antes de fazer uma promoção dessas, a empresa faça estimativas de vendas e conheça seus custos para saber se é um bom negócio. Segundo a INC., sites de compras coletivas funcionam melhor em negócios de baixo-custo ou que possuem uma estrutura de custo fixo — ou seja, o custo de atender 1 ou 10 clientes é o mesmo.

1. Atrai caçadores por descontos

Uma das principais causas da baixa retenção de clientes é que a maioria só está atrás de uma boa barganha. Diferentemente de uma transação normal, muitos compram não por desejo ou necessidade, mas por mero impulso. Como perder aquele rodízio de sushi de apenas R$20,00 ? Talvez você nem goste tanto de sushi, mas é tão barato que as pessoas não resistem. Mais do que caçadores de descontos, as pessoas se viciaram na barganha.

2.  Machuca a marca

Se baixa margem de lucro (ou prejuízo) não for suficiente, pense na marca. Infelizmente, para a maioria das empresas a marca sempre vem depois das vendas. A marca é talvez a a maior prejudicada no mal uso dos cupons de descontos. Descontos não aumentam lealdade de marca, tampouco a lembrança. Criam consumidores movidos a estímulos, muito sensíveis a preço e que afetam negativamente a imagem da marca. Uma das frases que eu cito sempre “desconto” vem à mesa é do professor de marketing da London Business School, Mark Ritson: “Quanto mais agressiva é a promoção de vendas, mais prejudicada é a marca.”

3. Não faz os clientes voltarem

Um dos maiores mitos que os empresários acreditam, é que os clientes voltarão depois. Segundo o Groupon, apenas 22% voltam. Isso pode ser menor ou maior dependendo da categoria. O segredo é criar artifícios para força-los a voltar.

4. Não é lucrativo

No Brasil, o Groupon fica com 60% do preço e o Peixe Urbano 50%.  Essa margem é tão alta que quase qualquer negócio perderá dinheiro ao anunciar em sites de compras coletivas. Isso sem levar em consideração que o preço já está incrivelmente abaixo do de tabela. O objetivo de usar os sites de compras coletivas como ferramenta de marketing é qualquer outro, menos lucro.

5. Existe outras opções

Não é porque virou febre que a empresa precisa fazer. Como já disse, há duas coisas muito valiosas em jogo: dinheiro e clientes. Se não for bom para o seu caixa e nem para a sua base de clientes, não tem motivos para fazer. É preciso definir um objetivo e atacá-lo com a melhor ferramenta (provavelmente um conjunto delas) — e o marketing dispõe de inúmeras, mas nenhuma delas fará milagre sem um bom planejamento por trás.