Ei, você também sonha em ter seu próprio negócio? Então, seja bem-vindo ao clube! Só não espere pouco trabalho, dinheiro rápido e status de empreendedor.

De fato, as histórias de pessoas que abriram seus próprios negócios são bonitinhas apenas no papel, porque a realidade é sempre mais dura do que parece. É impossível construir uma empresa de sucesso sem trabalhar feito louco, ter uma agenda lotada e comprometer a vida pessoal. Os primeiros anos de empresa são difíceis, e a dificuldade é proporcional à sua importância; o primeiro ano é o pior de todos, nos dois seguintes as coisas tendem a amornar, até chegar no 5º ano — considerado o ponto seguro. As dicas deste post valem para toda a vida (da sua empresa), mas como empresas novas são como bebês, muito frágeis em seus primeiros meses de vida, alguns erros simples podem ser o suficiente para matar o sonho de ser um empresário.

Achei tão engraçado o título do artigo de Ken Sundheim — “4 erros que podem deixar empreendedores sem ter onde morar, ou pior — empregados” — que resolvi trazer para o blog não apenas parte do seu conteúdo, mas também o próprio título.  Até um ano atrás, eu não pensava em ter minha própria empresa, aliás até pensava, mas apenas não era um objetivo. As coisas mudaram, eu mudei e acho que se tem uma coisa que não mudou (ou mudou muito pouco) é a maneira como as empresas tratam seus clientes. Então, hoje isso é algo que eu cogito. Mas deve ser algo pensado e muito bem planejado. Porque acho que uma vez que você se torna seu próprio chefe, jamais voltará a se conformar com a vida de empregado.

Usando um pouco da experiência adquirida quando jovem na loja da minha mãe, centenas de experiências como consumidor exigente, meu alto senso crítico e tudo que aprendi no meio acadêmico e profissional; peguei os 4 principais erros do Sundheim e pincelei com impressões minhas:

Erro 1: Contar apenas com os clientes atuais e networking

Algo que aprendi é que até as empresas mais humanas e honestas, que são realmente focadas no consumidor, precisam crescer se quiserem sobreviver. O mundo dos negócios não é indicado para pessoas sem ambição. É preciso querer ser o melhor, inovar e crescer. Mesmo que você crie uma ONG para ajudar as pessoas, você deve crescer para poder ajudar ainda mais pessoas.

Nenhum negócio, por menor e mais simples que seja, consegue crescer tendo apenas amigos, familiares e amigo dos amigos como clientes. O boca a boca é importante, mas não ajuda negócios a crescerem de forma rápida. Com a ajuda da internet, o “velho boca a boca linear” — aquele de antigamente em que um falava pro outro, que falava pro outro e logo o bairro todo sabia — se tornou algo exponencial. Uma única postagem online tem capacidade de atingir milhares de pessoas. A melhor e mais eficiente maneira de fazer sua empresa crescer é tendo uma excepcional presença online.

Erro 2: Ser o mais barato geralmente custa caro

Você tem várias estratégias à disposição e escolhe ser “o mais barato”. Estaria tudo bem se não fosse pelo fato que quase todo mundo já fez isso antes de você. Preço é uma excelente estratégia de penetração, mas fazer disso a razão de existir da sua empresa é trabalho de gente grande; requer um alto controle de custos, grande poder de barganha com fornecedores e alto investimento em comunicação para gerar o volume necessário.

O melhor a se fazer é entregar algo que outras empresas grandes não conseguem. Fabricação artesanal, atendimento personalizado, canais de comunicação otimizados, segmentação ou qualquer coisa que nenhum outro competidor esteja oferecendo (ou entregando de forma satisfatória) no mercado.

Erro 3:  foco demais no plano de negócios

O plano de negócios deve servir como um balizador, não como um guia. Provavelmente, a maior vantagem de uma pequena empresa sobre uma grande é a agilidade. Grandes empresas têm gente demais, planejamento demais, reuniões demais e ação de menos. Tudo costuma ser muito discutido antes de ser implementado. Mas o mundo não para. Agilidade é realmente fator importantíssimo no mundo dos negócios. Empresas que chegam tarde precisam criar algo 2, 3, 10 vezes mais incríveis do que o primeiro.

Esteja livre para fazer algo que não está no seu plano de negócios. Se você detectar uma oportunidade e fizer sentido à estratégia e valores da empresa, vá em frente.

Erro 4: não conhecer seus concorrentes

Geralmente falamos “eu conheço o fulano” para expressar que sabemos quem ele é. Mas isso não é conhecer, é modo de falar. Conhecer bem os concorrentes é saber: nome, estratégia, produtos/serviços, canais de vendas, capacidade de distribuição, fornecedores, website, propaganda, lançamentos, atendimento, etc.

Uma vez eu li que você deve saber mais dos produtos dos concorrentes do que seu próprio produto. Talvez isso seja exagero, mas mostra a importância de conhecer com quem você está jogando.

Toda estratégia começa com uma análise de mercado, e isso é tão verdade nos negócios como no esporte. É preciso conhecer o mercado, o público e os players. Tentar descobrir as dificuldades pela frente e desenvolver táticas para lidar com cada uma delas Só assim, de olhos bem abertos e muita informação, você poderá se diferenciar e competir eficientemente.