Arquivo de março de 2011

Ei, você também sonha em ter seu próprio negócio? Então, seja bem-vindo ao clube! Só não espere pouco trabalho, dinheiro rápido e status de empreendedor.

De fato, as histórias de pessoas que abriram seus próprios negócios são bonitinhas apenas no papel, porque a realidade é sempre mais dura do que parece. É impossível construir uma empresa de sucesso sem trabalhar feito louco, ter uma agenda lotada e comprometer a vida pessoal. Os primeiros anos de empresa são difíceis, e a dificuldade é proporcional à sua importância; o primeiro ano é o pior de todos, nos dois seguintes as coisas tendem a amornar, até chegar no 5º ano — considerado o ponto seguro. As dicas deste post valem para toda a vida (da sua empresa), mas como empresas novas são como bebês, muito frágeis em seus primeiros meses de vida, alguns erros simples podem ser o suficiente para matar o sonho de ser um empresário.

Achei tão engraçado o título do artigo de Ken Sundheim — “4 erros que podem deixar empreendedores sem ter onde morar, ou pior — empregados” — que resolvi trazer para o blog não apenas parte do seu conteúdo, mas também o próprio título.  Até um ano atrás, eu não pensava em ter minha própria empresa, aliás até pensava, mas apenas não era um objetivo. As coisas mudaram, eu mudei e acho que se tem uma coisa que não mudou (ou mudou muito pouco) é a maneira como as empresas tratam seus clientes. Então, hoje isso é algo que eu cogito. Mas deve ser algo pensado e muito bem planejado. Porque acho que uma vez que você se torna seu próprio chefe, jamais voltará a se conformar com a vida de empregado.

Usando um pouco da experiência adquirida quando jovem na loja da minha mãe, centenas de experiências como consumidor exigente, meu alto senso crítico e tudo que aprendi no meio acadêmico e profissional; peguei os 4 principais erros do Sundheim e pincelei com impressões minhas:

Erro 1: Contar apenas com os clientes atuais e networking

Algo que aprendi é que até as empresas mais humanas e honestas, que são realmente focadas no consumidor, precisam crescer se quiserem sobreviver. O mundo dos negócios não é indicado para pessoas sem ambição. É preciso querer ser o melhor, inovar e crescer. Mesmo que você crie uma ONG para ajudar as pessoas, você deve crescer para poder ajudar ainda mais pessoas.

Nenhum negócio, por menor e mais simples que seja, consegue crescer tendo apenas amigos, familiares e amigo dos amigos como clientes. O boca a boca é importante, mas não ajuda negócios a crescerem de forma rápida. Com a ajuda da internet, o “velho boca a boca linear” — aquele de antigamente em que um falava pro outro, que falava pro outro e logo o bairro todo sabia — se tornou algo exponencial. Uma única postagem online tem capacidade de atingir milhares de pessoas. A melhor e mais eficiente maneira de fazer sua empresa crescer é tendo uma excepcional presença online.

Erro 2: Ser o mais barato geralmente custa caro

Você tem várias estratégias à disposição e escolhe ser “o mais barato”. Estaria tudo bem se não fosse pelo fato que quase todo mundo já fez isso antes de você. Preço é uma excelente estratégia de penetração, mas fazer disso a razão de existir da sua empresa é trabalho de gente grande; requer um alto controle de custos, grande poder de barganha com fornecedores e alto investimento em comunicação para gerar o volume necessário.

O melhor a se fazer é entregar algo que outras empresas grandes não conseguem. Fabricação artesanal, atendimento personalizado, canais de comunicação otimizados, segmentação ou qualquer coisa que nenhum outro competidor esteja oferecendo (ou entregando de forma satisfatória) no mercado.

Erro 3:  foco demais no plano de negócios

O plano de negócios deve servir como um balizador, não como um guia. Provavelmente, a maior vantagem de uma pequena empresa sobre uma grande é a agilidade. Grandes empresas têm gente demais, planejamento demais, reuniões demais e ação de menos. Tudo costuma ser muito discutido antes de ser implementado. Mas o mundo não para. Agilidade é realmente fator importantíssimo no mundo dos negócios. Empresas que chegam tarde precisam criar algo 2, 3, 10 vezes mais incríveis do que o primeiro.

Esteja livre para fazer algo que não está no seu plano de negócios. Se você detectar uma oportunidade e fizer sentido à estratégia e valores da empresa, vá em frente.

Erro 4: não conhecer seus concorrentes

Geralmente falamos “eu conheço o fulano” para expressar que sabemos quem ele é. Mas isso não é conhecer, é modo de falar. Conhecer bem os concorrentes é saber: nome, estratégia, produtos/serviços, canais de vendas, capacidade de distribuição, fornecedores, website, propaganda, lançamentos, atendimento, etc.

Uma vez eu li que você deve saber mais dos produtos dos concorrentes do que seu próprio produto. Talvez isso seja exagero, mas mostra a importância de conhecer com quem você está jogando.

Toda estratégia começa com uma análise de mercado, e isso é tão verdade nos negócios como no esporte. É preciso conhecer o mercado, o público e os players. Tentar descobrir as dificuldades pela frente e desenvolver táticas para lidar com cada uma delas Só assim, de olhos bem abertos e muita informação, você poderá se diferenciar e competir eficientemente.

Neuromarketing é o que há de mais recente no mundo das pesquisas de marketing e comportamento do consumidor. É a união entre a ciência (propriamente dita) e a pesquisa de mercado.

Faz 5 anos que eu saí da faculdade e, de lá pra cá, muita coisa mudou. Estudei na faculdade os métodos comuns de pesquisa como grupos de foco, grupos de discussão, recall e outros tipos de pesquisa que buscam descobrir o que se passa na cabeça dos consumidores e se eles comprariam determinado produto, ou porque se comportam de determinada maneira. Há uns 2 anos, ouvi falar de neuromarketing e fiquei fascinado.

O objetivo é audacioso: responder perguntas questionando o cérebro das pessoas. Nos últimos anos, ficou evidente que as pessoas não têm total domínio no que se passa no seu corpo e na sua mente. Poucas pessoas realmente se conhecem e mesmo as que se conhecem ainda estão suscetíveis à influência social, emocional e do próprio cérebro — quase sempre inconsciente. Ou seja, você acha que gostou daquele comercial, mas seu cérebro diz que ele é apenas divertido. O neuromarketing quer responder, de uma vez por todas, o “porquê”  Mas como elas são feitas?

As caríssimas pesquisas de neuromarketing usam nada mais que instrumentos médicos para sua realização. O que quer dizer que se você quer trabalhar nesse ramo, precisa de um bom neurocientista ao seu lado, ou de alguém que saiba muito mais do que a função do córtex pré-frontal ou a localização da amígdala.

Atualmente, toda pesquisa de neuromarketing utiliza um destes dois equipamentos: fMRI ou EEG, na sigla inglês.

fMRI (ressonância magnética funcional)

São aquelas máquinas gigantes caríssimas que os hospitais costumam se exibir por ter uma. Este aparelho consegue tirar uma foto do cérebro e mostrar exatamente quais partes foram ativadas durante uma determinada situação — como assistir um comercial, por exemplo. Acredito eu, com base no livro de Martin Lindstrom, que esse aparelho é o mais eficaz; mas seu alto-preço, barulho incômodo e a sensação de claustrofobia fazem do fMRI uma ferramenta de difícil aplicação no cotidiano.

EEG (Eletroencefalograma)

A outra maneira de rastrear o cérebro é através do eletroencefalograma. Eletrodos são distribuídos sobre o couro cabeludo e com a ajuda de um amplificador, as atividades cerebrais são distribuídas através de gráficos, que podem ser comparados com padrões e, assim, saber se temos algo de especial ou não. Ao contrário do fMRI, cujo resultados são mostrados em imagens, o EEG utiliza gráficos. Embora um pouco menos preciso, é mais barato e menos descofortável, o que faz do EEG a ferramenta mais usada em pesquisas de neuromarketing hoje. Mas isso está prestes a mudar.

Mynd® (wireless EEG)

Com o neuromarketing se tornando mais popular, empresas procuram uma maneira de tornar as pesquisas não apenas mais baratas, mas também menos trabalhosas. Fazer uma pessoa entrar em uma máquina de ressonância magnética e ficar imóvel por vários minutos  ou amarrá-la a um toca cheia de fios conectada a um aparelho, não é lá um trabalho muito fácil. Pois bem, a empresa Neurofocus desenvolveu um novo aparelho, o Mynd. Basicamente, é um EEG sem fio e 100 vezes mais prático. Ele se conecta através de bluetooth, é leve, prático e dispensa o uso de gel nos eletrodos.

O neuromarketing é uma ferramenta fantástica, mas deve ser usada com cautela. Requer muito dinheiro e uma enorme capacidade de análise para não interpretar errado os resultados. De tudo que eu já li, a sugestão dos especialistas é uma só: escolha a metodologia cuidadosamente e, de preferência, mais de um.

Talvez você já tenha visto alguém assim: um pequeno comerciante que ama o que faz, é alegre, extremamente simpático, humilde, honesto, tem o melhor produto/serviço da região e uma base fiel de clientes. Pessoas assim são raras e carregam uma sabedoria inata, que não aprenderam em livros ou em cursos, e costumam render ótimas lições porque elas sabem, na prática, algo que muitos só conhecem na teoria, em relatórios e discursos floreados.

Quando comecei a assistir a matéria sobre o pipoqueiro Valdir, em um post do Reinaldo Cirilo, estava preparado para ver a história de mais um grande vendedor nas ruas do Brasil e o que acabei descobrindo foi um marqueteiro dos bons!

Valdir conhece pontos vitais do marketing sem nunca ter estudado a respeito e os coloca em prática rigorosamente no seu negócio. Fico fascinado quando vejo alguém humilde se destacar no seu trabalho. O mercado está tão cheio de ganância e prepotência que muitos profissionais não conseguem enxergar que a sua empresa depende da satisfação dos clientes para prosperar. A essência do marketing é realmente simples como o preparo da pipoca, mas alcançar a excelência é um trabalho diário que depende de muita humildade, dedicação e visão.

As lições de marketing do pipoqueiro

Ataque o inimigo número 1 dos clientes

O maior problema de comer na rua é a falta de higiente. Sabendo disso, Valdir tomou uma série de providências para eliminar — ou pelo menos reduzir — essa barreira de consumo. Quando se trata de saúde, confiança é tudo. É difícil saber se um restaurante é limpo se você não sabe como é a cozinha. Então, é preciso caprichar na aparência. Para o pipoqueiro, esse se tornou o principal objetivo. Além de ter um carrinho sempre limpo, Valdir oferece álcool em gel após o cliente pegar no dinheiro e tem um uniforme para cada dia da semana (literalmente, ele bordou cada dia da semana no jaleco).

Compromisso com o cliente

Acho que um dos maiores problemas das grandes corporações seja priorizar os acionistas em vez dos clientes. Quanto maior a empresa, maior a distância com o cliente. Não é com o seu bolso, com a sua esposa (estamos falando de negócios, ok?) ou com o seu investidor. O seu compromisso número 1 é com os clientes. Deixe eles em segundo plano e todos os outros estarão em risco. O compromisso do pipoqueiro é tanto que em nome da saúde, ele trocou o óleo de soja pelo óleo de girassol e de canola — muito mais caros — para não perder clientes e o fez sem aumentar o preço do produto. Se é bom para o cliente, é bom para a empresa.

Sensibilidade

A pipoca do Valdir (e não é o Valdir da pipoca) tem um site onde diz que uma das principais características do Valdir é a sensibilidade. Quando se lida com pessoas, sensibilidade é muito importante. Valdir percebeu que os fregueses comiam pipoca e não tinham onde limpar as mãos, então ele elaborou o chamado “kit de limpeza” que vai com a pipoca, que inclui guardanapo, um palito de dente (e ele faz questão de destacar que vem lacrado) e uma bala de menta.

Importância aos detalhes

Pequenas coisas geram consequências desproporcionais no mundo do marketing. Realizar pequenas ações que necessitam mais de boa vontade do que de dinheiro é o caminho para o encantamento. Valdir fez isso quando bordou os dias da semana no uniforme, colocou uma bala de menta no kit limpeza e trocou o oléo de soja por outro mais saudável.

Marketing também é negócios

De que adianta encantar os clientes se você não consegue pagar as contas? Como profissional de marketing, acredito totalmente que se você assumir um compromisso com o cliente, oferecer soluções, for atencioso e entregar uma ótima experiência; conseguirá obter lucro. Mas também é preciso divulgar seus serviços, inovar e aumentar vendas. Junto com o kit de limpeza do Valdir, vai um folheto com os procedimentos de limpeza (diferenciais) do seu carrinho, além do contato e logomarca. A fórmula é encantar para vender, não vender para encantar. Mas faça isso valorizando o seu produto, com planejamento, controle de gastos, divulgação e realizando novos investimentos. Falando em investimento, Valdir tira 30% do seu faturamento para reinvestir no seu negócio.

Foco, foco, foco

Eu já estou ficando careca de falar sobre isso no blog e o mercado não esboça nenhum sinal de que está ouvindo. O pipoqueiro deixaria Al Ries orgulhoso pela sua crença na importância do foco para o sucesso. Enquanto os outros pipoqueiros vendem produtos como sorvetes e doces, Valdir tomou a decisão de trabalhar apenas com pipoca. Ele quer ser reconhecido pela melhor pipoca de Curitiba e justifica dizendo “você não pode ser tudo para todos ao mesmo tempo”. É impossível ser o melhor em algo sem ter foco. Valdir sabe disso. E sabe tanto que virou palestrante. Mas e você, sabe?

Pessoas no mundo todo querem ser como Steve Jobs, empresas querem ser a próxima Apple, mas quem teria a coragem de fazer o que Jobs fez? O co-fundador da Apple, ex-dono da Pixar e criador dos gadgets mais falados dos últimos 10 anos não é um semi-deus como alguns podem pregar, mas é sem dúvida uma das pessoas mais visionárias e corajosas que apareceu no mundo dos negócios nas últimas décadas. E o que mais é preciso para mudar a história além de paixão  e ação?

Há 13 anos, a Apple estava à beira da falência. Então, Steve Jobs reiventou a forma de ouvir música, depois reinventou o celular e encantou o mundo com a magia do iPad poucos anos depois. As pessoas admiram Steve Jobs, mas não agem como Steve Jobs. Aqui estão as principais atitudes — ousadas — que o tornaram o executivo mais admirado da atualidade.

1. Parceria com o concorrente.

Pouca gente sabe, mas se não fosse pela Microsoft, talvez (enfatizo no talvez) a Apple não estivesse aqui. Em 1997, após muitos anos no vermelho, Steve Jobs precisava juntar dinheiro rápido e foi esperto o bastante para procurar Bill Gates. A Microsoft investiu $150 milhões na Apple e foi parceira da marca na Macworld Expo 97. Jobs justificou dizendo: “Isso é pela saúde da Apple, para que ela possa dar grandes contribuições à indústria e voltar a prosperar”. O que, de fato, aconteceu.

2. Colocar sexo nos produtos.

Jobs é um vendedor nato. No início, Wozniak cuidava da engenharia enquanto Jobs tratava de vender e conseguir parcerias. Eu não sei o que ele quis dizer com “sexo”, mas em 1998, Jobs convocou uma reunião e disse: “sabe o que essa empresa tem de errado? Os produtos são uma droga! Não há sexo neles.” O que eu sei é que hoje, o design dos produtos Apple levam pessoas ao orgasmo.

3. Criar soluções possíveis para problemas impossíveis.

A Apple é uma indústria, certo? Errado. É também comércio. Tudo começou quando Steve Jobs achou que as lojas de varejo não davam a atenção que os produtos Apple mereciam. Então, ele fez o que na época ninguém fazia: criou lojas próprias. Pode parecer fácil, mas atuar com algo que você não domina, como o varejo, é sempre um grande desafio.

4. Dizer aos consumidores o que eles querem em vez de perguntar.

Ele é famoso por dizer que os consumidores não sabem o que querem até verem um. Sua teoria pôs abaixo um dos maiores mitos do marketing: o de que os consumidores conhecem seus desejos. A Apple não usa grupos de foco, em vez disso diz o que as pessoas querem antes de quererem. Ano passado quando o iPad foi anunciado, as pessoas acharam o produto bobo, e não foi que ele se tornou sonho de consumo?

5. Produtos que funcionam melhor juntos.

A Apple é famosa por favorecer seus próprios produtos. iPod com iTunes, iTunes com iMacs, interação entre iPhones e iPads e iTunes store, etc. A justificativa por trás disso na opinião de Steve Jobs é:  “A Apple está sempre mostrando que a soma das partes é maior que o todo”.

6. Não contratar apenas os melhores.

Como muitos estudiosos da criatividade defendem, a empresa aposta na diversidade da sua equipe. O próprio Steve Jobs atribui parte do sucesso dos Macintosh ao fato de ter funcionários com formação em música, história, zoologia e literatura.

7. Estimular o pensamento diferente.

“Pense diferente” não é apenas o título de uma das campanhas publicitárias mais memoráveis da história, mas é também a filosofia que a empresa se sustenta.

8. Não incrementar demais.

Apenas recentemente os iPods passaram e ter rádio FM e o primeiro iPhone tinha uma câmera péssima. Essa é uma das maiores lições da Apple: você não precisa lançar o produto perfeito, apenas crie algo incrível e antes de todo mundo. “Nós somos absolutamente consumidos pela ideia de criar uma solução que seja muito simples”, disse o designer Jonathan Ive, vice-presidente de design da Apple.

9. Vende sonhos, não produtos

Foi-se o tempo em que Mac OS X era o mais seguro , o mais rápido e o mais estável, mas ficou a imagem de um super produto, uma grande reputação e o melhor design para se ter na sala de casa. As pessoas não compram iMac, iPhones e iPads pelo que eles são, mas pelo que eles representam.

10. Acreditar em si próprio

Steve Jobs disse no seu famoso discurso em Stanford: “Tenha a coragem para seguir o seu coração e sua intuição. Ele, de alguma forma, já sabe o que você quer se tornar”.

Fonte: Business Insider

Se você quiser saber quão inteligente é a pessoa que está contratando ou o seu filho, basta aplicar um teste de QI, mas ele não terá muita utilidade. Não hoje em dia. De fato, estudos compravaram que pessoas com QI ligeiramente acima da média se dão melhor na vida do que gênios. Sendo assim, o importante não é saber se você é inteligente, mas qual tipo de inteligência predomina em você. E não só em você, mas na equipe que lidera e nos seus filhos.

O famoso Quociente de Inteligência foi desenvolvido há 100 anos e busca responder “quão inteligente eu sou?”, já os Tipos de Inteligência surgiram há apenas 28 anos e propõem responder a pergunta “como eu sou inteligente?”.

Sucesso hoje significa descobrir no que você é bom. Partindo do princípio que uma pessoa pode ser bem-sucedida em qualquer coisa, você pode ser um excelente mecânico se tiver grande capacidade analítica e habilidades manuais, mas um engenheiro invisível ou um advogado comum sem estes dois ingredientes principais: inteligência e interesse.

No excelente artigo sobre como criar filhos empreendedores, tem uma fórmula interessante: inteligência + interesse = vocação. O artigo mostra a autora de um livro que compara os chineses com os filipinos. Enquanto a cultura chinesa exalta o empreendedorismo, na qual os pais dizem para seus filhos “meu filho, quando você tiver o seu negócio…”; a cultura filipina prega a dependência usando frases como “estude o suficiente para conseguir um bom emprego”. Fica a pergunta clássica de todo pai: o que você quer ser quando crescer? Mas não me refiro a médico, veterinário ou piloto de avião, e sim “o melhor médico”, “um grande veterinário” e um “famoso piloto”. Acredito que se você está lendo este blog é porque, assim como eu, quer ser o melhor ou pelo menos estar entre os melhores na sua área. E os melhores profissionais do mundo tem total controle sobre sua carreira, o que só pode ser conquistado se você for muito bom no que faz e muito apaixonado.

Arrisco dizer que mais da metade das pessoas trabalham ou estudam em algo que não foram feitas para fazer. Seja por pressão dos pais, da sociedade ou falta de orientação, vejo muitas pessoas abrirem mão de seus sonhos, para fazerem qualquer coisa que dê dinheiro. Essa é uma decisão pessoal e não vou interferir. Mas para aquelas que realmente querem se sentir felizes com o trabalho, é indispensável descobrir no que você é bom.

Minha irmã vai prestar vestibular este ano e ainda não sabe para qual curso. E ela não está sozinha. Tem gente de 20 e poucos anos que ainda não sabe. Desculpem-me se estou fazendo parecer fácil demais, mas pra mim é simplesmente questão de responder: o que você gosta e no que é bom? Sempre pensei assim e a fórmula mostrada no livro “8 Simple Secrets to Raising Entrepreneurs” sustenta isso.

Os 8 tipos de inteligentes

Se você procurar no Google “tipos de inteligência” vai achar alguns com 7, 9 e até 32 tipos… eu irei listar as 8 propostas pelo professor de Harvard, Howard Gardner, em sua “teoria das inteligências múltiplas”. Organizei de um modo diferente, personificando cada uma delas. Veja se você consegue se identificar com algum.

  1. O linguista: tem facilidade em se expressar de forma tanto verbal como escrita, escolhe bem as palavras, consegue simplificar questões complexas. É evidente em vendedores talentosos, escritores e consultores. Nas crianças, pode ser encontrado naquelas que perguntam muito ou gostam de ler.
  2. O lógico-matemático: tem facilidade com números, quantidades e possuem raciocínio lógico — como causa e efeito. São os famosos lado-esquerdo do cérebro e mais associados ao QI tradicional. Evidente em engenheiros, programadores, físicos e contadores.
  3. O artista: tem facilidade em desenhar, medir, grandes noções espaciais. É uma pessoa basicamente visual, grava imagens, cores e formas facilmente. Mais evidente em pintores, desenhistas, estilistas, arquitetos, designers e pilotos.
  4. O músico: tem a capacidade de discernir o tom, timbre, entonação e ritmo. Consegue identificar, reproduzir e criar sons com facilidade. Mais evidente em… músicos, claro.
  5. O habilidoso: é o atleta.  É bom em atividades motoras e que exijam muito do corpo. Ele também possui bom timing e equilíbrio entre corpo e mente. Mais evidente em atletas, inventores, dançarinos, artistas-marciais e atores.
  6. O naturalista: quando criança é aquela que gosta de ciência, adora colocar a mão na terra e brincar com todos os tipos de animais. Tem facilidade em diferenciar espécies e vários tipos de coisas. Acredita-se que bons empreendores possuem alta inteligência natural e que ela o ajude a identificar as necessidades dos consumidores e oportunidades de mercado.
  7. O auto-conhecedor: é a pessoa que está sempre em busca de se conhecer melhor, avaliando seus objetivos e analisando suas emoções. Se conhece muito bem e utiliza esse conhecimento para conhecer  e influenciar os outros, além de  planejar ou criar estratégias.  Tem grande interesse em conhecer o ser-humano. Presente em grandes líderes, conselheiros, psicólogos, escritores e outros.
  8. O simpático: se dá muito bem com pessoas. Ouve bastante, comunica-se eficazmente tanto com palavras como com o corpo, gosta de trabalhar em equipe e é sociável. Tem facilidade em saber o que o outro está sentindo e analisar sob diferentes pontos-de-vista. Presente em líderes motivacionais, empreendedores.

Conseguiu se encontrar? Alguns tipos são mais dificeis que outros, mas é importante destacar que todos nós temos as 8 inteligência, a forma como ela está distribuída é que define nossas habilidades — e basicamente quem você é. Isso explica porque algumas pessoas são ótimas em história e péssimas em matemática; ou são grandes funcionários em uma empresa e medíocre em outra (que não exploram as habilidades certas).

Existem alguns testes que ajudam a identificar qual inteligência predomina em você, não os considero 100% eficientes. O ideal é sempre analisar você mesmo, fazer um teste e perguntar aos amigos. Mas uma coisa é certa: o seu sucesso começa aqui.

[Para escrever este artigo, utilizei informações do Wikipédia, Business Insider, Care2 e ABS-CBN news.]

Muita coisa tem se escrito sobre como redes sociais podem impulsionar os negócios, e muito pouco sobre tudo que já foi escrito foi dedicado ao que não fazer. Particularmente, considero o que não fazer tão ou mais importante quanto o que fazer. Em uma área onde (quase) tudo é possível como propaganda e marketing, é fundamental que haja um bom filtro. Esse filtro deve ser composto por experiência, senso crítico e alta capacidade de análise. Isso vale não apenas para redes sociais, mas para toda sua vida profissional. Reflita sobre tudo que você lê (incluindo este blog)e não assuma como uma verdade absoluta, pondere. E eu vou ilustrar isso com um exemplo.

Você está navegando pela internet quando cai em um blog que nunca viu  e lê um dos posts em que se sugere usar o Twitter para divulgar tudo que a empresa  faz, onde todos os funcionários estão falando, incluindo a implementação de um “Twitter interno” onde rolarão mensagens como “A Carol chegou com um carregamento de donuts. Eles estão na sala de suprimentos, enquanto durarem” ou “que as crianças não vejam isso… existe um site que captura sua própria letra e transforma em fonte”.  Então, você assume que aquilo é uma ótima coisa a se fazer só porque leu em um blog americano, teve 9 comentários e 217 reações na internet. Até ler um especialista falando que aquilo é besteira em um tom bastante indignado.

Foi exatamente isso que aconteceu. Jonathan Salem Baskin é um dos especialistas que eu mais gosto de ler na internet, um profissional com grande experiência, argumentos fortes e três livros publicados. E se ele falou que o post “Deploying Volunteer Marketing Armies with Internal Social Media” — citado no parágrafo de cima — não é marketing, então eu acredito nele. Baskin disse em seu blog que estava furioso e sentia vergonha de profissionais de marketing por serem tão crédulos; disse que não queria ofender o autor do post, mas que aquilo não é fazer negócios, não é ciência e nem mesmo racional. De fato, li post e achei muito exagerado. Fazer com que todo funcionário twitte a respeito de tudo que está acontecendo na empresa não vai tornar a empresa mais humana ou inovadora. Twitter, assim como qualquer outra rede social, é apenas uma ferramenta que não serve para nada sem uma boa estratégia.

Antes de sair usando Twitter ou Facebook feito louco para promover uma empresa, esqueça o burburinho das redes sociais e pense como um profissional de marketing. Tenha em mente os conselhos de um especialista:

Ninguém acorda querendo ouvir mais sobre marcas.

“Desculpe. Eu sei que a tecnologia torna possível, mas não significa que isso se tornou uma necessidade ou um desejo.”

“O mundo  não precisa mais de conteúdo. O seu desafio não é encontrar um jeito de produzir mais, e sim fazer o que você diz importar mais”

A massa não é exatamente confiável.

“A humanidade realmente não sabe (ou se importa) como gerir o seu negócio, então ‘a próxima grande ideia’ de que seus consumidores devem cuidar do seu design, da sua propaganda e propor novos processos, ou apenas falar de si próprio em vez dos seus produtos ou serviço… tem a ver com recompensa imediata. Não é estratégia de negócios.”

Estabelecer diálogos não é tão simples assim.

“Toda vez que alguem lhe disser ‘apenas comece a gerar conteúdo’ ou ‘crie uma conta e converse’, eles deviam ser convidados a se retirar”.

“A ideia de que você pode esquivar da responsabilidade pela sua marca é perigosamente atraente, mas é uma mentira. Respeitar os mecanismo da conversa um a um tem muito pouco a ver com lançar campanhas digitais que se espalham pela rede.”

Sua empresa tem que fazer algo de concreto para existir.

“Não confunda o meio com a mensagem e não confunda o buzz da conversa com o conteúdo do que está sendo discutido.”

“Grandes chances das mais celebradas campanhas sociais serem realmente as melhores, mais inteligentes, mais rápidas ou possuírem os produtos e serviços mais competitivos. Fazer bonito no digital geralmente significa grande realidade. Se não há nada de real ali, não passa de um grande barulho”

O sonho de estudar no exterior

21 de março de 2011 • TEMAS: Carreira /

Sonha em estudar fora do Brasil? Somos dois, três, dez, possivelmente milhões…

Quando digo “estudar”, me refiro a ter um diploma internacional. Quem nunca sonhou estudar em Harvard,  Wharton,  INSEAD ou alguma universidade estrangeira não tem muita ambição. Mas geralmente entre o sonho e a realidade existe um grande e profundo abismo onde a maioria dos sonhos acabam parando com o passar da idade e a grana sempre curta.

Recentemente, esse meu antigo sonhou voltou a me assombrar. Digo “assombrar” porque, embora seja motivante, as chances de que realmente aconteça são mínimas.  Eu sempre soube que estudar fora do Brasil era coisa de gente muito rica ou assustadoramente estudiosa. Principalmente para quem está na área de negócios (marketing, afins), já que amaioria das bolsas de estudso são para áreas de pesquisas. Uma outra maneira de conseguir um diploma de ouro é trabalhar em uma grande empresa, ter um cargo alto e negociar para que a companhia financie o MBA. Segundo especialistas, isso se tornou bem menos comum do que foi na década de 90. Uma pesquisa Alumni Brasil mostra que apenas 29% dos brasileiros lá fora contam com ajuda da empresa.

Então, considerando que você — assim como eu –  não nasceu em berço de ouro, não ganhou na loteria, não foi o melhor aluno da escola, mas é extremamente dedicado, inteligente e está disposto a lutar pelo seu sonho; quais escolhas têm? Infelizmente, não muitas. Mas aqui vão algumas ideias que tive ao analisar as minhas opções. Nesses momentos, é realmente necessário avaliar todas as opções disponíveis.

Opção 1

Uma boa opção é trabalhar nos Estados Unidos juntando dinheiro por vários meses e pagar o curso à vista. O problema é sempre o visto. Se você tiver cidadania européia, tem um caminho aberto para o trabalho; mas a Europa não é tão bom para juntar grana como “a América”. Com a grana adquirida, é possível pagar um MBA barato nos EUA ou um curso de pós-graduação em uma boa universidade européia. [Dica: ranking dos melhores MBAs dos Estados Unidos com faixa de preço.]

Opção 2

Conseguir um financiamento em algum programa como o Global Student Loan. Eu sei que existe um programa parecido aqui no Brasil, onde jovens profissionais podem concorrer a bolsas ou financiamentos. São iniciativas privadas que investem em jovens cujo objetivo é o desenvolvimento do país, uma vez que esses jovens se comprometem a voltar para o Brasil e aplicar conhecimentos adquiridos. Só um detalhe, para você concorrer, é preciso já ter sido aprovado na universidade pretendida.

Opção 3

Financiar. Ok, financiamento é uma droga, mas você financiou o carro, a casa, por que não financiar o seu estudo? Casa e carro só consomem o seu dinheiro, mas o diploma em uma das melhores universidades do mundo pode triplicar o seu salário –  segundo um estudo da Forbes. Eu não sei como funciona exatamente, se é possível  conseguir direto com os bancos brasileiros. Mas eu sei que a maioria das universidades fazem o possível para facilitar o seu lado.

Se você procurar informações sobre o curso, “tuiton & fees”, verá as opções de financiamento e empréstimos sugeridas. A London Business of School (um dos melhores MBAs do mundo) tem uma parceria com o HSBC. Os juros costumam ser baixos e o financiamento pode ser quitado em vários anos. O problema é que um curso top como o da LBS é caríssimo! Custando cerca de R$100.000. Então é bom pensar bastante onde estudar. Nem só de Harvard, Yale e LBS é feito o ranking das melhores business schools do mundo.

Você também sonha com isso? Quais seus planos para tornar realidade? Comente!

Há exatos 5 anos eu entrava em contato com o branding para realizar o  trabalho de conclusão da minha faculdade de comunicação; estudando e me aprofundando no fascinante mundo das marcas além das logos e comerciais engraçados. Keller, Aaker e Ries foram alguns dos caras que ampliaram a minha visão das marcas e perceber que branding é tudo para uma marca. Profissional de marketing nenhum é completo sem saber como funcionam as engrenagens por trás de uma marca forte.

Ainda na década de 30, a Procter&Gamble criou núcleos de gestão de suas marcas. Em 2011, todas as  multinacionais possuem pelo menos uma pequena equipe que dedicam no mínimo 8 horas por dia para cuidar daquela pequena coisinha chamada marca. E isso passa por reputação, credibilidade, qualidade técnica, comunicação, design, funcionalidade, interação, necessidades, desejos, tendências, ROI, pesquisas de mercado, comportamento do consumidor, e muito mais.

De forma simplicada, o que as marcas mais fortes do mundo têm que as outras não têm? Veja e faça sua própria análise.

1. É conhecida: é uma conclusão óbvia que um dos primeiros passos para construir uma marca forte é ser conhecida dos consumidores que pretende atingir, e até dos que não compõem o seu público-alvo. Uma palavra muito citada no branding é ‘awareness’. As pessoas precisam saber porque a marca existe e para que ela existe. Se vão comprar, é outra história.

2. Relevância: a marca precisa trazer algo útil, novo ou importante para as pessoas. Em outras palavras, precisa ter um sentido, precisa ser relevante. E essa, para mim, é a palavra mais forte no marketing.

3. Diferenciada: e essa é a palavra mais fraca no marketing. Quantas vezes você já viu “serviço diferenciado”, “atendimento diferenciado” e variações só esta semana? Ser diferente é realmente fazer o que o concorrente não faz. Entregar o que o concorrente não entrega. Uma das maiores lições do Al Ries é que a única maneira de competir com o líder é sendo o oposto dele.

4. Centrada no consumidor: escute o que falam sobre a marca mais adorada no mundo: Apple. Analise a marca mais falada no  mundo: Google. Veja a marca mais usada no mundo: Microsoft. Essas empresas são exemplos de como cuidar dos seus consumidores. É preciso se colocar no lugar deles, tentar entendê-los  e manter um diálogo constante. Ser diferente, conhecida e relevante eram requisitos de uma marca forte no passado (e continuam hoje), foco no consumidor é requisito para o futuro.

5. Confiável: significa ser honesta, transparente, consistente e sempre, sempre cumprir o que promete.

6. Inovadora: para manter-se relevante e competitiva, marcas precisam inovar com frequência, antecipando as necessidades dos consumidores. Além em disso, na era onde o CGM (mídia gerada pelo consumidor) reina, é de grande importância dar as pessoas o que falar — e espalhar.

7. Simpática: deve ser fácil de gostar, estabelecer conexões emocionais com as pessoas, ter qualidades e ser amigável. Ou seja, deve agir mais como humano do que como uma empresa.

8. Acessível: para converter buzz em vendas e fãs em clientes é necessário possuir uma robusta estrutura de vendas. Entenda que quando uma empresa desperta o interesse no consumidor e não consegue satisfazer, parte do investimento da empresa vai para o concorrente.

9. Popular: não considero essa uma regra. Mas é o que acontece com marcas extremamente fortes. É tarefa do branding/marketing assegurar que a comunicação esteja de acordo com os objetivos estratégicos. Uma marca cara não deve estar em todas as mídias o tempo todo. O mesmo já não se aplica a uma “marca popular”. Um bom exemplo interessante é a Ferrari. Embora a maioria de nós não conheça uma pessoa que tenha um carro Ferrari, provavelmente conhecemos alguém que tem uma camisa, um óculos ou um perfume da marca. Essa foi uma das estratégias que a marca encontrou para aumentar sua popularidade e, claro, o seu valor.

10. Valor: grandes marcas nunca deixam a sensação de que custaram caro. Quando se coloca tudo na balança (benefícios emocionais, reais e o dinheiro), o valor percebido do produto é altíssimo que compensa o esforço e o dinheiro investido na compra.

[Baseado no artigo de Brad VanAuken]

Esta dica vem do Grande Jeffrey Gitomer, um dos maiores gurus de vendas do mundo, e o objetivo é levar profissionais a refletirem sobre porque certas negociações não deram certo. Identificar o problema é o primeiro e o mais difícil passo a ser dado. Requer realmente bastante coragem e resiliência para identificar suas próprias falhas, aceitá-las e tomar uma atitude.

Pegue as suas últimas 5 negociações que não deram certo e escreva um ou dois motivos (dos listados abaixo) que você acha que levou a isso.

  • O cliente não gosta de você.
  • O cliente não confia em você.
  • O cliente não acredita em você.
  • O cliente não sente firmeza em você.
  • O cliente não gosta, confia ou tem confiança no seu produto.
  • O cliente não gosta, confia ou tem confiança na sua empresa.
  • O cliente teve uma experiência anterior negativa com o seu produto ou sua empresa.
  • O cliente ouviu sobre uma experiência negativa com o seu produto ou sua empresa (e acreditou).

Gitomer não deu soluções, e provavelmente porque é um assunto de grande complexidade e que precisa ser analisado caso a caso. Mas posso adiantar que nenhum grande vendedor vendeu algo que não compraria ou trabalhou em uma empresa com a qual não simpatizava. Estudos comprovam que negociações têm mais chances de darem certo quando as duas partes possuem afinidades. O ser humano tende a estar com pessoas com que se identifica, e aprecia,, e como vendas é uma área muito mais humana e emocional do que lógica e engessada; empatia é um elemento precioso. No entanto, existem bilhões de pessoas no mundo e é claro que não é possível agradar a todos da mesma forma. Nessas (raras) ocasiões, é preciso usar a sabedoria do trabalho em equipe e passar a bola para um colega.

Vendas é um assunto que me fascina porque é algo tão comum e tão precariamente estudado. Existem milhões de vendedores no Brasil e, talvez, apenas poucas centenas dominem a arte da negociação. Grandes vendedores costumam ser pessoas extremamente agradáveis, corajosas, falam bem, se conhecem melhor ainda, são esforçados e honestos. De uma maneira geral, são seres humanos admiráveis e que sabem que a única barreira real para o sucesso esta dentro deles próprios.

Eu não estaria sendo muito realista se dissesse “quanto menos dinheiro você tem para uma campanha publicitária, mais criativa ela será”, mas não se engane em pensar que o contrário é verdadeiro, que com uma grande verba publicitária, conseguirá valor de marca, engajar consumidores e manter uma base fiel de clientes. Não é assim que as coisas tem se mostrado no mundo real.

Sinceramente, eu acredito que uma pequena verba estimula mais a criatividade — de uma boa equipe — do que uma verba milionária. É realmente como se a empresa tivesse uma única tacada para encaçapar todas as bolas. Com pouco dinheiro, é preciso analisar mais, planejar mais, focar mais, criar mais, apostar mais. Quando dinheiro não é um problema, as ações acabam sendo muito pulverizadas, tenta-se diversas plataformas sem grandes adaptações e que não se complementam; porque, se não der certo, há dinheiro pra tentar de novo.

Empresas que investem muito dinheiro dinheiro jogam com base no erro/acerto. Com o foco em quantidade, a eficácia de cada investimento cai consideravelmente. O princípio é o mesmo de jogos de azar,  ganha-se razoavelmente, perde-se mais ainda; mas a impressão final é que compensa. E compensa, se a estratégia for volume de vendas, nada mais. Companhias que despejam dezenas, centenas de milhares de reais em propaganda possuem metas avassaladoras e precisam constantemente conquistar clientes novos e forçar mais vendas para os atuais. Elas jogam o jogo da quantidade.

Peguemos o exemplo do comercial mais memorável e envolvente do Super Bowl deste ano. Aquele com a adorável criança vestida de Darth Vader. Quanto  custou a produção daquele comercial eu não sei, mas ao que tudo indica foi muito pouco. Basicamente: 1 produtora, 3 atores, 1 fantasia, 1 cachorro (que pode ser o seu), uma casa (que também pode ser a sua) e o produto é claro. A magia do comercial está no clima, nos gestos sutis do pequeno vilão, suas frustrações comoventes e a inocência de uma criança. Uma ideia incrivelmente poderosa e barata. Tudo bem que custou milhões de dólares para levar os 60 segundos do comercial ao ar no horário mais caro da televisão mundial, mas se a ideia não fosse tão boa, ele não teria sido assistido por mais 34 milhões de pessoas ao redor do mundo e alcançado altos índices em testes de neuromarketing. Em contrapartida,  um outro comercial de automóvel, da marca Kia, que teve uma mega-produção registra apenas 1,5 milhão de visualizações no YouTube e nenhum boca-a-boca.

Provavelmente, não existe nada mais grotesco em termos de ações de marketing do que o Big Brother Brasil. Eu lembro que no BBB10, a marca Doriana desembolsou R$200 mil reais por uma ação dessas no reality show. São tantas marcas brigando por espaço e executadas de forma tão “grosseira” que é difícil acreditar que o retorno tenha compensado o investimento. Martin Lindstrom publicou em seu livro “A Lógica do Consumo” um estudo feito sobre merchandising no programa American Idol e chegou à conclusão: a menos que a marca seja realmente incorporada ao programa através de associações visuais, de maneira natural e nos pequenos detalhes, não funciona. Vestir participantes com fantasias de frango e fazê-los entrar em um forno gigante para promover uma marca de tempero não apenas é ridículo, é jogar dinheiro fora.

Por outro lado, as mais fascinantes ações de marketing são do tipo ainda pouco vistas no Brasil: ambient marketing. Quanto será que esta ação (ao lado) custou para o McDonald’s? Tinta, pintor, talvez alguma taxa para prefeitura e um par de mentes criativas. O melhor marketing é aquele que interage diretamente com o consumidor sem causar desconforto. Tem gente que odeia publicidade, eu odeio publicidade ruim, que atrapalha o meu dia, toma meu tempo e não me arranca um sozinho ou uma surpresa.

Mais do que nunca é preciso se livrar do pensamento de que mídia convencional é sinônimo de retorno. Como eu disse, o princípio é o mesmo de um jogo de azar, você pode ganhar mesmo sendo muito ruim. Mas o que faz realmente a diferença é a criatividade e a identificação do consumidor com aquilo. Sem demagogia nenhuma, listei abaixo as coisas que considero mais e menos criativas e o que se percebe é que quanto as mais caras costumam ser as menos criativas.

As mais criativas: malas-diretas, ambient marketing, marketing de guerrilha, brindes, sites especiais e cartões de visita.

As menos criativas: rádio, outdoor, banners de internet, televisão, anúncios de jornal.

Não é que a televisão e os banners de internet não podem ser criativos, eles estão saturados. São tantos anunciantes, tantas peças sem graça; que os consumidores simplesmente não estão prestando mais atenção a elas. No entanto, é sempre possível criar algo um spot de rádio memorável, um comercial com milhões de acessos no YouTube ou um banner que renda muitos cliques. Desde que se abandone a ideia de que o canal por si só é o suficiente. Como disse Gary Vaynerchuk: “nunca é o meio, é sempre a mensagem”.

Apesar da grande concorrência dos dias de hoje, empresários e empreendedores deveriam agradecer por viver em uma época onde é possível promover marcas gastando muito pouco. Pela primeira vez na história, é possível disputar com grandes empresas tendo apenas uma fração das suas verbas de marketing  delas. Quando o assunto é criatividade, Davi sempre derrota Golias. Não é porque sua empresa tem  R$1.000 pra anunciar que é preciso anunciar no rádio ou inserir um mini-selo em uma página de jornal que ninguém vê. Você tem opções! Estude-as!

O ser humano é movido a desafios.  Quanto menos se tem, mais se esforça; quanto mais se ganha, mais se quer e o que era paixão torna-se ganância. Basta os negócios começarem a dar certo que o dono já não trata os clientes tão bem como no começo, não orienta e motiva os funcionários pessoalmente, e não negocia diretamente com fornecedores por insumos de melhor qualidade. Com um pouco mais de dinheiro, as empresas tendem a divulgar em mais canais simplesmente porque ela pode e a tomar decisões baseadas nas preferências pessoais do dono ou de alguns poucos gestores. Parece que quanto mais se pode fazer pela criatividade, menos se faz. Criatividade exige tempo, inspiração e, quase sempre, um esforço gigantesco. O dinheiro existe basicamente para facilitar as nossas vidas e é justamente o que ela faz com as empresas que dão muita importância a ele: facilita até matar a criatividade.

Dinheiro é importante. É necessário se você quiser transformar as suas ideias em realidade, mas não se deixe enganar pelo pensamento de que é preciso milhões pra construir uma grande marca, um produto de sucesso e engajar pessoas. Os consumidores querem cordialidade, atenção, estabelecer um diálogo; querem uma propaganda realista — em que possam acreditar — e, pra isso, nunca foi preciso milhões.