Tem algo errado com a estratégia

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Por mais que assuntos como estratégia, foco e planejamento ecoem por quase toda reunião, conferência e escola de negócios; a maioria das empresas ainda não entenderam direito. Executivos ainda se sentem confusos e desamparados no dia-a-dia das suas atividades em companhias do mundo todo. E não precisa nem analisar quantas empresas realmente cresceram em 2010 ou quais estão inovando e conquistando novos clientes. Porque são os próprios executivos que estão dizendo isso.

Está faltando coerência nas empresas. Segundo a PWC —  famosa consultoria global — que realizou a pesquisa com 1.800 executivos, as empresas que mais estão crescendo hoje focam suas prioridades estratégicas em no máximo 3 objetivos. Acima disso, desvia o foco do que é importante para os clientes e dificulta o trabalho dos funcionários, que começam a se sentir perdidos e menos motivados.

Alguns dados:

  • 52% dos executivos acham que a atual estratégia da empresa não a levará ao sucesso;
  • 2 em cada 3 entrevistados admitem que a capacidade da empresa está aquém do que a estratégia necessita;
  • Apenas 21% acham que a empresa tem o direito de ser líder em todos os mercados que compete;
  • Para 64% dos executivos, a maior frustração é ter “muitas prioridades conflitantes”;
  • 56% diz que a maior dificuldade do seu trabalho é tomar decisões que estejam alinhadas com a estratégia;
  • Espantoso: 1458 executivos disseram que ações de crescimento levam ao desperdício, ao menos de parte do tempo;
  • Metade dos executivos acham um grande desafio definir uma estratégia clara e diferenciada.

“A raiz do problema é que muitas empresas se fixam muito rapidamente ao que parece ser a próxima chave do crescimento. Isso sem possuir um quadro sólido de oportunidades que levarão ao sucesso sustentável. Eles acabam esticando, tentando atuar em vários mercados. Por outro lado, os vencedores se dedicam a um bem articulado caminho de sucesso: Eles definem a identidade principal da empresa, ao desenvolver uma compreensão clara do que a empresa faz de melhor e como gerar valor — e concentrando os investimentos em áreas que importam. Crescimento, então, funciona como consequência de uma estratégia em vez de um conjunto de iniciativas separadas e, frequentemente, fracassadas.” (Diretor da Booz & Company)

Algumas conclusões ainda mais chocantes:

  • 43% dos executivos acham que a estratégia das suas empresas não as diferenciam no mercado;
  • Quase metade dos 1.800 entrevistados disseram que a empresa sequer tem uma lista de prioridades estratégicas;
  • Enquanto a maioria dos executivos dizem ter uma estratégia clara de criação de valor, 53% estimam que seus funcionários e clientes não a compreendem.

O principal problema parece residir no fato de que as empresas possuem  conjuntos de estratégias diferentes  ou desconectadas das habilidades da empresa. No fim, isso acaba atrapalhando a conquista de um objetivo que deve ser comum para toda empresa.

Falta coerência

Essa é a palavra.  Para se ter uma ideia de como isso é difícil: apenas 13% das empresas pesquisadas foram consideradas “coerente” pela consultoria.

Toda empresa é boa em algo, provavelmente no que ela se propôs a fazer desde o início. Essas habilidades devem ser exploradas e sustentar as estratégias da empresa. Além disso, empresas de sucesso não tem mais de 3 objetivos estratégicos amplos, todos estão cientes das suas competências e do que a empresa faz de melhor.  Em outras palavras, a empresa opera coerentemente e a velha frase “todos na mesma sintonia” é uma realidade, e não apenas uma frase bonita.

[Dados retirados deste artigo]