Lições de produtividade do século XIX

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Ralph Waldo Emerson foi uma daquelas pessoas que tinha uma cabeça muito a frente do seu tempo. Não 10 anos, mas 100 anos a frente da sua época. Provavelmente, qualquer pessoa de hoje com uma boa educação conseguiria levar uma conversa razoavelmente agradável apesar dos 150 anos de diferença que separa o nosso tempo do dele. Ao contrário de muitas personalidades do século XIX, ele foi um cara calmo, correto e procurava levar a vida de forma saudável e ética. Ralph Waldo Emerson escreveu muito sobre relação humana, auto-estima, equilíbrio pessoal e sucesso. Mas são algumas lições de produtividade que gostaria de compartilhar com vocês.

Particularmente, acredito que um dos segredos da vida é como equilibrar vida pessoal e profissional. Algumas pessoas são extremamente felizes na empresa e uma catástrofe quando voltam para casa no final do dia. Pessoas “que vivem para o trabalho” como costumamos dizer. Outras, possuem uma família linda, amigos, saúde e bom humor, mas estão no mesmo emprego há muitos anos sem grandes perspectivas de crescimento. Em algum momento de suas vidas, essas pessoas cometeram o grave erro de priorizar uma sobre a outra no momento errado. Ou casaram cedo demais, ou terminaram a faculdade tarde demais, ou trabalharam demais e nunca deram importância a uma pessoa especial, ou simplesmente não foram eficazes. Ler Ralph Waldo Emerson pode ajudar nesse equilíbrio.

Ser produtivo significa ser eficaz. Se você trabalha duro e consegue terminar tudo antes do que o de costume, você terá mais tempo para você, parar ler o jornal, sair mais cedo e tomar uma cerveja com os amigos ou mesmo adiantar o trabalho de amanhã. O problema é que a internet, o celular, a falta de organização pessoal e das próprias empresas tornou essa tarefa muito difícil. Ser produtivo é difícil pra caramba! Abaixo estão três lições com mais de 130 anos de vida de um dos homens mais admirados e lidos da história.

1. Coloque tudo no papel

Homens nasceram pra escrever… o que quer que ele observe ou experiencie chega como um modelo e se encaixa em seu propósito. Ele calcula que de todas as bobagens que eles dizem, algumas coisas são indescritíveis. Ele acredita que tudo que pode ser pensado, pode ser escrito. Na sua visão, um homem tem a capacidade de relatar, e o universo tem a possibilidade de ser relatado.

Ralph Waldo Emerson parecia ter um “problema” parecido com o meu, pensar mais rápido do que a capacidade de absorver. No decorrer do dia, eu tenho inúmeras ideias sobre tudo, penso em várias coisas, vejo muita coisa e uma hora depois eles se foram como a água de uma torneira aberta. Provavelmente por perceber isso, eu me tornei um ávido colecionador de informações.  Na minha mesa do trabalho, eu tenho um caderno, post-its e folhas pequenas de rascunho que geralmente vão parar no bolso ou na carteira com alguma anotação. Bloco de notas é o meu programa de computador favorito, o BlackBerry minha agenda e Google Docs o único site que não vivo sem.  Em casa, mais um grande caderno não sai da minha escrivaninha e, recentemente, criei outro blog para evitar perder coisas interessantes.

Independente de quão boa seja sua memória ou organizada seja sua mente, anote as suas ideias e compromissos. Guarde coisas que você acha legal e inicie futuros projetos escrevendo hoje uma pequena introdução deles. É importante que você tenha sempre onde anotar esteja onde estiver. Isso ajuda não só a lembrar, mas a organizar, revisitar ideias e torná-las ainda melhores mais tarde, e é especialmente útil quando você estiver num mal dia. Isso é obrigatório para publicitários e profissionais de marketing, e muito útil para todos os profissionais.

2. Elimine distrações

Prudência na vida é concentração; o mau é dissipação: e não faz diferença se nossas dissipações são grosseiras ou finas; particulares e preocupações, amigos, hábito social, ou política, ou música, ou festa… Amigos, livros, filmes, pequenos afazeres, talentos, elogios, esperanças — todas essas distrações que causam oscilações em nosso instável balão, e torna um bom equilíbrio e um curso reto impossível. Você deve eleger seu trabalho; você deve fazer o que seu cérebro pode, e largar todo o resto. Só assim, dá pra acumular força suficiente que torna possível dar o passo do saber em direção ao fazer.

Eis o grande mal do século XXI. Mesmo quando o mundo era simples e não se tinha muitas opções de lazer ao nosso alcance, a distração já era um problema sério. Especialmente para escritores, uma das poucas profissões onde habilidade cognitiva predominava. Para publicitários, analistas, pesquisadores, jornalistas e outras inúmeras profissões onde “pensar” é o trabalho principal, distração é capaz de afetar drasticamente a produtividade.

Às vezes, manter-se focado é uma tarefa árdua e é preciso eliminar todas as possíveis fontes de distração. Colegas que falam demais, uma sala barulhenta, muitos compromissos no mesmo dia, janelas do computador, televisão, celular, barulho de obra. Via de regra, o segredo é minimizar o máximo de coisas à sua disposição. Quantas vezes você já viu a história de um escritor indo passar o final de semana em um local ermo longe da cidade? Tenha um local assim pra você.

3. Comece!

“Ah!” disse o bravo pintor para mim, pensando nisso, “Se um homem fracassa, você vai perceber que ele sonhou ao invés de trabalhar. Não tem jeito de ser bem-sucedido em nossa arte sem tirar o casaco, esmigalhar a tinta e trabalhar como um escavador na estrada, o dia todo e todo dia”.

Não é porque o céu está nublado, uma chuva fina caindo, termômetro marcando 10ºC e você foi dormir um pouco mais tarde na noite anterior que você não tem que trabalhar. Você pode achar que o dia não vai render, mas ele só não irá render mesmo se você ficar de molho na cama. Eu aprendi há apenas uns 2, 3 anos que não se pode esperar pela inspiração, em grande parte das vezes,  é preciso ir atrás dela para encontrá-la.

Eu considero a inércia o maior inimigo da produtividade. Passar muitas horas em casa fazendo nada provavelmente leva a muitas outras horas fazendo nada. Uma vez que você ponha os pés para fora de casa, a disposição vem e as coisas acontecem.

Ralph Waldo Emerson comparava a mente com uma árvore de pêra que fica uma estação toda sem dar nada antes dos primeiros frutos surgirem.

[Baseado no artigo “Lessons in productivity from Ralph Waldo Emerson”]