Aprendiz como estilo de vida

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Por mais estranho que pareça, a única forma de estar sempre progredindo intelectualmente é se menosprezando, assumir que você não sabe o suficiente e que os outros sabem mais do que você. Em outras palavras, se considerar um aprendiz.

Ser um aprendiz tem tudo a ver com mentalidade e nada com idade ou posição profissional. As personalidades mais admiráveis da história nasceram e morreram aprendendo, reconhecendo a importância disso em todas as fases da sua vida. O que vemos hoje é o oposto: pessoas que acham que sabem o suficiente quando alcançam uma certa idade ou status.

Ayrton Senna alcançou a excelência ainda muito cedo. No seu primeiro campeonato na Fórmula 1, aos 24 anos de idade. Dos 28 aos 33 anos, Senna foi campeão três vezes e vice nas outras duas. É considerado o melhor piloto de todos os tempos mesmo sem ter alcançado uma idade que muitos consideram madura, com apenas 34 anos de idade. Uma idade em que a maioria de nós ainda tem muito, muito a aprender. Senna mesmo tendo alcançado o ápice do sucesso também pensava assim e procurava aprender sempre.

“Eu continuamente vou além e aprendo mais sobre minhas próprias limitações, limitações do meu corpo e do meu psicológico. É  um estilo de vida pra mim.” (Ayrton Senna)

Na vida adulta, aprender deve ser um estilo de vida ao contrário da obrigação imposta pelos nossos pais nos primeiros 20 anos das nossas vidas. Ninguém vai obrigar você a fazer uma pós-graduação, a ler mais de 8 livros por ano ou ser curioso sobre a vida. É uma decisão sua. Não é obrigatório, não é fácil, mas os resultados costumam ser recompar tanto no âmbito profissional como pessoal. As pessoas mais sábias do mundo foram eternos aprendizes, enxergavam a vida de um outro jeito, eram mais abertas e encaravam o sucesso como consequência.

O bom é que ser um aprendiz não é algo inato, é possível aplicar em qualquer momento da vida (quanto antes melhor). Tudo que você precisa é ter sede de conhecimento, ser curioso e ter ciência de que nunca saberá o suficiente, sempre haverá coisas que você desconhece ou pessoas melhores do que você.  Depois de um tempo, se torna algo automático, você faz por prazer, não porque tem que fazer.

Acredito que 4 princípios orientem a vida de um aprendiz em qualquer fase da vida. São eles:

1.  Tenha mentores ou heróis.

É fundamental ter exemplos a seguir. Um mentor é uma das maiores fontes de aprendizado que se pode ter, mas nem todos têm a sorte de encontrar um, então encontre seus heróis, pessoas cujo trabalho ou personalidade lhe inspiram, que você admira e seja capaz de aplicar as lições aprendidas com eles na sua própria vida. Alguém que você possa parar e pensar “o que ele(a) faria?”. [artigo complementar]

2. Faça perguntas

Alguns professores ficam preocupados quando nenhum aluno de uma turma faz uma pergunta. Dizem que se não perguntaram é porque não entenderam ou não prestaram atenção. Eu ficaria preocupado se eu fosse o aluno. Perguntar é preciso, não apenas demonstram interesse, como melhoram a compreensão do assunto e fazem valer o tempo ou dinheiro investido. Nunca saia de uma aula, reunião ou negociação com uma perguntar por fazer.

Também faça perguntas para si mesmo, seja curioso,  elas funcionam como estímulos para você ir atrás das respostas.

3. Ouça

De nada adianta mentores e perguntas se você não pára pra  ouvir . Na grande maioria dos casos, você deve ouvir mais do que fala. Ouvir não significa apenas calar a boca, é preciso estar atento ao outro e considerar novas ideias.

4. Aprenda em tudo que você faz

Uma vez Jack Nicholson disse “acredito que o único momento em que você não aprende nada é quando está morto”. Eu não estou tão certo quanto Jack. Acredito que algumas pessoas têm sim a capacidade de não assimilar o que ouvem, o que veem, o que fazem… Pessoas que cometem o mesmo erro várias vezes e estão sempre reclamando da mesma coisa.

As revistas que você lê, os programas que assiste, os livros que você compra (ou não compra), as pessoas com quem conversa, as coisas que faz no seu tempo livre, os fracassos, os apertos financeiros, o desemprego…  Quase tudo na vida tem potencial para se converter em aprendizado. A pergunta é: você está preparado?