Se eu pedisse para cada leitor do blog contar uma situação negativa sobre algum chefe que já teve ou ouviu de algum amigo, provavelmente teríamos uma coleção de histórias pra lá de interessantes. Quase todo mundo já teve experiências ruins com seus superiores; chefes autoritários, opressores, mal-educados, pouco profissionais ou despreparados para o cargo. Infelizmente, a proporção de chefes que apresentam uma ou mais dessas características ainda é alta. Ainda é mais fácil você encontrar um desses no seu próximo emprego do que um bom chefe.

Mas o que é um bom chefe? Essa é a pergunta que o professor da Universidade de Stanford, Robert Sutton, busca há anos. Seus achados foram publicados no livro “Good Boss, Bad Boss – How to Be the Best… and Learn from the Worst” lançado em setembro. Ainda não li, mas os artigos que tenho lido de Bob são espetaculares.

Seu chefe é um babaca?

Sabe aquelas coisas que você sente vontade de dizer pro chefe, mas só diz para os colegas? Bob Sutton diz pra você e sem medo, afinal ele é professor de uma das mais renomadas universidades do mundo, autor de muitos livros e articulista da Harvard Business Review. Bob está do lado do funcionário. Bons chefes estão do lado do funcionário.

Seu livro anterior se chama “Chega de Babaquice” (“The No Asshole Rule”, em inglês);  mais pesado no seu título original do que em português e aborda o bullying no ambiente de trabalho, uma das coisas que mais prejudica o desempenho e o clima organizacional dentro das empresas. Quando perguntaram a Bob o porquê do livro, ele explicou:

“Primeiro, meu pai me sempre me disse pra evitar os babacas a todos custo, não importando quão poderosos ou ricos eles sejam. Porque isso é contagioso. Isso me ajudou a contratar as pessoas certas e a tornar o departamento de engenharia de Stanford um lugar melhor pra se trabalhar.

Usei babaca (asshole) porque palavras como ‘tirano’, ‘déspota’, ‘bully’ são apenas eufemismos de como as pessoas realmente chamam esses seres grotescos. Todos nós podemos ser assim de vez em quando, e eu mesmo me chamo assim quando ajo dessa forma. Eu sei que ofende, mas babaca serve como um tapa na cara.

O principal motivo pelo qual eu escrevi o livro é que humilhar as pessoas causam um dano terrível a elas e à empresa. E embora haja ocasiões em que ser babaca ajude as empresas a vencer, na minha visão se você é um vencedor e um babaca, isso não fará você menos babaca e eu não quero estar perto de você.”

Isso mostra como o autor pensa igual a muitos de nós, meros mortais. Mas não é sobre chefes babacas que eu quero falar, é sobre o que bons chefes acreditam. Sem dúvida alguma eles diferem na maneira de pensar, mas o que torna um funcionário um bom chefe? Acredito que seja uma série de coisas que começam com a educação que você recebe em casa, nas suas crenças e estilo de vida.

É disso que Bob Sutton fala no seu novo livro. Sobre como ser um ótimo chefe, dando bons exemplos e evitando os maus. O resultado disso se converte em um maior desempenho da equipe, orgulho de trabalhar naquela empresa e em algo que não pode ser mensurado, o orgulho que a sua equipe tem de trabalhar com você. Definitivamente, isso não tem contra-cheque que pague.

Bons chefes pensam assim…

  • Eu não sei de tudo. [ 3 tendências que explicam isso: Chefes são como qualquer pessoa,se acham mais do que são; Chefes naturalmente deixam de ouvir seus subordinados; Chefes estão por fora da realidade (subordinados costumam omitir ou diminuir fatos).]
  • Meu sucesso — e do meu pessoal – depende amplamente de administrar coisas da vida. Às vezes você não tem a impressão que chefes são como robôs tentando aplicar conceitos e métodos do curso de MBA? Grandes líderes mostram que a diferença está nos aspectos humanos da sua gestão. Algo que nenhum curso vai lhe ensinar.
  • Ter ambição e metas bem-definidas é importante, mas é inútil pensar demasiadamente nelas. Meu trabalho é focar nas pequenas vitórias que ajudem minha equipe a fazer pequenos progressos a cada dia.
  • Uma das mais importantes, e difíceis, partes do meu trabalho é atingir o frágil equilíbrio entre ser muito confiante e não ser confiante o suficiente.
  • Meu trabalho é agir como um escudo-humano, protegendo meu pessoal de instrusos, distrações e bobagens de qualquer espécie — e também evitar impor minhas próprias bobagens.
  • Esforçarei-me para ser confiante o suficiente para convencer as pessoas de que eu estou no comando, mas humilde o suficiente para perceber que de vez em quando eu estou errado.
  • Eu busco lutar como se eu estivesse certo, e ouvir como se eu estivesse errado. E ensinar o meu pessoal a mesma coisa.
  • Um dos melhores testes da minha liderança é: o que acontece depois que uma pessoa comete um erro?
  • Inovação é crucial em qualquer equipe e organização. Então, meu trabalho é encorajar meu pessoal a criar e testar várias ideias novas. Mas é também o meu trabalho ajudá-los a matar todas as ideias ruins que geramos, e parte das boas também.
  • O mau é mais forte que o bom. É mais importante eliminar o negativo do que acentuar o positivo.
  • Como eu faço as coisas é tão importante como o que eu faço.
  • Pelo fato de eu possuir certos poderes sobre os outros, eu tenho grandes chances de agir como um idiota insensível — e não perceber isso.

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Jéssica Dalle disse:

Concordo com o Mateus,

todo chefe deveria ler sobre isso.

Mas poucos o fazem.

Chefes despreparados, que não procuram melhorar a sua relação com o funcionário transformam a empresa em um ambiente desconfortável e desmotivador, depois reclamam quando ela não da resultados.

Abraços

Mateus Moura disse:

Belo post,

Todo chefe deveria ler sobre isso.

Mas poucos querem saber de qualidade e sim de dinheiro!!

Abraço!!