Arquivo de setembro de 2010

Eu gosto da internet porque nela tudo é possível para o marketing. Banner em cima, em baixo, do lado, surgindo na tela, expansivo, com o dobro do tamanho; selos, patrocínio de seção, imagens de fundo com a marca do patrocinador, etc. O problema é que, algumas vezes,  “tudo é possível” ultrapassa os limites e se mistura com o produto, prejudicando a experiência do visitante.

Mesmo trabalhando com marketing em uma grande empresa de comunicação, eu tenho um posicionamento bem claro quanto a misturar conteúdo editorial com publicidade: todo cuidado é pouco. Para mim, nem tudo tem o seu preço. É preciso saber até onde vai o espaço do anunciante, que muitas vezes ultrapassa o da audiência.

Os veículos têm lutado para encontrar novos formatos de publicidade. Isso é fascinante, quando funciona. Particularmente, eu gosto de product placement em filmes, mas os canais de TV ainda não encontraram uma maneira de fazer sem parecer grosseiro. Não é à toa que esse tipo de publicidade é proibido no Reino Unido.

Recentemente, me senti bastante enganado quando cliquei para ver os destaques e encontrei uma publicidade no lugar de um artigo. Eu sou fascinado por formatos diferentes de publicidade online –até escrevi “A morte dos banners de internet” algum tempo atrás mostrando algumas opções legais para o anunciante e para os veículos utilizarem–, mas esse não mereceu elogios. O curioso é que esse mau exemplo do Itaú & Época Negócios me lembrou um outro que achei bem legal:

O bom exemplo vem do blog Game Life da revista Wired, o espaço publicitário nada mais era que um post pago, mas um tipo diferente do que você vê por aí (que também me incomoda muito). O pequeno artigo não possuía a formatação de um post normal. Usava fonte de texto diferente do padrão e estava dentro de uma caixa cinza onde a primeira palavra era “publicidade”. Ao final, o selo:  “patrocinado por Civilization V”. É um exemplo de como valorizar o anunciante respeitando o espaço do leitor.

Os 2 exemplos acima mostram que realmente tudo é possível, desde que não prejudique a experiência e seja relevante para o espectador. Os americanos são os melhores em harmonizar publicidade com conteúdo editorial. Existe marca em quase todo lugar, mas dificilmente causa um desconforto.

O desafio da publicidade online não é muito diferente da mídia convencional. As empresas precisam encontrar novos meios de lucrar mais sem prejudicar o produto. O que não é nada fácil com a tênue linha entre anunciante e audiência. A mensagem precisa ser natural e estar incorporada à mensagem, não de forma tendeciosa ou imposta, mas de forma que enriqueça o conteúdo e gere valor para o espectador.

O que é uma marca?

29 de setembro de 2010 • TEMAS: Marcas / Marketing /

Parece uma pergunta bastante boba e ingênua. Mas geralmente quanto mais quanto maior o alcance de uma ferramenta, mais difícil é criar uma definição. Por exemplo, tente definir marketing. Eu já vi muitas definições do que é marketing e posso dizer que as piores tinham 1 ou 2 linhas. Não que elas não fossem boas, elas apenas não eram tão completas.  Isso mostra que explicar algo tão comum nas nossas vidas pode  não ser tão simples quanto parece.

Alguns profissionais possuem vários tipos de biografia. Uma curta, outra longa, outra completa e outra em apenas 1 linha. Definições complexas são assim. Você até pode explicar em 1 frase, mas sobrarão coisas a dizer.

O consultor Brad VanAuken, autor do livro Brand Aid, deu uma das mais completas definições de marcas que eu já vi. Portanto, sempre que alguém lhe perguntar ou mesmo você precisar relembrar para que serve uma marca, use a resposta a seguir.

Uma marca é a personificação da organização ou seus produtos e serviços. Por isso:

  • Ela deve ter uma razão de existir
  • Pode fazer promessas para o seu público-alvo
  • Pode possuir um personagem característico ou personalidade que crie uma conexão emocional com os consumidores

Muitas pessoas irão associar apenas 1 ou 2 coisas a uma determinada marca. Então, provavelmente as pessoas irão associar Qboa com branco, Bayer com Aspirina, Gatorade com isotônico e McDonald’s com fast-food. A pergunta-chave da gestão de marca é: “A primeira associação de marca na mente dos consumidores, fazem eles quererem usar nossos produtos ou serviços?” Em outras palavras, é um fator motivacional único de compra? Ou tanto faz? Ou por ainda, é negativo?

O objetivo do posicionamento de marca é fazer as pessoas associarem institivamente uma ou duas coisas realmente fortes capazes de levá-las a comprar e usar a sua marca, e não as concorrentes.

Tão ou mais importante do que fazer promessas, é a marca se esforçar para realizá-las. Elas precisam demonstrar isso através de ações e da maneira com que tratam seus clientes.

Eu acho que estava devendo um artigo voltado para relações públicas há algum tempo. Exceto pela ligação com o marketing que se tornou mais evidente nos últimos anos — através do buzz, boca-a-boca e viral — eu não entendo muita coisa de RP.

Mas li algo bacana e achei que seria bom compartilhar com vocês. “Os 10 mandamentos para profissionais de RP” foi escrito por Steve Rubel, vice-presidente sênior de “Insights” da Edelman digital, a maior empresa de RP do mundo.

Lembre-se que todos nós fazemos um pouco de relações pública diariamente; de nós mesmos, da empresa em que trabalhamos, do produto que compramos, da empresa onde assinarmos um serviço. Seja você publicitário, marqueteiro, vendedor, atendente, empreendedor ou estudante. Em outras palavras, todo mundo deve levar a sério as dicas a seguir. Especialmente aqueles que têm consumidores para satisfazer.

  1. Ouvirás. Utilize todos os meios disponíveis para ouvir realmente o que seu público tem a dizer antes de repassar isso para as áreas responsáveis.
  2. Recorda que toda criatura, grande ou pequena é sagrada. Não importa que seja o New York Times ou um blogueiro individual ligando; ambos têm poder. Leve-os a sério.
  3. Honra o teu cliente. Crie programas que celebrem os clientes, e eles o celebrarão.
  4. Não serás fajuto. Seja real; não se oculte por trás de falsos personagens nem de identidades convenientes.
  5. Cobiça os teus clientes. Não processe seus fãs. Você os alienará.
  6. Serás aberto e envolvente. Envolva seus clientes no processo de RP. Convide-os a ajudá-lo a desenvolver ideias vencedoras e torne-se o porta-voz deles.
  7. Abraçarás as redes sociais*. Não se trata de uma moda, ela chegou pra ficar. Use sabiamente.
  8. Banirás a linguagem corporativa. As pessoas querem ouvi-lo com uma voz humana.
  9. Dirás a verdade. Se você não disser a verdade, ela aparecerá de qualquer modo.
  10. Pensarás 360º graus. Não pergunte apenas o que você pode fazer por seu cliente, mas também o que ele pode fazer por você.

[Extraído do livro "Blog Marketing"]

* O texto original está “blogging”, mas como foi escrito há 5 anos, achei melhor adaptar para redes sociais. O “use sabiamente” também foi por minha conta :)

Hoje em dia é muito comum dizermos que não temos tempo. O dia é sempre tão corrido que as pessoas precisam fazer verdadeiros malabarismos para conciliar cursos, trabalho, viagens, afazeres domésticos, academia,amigos e ainda assim não perder a namorada ou namorado. É realmente muito fácil dizer “eu não tenho tempo”.

Até certo ponto isso não deixa de ser verdade, mas você precisa lutar ferozmente contra isso se quiser se destacar profissionalmente. Leia o que Leo Babauta do Zen Habits uma vez escreveu:

“Algumas das pessoas próximas a você concordariam que seria legal você diminuir o ritmo, mas você simplesmente não pode… seu trabalho não deixa, ou você perderia dinheiro, ou é muito difícil pegar leve morando em uma cidade grande. Funcionaria se você morasse numa ilha tropical, ou em outro país,ou se tivesse um trabalho que lhe permitisse controlar sua agenda… mas essa não é a realidade.

Eu digo que é besteira.

Seja responsável pela sua vida. Se o seu trabalho lhe pressiona, tome as rédeas. Mude a forma como vocês faz as coisas e como trabalha. Trabalhe com o seu chefe pra fazer mudanças, se necessário. E se realmente houver a necessidade, mude de emprego. Você é responsável pela sua vida.”

“Você é responsável pela sua vida” é uma das maiores verdades da humanidade. Talvez não fosse tão verdade dois séculos atrás ou mesmo 50 anos atrás, mas hoje é. O que você faz ou deixa fazer sempre gera um impacto no futuro. (E esse é o problema, quando você se der conta, pode ser tarde demais.)

No último ano, uma mudança de emprego alterou a minha rotina de leitura. Durante 1 ano, eu li muito menos livros do que gostaria (e do que costumava ler). Continuava lendo muitos blogs, notícias e artigos, mas ver os livros parados na estante por 3, 4 até 6 meses realmente me frustrava. A falta de tempo era a desculpa. O fato de morar sozinho,  sair do trabalho depois das 19h, ir para as aulas da pós-graduação, estudar para a pós-graduação, escrever para o blog e às vezes realizar algumas apresentações acabava deixando pouco tempo para fazer outras coisas que não eram “obrigação”, como sair com amigos, dar atenção à namorada, jogar videogame e  ler. Não preciso dizer que a leitura era a mais sacrificada dentre essas.

Demorou um ano pra tomar vergonha na cara e perceber que se eu quero continuar crescendo profissionalmente, aprender coisas novas e também manter o bom nível de conteúdo no blog eu preciso ler. Ficar frustrado ou decepcionado comigo mesmo não ajuda em nada, eu precisava fazer alguma coisa.

Então, assumi um compromisso comigo mesmo: o de ler todos os dias pelo menos 5 páginas. Você pode pensar “só isso? Grande coisa”.  Mas fazer isso ajudou a abrir um espaço na minha rotina supostamente “cheia demais”. Estabeleci duas regras para evitar que eu mesmo me boicote.

  • Regra Nº1: Nunca deixar de ler as 5 páginas todo dia custe o que custar. (Se por algum desastre não for possível, esse número dobra a cada dia não lido. Mas o contrário não acontece, ou seja, ler 20 hoje não permite que você não leia amanhã.)
  • Regra Nº2: Nunca parar no meio de um tópico ou subcapítulo.

Escolhi 5 páginas porque pode ser feito em qualquer lugar e todos os dias, sem desculpas. Se eu definisse 20 páginas, com certeza iria boicotar algum dia. E não é raro eu ler 12 ou 15 páginas em um dia de semana (número que costuma aumentar no final de semana). A razão para a regra nº2 é que parar no meio prejudica a linha de raciocínio quando você retoma a leitura no dia seguinte. E mais, força você a ir além das 5 páginas.

Acredito que isso  faça a diferença na sua vida e na sua carreira. Como disse Tom Peters: “Eu realmente acredito que uma das chaves para o sucesso é ler mais do que outros“. 5 páginas por dia significam 1800 páginas por ano ou quase 1 livro por mês. Levando em conta que o brasileiro com curso superior lê 8 livros por ano, ler 12 lhe coloca em uma posição de vantagem, exatamente como Tom Peters sugere. E esse é o número mínimo porque se você não boicotar nenhuma regra, facilmente passará as 2600 paginas. Se ler 10 páginas em vez de 5, serão 3600.

O bom disso é que você tem um piso, não um teto. É provável que algum livro lhe empolgue o suficiente pra você ler dezenas de páginas de uma vez só, aumentando o número. O contrário também costuma acontecer, o livro não era tudo o que você imaginava ou o capítulo não lhe é útil; sinta-se livre para pular. O objetivo é adquirir conhecimento, não provar para alguém que você leu.

Como qualquer técnica de auto-desenvolvimento, é preciso que você seja responsável. Você é o professor e o aluno. Como eu fiz questão de enfatizar, se você deixar de fazer, está boicotando a si mesmo e à sua carreira. Você é responsável pela sua vida, não se esqueça disso. Nunca!

Thomas Edison foi um dos caras mais incríveis que humanidade já teve. Não somente porque ele inventou o telefone, a lâmpada incandescente, patenteou milhares de invenções e abriu 6 empresas que hoje estão avaliadas em mais de $1 trilhão de dólares. Mas, principalmente, porque Edison tinha além de um talento incrível, visão de mercado. Ele entendia 150 anos atrás que algo só tem valor se for útil. E é essa utilidade que transforma uma invenção em um produto de sucesso. Talvez esse seja o motivo que tornou Edison diferente de muitos outros inventores de sua época. Suas invenções não eram apenas “bacanas”, eram do tipo que as pessoas não conseguiam viver sem.

Para estimular a inovação nos negócios, existe o Edison Awards. O prêmio homenageia produtos que estão no mercado e são sinônimos de inovação, úteis e também sucesso de vendas. Os critérios de escolha seguem os princípios e ensinamentos de Edison. Selecionei alguns das edições 2009 e 2010 que valem à pena conferir. Reparem como as ideias são simples, mas muito poderosas.

Empresa: 3M
Produto: Pocket Projector
O que faz: Como o nome já diz, o pequeno aparelho projeta imagens na TV.
Porque é inovador: Já viram o tamanho de um projetor? E o quão ruim é mostrar a tela do notebook para todos numa reunião?

Empresa: General Mills
Produto: Betty Crocker – Mixes
O que é: Linha de produtos sem glútem que incluem biscoitos, salgadinhos, bolos e produtos congelados.
Porque é inovador: Existem milhares de marcas de alimentos, nenhuma havia pensado em lançar produtos especialmente para pessoas celíacas ou com intolerância ao glúten.

Empresa: CarMD
Produto: CarMD Handheld Car Tester e Software Kit
Porque é inovador: Pela primeira vez, pessoas que não entendem nada de mecânica podem descobrir sozinhas onde está o problema ou se está na hora de fazer alguma manutenção. Basta conectar no carro e depois no computador para obter informações.

Empresa: Apple e Google (Android)
Produto: iPhone e celulares Android [o iPhone ficou em 1º e o Android em 2º]
Porque é inovador: Basta dizer que esses 2 produtos revolucionaram o mercado dos celulares e, pela primeira vez, conseguiram ameaçar a liderança do BlackBerry.

Empresa: Amazon.com
Produto: Kindle 2
Porque é inovador: Um aparelho que armazena mais de 1000 livros, cuja bateria dura semanas, baixa livros em qualquer através da rede 3G e tem apenas 1cm de espessura com 290 gramas, é ou não é inovador?

Empresa: Apple
Produto: MacBook Air
Porque é inovador: Thomas Edison acreditava que inovação residia não apenas no mundo da tecnologia, mas no mundo do design. Ele se focava em criar produtos que se encaixassem ao estilo de vida das pessoas e sem prejudicar a alta performance. O MacBook Air manteve o desempenho mesmo sendo um laptop ultra-fino e leve.

Empresa: -
“Produto”: Campanha do Obama
Porque é inovador: Edison acreditava que inovação era uma força social. Poucos políticos na história da humanidade engajou tantas pessoas como Barack Obama, o carismático líder e primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Obama foi o primeiro a usar toda a força da internet na sua campanha eleitoral. Resultado: não apenas ganhou,  mas levou o maior número de americano às urnas até hoje.

Empresa: Pulse
Produto: Livescribe Pulse SmartPen
Porque é inovador: Se no futuro as pessoas ainda usarem canetas para escrever, serão SmartPens. A caneta criada pela Pulse grava áudio (inclusive à distância), reproduz áudio; ou seja, você pode gravar e anotar o que o professor está dizendo, se ficar pra trás, é só apertar o play. Além disso, tem uma câmera infra-vermelha que promete gravar tudo que é escrito no papel. Impressionante!

Empresa: Tide (Ace no Brasil)
Produto: To Go
Porque é inovador: No seu horário de almoço você tem o azar de respingar um suculento molho de tomate na camisa. Não tem como ir em casa, o que faz? Basta tirar o Tide To Go do bolso e passar na mancha. Parece mentira, mas as opiniões de quem usou são bastante positivas. É o tipo do produto que as pessoas duvidam que funcione, mas se funcionar, ficam maravilhadas. E o Tide To Go parece cumprir sua promessa.

Empresa: Nintendo
Produto: Wii Fit
Porque é inovador: O Wii trouxe a diversão casual de volta aos games. O Wii Fit trouxe a saúde para dentro dos games pela 1ª vez. As pessoas sempre jogaram videogames sentadas num sofá, onde a única parte do corpo exercitada eram os dedos. No Wii Fit todo o corpo é usado e você pode praticar exercícios de maneira muito mais divertida. Podia ser um fracasso, mas o Wii Fit ajudou muitas pessoas a perderem peso ou ao menos tirarem a imagem de que videogames é coisa de sedentário.

Quem quiser conhecer os outros premiados: edição 2009 / edição 2010

#6 Aposte nos relançamentos, clássicos e retrôs.

2 anos atrás, Johnny Marr, Andy Rourke, Mike Joyce e Morrissey receberam uma proposta milionária para subirem ao palco pela última vez depois de 20 anos. A resposta de uma das bandas mais marcantes da década de  80, The Smiths, foi “não” para os £2,8 milhões. Lembro que isso me chocou na época. Eu sei que músicos de sucesso ganham muito mais do que eu irei ganhar um dia, mas ganhar 1 milhão de dólares e poucas horas é muito dinheiro até mesmo para celebridades.

Quando somos jovens queremos conhecer o máximo de coisas possíveis e experimentar tudo que tivermos a oportunidade. Quando já não somos tão jovens, queremos voltar para aquela época e  sentir de novo aquela doce sensação de juventude. Esse comportamento praticamente se tornou uma “necessidade” humana, na qual músicas flashbacks e produtos antigos relançados fazem um enorme sucesso.

Termos como vintage ou retrô viraram palavras da moda e sinônimo de descolado. Teclados sintetizadores voltaram a aparecer no rock, coletes voltaram a ser vestidos  e até o clássico Atari voltou a ser alegria da garotada, mesmo com eletrônicos do calibre do Nintendo Wii no mercado. Beatles, Elvis e Kurt Cobain continuam vendendo tanto ou mais do que quando eram vivos. Xuxa, Polegar, Dominó, Sidnei Magal, Blitz e outros bandas que marcaram época são responsáveis por lotar casas noturnas de todo Brasil nas já famosas Festas Anos 80.

Tudo isso porque as pessoas adoram clássicos! Seja porque clássicos ajudam a resgatar bons momentos do passado ou porque eles influenciaram toda uma geração, e as pessoas são gratas por isso. Fato é que as empresas que perceberam isso estão lucrando. A indústria do entretenimento é a que mais tira proveito disso. Grande estúdios de filmes estão refilmando clássicos como –o recente–  Karatê Kid. Já a SEGA vai lançar Sonic 4 dezesseis anos depois do último jogo 2d.

Mas nem só o cinema ou videogames podem tirar proveito dessa oportunidade. Empresas de diversos segmentos podem utilizar elementos retrôs na sua comunicação, desde uma embalagem mais colorida ou mais simples a promoções com brindes que relembrem coisas do passado, como cubo mágico, por exemplo.

Será que não tem algo no passado que sua empresa pode reaproveitar hoje? As pessoas anseiam por coisas que as façam lembrar da juventude (embora a maioria concorde que a vida fica muito melhor depois). Além disso, as coisas eram mais simples no passado. Do que será que seus clientes sentem saudade? Tenho quase certeza que eles pagariam um bom dinheiro por algo assim.

Lições:

1) Liberdade é a palavra-chave ao marcar presença em redes sociais. Sem autonomia, não se chega muito longe em nenhuma empresa, muito menos quando se trata de relacionamento na web.

2) Não estereotipe ninguém. Saiba que o poder está na mão deles, não na sua.

3) Não coloque em 2º plano ou faça só porque todos estão fazendo. Além disso, muito cuidado com o que você fala! (E isso serve para funcionários e chefes.)

Por Tony Schwartz, presidente e CEO do The Energy Project, consultoria cujo treinamentos empresariais visam aumentar o desempenho dos funcionários. Já escreveu alguns artigos para a Harvard Business Review, e é autor do livro “The Way We’re Working Isn’t Working”.

Eu pratico tênis há quase 5 décadas. Eu amo esse esporte e jogo bem, mas muito menos do que gostaria.

Venho pensando muito sobre isso nas últimas 2 semanas, porque tive a oportunidade, pela primeira vez em muitos anos, de jogar tênis quase todos os dias. Meu jogo tem progredindo bastante. Várias vezes eu fiquei eufórico por estar jogando da maneira que eu sempre quis.

É quase certo que eu poderia jogar assim sempre, mesmo com 58 anos de idade. Até recentemente, eu nunca achei que isso fosse possível. Durante quase toda minha vida adulta, eu aceitei o mito de que as pessoas nascem com talentos especiais e dons, e o potencial de se destacar em algo é largamente determinado pela nossa herança genética.

No último ano, eu li não menos que 5 livros – e uma pesquisa científica – que desafiava fortemente essa teoria. Eu também escrevi um livro chamado ”The Way We’re Working Isn’t Working“, que apresenta um guia, fundamentado na ciência do alto desempenho, que sistematicamente aumenta sua capacidade física, emocional, mental e espiritual.

Nós encontramos em nosso trabalho com executivos em dúzias de empresas que é possível construir qualquer habilidade ou capacidade de forma sistemática, como fazemos com nossos músculos: ultrapassando a sua zona de conforto, e descansando. Aristóteles estava certo quando afirmou 2000 anos atrás: “nós somos o que repetidamente fazemos”. Praticando tarefas bem específicas, vimos nossos clientes aumentarem drasticamente suas habilidades como empatia, foco, criatividade, pensamento positivo e até de relaxar.

Como todo mundo que estuda desempenho, eu estou em débito com o extraordinário Anders Ericsson, indiscutivelmente o maior pesquisador do mundo sobre alto desempenho. Por mais de 2 décadas, Ericsson tem defendido que não é talento nato que determina o quão bom somos em algo, mas sim o quão disposto estamos em trabalhar duro para conseguir – algo que ele chama de “prática deliberada“.

Muitos pesquisadores concordam com a tese de que 10.000 horas de prática é o mínimo necessário para se tornar um expert em qualquer coisa complexa.

Há algo maravilhosamente poderoso nisso. Isso sugere que nós temos uma notável capacidade de influenciar os nossos resultados. Mas também há algo assustador. Uma das principais descobertas de Ericsson é que a prática não só é o mais importante ingrediente para se alcançar a excelência, mas o mais difícil e geralmente o menos agradável.

Se você quer ser realmente bom em algo, é preciso que você se esforce incansavelmente em deixar sua zona de conforto, lide com frustrações, brigas, quedas e fracassos. Isso acontecerá sempre que você estiver tentando melhor ou mesmo mantendo o alto nível de excelência. A recompensa é que ser realmente bom em algo que você trabalhou duro para conquistar pode ser imensamente satisfatório.

Aqui estão as 6 chaves mais eficientes para nossos clientes na busca pela conquista da excelência.

  1. Busque o que você ama. Paixão é um incrível fator de motivação. Ele alimenta o foco, a resiliência e a perseverança.
  2. Faça o mais difícil primeiro. Todos nós caminhamos instintivamente em direção ao prazer e longe da dor. A maioria dos grandes artistas e atletas que Ericsson e outros descobriram, atrasam a gratificação e fazem o trabalho difícil de praticar todas as manhãs, antes de qualquer coisa. É a parte do dia em que temos mais energia e menos distrações.
  3. Pratique intensamente, sem interrupções por períodos de não mais 90 minutos, então descanse. 90 minutos parece ser o máximo de tempo que conseguimos manter o foco em uma atividade. Grandes artistas ou atletas não praticam mais do que 4 horas e meio por dia.
  4. Procure o feedback de um especialista, em pequenas doses. Quanto mais simples e precisos forem os feedbacks, mais recursos você tem para fazer melhorias. No entanto, muito feedback, ou com muita freqüência, pode gerar uma sobrecarga cognitiva, aumentar a ansiedade e acabar interferindo no aprendizado.
  5. Faça paradas relaxantes. Relaxar após esforço intenso não apenas lhe dá a oportunidade de rejuvenescer, mas também metabolizar e incorporar conhecimento. Também é durante o descanso que o hemisfério direito do cérebro se torna mais dominante, o que pode levar a descobertas criativas.
  6. Transforme a prática em ritual. Força de vontade e disciplina são supervalorizados. Como o pesquisador Roy Baumeister descobriu, nenhum de nós tem muito dos dois. O melhor jeito de ter certeza que você irá se dedicar às tarefas difíceis é torná-las um ritual — criar momentos específicos e invioláveis momentos em que você deve praticar e não ficar pensando em praticar.

[Artigo traduzido do original: "Six Keys to Being Excellent at Anything"]

Walter Longo vs Seth Godin

14 de setembro de 2010 • TEMAS: Filosofando / Marketing / /

Algo estranho aconteceu e eu não sei se chamo de coincidência ou sobrenatural. Semana passada, eu escrevi sobre um assunto legal que Walter Longo apresentou em sua palestra, o conceito de “bom o suficiente”. Pois bem, Seth Godin escreveu alguns dias depois um artigo chamado “The Myth of Preparation”, que aborda praticamente a mesma coisa: Não tente ser um expert! quando você (ou seu produto) for bom o suficiente, comece e então vá melhorando.

Tudo bem, pode ser apenas uma baita coincidência. Afinal, os conceitos na administração evoluem de uma tal maneira que chega um momento que ninguém sabe quem os criou. Mas veja  o post de sábado de Seth Godin: “Why jazz is more interesting than bowling”:

“Boliche se trata apenas de um número: o resultado final. Grandes jogadores quase sempre ficam muito perto do resultado perfeito(…) Jazz é criado através de milhares, talvez milhões de dimensões. Não é linear nem previsível e, principalmente, quase nunca é perfeito.”

Godin e seus textos tão memoráveis… Mas peraí, Walter Longo também usou uma analogia muito parecida só que ao invés de Boliche x Jazz, ele usou Boliche x Fliperama (pinball).

Vale uma ressalva, Walter é um homem da comunicação, enquanto Godin é mais genérico — seus conceitos passeiam desde o marketing até carreira profissional. Walter Longo disse que o boliche (na propaganda) é o esporte do passado, uma campanha não mais é bem-sucedida com uma única ferramenta. O esporte de hoje é mais parecido com um fliperama, você não sabe no que vai dar até soltar o gatilho. Tudo que você pode fazer é jogar da melhor maneira que pode e esperar pra ver.

Coincidência, influência ou seja lá o que for; o importante é que ambos os assuntos quebram paradigmas do passado e por isso são tão importantes hoje em dia. A mudança que tanto se fala no mundo dos negócios estão, em parte, representadas por esses 2 conceitos. E não importa de quem você ouve ou no livro de quem você lê. O importante é tomar pra si e praticar.

O Google ainda é usado como exemplo de empresa que cresceu de forma impressionante, mas seria muito melhor usar o Groupon. A empresa criada em novembro de 2008 por um americano de 29 anos, deve se tornar a mais rápida empresa a faturar seu primeiro bilhão de dólares. (O Google levou 5 anos.)

Recentemente, minha chefe voltou de uma reunião na corporação onde a nossa empresa havia pensado em comprar um site que fornecia grandes descontos em produtos e serviços, desde que fosse atingido um limite mínimo de pessoas. Isso me pareceu familiar, até que eu lembrei de um artigo que havia lido sobre “a empresa com crescimento mais rápido da história”. Era o Groupon.

A ideia é uma evolução do conceito de cupom-de-desconto que voltou a fazer muito sucesso durante a crise global. Curiosamente, essa tendência não pegou no Brasil, mas isso não impediu o surgimento de sites parecidos no país. Afinal, qual é a pessoa que não gosta de um desconto?

Com o nome de Clube Urbano no Brasil, o Groupon é um pouco diferente das suas cópias e funciona brilhantemente em pequenos e médios negócios. É só uma oferta por dia (o que a torna ainda mais imperdível) e os usuários têm apenas algumas horas para fazer seus amigos comprarem e ganhar o desconto que, em média, é de 50% — chegando até 80%.

A seguir, estão alguns números da empresa. E o mais impressionante é pensar que tudo isso aconteceu em apenas 21 meses. Por que eu não tive essa ideia antes? Por que você não teve essa ideia antes?

  • A sede da empresa tem 7900m²
  • Está em 29 países com descontos em mais de 230 cidades
  • Emprega 250 vendedores e 70 redatores, a maioria de Chicago
  • Deve ultrapassar 500 milhões em faturamento este ano
  • Foi a 2ª empresa mais rápida a valer $1 bilhão. (só atrás do YouTube que até hoje não deu lucro.)
  • Possui 13 milhões de cadastrados
  • O recorde de vendas é de  19,822 ingressos para um passeio de barco em Chicago vendido com 52% de desconto
  • 98% das ofertas atingem o número mínimo de pessoas necessário
  • A empresa ganha 50% de tudo que é vendido. O cliente não ganha muito dinheiro,  mas ganha uma quantidade avassaladora de clientes!
  • O modelo de negócios do Groupon já foi copiado por mais de 200 empresas nos Estados Unidos, 500 no exterior e 100 na  China
  • São 100 ofertas por dia só nos EUA, espera-se chegar a 400 em janeiro.