Você já deve ter visto esta cena: durante uma entrevista com uma banda sai a pergunta “quem influenciou vocês?”. Nesse momento, sai de tudo, mas quase sempre os clássicos Bob Marley, Beatles, Radiohead, Rolling Stones, Vinicíus de Moraes e Tom Jobim estão presentes, dependendo do estilo, claro. Nós somos influenciados o tempo todo e isso é fundamental para o nosso aprendizado.

Quem trabalha com criatividade, como publicitários e artistas, precisam de uma coisa chamada bagagem cultural. É muito comum pegar um livro de criação publicitária e ler os autores falando da importância de se ver, fazer e conhecer coisas diferentes, em outras palavras, de aumentar essa bagagem. No inglês, isso é chamado de background – o pano de fundo da sua vida. Washington Olivetto falou uma vez que sabia muito pouco sobre muita coisa. Carregamos esse background aonde quer que vamos e ele tem papel fundamental no resultado do nosso trabalho. De forma inconsciente, altera nossa percepção de mundo e nos abre mais possibilidades (ideias). É a bagagem cultural que nos ajuda a prever tendências e criar coisas realmente atraentes  e originais.

A influência propriamente dita, para mim, é um pouco diferente. Ao contrários dos músicos que se dizem influenciados por artistas que não conseguimos perceber, ela age de forma mais direta no nosso dia-a-dia. Influências são livros, professores, amigos, escritores, gurus e empreendedores que admiramos  tanto que incorporamos um pouco dos seus feitos ou conselhos ao nosso trabalho. De todos os livros que lemos, com sorte, uns 2 ou 3 viram influências para nós. Temos a tendência de agir com base naquele livro, não nos outros 100, esses viram bagagem cultural.

Dois blogs me  influenciaram muito a criar o Pequeno Guru : Seth Godin e Advertising for Peanuts. Ambos usavam uma linguagem um tanto filosófica que me deixava pensando mesmo depois de terminar de ler o artigo. De certa forma, é o que eu tento fazer aqui no PG até hoje. Na minha vida profissional, Al Ries é o mestre, costumo dizer  que quando crescer quero ser como ele. Já na vida pessoal, eu também tenho minhas influências. Obviamente, meus pais são a maior delas, mas tenho uma ou duas outras influências que também estão presentes em quase tudo que faço.

No processo de aprendizado, é importante ter “modelos” a seguir, alguém em quem se espelhar e uma obra para funcionar como guia. Geralmente, é aquele livro que você já leu 2, 3 vezes ou uma pessoa que admira muito. Influências não são regras, mas hábitos que você adotou para sua vida e que podem ser percebidas no seu modo de agir. Certamente, essas influências acabam tendo a sua cara, já que sua bagagem cultural também entra em ação. Resumindo tudo em uma frase, faça como Tom Peters disse, “aprenda com os melhores e depois adapte”.