A primeira letra do nome da marca é importante?


Acho interessante escolher um nome de marca (produto, serviço ou empresa), principalmente porque há muito pouca ciência por trás disso e muitas acabam sendo escolhidas por agradar o dono e seus familiares. Já li que nome não é crucial para o sucesso de uma marca, também já li autores dizendo que é sim crucial. Fato é que mesmo que não ajude, não significa que não atrapalha.  Várias empresas já se deram muito mal por usar nomes que tinham significados exclusivos de uma determinada região. [Leia aqui “Triste Casos de Nomes de Marcas]

Prefiro acreditar que um nome fantástico é legal (mas não tão importante), um nome bom é necessário e um nome ruim é perigoso. O nome não leva uma empresa ao sucesso, mas pode levá-la ao fracasso. É importante considerar fatores como: facilidade de memorização, probabilidade de cair na boca do povo e associações positivas relacionadas à palavra. Um mau nome pode sim atrapalhar o sucesso de uma marca, se trouxer alguma lembrança negativa, for difícil ou não agradar o consumidor.

Independente da semântica, o que mais é importante na hora de escolher um nome? Palavra simples, composta, curta, longa, verbo, substantivo…? O consultor de marcas Steve Rivkin (famoso pelos trabalhos com Jack Trout e Al Ries) levantou um assunto pra se pensar: será que a primeira letra do nome importa?

Rivkin contou o número de palavras que começam com cada de um dicionário, de uma lista de marcas e da bolsa de valores de Nova York e as comparou na seguinte tabela (em ordem decrescente):

A tabela não mostra nada demais, apenas uma certa curiosidade de que as letras mais comuns que usamos no dia-a-dia não são as mais comuns do mundo comporativo. Quer dizer, algumas são e outras não.  Como eu sou brasileiro, meus leitores são brasileiros e este blog é escrito em português, não faria muito sentido publicar apenas informações em inglês, afinal nem do latim veio esse idioma.

Fiz um pequeno levantamento consultando o dicionário Aurélio e uma lista com 145 nomes de marcas renomadas de vários segmentos — todas brasileiras. O resultado está na tabela abaixo. Infelizmente, não consegui informações suficientes da Bovespa para criar um ranking consistente das ações mais negociadas. Apenas uma pequena lista onde mostrava que as empresas que começam com P, T, M e I lideram o número de transições, mas a lista é muito pequena para se concluir algo.

A partir da lista em português podemos notar que há uma proximidade maior entre as palavras que falamos e as marcas –  do que em inglês. Por exemplo, 218 páginas do Dicionário Aurélio são dedicadas à letra C e, coincidência ou não, é a letra que começa a maior parte das marcas da minha lista. D, P, M e T também ficaram na mesma ordem.

  • A maioria das marcas começam com C, S, P e M
  • Poucas marcas começam com F, R, U e Z (juno com as letras do alfabeto inglês: k, y e w)

Se você quer uma marca diferente, talvez deva optar por certas letras em vez de outras. Mas no final das contas, o que importa é ter uma bagagem cultural e de informações antes de criar o nome de uma marca, não é só pegar o seu sobrenome e pronto.