A pior lição dos grandes líderes
Aqui vai uma polêmica: o Brasil é do jeito que é por causa de pessoas como Eike Batista. Eike tem grandes lições a nos ensinar. É um empreendedor nato, tem uma excelente formação, é eficaz, traz retorno aos acionistas e suas empresas saíram do zero para bilhões em poucos anos. Mas tem uma coisa que não devemos aprender com ele: seu senso de filantropia.
Há uma diferença gritante entre empreendedores como Eike Batista e Bill Gates, por exemplo. Ambos se tornaram os homens mais ricos do mundo a partir de quase nada (embora tenham vindo de família de classe média e tiveram bom estudo) e se tornaram exemplos a serem seguidos. Um doa bilhões o outro nem 1 centavo.
Há uns três anos, li uma entrevista com o Carlos Slim. O primeiro a tirar o posto do homem mais rico do mundo de Bill Gates em quase uma década. Slim é um magnata das telecomunicações no México e é dono de muitas empresas, como NET e Claro, pra citar algumas. Voltando à entrevista, a repórter peguntava o que ele achava sobre responsabilidade social, se ele fazia algo e tal. O homem mais rico do mundo respondeu: “eu já ajudo empregando milhares de pessoas”. A pergunta é: quem está ajudando quem? Que escolha ele teria se não empregar pessoas, contratar robôs?
Eike Batista recentemente falou a mesma bobagem em uma entrevista concedida à Exame. Quando perguntado sobre o que ele iria fazer com sua fortuna de $27 bilhões de dólares, Eike respondeu mais ou menos o seguinte “quando você cria empresas do zero, como são as minhas, você emprega muita gente… Essa é a minha contribuição com o meu país.” Em outro momento Eike também diz que paga muito bem… Confesso que eu sempre admirei o Eike, mesmo antes da OSX (empresa de petróleo responsável por triplicar a fortuna de Eike), mas isso me fez pensar que o Brasil está mesmo lascado.
Enquanto o homem mais rico do Estados Unidos doa $3 bilhões por ano, Eike e Slim dão dinheiro em troca de trabalho. Eike disse que prefere “dar a vara e ensinar a pescar”, contradizendo outra afirmação sua “só contrato os melhores”. Se ele contrata os melhores, alguém os ensinou a pescar, e não foi ele. Por que não investir em projetos de capacitação?
Enquanto Carlos Slim suga o México e a América Latina pagando salários medíocres, Warren Buffet planeja para onde vai sua fortuna de $44 bilhões após sua morte.
Todo mundo sabe que o Brasil não vai se tornar um país melhor só com a ajuda do Governo. Sem a iniciativa privada e a conscientização dos empresários, o Brasil vai demorar muito pra se tornar um país justo e que oferece oportunidade para a população. Desculpem-me se estou sendo idealista demais, mas fico triste quando vejo casos assim. Dizem que o que é dos outros é sempre melhor, mas a culpa é toda nossa.
TEMAS: Filosofando, Notícias & Variedades, polêmica, Responsabilidade Social
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Sylvio R. respondeu:
(6 de abril de 2010)Olá Eduardo,
Primeiro, obrigado pelo comentário e pelo elogio, o objetivo do blog é gerar uma reflexão, não um dogma.
Concordo com sua opinião. As coisas não são tão simples assim. Mas as pessoas também complicam. Certamente, o fato de uma pessoa ajudar e a outra não, não é o bastante pra dizer se ele é ou não responsável socialmente. Mas neste caso, eu acho que é simples assim.
A Gates Foundation é a 2ª maior entidade filantrópica dos EUA. Eike Batista e Carlos Slim têm uma visão tão míope do que é "ajudar" que não o permitiriam nunca sustentar uma ong. E isso nem sequer tomario o seu tempo e muito pouco das suas fortunas.
Não consigo ver um meio-termo quando o assunto é filantropia. Ou você ajuda ou não ajuda. E QUALQUER ajuda é bem-vinda. Não precisa ser toda a fortuna de Warren Buffet, nem todo o tempo como Bill Gates. Apenas não achar que pagar impostos e salários com base na CLT seja o bastante para ajudar as pessoas. Isso é obrigação.
Um abraço!
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