O melhor profissional
Às vezes, eu tenho dificuldades em descrever sobre o que é o meu blog. Eu falo sobre marketing, gestão, comportamento, economia, design, já falei muito sobre propaganda e redação publicitária, e um pouco de auto-ajuda. Penso se não estou desvirtuando o assunto do blog falando de outras coisas senão marketing.
Então, eu me lembro do velho objetivo que eu tinha quando criei o blog: ajudar as pessoas a se tornarem melhores profissionais contando minhas experiências. E eu acredito que os melhores profissionais são aqueles mais felizes e bem-resolvidos na sua vida pessoal. Sendo assim, o Pequeno Guru não é um blog sobre marketing, é um blog sobre se tornar uma pessoa melhor que tem o bônus de ainda se tornar um profissional melhor.
Nos últimos anos, eu adquiri um enorme interesse pelas causas sociais, virei ativista online da Avaaz, praticamente aboli carne das minhas refeições, aos poucos estou deixando de comprar produtos que usam ou testam animais e virei simpatizante de ONGs como Oxfam e WWF. Também comecei a cuidar mais do corpo e da mente, fazendo o possível para me dedicar só as coisas que me fazem bem (como evitar remédios, ler mais livros e curtir mais a natureza). Isso tem me ajudado a manter o foco nos meus objetivos e a resolver os problemas. E, ao contrário do que se imagina –essas questões sociais por vezes vistas como “radicais”– não atrapalham em nada minha visão de marketing. Eu quero que as empresas vendam mais, porém de forma mais consciente e sem enganar o consumidor. Como eu digo, “marketing não é vender geladeira para eskimó, é vender a melhor lenha para quem sente frio”.
Talvez isso não seja importante pra você como é pra mim. Tudo bem. O que importa é ter a ideia central disso em mente: todos devemos cuidar de nós mesmos. Largar aquela pessoa só nos faz sofrer, sair do emprego que só nos deixa estressado, voltar à faculdade para estudar o que sempre teve vontade, beber menos, passar mais tempo em casa, ter um animal de estimação, comer coisas saudáveis, etc. O que quer que seja, se não lhe faz bem, abandone.
Falar é mais fácil do que fazer, então gostaria de apresentar a vocês “A Filosofia do Pé Descalço”, uma metáfora boba mas que pode mudar a sua vida se bem compreendida e praticada. Os princípios a seguir são uma analogia entre andar descalço e a forma de se levar a vida Lembra daquela sensação de caminhar na praia no final de tarde? É mais ou menos assim que você irá se sentir se levar a sério os princípios. Eles podem ser aplicados em todos os aspectos da sua vida, só depende de você.
- Leve: Quando estamos descalços, nos sentimos mais leves. Precisamos abrir mãos de certas coisas que nos passam uma “falsa segurança” em troca do prazer de se sentir leve.
- Livre: Não tem preço podermos ir aonde queremos e a qualquer hora. As pessoas estão se prendendo cada vez mais cedo a pessoas, lugares, empregos… Sentir-se livre é guiar seus próprios passos.
- Nú: Sem sapatos, nos sentimos meio nús, e ficar nú em público é assustador! Fazer algo diferente também é assustador, mas uma vez que nos acostumamos, começa a ficar interessante. Não devemos nos sentir constrangido por fazer algo diferente, devíamos nos sentir envergonhado por ser igual a todo mundo.
- Prazeroso: Só andando descalço pra sabermos onde estamos pisando. Notamos o perigo mais cedo e aproveitamos mais o que o mundo nos oferece. Precisamos aprender a apreciar cada momento da vida, até os não tão agradáveis como limpar a casa: Ligue o som no máximo!
- Consciência: Sapatos são como uma barreira entre nós e o ambiente externo e, como toda barreira, dificulta a nossa percepção. Ficamos menos cientes do que estamos enfrentando, menos preparado para o futuro e pra piorar, até as coisas coisas boas acabam não sendo aproveitadas como deveriam.
- Hoje: Descalço, prestamos mais atenção a cada momento. Segurança demais pode ser um problema, o medo nos deixa mais alerta e nos faz curtir cada momento como se fosse o último.
- Não-conformismo: Talvez um dos maiores problemas de andar descalço não é a dor de pisar na areia quente, no piso gelado ou encontrar cacos de vidro, e sim a preocupação do que os outros vão pensar. Medo de que os outros achem que somos um mendigo, um rebelde ou maluco. As pessoas perdem mais tempo julgando os outros do que cuidando de si mesmo. O autor da Filosofia resumiu isso de forma inteligente: “eu aprendi a abraçar o não-conformismo, em saborear o gostinho de ser um pouco diferente, de ter orgulho de não ser uma das ovelhas. Não há nada de errado em ser alvo de certas condutas sociais, se for por uma boa causa”.
- Não-consumismo: Mesmo como profissional de marketing, é possível defender o não-consumismo. A indústria de calçados iria odiar se todo mundo começasse a andar descalço por aí. A questão não é não consumir, mas consumir conscientemente. Há uma porção de marcas vendendo sapatos feitos de garrafas pet, fibra de plantas e restos de pneu. Essas empresas estão fazendo fortunas sem explorar o meio-ambiente e o ser-humano. Eu entendo que esse é o mais difícil passo a seguir dentre todos citados, mas qual a lógica de cobrar R$400 num tênis e não pagar um salário decente aos funcionários? Na minha opinião, o melhor profissional é também um ótimo consumidor.







Sylvio R. respondeu:
(29 de março de 2010)Muito obrigado Odirley, é bom ouvir mensagens assim de vez em quando.
Um grande abraço e e uma ótima semana!
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