Arquivo de março de 2010

O melhor profissional

29 de março de 2010 • TEMAS: Filosofando /

Às vezes, eu tenho dificuldades em descrever sobre o que é o meu blog. Eu falo sobre marketing, gestão, comportamento, economia, design, já falei muito sobre propaganda e redação publicitária, e um pouco de auto-ajuda.  Penso se não estou desvirtuando o assunto do blog falando de outras coisas senão marketing.

Então, eu me lembro do velho objetivo que eu tinha quando criei o blog: ajudar as pessoas a se tornarem melhores profissionais contando minhas experiências. E eu acredito que os melhores profissionais são aqueles mais felizes e bem-resolvidos na sua vida pessoal. Sendo assim, o Pequeno Guru não é um blog sobre marketing, é um blog sobre se tornar uma pessoa melhor que tem o bônus de ainda se tornar um profissional melhor.

Nos últimos anos, eu adquiri um enorme interesse pelas causas sociais, virei ativista online da Avaaz, praticamente aboli carne das minhas refeições, aos poucos estou deixando de comprar produtos que usam ou testam animais e virei simpatizante de ONGs como Oxfam e WWF. Também comecei a cuidar mais do corpo e da mente, fazendo o possível para me dedicar só as coisas que me fazem bem (como evitar remédios, ler mais livros e curtir mais a natureza). Isso tem me ajudado a manter o foco nos meus objetivos e a resolver os problemas. E, ao contrário do que se imagina –essas questões sociais por vezes vistas como “radicais”– não atrapalham em nada minha visão de marketing. Eu quero que as empresas vendam mais, porém de forma mais consciente e sem enganar o consumidor. Como eu digo, “marketing não é vender geladeira para eskimó, é vender a melhor lenha para quem sente frio”.

Talvez isso não seja importante pra você como é pra mim. Tudo bem. O que importa é ter a ideia central disso em mente:  todos devemos cuidar de nós mesmos. Largar aquela pessoa só nos faz sofrer, sair do emprego que só nos deixa estressado, voltar à faculdade para estudar o que sempre teve vontade, beber menos, passar mais tempo em casa, ter um animal de estimação, comer coisas saudáveis, etc. O que quer que seja, se não lhe faz bem, abandone.

Falar é mais fácil do que fazer, então gostaria de apresentar a vocês “A Filosofia do Pé Descalço”, uma metáfora boba mas que pode mudar a sua vida se bem compreendida e praticada. Os princípios a seguir são uma analogia entre andar descalço e a forma de se levar a vida  Lembra daquela sensação de caminhar na praia no final de tarde? É mais ou menos assim que você irá se sentir se levar a sério os princípios.  Eles podem ser aplicados em todos os aspectos da sua vida, só depende de você.

  • Leve: Quando estamos descalços, nos sentimos mais leves. Precisamos abrir mãos de certas coisas que nos passam uma “falsa segurança” em troca do prazer de se sentir leve.
  • Livre: Não tem preço podermos ir aonde queremos e a qualquer hora. As pessoas estão se prendendo cada vez mais cedo a pessoas, lugares, empregos…  Sentir-se livre é guiar seus próprios passos.
  • Nú: Sem sapatos, nos sentimos meio nús, e ficar nú em público é assustador! Fazer algo diferente também é assustador, mas uma vez que nos acostumamos, começa a ficar interessante. Não devemos nos sentir constrangido por fazer algo diferente, devíamos nos sentir envergonhado por ser igual a todo mundo.
  • Prazeroso: Só andando descalço pra sabermos onde estamos pisando. Notamos o perigo mais cedo e aproveitamos mais o que o mundo nos oferece. Precisamos aprender a apreciar cada momento da vida, até os não tão agradáveis como limpar a casa: Ligue o som no máximo!
  • Consciência: Sapatos são como uma barreira entre nós e o ambiente externo e, como toda barreira, dificulta a nossa percepção. Ficamos menos cientes do que estamos enfrentando, menos preparado para o futuro e pra piorar, até as coisas coisas boas acabam não sendo aproveitadas como deveriam.
  • Hoje: Descalço, prestamos mais atenção a cada momento. Segurança demais pode ser um problema, o medo nos deixa mais alerta e nos faz curtir cada momento como se fosse o último.
  • Não-conformismo: Talvez um dos maiores problemas de andar descalço não é a dor de pisar na areia quente, no piso gelado ou encontrar cacos de vidro, e sim a preocupação do que os outros vão pensar. Medo de que os outros achem que somos um mendigo, um rebelde ou maluco. As pessoas perdem mais tempo julgando os outros do que cuidando de si mesmo. O autor da Filosofia resumiu isso de forma inteligente: “eu aprendi a abraçar o não-conformismo, em saborear o gostinho de ser um pouco diferente, de ter orgulho de não ser uma das ovelhas. Não há nada de errado em ser alvo de certas condutas sociais, se for por uma boa causa”.
  • Não-consumismo: Mesmo como profissional de marketing, é possível defender o não-consumismo. A indústria de calçados iria odiar se todo mundo começasse a andar descalço por aí. A questão não é não consumir, mas consumir conscientemente. Há uma porção de marcas vendendo sapatos feitos de garrafas pet, fibra de plantas e restos de pneu. Essas empresas estão fazendo fortunas sem explorar o meio-ambiente e o ser-humano. Eu entendo que esse é o mais difícil passo a seguir dentre todos citados, mas qual a lógica de cobrar R$400 num tênis e não pagar um salário decente aos funcionários? Na minha opinião, o melhor profissional é também um ótimo consumidor.

Calendários

Cliente: Legambiente
Objetivo: aumentar conscicência ecológica.
Solução: reaproveitar um calendário de 1982 em 2010. (Pra quem não sabe, a cada 28 anos as datas são exatamente iguais.)

Cliente: Stihl
Objetivo: Promover a linha de sopradores e pulverizadores para o outono, principalmente em orgãos municipais, uma vez que eles podem ser usados para limpar as ruas no outono.
Solução: O primeiro calendário de papel que vira a data sozinho. Através de um dispositivo, as folhas caem a cada 24 horas. Veja o vídeo.

Semana passada, tive uma reunião com dois possíveis parceiros de um evento da minha empresa. Ao final de 2 horas de papo, um me entregou seu cartão, apertou a minha mão e foi embora. O outro, apenas apertou a minha mão. Esta semana, voltamos a nos encontrar. Cumprimentei um pelo nome e o outro, por mais que me esforçasse, não consegui lembrar. Essa facilidade que temos de conseguir nos lembrar de algo é chamada pela psicologia de fluência cognitiva.

Foi sobre esse curioso assunto que dois pesquisadores da Universidade de Michigan relataram no interessante artigo chamado “It’s Hard to Read, It’s Hard to Do”. O estudo mostra que quando as pessoas consideravam um texto difícil de ler — considerando o tipo de fonte e o tamanho da letra –, presumiam que aquilo exigiria muito esforço. Por exemplo uma receita de sushi. Quem leu em Arial, disse que poderia ser feito em 5,6 minutos. Quem leu na rebuscada fonte Mistral considerou a receita mais difícil, levando aproximadamente 9,3 minutos para preparar. Vale ressaltar que essa era expectativa deles. Ninguém realmente preparou a receita :)

Eu não sou daquela época, mas quem já leu anúncios criados nas décadas de 70 e 80 sabe o quanto eles encurtaram de lá pra cá. Contava-se em o número de parágrafos, não o de palavras de tão grande que eram. A globalização trouxe o stress para a vida das pessoas, encurtando o dia e aumentado a correria. Entre trabalho, estudo, projetos pessoais e família ficou cada vez mais difícil parar pra ler alguma coisa. Os publicitários tiveram que criar ideias geniais que pudessem ser compreendidas em poucas palavras ou mesmo com apenas uma imagem. Anúncios com textos longos são vistos como entediantes e antiquados. E os que precisam utilizar textos longos, o fazem de forma mais agradável que antigamente, com fontes mais espaçadas, mais fáceis de ler e mais agradáveis aos olhos (antigamente era ao velho estilo máquina de escrever).

O mesmo se aplica à apresentação de Powerpoint.  Se você começa uma apresentação com um slide de três parágrafos, fonte times 14, os espectadores começam a se acomodar melhor na cadeira porque imaginam que aquilo vai durar uma eternidade. A fluência cognitiva fez do Google o buscador Nº1 e não o Yahoo! Como? Seth Godin contou uma história sobre isso uma vez em sua palestra. Ele dizia que anos atrás, quando alguém lhe perguntava como procurar algo na internet, ele dizia “digite www.google.com e busque”, porque não tinha erro, só havia 2 coisas na página: a logo e o campo de busca. Enquanto isso, o Yahoo! tinha uma porção de links e ícones separados em categorias. Aquilo ali parecia muito difícil à vista de um leigo.

Seja uma receita de sushi, a explicação de um novo sistema ou um cardápio de restaurante, você engaja mais pessoas escrevendo de forma mais fácil para o leitor. Não porque elas têm mais probabilidade de ler o texto até o final (como em anúncios) e sim porque, ao ler o texto até o final, elas concluem que é mais fácil fazer aquilo.

Não use fontes rebuscadas a menos que você queira que as pessoas pensem que é necessário um grande esforço para fazer aquilo. Para um produto caro, pode ser bom, mas para qualquer outro caso não.

[Baseado em artigos do Neuroscience Marketing]

Vigie a sua marca

23 de março de 2010 • TEMAS: Marcas /

Isso não necessariamente é ruim. Afinal, o nome pode ser outro, mas sabemos de qual marca se trata, o que acaba sendo uma associação de marca gratuita. Mas é sempre bom estar alerta.

No mercado há algumas pegadinhas curiosas. Uma delas é achar que as marcas mais lembradas são as que possuem maior fatia de mercado. Não sei vocês, mas eu pensava que Sony-Ericsson e Dell eram líderes em seu segmento. Elas não apenas não são líderes como estão bem longe disso. Os celulares Sony-Ericsson ocupam o 5º lugar dos mais vendidos, e a Dell hoje é a 3ª marca do mercado computadores. Atrás da HP e Acer. Embora a HP seja uma marca de prestígio e muito conhecida, pouco se fala na poderosa marca tailandesa.

Em 2002, o departamento de pesquisa e desenvolvimento da Acer trabalhava num projeto que pretendia revolucionar o mercado de computadores. Era um pequeno e fino aparelho com tela sensível ao toque, sem mouse e teclado (mas com uma caneta) que rodaria diversos aplicativos sob uma plataforma Windows. Na época, J. T. Wang, presidente da Acer fechara uma parceria com Bill Gates. Só para constar, Dell e IBM não tiveram interesse no projeto. Inimigo assumido do mouse, Gates abraçou o desenvolvimento do que viria a ser conhecido 8 anos depois como Tablet PC, que bombou no começo do ano quando o seu maior concorrente, a Apple, mostrou o seu iPad.

Apesar da Acer ter tido a oportunidade 8 anos atrás, o projeto morreu por ser caro (uma tecnologia incipiente naquela época) e pela saída de Gates da Microsoft. Com Steve Ballmer assumindo, a Microsoft alocou recursos para outras áreas. Estava morta a chance da Acer ser a primeira a lançar o Tablet PC. Mas ser a primeira não faz parte da estratégia da companhia.

Ser o 2º é uma estratégia tão boa quanto. Segundo Al Ries, para conseguir isso é preciso ser o oposto do líder. Sobre isso, Wang disse a BusinessWeek: “Nós não precisamos ser o primeiro a lançar algo. Estamos bem em ser o segundo.” Achei fantástica essa afirmação porque é uma estratégia perfeitamente válida.

É como a linha de frente em um campo de batalha, os primeiros servem como escudo para os que vêm a seguir, que são mais fortes, portanto, mais valiosos.

A Acer faz o mesmo, observa o primeiro produto lançado no mercado corrige suas falhas, acrescenta diferencial e rapidamente lança no mercado. Veja bem, diferencial não é oferecer o dobro de memória, ou mais opções de cores. É oferecer algo que pode ser realmente decisivo na hora de decidir. Para o presidente da 2ª empresa que mais vende computador no mundo do mundo, esse diferencial vem em forma de um teclado destacável, o que dá opção para o usuário escolher se quer digitar na tela ou do jeito tradicional.

A Acer conquistou o seu lugar no mercado ciente da sua estratégia de que ela não é uma empresa inovadora como a Apple, mas que é perfeitamente capaz de popularizar tecnologias recentes. Ela é uma empresa que briga pelo primeiro lugar, mas que não se importa em ocupar o segundo.

Aposto R$100,00 como a maioria das pessoas pensa que é impossível abrir um negócio com 100 reais.

“Sem saber que era impossível, foi lá e fez”. Essa famosa frase do Cocteau pode ser balela para muitos, e essa crença diferencia empreendedores de pessoas comuns. A questão aqui não é fazer mágica pra achar um negócio cujo investimento não ultrapasse R$100 (não seja cabeça dura), a questão é que é possível começar um pequeno negócio a partir de muito pouco. Pode ser R$200, R$500, R$1000. E todo trabalhador tem condição de conseguir 1000 reais.

Um ano atrás eu escrevi sobre Chris Guillebeau, um sujeito que nunca gostou de ser empregado e passa a vida viajando e escrevendo sobre carreira e independência profissional. Chris se juntou à Pamela Slim — autora do livro Escape From Cubicle Nation (como escapar do seu trabalho e perseguir sua paixão)– num projeto interessantíssimo chamado $100 Business Forum. Eles e outros 149 empreendedores irão dar dicas e auxiliá-lo na montagem de um plano de negócios para por a ideia em prática. Infelizmente, o forum online é pago. Curiosamente, o preço é $100.

No mundo dos negócios não há uma regra que diz que para um negócio dar certo é preciso pagar caro. Investir num ponto, pagar funcionários e comprar equipamentos. Com uma ideia na mão, habilidade e determinação, você pode começar algo sozinho e com quase nada de dinheiro. Desde que você se livre desse mito estúpido de que para abrir um negócio é preciso de muito dinheiro.

Uns 10 anos atrás, as empresas começaram a perceber que a internet era um excelente canal de vendas, fácil, prático e barato. Agora, as empresas também estão vendo que ela é uma mídia fantástica. Segundo uma pesquisa, 86% das empresas disseram que pretendem investir mais em social media em 2010.

É possível eliminar gastos com marketing e diminuir despesas com vendas utilizando a internet. Chega até ser estranho ler hoje algumas histórias de grandes empresas que surgiram de vendas porta a porta, com dinheiro emprestado de amigos ou que fabricavam produtos em casa. Parece que tudo ficou mais difícil, que tudo mudou. Mas as coisas não mudam, apenas se transformam. Ainda é possível utilizar a velha receita de muito trabalho e pouco investimento.

O iPhone em números

18 de março de 2010 • TEMAS: Digital / / / /

A Revista Arkade fez um excelente infográfico sobre o celular mais bem-sucedido da história. Ele não apenas é o celular mais vendido dos EUA, como também o smartphone mais vendido no Japão e sonho de consumo em todo o mundo. A imagem deixa claro que o aparelho não é só um bem de consumo, é um xodó. As pessoas o amam como se fosse da família. Acho que o marketing pode aprender um pouco com esse fenômeno.

Isso não é pra mim

17 de março de 2010 • TEMAS: Comportamento / /

Por Seth Godin

Uma disciplina que vale à pena ter: ao dar um feedback, separe “isso não é pra mim” de “isso não é pra ninguém”.

Se alguém lhe mostrar um plano de negócios de uma estação de energia que usa tração mecânica para gerar eletricidade, é justo dizer “isso nunca irá funcionar, é impossível”.

Se alguém lhe mostrar um plano de negócios de uma rede de restaurantes de cachorros-quentes de sushi, é justo dizer “que nojento! Eu nunca iria lá”, mas não é sensato assumir que isso jamais funcionaria em lugar nenhum seja qual for o cenário.

Você pode dizer que não gosta de um livro, de um filme ou de um candidato à eleição. Mas sem informações adicionais, você não tem como dizer que nunca vai ser um sucesso, que os críticos não irão elogiar ou que o candidato nunca se elegerá.

Editores brilhantes e investidores de risco têm a habilidade de se empolgar com um projeto que não tem nada a ver com o gosto deles — eles criticam com base em suas experiências não egoísmo. Essa é uma habilidade muito valiosa, requer empatia, experiência e senso crítico, não alegações óbvias.

[Traduzido do original "Not For Me"]

Pra que serve o seu emprego?

16 de março de 2010 • TEMAS: Carreira / Filosofando /

Conheço duas pessoas que recusaram empregos em duas grandes empresas brasileiras. Talvez isso não fosse grande coisa se ambas não tivessem 20 e poucos anos e trabalhassem em pequenas empresas. Dois jovens profissionais muito bons no que fazem e que, certamente, teriam crescido dentro dessas empresas se tivessem aceitado a proposta.

Mesmo tomando a mesma decisão, o motivo foi diferente. Aliás, os dois são bem diferentes no que diz respeito a formação acadêmica, cultura, objetivo profissional e até estado civil. Enquanto um deles não aceitou por ter que ganhar menos (mesmo tendo grande chance de crescimento), o outro recusou um alto salário (e grande chance de crescimento) pra continuar perto da família e dos amigos.

Esses 2 casos me marcaram, talvez porque são de pessoas próximas a mim, ou talvez porque eu agisse completamente diferente se estivesse na pele deles. Seja qual for o motivo, isso me faz refletir toda vez que penso na minha carreira.

Uma coisa eu sempre tive bem claro: um emprego não é só um contra-cheque feio ou bonito  no final do mês. Também não é um chefe que pega no seu pé, um colega fofoqueiro, ou um cargo que lhe obriga fazer sempre a mesma coisa 365 dias por ano. Um emprego é algo que lhe projeta, de alguma forma o ajuda a alcançar seus objetivos. Qualquer outra coisa é perda de tempo.

Elaborando a minha velha teoria, esbocei três coisas que considero vitais para saber se estamos no lugar certo ou só perdendo tempo:

O que você pode aprender
Esse talvez seja o item de maior peso no começo da carreira de todo mundo e é justamente por negligenciar ele, que muitos jovens profissionais nunca chegarão “lá”.

O que a empresa onde você trabalha pode te ensinar? Algumas oferecem cursos de graça, parcerias com instituições e treinamentos que podem tornar seu currículo mais atraente. Mas bom mesmo é ter a oportundiade de trabalhar com um grande profissional que pode lhe passar um pouco da experiência e do conhecimento dele. Isso não tem preço.

Pense em como você poderia aprender mais na sua atual empresa, com os clientes e com os fornecedores dela. Nem que precise trocar de área ou de função. Na pior das hipóteses, você muda de emprego.

Aonde ele pode te levar
Quando estava no 3º ano da faculdade de propaganda decidi que não queria trabalhar com propaganda.  Dois anos depois, estava eu sentado com o meu dupla pensando em ideias para uma campanha de natal.

Alguns anos e umas agências depois, comecei a trabalhar com marketing em  uma grande empresa. Tudo que eu queria! A questão aqui é: um emprego pode não te ensinar nada de novo, pode pagar mal, mas te levar ao emprego que você sempre quis.

Talvez o melhor fruto que um emprego pode render sejam os relacionamentos. Colegas de trabalho viram amigos da família, clientes tornam-se patrões, fornecedores formam sociedades com ex-funcionários. No mundo dos negócios, tudo é possível e até o impossível depende de você. Trate bem as pessoas, se dedique, ensine e deixe-se ensinar.

Sacrifício exigido
Grana! Vamos falar do que realmente importa pra maioria: dinheiro. A primeira que pensamos quando surge uma nova oportunidade de emprego é “qual é o salário?“, mas quase ninguém pergunta “vou ter que fazer muitas horas extras?”, “posso desligar meu celular nos finais de semana?”, “vocês pagam hora extra ou dão folga?”.

O sacrifício é qual é o preço que se paga pelas vantagens que ele oferece. Por exemplo, um grande amigo uma vez conseguiu um estágio na famosa agência DPZ. Ele já era um publicitário cobiçado na sua cidade de origem e ganhava bem para os padrões. Também ganhava pequenos prêmios por onde passava. Entrar para uma agência grande é o sonho de quase todo jovem publicitário. Também era o dele até começar a trabalhar em  uma. Ele aprendia muito, tinha grandes chances de crescer, mas o sacrifício exigido era enorme. Trabalhar aos sábados, sair de madrugada da agência e  ganhar o mini-salário de estagiário foi demais para ele. O mesmo acontece quando se tem um salário alto, na maioria dos casos significa sacrificar momentos com amigos e a família. Por isso, cada vez mais executivos estão trocando grandes empresas por empresas menores, flexíveis e com salários modestos.

O quanto sacrifício você pode suportar depende de cada pessoa. Basicamente, da situação financeira, dos planos e projetos pessoais e profissionais. Uma vez li uma matéria com uma mulher que trabalhava só para viajar. Obviamente, ela também pagava contas, mas passava 2 anos juntando dinheiro para viajar para países diferentes. A tendência é que quanto maior o objetivo, mais alto seja o sacrifício que a pessoa esteja disposta a fazer.

O que você pode aprender hoje, aonde ele pode te levar amanhã e o quanto você está disposto a sacrificar para chegar lá?

As três coisas dependem de você. Nenhuma empresa vai se oferecer para treinar você, nem vai te ajudar a conseguir os contatos certos para o futuro, tampouco oferecer um aumento pra assegurar que você nunca deixe a empresa. Tudo depende de você, dos seus objetivos e da sua disposição.