Há um mês vinha querendo falar sobre o fenômeno Avatar aqui no blog. Afinal, como um filme com personagens azuis estranhos sobre os quais quase ninguém sabia dizer de onde saíram conseguiu virar um fenômeno boca-a-boca, na mídia, no cinema e para toda indústria? Apesar de algumas pesquisas breves, me senti despreparado para abordar o assunto, foi então que surgiu a ideia de convidar um amigo que entende muito mais de cinema do que eu. Ele topou o desafio e escreveu o ótimo artigo que vocês lerão a seguir.
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Por Ricardo Maroja, publicitário e curioso sobre a indústria do entretenimento. (ricmajor@hotmail.com)
Avatar pode ser considerado apenas um filme, um dentre muitos se não fosse o mais rápido filme da história a superar $1 bilhão de dólares e o único a ultrapassar $2 bilhões de dólares. Deixando de ser apenas um filme para ser um divisor de águas, o filme Avatar criou novas regras para movimentar ainda mais uma indústria que estava sofrendo com a pirataria e com o crescimento de outras formas de entretenimento que proporcionam ao público novas experiências.
Mas neste post o que interessa agora não é a nova tecnologia em si, e sim como foi o planejamento e o momento certo em que ela foi aplicada, despertando um novo tipo de público para os cinemas.
O cinema sempre fascinou por suas histórias e produções bem executadas. Há alguns anos, isso era mais do que suficiente para que fizesse diversas pessoas saírem do conforto dos seus lares para enfrentarem gigantescas filas e aproveitarem o espetáculo, infelizmente foi esse “conforto” que viria a prejudicar toda indústria.
O avanço da tecnologia trouxe para o aconchego doméstico a experiência que só tínhamos em uma sala de cinema: home theaters, dvds, TVs de alta definição, internet e um monte de outros acessórios que só fizeram crescer a sensação de desconforto que era enfrentar todo o processo para se assistir um filme, ou seja não estava mais valendo à pena ir ao cinema.
A indústria cinematográfica é imensa, principalmente a americana, ela lucra bilhões, e com o passar do tempo desenvolveu mecanismos sazonais para tentar compreender o seu público e com isso aumentar o lucro, deixando ofuscada sua definição primordial de arte, virou claramente uma indústria.
O calendário se tornou o seu principal aliado, os filmes já não eram mais lançados a esmo, cada filme já era planejado para ser lançado em uma data específica, para, com isso, atingir um público também específico.
O crescimento desse mercado fez com que mais dinheiro fosse gasto demandando melhores profissionais e prazos cada vez mais curtos. Hoje em dia, existem fórmulas pré-definidas para a concepção de um filme, fórmulas essas que são indiretamente responsáveis pela queda do público nas salas de cinema. Os filmes estavam se tornando triviais, monótonos e repetitivos, o público cada vez mais debandava para outras áreas, uma grande fatia, por exemplo, foi perdida para o mercado de Games, que hoje lucra muito mais. [Curiosidade: a indústria dos games cresceu 52% entre 2005 e 2009. O crescimento estimado desse mercado é de 6% para 2010]
Como acontece com toda grande marca, ou serviço, chegou a hora do cinema se reinventar, ver onde estava errando, ou quais melhorias ele precisaria fazer para reaproximar-se do seu exigente público.
Por sorte, o cinema viu em um diretor a saída que estavam procurando, James Cameron. Comparado a outros diretores, Cameron tem um curto currículo, porém muito eficiente, raras são as produções em que participou que fracassaram na bilheteria. Coincidentemente (ou não), o diretor tem outro filme entre os 5 mais rentáveis da história – Titanic.
Trabalhar com o que gosta e dar o seu melhor são dicas muito usadas em qualquer ramo de negócios, aqui não foge a regra, Cameron sempre foi um diretor que esteve presente em todas as fases de produção da sua “empresa-filme”, dificilmente um diretor que age assim não colhe os merecidos frutos no fim. E o fato de Cameron englobar todos os setores numa produção não o exclui do principal que, na minha opinião, é onde a maioria dos diretores erra: o espectador.
Antes de tudo, acompanhar o mercado é seu passatempo. Cameron sabe o que o mercado almeja e sem delongas ele fornece, e ás vezes fornece até mais do que o público consumidor quer.
Usando a lógica dos seus grandes concorrentes como o mercado de games, Cameron enxergou que o público almejava uma maior interatividade, ou seja, se divertir mais com um filme. Grande parte do cacife que foi atribuído a Cameron foi gasto em pesquisa e desenvolvimento de uma nova tecnologia que permitisse essa interatividade, a tecnologia foi bem aceita, e causou uma revolução, pois filmes serão feitos muito mais rápidos como o mundo conectado em que vivemos nos acostumou.
Essa nova forma de assistir filmes continuará levando as pessoas ao cinema, pois ainda não é possível reproduzir em nossas residências.
A indústria do cinema demorou, mas evoluiu. Aprendeu com o mundo dos negócios em que a pressão que fatores externos exercem em nós, a concorrência acirrada e a própria vocação de se fazer algo que gosta, nos leva a descobrir novas oportunidades.


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