Pizza Hut não é “roots”
O que vocês estão vendo é a nova campanha da Pizza Hut que, pelo que percebi, só está sendo veiculada aqui no Rio Grande do Sul (se eu estiver errado, por favor, me corrijam).
Ao ver essa peça, na volta do almoço, pensei numa fração de segundo: “o que raios isso tem a ver com pizza?”
Entendo que há uma forte tendência pelo apelo emocional (contra o racional das últimas décadas), mas certas coisas são como óleo e água, simplesmente não se misturam. Entenda isso e suas ações de marketing serão mais eficientes. Na maioria dos casos, as coisas são sim, tão simples quanto parecem.
É difícil “engolir” esse apelo de estilo de vida de uma pizzaria. Não gera envolvimento nem identificação. Me lembra as velhas campanhas de cigarros atreladas ao esporte.
Outro problema é o lugar-comum dessa abordagem. Se a minha memória fosse boa o suficiente, eu listaria dezenas de campanhas semelhantes que vi quando trabalhava em agência. A velha sensação do “eu já vi isso antes” prejudica qualquer aproximação emocional entre a marca e o consumidor.
A minha opinião é que campanha institucional de pizzaria não é o caminho, dada a extrema dificuldade de criar valor com esse tipo de ação. Mas é possível. No caso da Pizza Hut, se ao invés de utilizar essa velha bordagem, tivesse sido criado algo para a Semana Farroupilha (a data mais importante para os gaúchos), certamente o retorno institucional seria melhor.
Se propaganda não é o mais indicado para criar valor para uma pizzaria, o que é? A palavra-chave se chama “experiência”. Como melhorar a “experiência enlatada” de um pedido de pizza? Você liga, dá seu endereço, diz os sabores, se quer troco, o motoboy chega, você paga e recebe. Às vezes confere na hora, às vezes só percebe que o pedido saiu errado quando o motoboy já se foi. E lá se foi a experiência também. Embora a campanha seja voltada pro delivery, uma má experiência na loja também afeta a marca. Então, uma excepcional experiência no restaurante também é imprescindível.
O foco de uma pizzaria deve ser nisso Propaganda institucional até pode ser bom, mas só se você tiver realmente o que dizer — consequência de posicionamento claro, como a Domino’s, por exemplo. Um exemplo incrível de como aumentar valor é o que o McDonald’s faz todos os anos chamado McDia Feliz.
O título nonsense deste post é um trocadilho entre hut e roots. Essa campanha não é “roots”, ou seja, não é legal e tampouco profunda como dever ser uma campanha institucional. Eu sempre bati de frente contra campanhas vazias como essa –que não transmitem nada para o consumidor– e continuarei implicando até quando o dinheiro das empresas continuar sendo gasto dessa forma.
[Vocês podem ver a campanha completa aqui.]
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Mais uma vez, parabéns pelo ótimo artigo! Se não fosse vc para destacar essa pérola da publicidade, ia passar despercebido.
Realmente, trabalho fraquíssimo…
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Sylvio respondeu:
(25 de setembro de 2009)Obrigado pelo comentário Enzo. Que bom que alguém compartilha do meu ponto-de-vista.
Abraço.
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Sylvio, continua a escrever inteligente e agradavelmente.
Parabéns. Beijos
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Me chamou atenção o título do post. E por se tratar de uma empresa grande e de renome, resolvi dar atenção. Eu ainda não tive a possibilidade de ver todas as peças desta campanha. Da última vez que estive na Pizza Hut me deparei com peças promocionais – que agora entendo serem dessa mesma campanha.
Dando uma olhada, eu discordo de algumas coisas. “O que raios isso tem a ver com pizza?” Acho interessante a abordagem e apelo emocional em propaganda. Acredito que não é preciso falar em pizza para vender pizza, acredito que aí se está vendendo uma experiência – ainda mais em se tratando de refeição. Evidentemente sem comparações, mas lembrei agora de uma propaganda (não recordo o nome da marca) superpremiada que tem um Gorilla como personagem principal que está tocando bateria. E pergunto: O que aquilo tem a ver com chocolate?
Concordo com você sobre a ação realizada pelo MC Donald’s. Acho que eles acertaram e agregam muito à marca. Inteligente e perspicazes.
Mas acredito que certas coisas NÃO “são como óleo e água, simplesmente não se misturam”. Penso que cabe também à propaganda mudar esta cultura. Não achei os argumentos irreais, porque até onde entendi, não estão vendendo nada que diga: “coma que é saudável”. Vendem, pelo que compreendo, a experiência, os bons momentos da vida.
E como gremista, me deparei com um outdoor nas cores azuis. Achei incrível e fiquei orgulhoso em uma empresa que tem a comunicação em vermelho alterar pelo meu time do coração. Acho que, às vezes, nos perdemos um pouco ao olharmos propaganda mais com olhos de publicitários do que de consumidor. E quando tocou no meu time do coração, cara, eu só tenho a vibrar. Se é bem o que eles tão vendendo, ser Gremista é Hut e Roots. rsrsrs
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Sylvio R. respondeu:
(19 de outubro de 2009)Olá Juliano,
Muito obrigado pelo seu comentário que não poupou palavras (geralmente comentários de blogs tendem a ser curtos demais).
Obviamente, este é um assunto um tanto polêmico e renderiauma boa e rica discussão. Propaganda é uma das áreas com maior número de discussões mais acaloradas. Junte 2 publicitários com ideias diferentes e você verá que debate épico surgirá…
Minha intenção aqui não é prolongar muito o assunto, gostaria apenas de dizer que há 2 tipos de propaganda: as que vendem e as que não vendem. E muito, muito tem se questionado a eficácia de campanhas como aquela do gorila que você citou. Ela é bonita, agradável, enigmática, ela espalhou. Mas a pergunta é: ela fez vender mais chocolates? Ela fez o consumidor trocar aquela sua marca favorita pela do gorila baterista?
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