Paixão, pop e incredulidades
Muitos meses atrás, Seth Godin me conquistou escrevendo um artigo chamado “Passion and Pop”, eu o salvei com o objetivo de dissecá-lo algum quando tivesse um blog. Meu blog já completou 1 ano e eu ainda não tinha feito isso. Chegou a hora.
O artigo me conquistou porque Seth disse — com muito mais autoridade– o que já acreditava há tempos. Eu juro que não lembro que guru disse isso, mas uma marca tem apenas duas estratégias a seguir: ser a marca líder ou ser o oposto dela. Em uma visão abrangente, podemos dizer que isso significa que só há 2 opções a considerar, ser branco ou preto. Ponto.
Pela primeira vez vivemos a era em que o mercado é muito mais perigoso para as grandes corporações do que para as pequenas e micro empresas. Agilidade, criatividade e maiores opções de financiamento garantem às empresas menores, crescimento maiores. Juntemos o fato de que só existe 2 opções e que o mercado é mais promissor aos menores e chegamos a conclusão que ser “alternativo” é uma GRANDE estratégia.
A maioria das pessoas gostam praticamente da mesma coisa, mas ainda há uma considerável fatia que não gosta dessa coisa e deseja algo diferente. Eles são apaixonados e, frequentemente, tem alto poder aquisitivo ou uma grande capacidade de influenciar pessoas. Na outra ponta estão os “da moda”, o tipo de pessoa que vai comer sushi no badalado restaurante X mesmo sabendo que o Y é autenticamente japonês.

O “mercado alternativo” é menor, mas seu público tende a gastar mais e ser mais engajado. Aqui não é o número que importa, é a paixão. O que muitos empresários têm dificuldade de entender é que é possível ter uma empresa de sucesso — e lucrar — atendendo a minoria.
O “mercado de massa” é maior, porém, o gasto e a audiência por pessoa é menor. Aqui o que importa é a repercussão e lucro, paixão vem em terceiro plano — quando vem. Por ser a fatia mais gorda, é o que a maioria das empresas querem e a disputa é feroz.
A adoção de UM mercado deve ser clara e consistente, porque ambos são perigosos e é difícil encontrar um ponto no alto das curvas e muito fácil se tornar banal, sem graça ou irritante. Mas o pior de tudo é tentar agradar os dois. NX Zero e Moptop são bandas de rock de sucesso, mas em mercados distintos. Enquanto NX é uma banda altamente mainstream, aparece nos programas e eventos mais conhecidos, Moptop corre por fora em eventos e programas alternativos. Ambas estão com agendas lotadas e são muito conhecidas (no seu meio).
Gostaria que você terminasse de ler este artigo acreditando em duas coisas. Uma é mais básica e todos profissionais/estudantes de marketing estão carecas de saber: FOCO. Uma vez em bom lugar na curva, não tente mudar de posição. Você está exatamente aonde deveria estar. A outra coisa é que não se deixe levar pelas aparências, existe mercado nas minorias. É possível obter sucesso em um mercado menor, mas antes você precisa se apaixonar por ele.
Twitte!

Concordo, mas o mercado de massa gera lucro rápido e o seu produto pode se tornar um abacaxi antes da hora, só vai depender do Mix marketing de produtos ou serviços que você dispuzer…Agora no mercado alternativo a coisa é bem diferente pois vai atender aos prospects que querem exclusividade. Exemplo – Na moda eu sempre comprava na loja Modélia eu não sei se vocês conheceram, mas ela ficava na rua Direita do lado da Loja Marisa. Nesta loja tinha roupas femininas exclusivas e só um modelo por numeração. Eu adorava pois tinha certeza da exclusividade e que poderia ir á uma festa sem cópia..Em compensação os preços eram altíssimos, mas mesmo assim eu pagava porque “investia em minha pessoa”. Agora o que é investir numa pessoa?? Pode ser um curso, uma viagem para aumentar seus conhecimentos e é também ter um guarda-roupa que o diferencie das outras pessoas..É como se fosse sua marca, como um perfume que marca a presença desta pessoa..Vejam que há várias empresas de marketing direto na área de cosméticos e os perfumes importados não saem dos armários de quem quer exclusividade, estes clientes são fidelizados á marca e ao produto, não importando o preço á pagar por este produto. Mas sei que é necessário mudar o produto para acompanhar as tecnologias ( trocando embalagem, frascos diferentes, brindes, etc). O mundo da Moda e da Beleza atende a esses dois mercados e tem ótimos CASES para se ler e aprender o que não se deve fazer na área de marketing.
Responder
Sylvio R. respondeu:
(25 de novembro de 2009)Iris,
Muito obrigado pelo seu comentário de grande contribuição ao blog.
Gostaria de ressaltar uma coisa: a diferença entre o mercado alternativo e de luxo. Eu não conheci a loja que você citou, mas pelo que você contou, ela parece estar mais no segmento luxo.
Ambos são mercados disruptivos com uma coisa em comum: seu público quer exclusividade. Mais em luxo do que no alternativo, já esse último se forma em espécie de tribos, algo que não existe no luxo.
Responder
Oi Silvio!!! Depende do que você considera luxo ou alternativo. Alternativo na minha opinião é um produto que tem 90% das características do original, por isto considero o mercado “Luxo” como alternativo. Não entendi o que você quis dizer com “tribo”??? Você quis dizer PESSOAS QUE CRIAM MODA, porque moda vai e volta, como os “Hippies”, “os Emos” = ” Os Darks da década de 80″”,
e vários outros grupos de jovens que querem revolucionar e modificar os seus modos de vida e de cultura, mas como tudo passa e só muda o nome, as roupas, a maquiagem , seus fãs ou clientes fidelizados ficam e mudam com o passar de tempo. Mas alternativo não é só isso não , em pleno século XXI há muitas empresas copiando o que dá certo no mercado , e mercado alternativo é isso , é um produto com algumas modificações ou inspirado em outros e alternando em: cores, fragâncias, estilo, Preço, praça, pessoas, propagandas, e tudo o que o mundo do Marketing possa oferecer para quem esteja disposto á trabalhar e ganhar dinheiro.
Este mundo eu conheço bem afinal trabalho nele e com ele há mais de 25 anos…Mas o que eu comentei foi no geral , pois li todas as matérias e gostei. Continue e incentive as pessoas a lerem o seu Blog!!!
Um bom dia!!
Iris A Jefferson Davis
Responder
Sylvio R. respondeu:
(25 de novembro de 2009)Iris, a discussão está ficando boa :)
Você não entendeu o que eu estou chamando de “alternativo”. Não é uma outra alternativa ou um produto substituto.
O que considero alternativo é justamente o contrário que você se referiu. Ele é diferente do “comum”. As pessoas os compram justamente porque ele é diferente e vai de contra àquele produto de massa.
É comprar um Mac ao invés do PC, ou mesmo usar Linux. É ser vegetariano, consumir produtos orgânicos, ainda comprar discos de vinil. É fazer turismo ecológico. Em outras palavras, é ser diferente. Este é o mercado alternativo ao qual me refiro.
Quanto ao termo tribo, é o que você falou mesmo, só que saindo da música para marcas. Usuários de Mac e clientes Starbucks são ótimos exemplos de tribos. Eles se unem pra defender e debater a marca.
O último livro de Seth Godin aborda isso.
Responder