Arquivo de junho de 2009

Fé vs otimismo

30 de junho de 2009 • TEMAS: Comportamento / Filosofando

300609_otimismo_fe Há uma linha tênue separando essas duas formas de acreditar. A diferença não é apenas semântica, mas prática—embora inconsciente— e saber diferenciá-las talvez, apenas talvez, evite frustrações no trabalho e na vida pessoal.

Fé é crer quando tudo indica o contrário. “Fé é dar o primeiro passo antes de ver toda a escadaria”, disse Martin Luther King.

Otimismo é crer quando você já fez certo e acredita fortemente nisso. Há uma citação de Robert Brault que eu acho fantástica: “Um lápis mede aproximadamente 17cm com uma borracha de apenas 1cm para o caso de você pensar que o otimismo acabou.”

Não quero entrar no aspecto religioso, estou pensando do ponto-de-vista antropológico, como a maioria de nós age quando temos fé. O filósofo contemporâneo John Dewey dizia que “fé é não se preocupar”. Exatamente! Por essência, a fé é um acreditar cego, você não duvida nem contesta, tudo que tem que fazer é acreditar—e não se esquecer de agir. Você dá um passo e acredita que a fé dará mais dois por você. Não raro, a fé leva pessoas a não agir ou a fazer muito menos do que poderiam. Um exemplo trivial: pessoas dizem “se eu ganhasse na loteria…”, mas quantas apostam com frequência? Loteria é algo baseado estritamente em fé.

O otimismo é um acreditar menos transcendental, mais realista digamos assim.. Requer algo factual pra ser acreditado. Você acredita que entrar naquele determinado segmento, por exemplo, vai dar certo porque irá oferecer versões personalizáveis —ao contrário dos concorrentes— a um custo menor. Fato. Diante disso, você e sua equipe trabalham duro, colhem mais dados, constroem protótipos, testam, o público aceita e o produto é lançado. Você se sente otimista e faz projeções de aumentar o faturamento da empresa em 20% nos três primeiros meses. Você está sendo otimista porque tem motivos pra acreditar nisso.

Outro exemplo claro é o futebol. Pode parecer idiota o que vou dizer, mas o último colocado de um campeonato tende a jogar com base na fé e o líder tende a jogar com otimismo. Mais vitórias significam maior otimismo. Mais derrotas significam baixa auto-estima e a única coisa com que se pode contar é a fé.

Resumindo, a fé leva você a acreditar mais, porém a agir pouco. Enquanto o otimismo leva você a agir, acreditar, e agir mais ainda. Você pode construir subsídios que geram otimismo, mas não fé. A fé vem de dentro (algo inexplicável), o otimismo vem de fora (cenário positivo). O melhor que eu posso extrair disso tudo é que precisamos tanto de fé como de otimismo pra obter sucesso em marketing.

Carro do ano de 2009 Genesis Durante um ano, estive envolvido com a comunicação da Kia Motors e por consequência em seus concorrentes também, mais especificamente a Hyundai (ignorem o fato da Kia pertencer à Hyundai, pois são marcas administradas separadamente).

As duas maiores montadoras da Córeia do Sul seguem a famosa filosofia japonesa (foco sobre-humano em qualidade, isto é produção e custos) mundialmente conhecida através da Toyota. O resultado disso são carros semelhantes a Audi com preços de Ford. Por exemplo, o novo Hyundai i30, lançado este, mês traz itens de um Volvo C30, mas com preço de Astra. A qualidade pode não ser a mesma, alguns podem dizer, mas Hyundai, Kia e Subaru não estão competindo nesse mercado top em que o Volvo está. Quem compra um BMW, Audi ou Volvo considera nenhum outro tão bom quanto eles. Os asiáticos competem por preço—só que alicerçados por um conceito de qualidade superior ao nosso. O problema é que os coreanos parecem ser o tipo mais feroz de asiáticos.

A Toyota mudou a forma de fazer carros, a Hyundai está mudando a forma de vender carros.

A coreana chegou aos EUA na década de 80 vendendo bem, mas seus veículos começaram a apresentar ferrugem, o que prejudicou severamente a imagem da marca.  Os anos 90 foram a prova de fogo para a companhia. Como enfrentar marcas quase-mitológicas como GM e Ford quando sua reputação está tremendamente afetada? Sendo agressiva, eles devem ter pensado. Desde então, a Hyundai criou vantagens maiores que as dos concorrentes, criou outras nunca antes vistas e tem aumentado o valor da sua marca ano após ano.

Quando a coreana passou a oferecer 10 anos de garantia em todos seus automóveis, as pessoas entraram em choque. Mas foi o suficiente pra levar muitas pessoas a experimentarem a marca, uma nova chance era tudo que ela queria (muitas e muitas marcas fracassam porque não conseguem induzir a experimentação).

Quem acreditaria que uma marca cuja primeira impressão era péssima conseguiria fabricar carros que iriam bater rivais de peso como Omega, Passat e EcoSport — superados por Azera e Tucson. Então, é hora de se preocupar? Na verdade, já passou faz tempo…

Quando a crise chegou com tudo, obrigando as concessionárias a baixarem preço, concederem descontos… essas coisas “normais” de promoções de vendas; a Hyundai fez algo anormal, lançou o Assurance — uma segurança que dava ao comprador o direito de devolver o veículo caso perdesse o emprego. Coincidência ou não, várias empresas dos mais diversos segmentos começaram a criar programas parecidos que ajudavam o cliente a cumprir com seus compromissos financeiros. Inclusive, vi vários aqui no Brasil.

Depois de aumentar suas vendas em 2% num dos piores anos da história da indústria, a Hyundai americana conseguiu outro feito, seu Genesis (imagem do post) foi eleito o Carro do Ano de 2009 pelos jornalistas. E isso é só o começo, a partir de 2010 alguns veículos das duas corenas começarão a ser montados no Brasil. Consumidores podem esperar muita qualidade até 20% mais barato. Já as outras montadoras, devem se preparar para mais agressividade.

Mas onde entra a Kia Motors nessa história? Bem, ela serve apenas pra ilustrar como o marketing é determinante para o sucesso de uma empresa. A Kia é uma marca eu-também, pegando carona no sucesso da irmã mais velha. As duas marcas têm produtos muito parecidos, mas isso parece estar mudando como sugere os novos carros das montadoras, Kia Soul e Hyundai i30—automóveis totalmente diferentes. O que irá fazer a diferença é o marketing e é muito difícil pegar carona no marketing alheio, para não dizer suicida. A Kia tem comunicação fraca (principalmente no Brasil), baixo índice de inovação e ações de pouca relevância. Não tenho dúvida da longa estrada que a Hyundai tem pela frente, já a Kia eu sinceramente espero que deixe o banco do carona para seguir seu próprio caminho.

eric_schmidt A revista Fortune perguntou o seguinte a 22 das pessoas mais bem-sucedidas do mundo: “qual o melhor conselho que você já recebeu?” Algumas disseram que receberam ainda muito novo, do pai ou de algum parente, outros receberam recém-formados e há ainda aqueles que receberam —o que consideram o conselho mais importante das suas vidas— já maduro e experiente. Como Eric Schmidt, um dos criadores do Google e atual presidente da empresa.

Eu sempre me interessei em saber o que as pessoas de sucesso têm a dizer, o que elas fizeram que as tornaram tão importante? Em que são diferentes de mim? Vejamos agora o mais importante conselho do homem que não precisava de conselhos.

O conselho que levo comigo até hoje recebi de John Doerr [famoso investidor de empresas de tecnologia e membro do conselho do Google, Amazon e Sun], que em 2001 disse: “meu conselho pra você é ter um coach”. O coach que ele disse que eu devia ter era Bill Campbell [ex-VP de marketing da Apple e ex-CEO de 2 outras grandes empresas]. No começo, eu refutei o conselho, porque afinal de tudo, eu era presidente do Google. E tinha bastante experiência. Por que precisaria de coach? Estou fazendo algo errado? Meu argumento era: como um coach poderia me aconselhar se eu era a melhor pessoa do mundo no que eu faço? Mas não é isso que um coach faz. O coach não joga o jogo na mesma posição que você. Eles assiste e tenta tirar o melhor de você. Nos negócios, o coach [técnico, em português] não é repetitivo. O coach é alguém que olha pra algo com outros olhos —descrevendo pra você nas palavras dele— e discute como lidar com o problema.

Quando eu percebi que podia confiar nele, que ele podia me ajudar com uma outra perspectiva, eu decidi que era uma grande ideia. Quando há um conflito nos negócios, você tende a se fechar. O principal conselho de Bill tem sido dar um passo acima da outra pessoa no outro lado da mesa para ter uma visão mais ampla da situação. “Você está deixando isso incomodar você, não deixe!”, ele diz.

Como dizia um professor meu: “propaganda e futebol todo mundo entende”. E já que várias opiniões são melhores que uma, deixo com vocês os comentários e as opiniões sobre os anúncios a seguir. Digam o que acharam.

Em 2008

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Em 2009…

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Veja outra campanha do Kia Soul, veiculada no Canadá.

Pode ser que você não tenha sentido o fantasma da crise ou já tenha superado. Talvez sua empresa faça parte do invejável grupo que não para de crescer e crise não seja uma palavra que a amedronte. Em qualquer caso, você e sua empresa enfrentarão uma crise algum dia. Esteja preparado.

Aqui estão 42 dicas —a peso de ouro— que Tom Peters apresentou em sua palestra na ExpoGestão, sexta-feira passada em Joinville. Essas dicas nada mais são que um super resumo de uma seção do seu blog chamada “Success Tips” e que já virou um grande e-book, e hoje está na de número 175 (infelizmente, só em inglês).

  1. Chegue cedo.
  2. Saia tarde.
  3. Trabalhe mais.
  4. Você deve trabalhar de forma satisfatória ganhando menos; e mais, aprenda a lidar com situações desagradáveis com um sorriso—mesmo que isso lhe mate por dentro.
  5. Ofereça-se para fazer mais.
  6. Você vai mais longe que os outros e sempre leva boas atitudes para o trabalho.
  7. Você literalmente pratica o “cara-a-cara” no espelho todas as manhãs, e no meio das tardes.
  8. Você finge se suas boas atitudes cessarem.
  9. Você dá um novo sentido às ideias e pratica intensamente a “gestão transparente”.
  10. Você cuida de você mais que o normal e encoraja as pessoas a fazerem o mesmo — bem-estar físico contribui para o bem-estar mental e a resposta ao estresse.
  11. Você não se preocupa com a merda desmoronando barranco abaixo em sua direção, ao invés, compra uma pá e uma capa de chuva no Mercado Livre.
  12. Tente esquecer “os velhos tempos”—nostalgia é auto-destrutiva.
  13. Você se anima pensando “isto vai passar”—mas você se lembra que isso pode não passar logo, então você se dedica a dar o seu melhor com o que você tem agora.
  14. Você usa o telefone e usa um pouco mais — sem mantém em contato com todos amigavelmente.
  15. Você frequentemente cria pausas na sua rotina, incluindo algumas “estranhas”— essas pausas combatem a apatia e trazem novas perspectivas.
  16. Você evita todos os tipos de excesso pessoal.
  17. Você simplifica.
  18. Você trabalha os detalhes como nunca antes.
  19. Você trabalha os detalhes como nunca antes.
  20. Você trabalha os detalhes como nunca antes.
  21. Você constrói e mantém a todo custo os seus padrões de excelência, os quais serão a melhor forma de avaliar o seu desempenho.
  22. Você fica louco quando tem que responder ao menor erro.
  23. Você encontra maneiras de se cercar por pessoas jovens e mantê-los por perto—eles têm maior probabilidade de não ser membros da escola “salve-se quem puder!” [mais corajosos e otimistas].
  24. Aprenda coisas novas do seu trabalho.
  25. Você deve se lembrar que isso não é “só mais  um”, é a última prova do ano.
  26. Pratique network como uma fera.
  27. Pratique network dentro da empresa—pra conhecer mais as pessoas que fazem o verdadeiro trabalho.
  28. Pratique network fora da empresa—pra conhecer mais as pessoas que fazem o verdadeiro trabalho de relacionamento com o cliente.
  29. Agradeça aos outros pela sobrecarga se boas coisas acontecerem—e assuma todo o peso se coisas ruins acontecerem.
  30. Você deve ser gentil, mas não engula ou esconda a verdade—pessoas conseguem aceitar uma verdade desagradável, mas não perdoam omissões.
  31. Você deve tratar pequenos sucessos como se fossem finais de campeonato—e comemorar dessa forma.
  32. Você ignora as perdas (não ligue para o que está acontecendo na sua barriga), volte logo para a posição e tente de novo imediatamente.
  33. Você evita pessoas negativas a todo custo—contaminação mata.
  34. Você dá um novo significado à palavra “reflexão”.
  35. Você não destina uma verba fixa para flores. “Vistosas e coloridas” basta.
  36. Você redobra, retriplica seus esforços de “se colocar no lugar do cliente”. (Especialmente quando a coisa estiver feia.)
  37. Você cuida dos seus modos —e aceita a falta de modos dos outros para evitar conflitos.
  38. Trate todo mundo bem.
  39. Deixe seus sapatos brilhando.
  40. Deixe os problemas na porta do escritório.
  41. Torne-se um exemplo para os outros em finanças pessoais.
  42. Agora você reza.

Motivação Desde sempre eu venho tentando responder a pergunta: como me manter 100% motivado nas coisas que faço? No trabalho, na academia, nas aulas de espanhol estou sempre brigando comigo mesmo para manter a motivação lá em cima. Nunca achei a resposta, mas me senti mais perto ao ler o artigo “Why motivation doesn`t really matter” (Porque motivação não é realmente importante).

Uma coisa eu já sabia: se você acredita que algo vai te trazer benefícios, que vai ser bom pra você, faça! Por mais “desmotivado” que esteja. Não é fácil, mas uma vez que damos o primeiro passo, as coisas tendem a melhorar.

Eis um exemplo muito corriqueiro: você está em casa meio pra baixo num sábado à noite. Trabalhou ontem, vai trabalhar depois de amanhã; um amigo lhe telefona convidando pra ir a um barzinho, se distrair, mas você diz que está “sem vontade”—em outras palavras, está sem motivação. Certamente,  você teria se sentindo muito melhor se tivesse aceitado, mas a (des-) motivação não deixou.

O problema da motivação é que ela nos impede de fazer muitas coisas. Ela é uma desculpa e tanto, mas o fato é que a motivação um fluxo que ora aumenta ora diminui. Jonathan Mead —o autor do artigo que me inspirou— coloca desta maneira: “às vezes, seu nível de motivação será como um devastador tsunami. Outras vezes, será como um riacho constante. Esse é o ritmo natural, e seguir esse ritmo é importante, porque se você não seguir, você explode.”

É importante entendermos que motivação não é requisito , mas um bônus para fazermos algo melhor e mais rápido. Motivação de mais pode nos levar a fazer algo sem pensarmos a respeito; enquanto motivação de menos pode nos levar a ficar mais tempo com a bunda na cadeira do que deveríamos. Talvez estejamos supervalorizando a motivação, entendendo algo importante como algo indispensável.

Para fechar, duas dicas valiosas que aprendi:

Aceite que você não estará sempre altamente motivado. Esperar pela motivação é colocar muita pressão em si, o que é geralmente um grande inimigo da produtividade.

Siga o seu ritmo. Todos nós temos momentos de maior inspiração e disposição, quando somos mais criativos e produtivos. Devemos aproveitar esse momento e tirar o máximo dele, porque depois da tempestade vem a calmaria.

Por Jack Trout, um dos consultores de marketing mais prestigiados do mundo. Sua empresa está presente em 23 países e atende clientes como IBM, Apple, Nestlé e Procter&Gamble. Trout é mais conhecido pelos livros que escreveu com Al Ries, como Posicionamento — A Batalha Pela Sua Mente,  As 22 Consagradas Leis do Marketing e Marketing de Guerra.

jack_trout Marketing é guerra meus amigos. Hoje, a maioria de vocês já devem ter percebido disso. Uma vez que a maioria de vocês são familiarizados com “Marketing de Guerra”, o livro que escrevi com meu ex-parceiro Al Ries sobre estratégia e táticas que podem ser implementadas na linha de frente do marketing. Com ajuda do general prussiano Karl von Clausewitz, conhecemos muitas das coisas que marqueteiros enfrentam no campo de batalha. Eu ofereço uma breve recapitulação em alguns dos pontos mais importantes para você enfrentar um motim.

Posição defensiva

Usada quando sua empresa é claramente reconhecida como a marca líder.

Princípios:

  1. Apenas a marca líder deve considerar jogar na defesa.
  2. A melhor estratégia de defesa é a coragem de atacar a si próprio.
  3. Fortes ações competitivas devem ser sempre bloqueadas.

Pontos-chave:

  • Você fortalece sua posição introduzindo novos produtos ou serviços que deixem obsoletos os seus atuais.
  • É melhor que você se retire do mercado do que seus concorrentes façam isso por você.
  • Atacar a si próprio pode sacrificar lucros de curto-prazo, mas tem um benefício fundamental. Protege market share, a mais importante arma em qualquer batalha de mercado.
  • Quando você dominar a pizza, você deve tentar aumentar o tamanho da pizza, em vez do tamanho da fatia.

Posição ofensiva

Indicada para empresas que são 2º ou 3º de  mercado e dispõem de recursos para sustentar uma guerra contra o líder.

Princípios:

  1. A primeira coisa é assumir a força que o concorrente tem por ser o líder de mercado.
  2. Encontrar uma fraqueza na força do líder e atacar isso.
  3. Lançar o ataque da forma mais incisiva possível.

Pontos-chave:

  • O que é uma boa estratégia para o líder é uma má estratégia para o número 2 e vice-versa.
  • General Clausewitz diz: “Onde absoluta superioridade não é alcançável, você deve conquistar uma relativa [superioridade] em um aspecto decisivo, utilizando de forma habilidosa o que você já tem.”
  • Há uma fraqueza em toda força, se você conseguir encontrar…

Posição de flanco

Indicada para empresas que são as 4ª, 5ª ou 6ª de mercado e dispõem de recursos para perseguir através do movimento de flanco e tomar controle do determinado segmento de mercado.

Princípios:

  1. Um bom movimento de flanco deve ser feito numa área ainda não contestada [ocupada].
  2. Elemento surpresa deve ser um importante elemento do plano.
  3. O “perseguir” é mais importante que o ataque propriamente dito.

Pontos-chave:

  • O sucesso do ataque de flanco geralmente depende da sua habilidade de criar e manter uma categoria à parte.
  • Habilidade de flanco requer uma excepcional intuição. A razão é que em um verdadeiro ataque de flanco, não há um mercado consolidado para o novo produto ou serviço.
  • Fortaleça o sucesso e abandone os fracassos. Mas e se você não tiver recursos pra dar continuidade ao primeiro ataque bem-sucedido? Talvez você não devesse ter lançado esse primeiro ataque. Talvez você devesse ter usado guerrilha.

Guerrilha

Apropriado para as outras 96 empresas de um mercado de 100.

Princípios:

  1. Encontre um segmento de mercado pequeno o suficiente para defender.
  2. Não importa o quão bem-sucedido você se torne, nunca aja como líder.
  3. Esteja preparado para largar a qualquer momento.

Pontos-chave:

  • Há uma grande diferença entre travar guerras como flanco e como guerrilha. Um ataque de flanco é deliberadamente lançado próximo à posição do líder. O objetivo é fazer sangrar o share do líder.
  • Quão pequeno deve ser os limites da guerrilha? Isso é onde o bom-senso entra. Tente escolher um segmento pequeno o bastante para que você possa se tornar o líder — mas nunca aja como um. Guerrilhas bem-sucedidas operam com modos e tempos diferentes. Mantenha o máximo do seu pessoal na linha de fogo.

Artigo traduzido do original “Marketing Warfare Revisited”.

190609_andy_theoffice Uma das cenas mais engraçadas da série The Office na minha  opinião é uma em que o pessoal da Dunder Mifflin —uma empresa de papéis—estão discutindo qual o melhor comercial de todos os tempos e o Andy começa a cantar um jingle, mas esquece a parte principal, qual é o produto. Imagine a cena:

Andy: “Me dá um tempo… me dá um tempo… [canta balançando a cabeça e estalando os dedos] Me dá um pedaço daquela… [pausa] … esqueci completamente, como é mesmo?…  Me dá um pedaço daquele… tan-tan-tan [estalando os dedos] Me…. calda de maçã?”

Jim: “Me dá um pedaço daquela calda de maçã? Não, acho que não.”

Andy: “…pedaço daquele carro Chrysler?”

Jim: “Nope.”

Andy: “…creme de futebol. Aaarrrgh!”

Em quase todo filme ou programa de TV, jingles são citados como algo ridiculamente engraçados, clássicos e grudentos. Isso é o que a maioria das pessoas pensam sobre jingles e, generalizando um pouco, propaganda de uma forma geral. Peça pra um familiar lhe dizer um comercial de que gosta, há grandes chances de ele cantarolar uma música, talvez um jingle. Porque é isso que vem à cabeça quando não-publicitários, principalmente os mais velhos, pensam quando você diz “propaganda”. Agora peça pra ele dizer qual o produto estava sendo anunciado e se ele costumava comprá-lo. Provavelmente, era apenas uma musiquinha legal… nada de mais.

Recentemente, descobriu-se que o toque padrão dos celulares Nokia desperta a algo negativo. Veja, é o toque mais conhecido do mundo e lembrado. lembrado e caté cantado por 41% dos Porém, as pessoas associam a algo incômodo. Esse exemplo é apenas para mostrar que ser o mais lembrado nem sempre é bom.

Eu nunca neguei que jingles grudam. Mas tenho dificuldade em acreditar que eles vendam, pelo simples fato da música tirar a atenção da mensagem.

Vocês sabiam que anúncios que fazem alusão ao sexo são menos lembrados que outros sem conotação sexual? Isso porque o sexo rouba a cena, atraindo toda a atração para si. E mais, sabiam que usar celebridades em comerciais não ajudam a gravar a marca e, talvez, até atrapalhem? É muito mais fácil você lembrar de uma novela da Suzana Vieira do que a marca do xarope que ela está vendendo na TV atualmente. A atriz Charlize Theron já estrelou comerciais de perfumes, mas você lembra de algum? Eu só consigo lembrar dos filmes Aeon Flux e Monster. Assim como a melodia dos jingles, a fama atrapalha a transmissão da mensagem, inundando a nossa mente com informações subsconscientes do tipo: qual filme que a atriz fez, qual o principalgênero, se já ganhou um Oscar, qual o seu filme preferido, quais os últimos boatos a respeito dela… No caso do jingle, quando o ouvimos um jingle, estamos mais preocupados em cantar (ou em não cantar) do que em entender a letra. Consequentemente, nos lembramos mais facilmente da melodia do que da marca ou produto citado na letra.  Quando você pensar se jingle realmente vale à pena, lembre-se do Andy…

P.S.: Achei uma versão no YouTube da cena que mencionei. É editada com cenas do comercial original e perdeu um pouco a graça, mas vale a pena ver.

Encontre a Canon

18 de junho de 2009 • TEMAS: Propaganda / / /

A marca Canon está patrocinando a seção especial de Dia dos Pais do site da Amazon. (Nos EUA é comemorado  no 3° domingo de junho.) A presença da marca é tão sutil que desafio vocês a encontrarem na imagem abaixo. Além disso, a Canon tem apenas um banner dentro da seção. To curioso pra saber quanto custou essa brincadeira.

Procure a Canon na imagem e deixe um comentário dizendo se encontrou facilmente. Clique na imagem para ampliar ou vá direto para resposta.

Ache a Canon

Branding sensorial

Temos ouvido (e lido) cada vez mais falarem em branding sensorial — o uso de aromas, sons, texturas e outros recursos sensoriais  que melhoram a experiência do cliente com a marca ou o produtos. A pergunta é: isso realmente tem o poder de melhorar a percepção da marca e levar mais consumidores a preferirem um e não outro só com base nos sentidos?

Segundo o maior estudo de neuromarketing já feito a resposta é sim.

Você certamente já ouviu que o apelo emocional é o mais eficiente que existe. Fragrância e músicas trabalham justamente o emocional, funcionando como um grande atalho para lembranças e sensações. O seu dever é assegurar que essas lembranças e sensações sejam positivas, utilizando o aroma e o som certos.

Parece loucura, mas empresas de batatas chips pesquisam o “barulho perfeito” que irá fazer na nossa boca ao mastigarmos; lanchonetes instalam máquinas que disparam jatos com “cheiro de hambúrguer”; montadoras borrifam cheiro de couro em carros novos… parece loucura o que certas empresas, o pior é que funciona. Misteriosamente, ficamos com fome (ou achamos que sim) ao sentir um cheiro de frango na chapa. Para a maioria dos homens, o melhor cheiro do mundo é o de carro novo; poderíamos morar dentro dele enquanto o cheiro estiver lá. Podem ter certeza que se as empresas descobrirem o que o aroma é capaz de despertar nas pessoas, elas irão usar. O mesmo serve para a música.

O estudo mostrou que, embora sons e cheiros funcionem isoladamente, são mais eficazes quando experienciados junto do produto/marca. Nessa hora, fortalece-se o vínculo entre aquele aroma em particular e o produto, se o aroma despertar associações positivas e adequadas, as chances da pessoa levar o produto aumentam consideravelmente.

Uma loja de departamento dos Estados Unidos disse ter quase dobrado suas vendas do departamento feminino, quando exalou aroma de baunilha por todo o setor (baunilha é o aroma mais popular dos EUA e adorado pelas mulheres). Dois pesquisadores da Universidade de Leicester constataram que as vendas de vinhos de um hipermercado variava de acordo com a música. Nos dias em que tocava musica facilmente reconhecidas como francesas, os vinhos franceses vendiam mais; em contrapartida, o mesmo acontecia com os vinhos alemães e suas músicas.

Porém, não foi isso que mais me surpreendeu no estudo. Foi ver que associar a logo a um som é muito mais eficaz do que imaginamos. Parece um mero detalhe, mas aquele sonzinho que toca em todas as vinhetas da Intel mexe com a nossa cabeça. A combinação som + logo exige maior atividade do cérebro, esse esforço acaba aumentando o índice de lembrança e preferência da marca —desde que o som já não carregue uma associação negativa.

Fato ou não, o branding sensorial veio pra ficar. Em uma época onde somos bombardeados por  milhares de marcas todos os dias e 83% de todo o esforço das marcas são para atrair nossos olhos; seduzir o nariz e os ouvidos parece ser um caminho sábio. Ainda mais agora, sabendo como o nosso cérebro se comporta. Como diz aquele ditado: “em terra de cego, quem tem um olho é rei”,  problema é que no mercado todos tem olhos, mas nem todos podem ser rei.