Porque o lado-direito do cérebro vai comandar este século
Daniel Pink — articulista, palestrante e escritor — concedeu uma excelente entrevista à Oprah Winfrey, sobre seu livro “A Whole New Mind” (”Uma Mente Completamente Nova”, em tradução livre). Pink fala sobre um tema que está muito na moda, o cérebro humano nos negócios, mas o ponto-chave dos seus argumentos é o de valorizar as poucas coisas coisas que as máquinas e a mão-de-obra barata não podem tirar de você: a sua habilidade criativa e emocional.
Vamos começar com a audaciosa afirmação da capa: Por que o lado-direito vai comandar o futuro?
Em muitas profissões, o que costumava importar eram habilidades associadas ao lado esquerdo: linear, sequencial, do tipo de fazer planilhas. Isso ainda é importante, mas não é suficiente.
O que é importante agora são as características do hemisfério direito do cérebro: arte, empatia, inventividade e visão macro. Essas habilidades se tornaram prioritárias em todas as áreas dos negócios
Isso significa que pessoas lado-esquerdo vão perder sua utilidade?
Não necessariamente — mas significa que as pessoas como eu têm algum trabalho a fazer. Eu costumava ser extremamente lado-esquerdo; meu instinto era desenhar um gráfico em vez de uma imagem. Estou tentando deixar meu lado direito do cérebro em forma. Eu realmente acho que aprimorar as habilidades do lado-direito tem potencial pra nos tornar profundamente melhor.
Você escreve que depois de atravessarmos a era da agricultura, a era industrial e informacional, nós entramos na era conceitual, na qual criadores e simpatizantes irão liderar. Como, o que você chama de os três As abundância, automação e Ásia—, nos conduziu para essa nova era?
Da mesma forma que as máquinas substituíram nossos corpos em certos trabalhos, o software está substituindo nossos lados-direito do cérebro com o trabalho sequencial e lógico. E isso nos leva à Ásia, de onde esse trabalho tem vindo. Na Ásia, você tem dezenas de milhões de pessoas que pode fazer nossas tarefas rotineiras como programação. Rotina é o trabalho que você pode reduzir a uma planilha, um script, uma fórmula, uma série de passos que têm a resposta certa.
Então, você sugere que as aptidões do lado-direito, quando complementadas com o pensamento do lado-esquerdo pode resultar num novo modo de pensar porque nós entramos na era conceitual, onde significado e harmonia, design e propósito estão se tornando mais significativos para o mundo do que fórmulas de agir e pensar. Depois de ler o seu livro, eu pensei “esta é minha vez”.
Isso é como muita gente tem respondido: que o mundo chegou para eles. Nos Estados Unidos, as pessoas “inteligentes” tem pensamentos lógicos e habilidades lineares, enquanto as pessoas do lado-direito do cérebro são geralmente vistas como aéreas, espaçosas e pretensiosas.
Elas estão sendo vistas como “uuuuhhu”!
Exatamente! Eu não sou muito do tipo “uuuhhu”, então quando eu usava meu lado-esquerdo para encarar os fatos, ficava claro que as escalas estavam se inclinando. A geração dos meus pais falavam para seus filhos: “torne-se um contador, advogado ou engenheiro, isso te dará segurança na classe média”.
Mas esses trabalhos estão sendo, agora, feitos em outros países. Então, para obter sucesso hoje, você tem que fazer o que é difícil de terceirizar, difícil de automatizar.
Vamos falar sobre habilidade do lado-direito que você disse que todos podemos desenvolver.
Eu diria design. Design é a habilidade de criar algo que tem tanto significado como utilidade. Uma jovem designer nova-iorquina criou uma nova garrafa de medicamento porque ela percebeu que seus avós estavam confundindo os medicamentos. Ela colocou o nome do remédio em letras grandes no topo, ao invés do nome do médico, o avô ficou com a etiqueta verde e a avó ficou com a amarela, então eles podiam ver a diferença facilmente.
Outra habilidade que você falou é sobre “história”…
Nós vivemos num mundo onde os fatos estão em todos os lugares. Se você quer descobrir o principal produto do Equador, meus filhos podem encontrar online em 15 segundos.
O que mais importa agora é a habilidade de colocar os fatos num contexto e entrega-los com um impacto emocional. E isso é o que a história faz. Nós temos na nossa cabeça algo chamado “história gramatical”.
Nós vemos o mundo como uma série de episódios ao invés de proposições lógicas, quando sua esposa pergunta “como foi o seu dia?”, você não saca uma apresentação de PowerPoint com um gráfico de pizza. Você narra.
Claro, eu tenho uma grande afeição por histórias porque eu ganho a vida contando as histórias dos outros. História é como nós estabelecemos uma conecção.
Amém. Isso é o porquê das escolas de negócios estarem vagarosamente começando a reconhecer o poder da narrativa — se você quer liderar uma empresa, você tem que ser eficiente em criar uma história convincente do começo ao fim.
Falem-me sobre a habilidade “sinfonia”.
É a habilidade de ver o todo, conectar os pontos, combinar coisas discrepantes em algo novo. Artistas visuais são particularmente bons em ver como as peças se unem para formar uma só.
Eu percebi isso quando tentei aprender a desenhar. O professor nos mostrou proporções, relações, luz e sombra, espaço negativo e distância — algo que eu nunca tinha percebido!
Em uma semana, eu fui de não saber desenhar para rascunhar um retrato detalhado. Eu literalmente mudei a forma que eu vejo as coisas; agora eu vejo o mundo muito mais holístico, como uma sinfonia.
O que é a habilidade “play” que você menciona no seu livro? Eu preciso ser melhor nisso.
Eu também. O aspecto mais importante dessa habilidade é rir, o que tem benefícios físiológicos e psicológicos. Você sabia que existe centenas de clubes de risada ao redor do mundo? As pessoas se reúnem e ficam rindo sem motivo.
Isso não é meio patético? Você não tem nada que te faça rir então vai a um club para rir sem motivo?
Isso era o que eu pensava. Então eu fui a um clube desses em Mumbai. Era 6:30 da manhã, num lamacento campo de futebol. Cerca de 40 pessoas se reuniram e uma mulher levantou e fez “ho-ho-ha-ha-ha”, então todo mundo repetiu depois dela. Eu sentei e pensei “isso é a coisa mais louca que eu já vi”.
Ho-ho-ha-ha-ha?
Eu percebi que não é questão de rir de uma piada. É sobre o benefício físico que isso nos traz. É o yoga do riso ou um tipo de meditação. Mesmo quando seu lado-esquerdo está pensando “o que diabos você está fazendo”, o lado-direito diz “fica quieto, isso é legal”.
É quase impossível dizer ho-ho-ha-ha-ha e não dar nenhum sorrisinho! Vamos para outra habilidade que você menciona no livro: “empatia”.
Empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro. Sentir o que ele ou ela sente, ver o que ele ou ela vê. Empatia não é apenas difícil de terceirizar e automatizar, mas é capaz de tornar o mundo um lugar melhor.
E finalmente, a capacidade que você chama de “significado”. Esse não é o denominador comum da experiência humana? Com o passar dos anos no meu programa, eu aprendi que todos nós queremos obter a confirmação de que, o que nós acreditamos, realmente significa algo. Todos nós queremos sentir que nossas vidas têm sido significante e com um propósito.
Esse é o porquê eu acho que os baby boomers irão fazer algo espetacular. Eles dizem “sessenta não é velho. Oh, eu ainda tenho 25 anos pela frente”. Então, eles olham os últimos 25 anos e dizem “carambolas, claro que passou rápido. Será que os próximos 25 serão rápidos assim? E se forem, o que eu irei deixar? Quando eu vou viver o melhor da minha vida? Qual marca eu vou deixar no mundo?”
Então, eu acho que essa busca por significado é uma das coisas mais importantes acontecendo na vida das pessoas hoje.
TEMAS: Comportamento, Negócios, ciência, entrevistas
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Muito bom !!! Gostei do post. Criatividade é tudo.
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Òtimo texto; éa minha vez!
Uhuuu! hehehehehhe
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