Dilbert: O MBA X Bruxa-louca Na busca pelos “culpados” da crise mundial, o desempenho dos profissionais com MBA  começou a ser duramente questionado nas últimas semanas nos Estados Unidos. Eu havia percebido que, na última semana, era só o que as tiras do Dilbert abordava, mas o assunto não se limita apenas ao cartoon. No fórum da Harvard Business School, 2/3 das pessoas (que opinaram) disseram que os cursos de MBA têm alguma culpa no cartório, segundo informou a Business Week.

Há quem condene, há quem defenda. Com base na opinião da maioria dos acadêmicos entrevistados pela Business Week, nenhum dos dois lados estão certos. Culpar o MBA pela crise é uma piada, mas os programas podem (e precisam) ser melhorados para evitar novos problemas e estancar prejuízos antes que o pior aconteça.

O papo começou porque muito (senão todos) dos executivos que cometeram grandes erros —contribuindo para a crise— possuem MBA. Até que ponto o curso prepara profissionais para enfrentar a crise tem causado muitos debates sobre uma reforma nos cursos.

Críticos dizem que as escolas não prepara um profissional pra tomar decisões nos mais adversos cenários, e sim, para conquistar um bom emprego. A prova disso, segundo os críticos, é a preocupação das universidades para manter seus cursos no topo dos rankings dos melhores MBAs. Para o professor de liderança de Harvard, Rakesh Khurana:”O desenfreado mercado de hoje como a resposta para todos os problemas é a base das escolas de negócios de hoje”. Isso significa que os fins (proporcionar cada vez mais retorno aos acionistas) justificam os meios (falta de ética e atitudes suspeitas).

As críticas são válidas, porém, extremistas. Alex Chu, responsável pelas admissões do MBA da Wharton School —uma das melhores do mundo— disse: “Estudantes não são clientes, são estudantes” e como todo estudante, eles estão lá para aprender. É importante que o aluno saia de um MBA certo de que decisões podem afetar não só a sua empresa, mas toda a economia. “As escolas de negócios caíram na mesma armadilha dos veículos de comunicação. Elas não foram críticas o suficiente no que diz respeito à crise, o que as torna cúmplices”, complementa Alex.

Os defensores, por outro lado, também argumentam de forma pertinente. O fato é que os “cabeças” da crise de hoje, foram os que fizeram os primeiros MBAs, na década de 70. O programa era completamente diferente, não havia tantas faculdades e muito menos rankings. “Esses profissionais são frutos de um sistema educacional que não existe mais”, diz a matéria da Business Week.

Um bom MBA é a melhor formação que um profissional de negócios pode ter, mas como disse o professor de liderança e estratégia Sydney Finkelstein: “nós não formamos CEOs, também não afundamos empresas”.

O problema está nas pessoas. Mas as universidades precisam lidar até com as pessoas que são o problema. Uma das soluções seria tornar obrigatória disciplinas que estimulem a transparência e honestidade do profissional, mostrar o que é certo ou errado de forma clara no curso. Na opinião de Angel Cabrera, presidente da Thunderbird School of Global Management diz: “é possível que uma pessoa passe 2 anos numa escola de negócios sem ponderar sobre o certo e errado em um ambiente empresarial. É preciso incluir soluções práticas para problemas éticos que os estudantes irão enfrentar na vida pós-MBA”.