Arquivo de maio de 2009

300509_futebol_clough Basta dar uma passada na seção de drama de uma videolocadora pra ver a quantidade de filmes sobre superação nos esportes. Técnicos durões, que no começo dão raiva, mas no final levam o timeco que nunca ganhou nem jogo de bairro a vencer o campeonato estadual ou nacional. Mark Ritson comentou sobre o filme The Damned United (que pela nota 8 no IMDB deve ser muito bom), que conta a história de Brian Clough e sua passagem relâmpago pelo time de futebol da cidade de Leeds. Brian era daqueles técnicos difíceis de engolir, mas conseguiu o feito inédito de levar outro time, o Nottingham Forest, à conquista do campeonatos Inglês, Liga Inglesa, Supercopa da Inglaterra, Copa do Campeões por dois anos consecutivos e Supercopa Européia. Tudo isso entre 1978 e 1980.

Em seu artigo, Ritson comentou 4 fundamentos que levaram Clough ao sucesso com o time de Nottingham: Manter as coisas simples, Escolher um inimigo e Engajamento. O 4° em específico me chamou atenção: O que você tem, não o que falta.

Se você for gastar seu expediente pensando o que seu concorrente faz de melhor, saiba que ele estará gastando o mesmo tempo para fazer ainda melhor e deixar você ainda mais pra trás. Da mesma forma, reclamar da incompetência dos funcionários não leva a lugar nenhum. Incompetente é aquele que gere um departamento sem conhecer todo o potencial—de seus funcionários. Eu aprendi que as pessoas são capazes de se superar quando recebem motivação na dose certa.

Brian Clough não gastava pensando coisas do tipo “ah, se eu tivesse um atacante bom de cabeça”… ele simplesmente trabalhava com o que tinha nas mãos. Detectava os pontos fortes e fracos de seus jogadores e trabalhava em cima disso. O próprio técnico diz: “Eu acreditava que podia tirar o máximo deles. Eu nunca fantasiava sobre o que faltava neles”.

Esse é um valioso conselho pra todo gestor e também para gerentes e analistas de marca e produto. Muitas empresas tem sérios problemas de auto-estima, se consideram inferior e por isso se comportam como inferior, utilizando estratégias “eu-também”—baixando os preços e tentando parecer o máximo com o concorrente. Acreditar que o seu produto pode ser bom o suficiente para disputar com uma Unilever é o primeiro passo para chegar lá.  Vemos isso o tempo todos em filmes —baseados em fatos reais—, o Nottingham Forest era um time da 2ª divisão que conseguiu ganhar do Real Madrid por 4 a 1.

twitter_goldVocê é uma daquelas pessoas que olha torto pro Twitter? Eu posso dizer que entendo, costumava fazer parte desse clube; mas está na hora de você pensar a respeito.

Alguns meses atrás, eu comecei a usar o Twitter (@pequenoguru) porque vi a oportunidade de complementar o blog utilizando conceito básico de microblogging —dando dicas de links e expondo comentários sucintos. Eu realmente utilizo a ferramenta como um “blog rápido”. Portanto, se você costuma ler este blog, deveria ler o micro-blog também.

Eu asseguro que você não verá conteúdo repetido —o que posto lá dificilmente posto aqui e vice-versa—nem bobagens da minha vida pessoal. Como eu disse, utilizo a ferramenta como complemento do blog e, embora, me considere mais “livre” lá (falo de música, por exemplo), tento fazer de cada tweet algo útil. (obs: tweet=post)

Você que não costumava dar a mínima pro Twitter, espero que esteja mais inclinado a acompanhar.

O ruim do Twitter é que uma vez que você tenha publicado algo, ele é levado pela maré dos outros tweets e nunca mais ninguém o verá. O bom é que através do Twttrlist é possível criar listas com uma seleção dos melhores ou uma seleção sobre um assunto específico. Criei uma lista com os que considero os melhores insights que já publiquei até agora no Twitter. Espero que gostem. Vejo vocês lá!

Ver: O melhor do Pequeno Guru no Twitter

290509_advertising_secrets  Eu estranhei quando vi um livro sobre redação publicitária escrito por alguém que não era exatamente um publicitário. Mas o título do seu livro (ao lado) havia me fisgado totalmente, o que indicava que ele era realmente bom com as palavras.

Como um empresário conseguiu escrever um incrível livro de redação publicitária? Sendo dono do negócio. 

Joseph Sugarman tinha uma vantagem em relação aos publicitários, ele tinha como medir precisamente o resultado dos seus anúncios. Já que vendia através de catálogos, sua única maneira de vender bem era criando anúncios extraordinários. Ou melhor, textos extraordinariamente persuasivos. Naquela época, a publicidade era guiada muito mais pela redação do que pelo visual, o que significa muito texto e pouca imagem. Talvez isso explique porque Joseph Sugarman passou a dominar a arte de escrever. Ele precisava vender produtos, que muitas vezes ninguém tinha ouvido falar, basicamente com as palavras, mas sem a vantagem de estar frente a frente com o potencial cliente. 

Pra entender um pouco mais sobre Joseph Sugarman, aqui vai algumas curiosidades:

  • Ele foi um dos primeiros a vender a calculadora de bolso, o relógio digital e o telefone sem-fio, ou seja, ele criou demanda para esses produtos
  • Seus anúncios levaram à venda de 20 milhões do óculos BluBlocker
  • Em 1979, foi eleito o Homem de Marketing Direto do Ano
  • Seus seminários e palestras estavam entre os mais caros dos Estados Unidos na década de 80. Chegando a custar $1000 por uma apresentação de 45 minutos
  • A sua empresa JS&A foi a primeira a utilizar o 0800 para pagamentos com cartão de crédito, mas a ideia só deslanchou quando outras empresas aderiram, um ano mais tarde
  • Ele está no Twitter: @JoeSugarman

290509_adweek_copywriting_handbookConheci seu trabalho no ano passado, quando tomei conta de uma cópia de Advertising Secrets of the Written Copy que peguei na biblioteca da universidade em que fazia um curso. Apesar de ser focado em textos longos, considerei seu conteúdo inestimável. Ao devolver o livro, quase pude sentir uma lágrima escorrendo… definitivamente, eu precisava ter o livro na minha estante! Mas ele era pesado, grande e não era vendido no Brasil.

Ontem, enquanto simulava a compra do livro pelo site da Amazon, percebi que havia outro livro de Joseph Sugarman, chamado “The Adweek Copywriting Handbook”. Procurei no Google e achei um e-book. Foi quando descobri que ambos são o mesmo livro! E resolvi colocar no blog.

Como não existe versão brasileira, não vejo problema em compartilhar com vocês o link para download que achei na internet.

Por Seth Godin

É os dois, e esse é o problema.

Alguns marqueteiros são cientistas. Eles testam e avaliam. Eles fazem matemática. Eles entendem o impacto do gasto em um mercado, num determinado tempo com uma certa mensagem. Eles entendem os dados e encontram a verdade.

Esse tipo de marketing funciona quando funciona, mas geralmente não funciona. Isso porque lidamos com humanos, a carta mais selvagem do sistema.

Outros marqueteiros são artistas. Eles inspiram, desafiam e conectam. Esses profissionais começam de um rascunho, criando movimentos, contando piadas e surpreendendo as pessoas. Cientistas não são bons nisso.

O problema é causado por duas coisas:

1. Observadores ficam confusos. Qual deles nós somos? Quando somos artistas certas vezes e cientistas noutras, há chance de parecermos charlatões, porque associamos resultados científicos com esforços artísticos.

2. Nós ficamos confusos. Se você não sabe se está trabalhando num projeto científico ou artístico, provavelmente irá enfatizar os elementos errados. Se você for estudar marketing e o professor agir com ar de superioridade como se estiver ensinando ciência, você perderá um bom tempo aplicando taxonomia e hipóteses a algo que é essencialmente uma questão de colhões [desculpem a palavra, não consegui traduzir de outra forma]. E vice-versa.

Nós precisamos dos dois chapéus, o do cientista e o do artista. Você pode usar apenas um por vez —e esse é o motivo pelo qual eu não digo que precisamos de luvas.

Defina que tipo de marketing você vai fazer hoje e vá fazer isso.

Artigo traduzido do original: “Is marketing an art or a science?”

Detalhe da cerejaMuitos anos atrás, antes mesmo de entrar pro marketing, ouvi um especialista dizer que a maioria dos candidatos a emprego dizem ser o “perfeccionismo” seu maior defeito. Que bom que a maioria sabe que é um defeito, mas há aqueles que consideram uma virtude. O que você pensa a respeito? [pense antes de continuar lendo]

Voltando ainda mais no tempo, antes mesmo de entrar na faculdade de comunicação, eu me considerava perfeccionista e bastante dedicado aos detalhes. Claro que eu pensava que era uma qualidade. Isso foi até eu começar a trabalhar e entender que o resultado é mais importante que os detalhes. Óbvio que nem todo detalhe é supérfluo, mas é preciso responder a pergunta: Qual a relevância dele para o público e para o resultado?

Detalhes demandam tempo, é preciso avaliar a atenção que você está dedicando ao detalhe, e se o tempo necessário para satisfazer essa “extravagância” valerá à pena.

Varejo é um caso onde detalhes são bem-vindos. Categorias extremamente bem organizadas, produtos limpos, sem avarias  e com preços corretos, corredores sem carrinhos de estoque atrapalhando a passagem e manter um funcionário sempre à vista… esse tipo de perfeccionismo é bom, porque contribui diretamente para melhorar a experiência do cliente. Quando falamos em atendimento, a mesma coisa, pessoas simpáticas, educadas, com sorriso sempre no rosto, de roupa limpa e preocupadas em satisfazer o cliente transmitem uma boa imagem da empresa. Em outras palavras, os detalhes são muito importantes em ocasiões onde eles não costumam receber muita atenção. Essa é uma boa chance de fazer a diferença.

Tendemos a superestimar a importância dos detalhes, principalmente quando não pensamos como consumidor. Um detalhe é relevante quando ele contribui para melhorar o produto ou a experiência do consumidor. Ser detalhista é excelente se você consegue achar erros que ninguém conseguiu. Caso contrário, essa característica pode atrapalhar mais que ajudar. Na correria do dia-a-dia na empresa, prazo curto, reuniões, fazer uma capa bonita para um relatório ou melhorar aquele gráfico pode ser um detalhe irrelevante. Alterar um texto quando ele já foi escrito, re-escrito e revisado por um profissional responsável, é irrelevante. Mudar a cor, aumentar, diminuir, trocar 6 por meia-dúzia são muitas vezes detalhes sem relevância para o consumidor.

A minha sugestão é que se deve balancear o detalhismo com a eficácia, tendo como juiz a relevância. Tempo, dinheiro, relevância e eficácia, quatro palavras que devem vir em primeiro lugar. Detalhes devem ser deixado para segundo plano (depois desses 4), afinal, são meros detalhes.

Livros de marketing e negócios são relativamente caros, portanto se você costuma comprar com boa frequência, deve estar conformado em gastar uma boa grana com eles. Criei esta lista para mostrar que é possível comprar excelentes livros a excelentes preços.

Desde que eu iniciei o meu projeto de construir uma boa biblioteca dentro de 10 anos, tenho comprado cerca de 3 livros por mês. Claro que prefiro livros novos, mas seria difícil manter a média se comprasse apenas novos, então, foi quando conheci o Estante Virtual, um site que reúne sebos de todo o Brasil e vende livros em ótimo estado de conservação até 4x mais baratos.

Escolhi a dedo 20 grandes livros de marketing (ou relacionado à área) que você precisa ler e, se possível, ter na sua coleção. Muitos deles, revolucionaram a maneira de fazer marketing, outros são inestimáveis fontes de inspiração e provocação que nenhum curso do mundo é capaz de proporcionar.

Agradeço ao Paulo Peres e Alessandra Tussi por algumas das indicações. Clique na capa do livro pra ir ao site.

1. As 22 Leis Consagradas do Marketing, Al Ries & Jack Trout
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2. Alongando a Marca, David Taylor
Por que 1 em cada 2 extensões falha e como evitar esse risco.
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3. Além das fronteiras do Core business, Chris Zook
Expandindo mercado sem abandonar as raízes

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5. Posicionamento, Al Ries & Jack Trout
A batalha pela sua mente

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5. Livro Vermelho de Vendas, Jeffrey Gitomer
12,5 princípios de excelência em vendas
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5. Foco, Al Ries
Uma questão de vida ou morte para a sua empresa

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7. Bom Senso em Marketing Direto, Drayton Bird

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8. Brand Equity, David A.Aaker
Gerenciando o valor da marca

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9. Marketing de Permissão, Seth Godin
Transformando desconhecidos em amigos e amigos em clientes
Marketing de Permissão


10. Buzz Marketing, Georges Chetochine
Sua marca na boca do cliente
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Dilbert: O MBA X Bruxa-louca Na busca pelos “culpados” da crise mundial, o desempenho dos profissionais com MBA  começou a ser duramente questionado nas últimas semanas nos Estados Unidos. Eu havia percebido que, na última semana, era só o que as tiras do Dilbert abordava, mas o assunto não se limita apenas ao cartoon. No fórum da Harvard Business School, 2/3 das pessoas (que opinaram) disseram que os cursos de MBA têm alguma culpa no cartório, segundo informou a Business Week.

Há quem condene, há quem defenda. Com base na opinião da maioria dos acadêmicos entrevistados pela Business Week, nenhum dos dois lados estão certos. Culpar o MBA pela crise é uma piada, mas os programas podem (e precisam) ser melhorados para evitar novos problemas e estancar prejuízos antes que o pior aconteça.

O papo começou porque muito (senão todos) dos executivos que cometeram grandes erros —contribuindo para a crise— possuem MBA. Até que ponto o curso prepara profissionais para enfrentar a crise tem causado muitos debates sobre uma reforma nos cursos.

Críticos dizem que as escolas não prepara um profissional pra tomar decisões nos mais adversos cenários, e sim, para conquistar um bom emprego. A prova disso, segundo os críticos, é a preocupação das universidades para manter seus cursos no topo dos rankings dos melhores MBAs. Para o professor de liderança de Harvard, Rakesh Khurana:”O desenfreado mercado de hoje como a resposta para todos os problemas é a base das escolas de negócios de hoje”. Isso significa que os fins (proporcionar cada vez mais retorno aos acionistas) justificam os meios (falta de ética e atitudes suspeitas).

As críticas são válidas, porém, extremistas. Alex Chu, responsável pelas admissões do MBA da Wharton School —uma das melhores do mundo— disse: “Estudantes não são clientes, são estudantes” e como todo estudante, eles estão lá para aprender. É importante que o aluno saia de um MBA certo de que decisões podem afetar não só a sua empresa, mas toda a economia. “As escolas de negócios caíram na mesma armadilha dos veículos de comunicação. Elas não foram críticas o suficiente no que diz respeito à crise, o que as torna cúmplices”, complementa Alex.

Os defensores, por outro lado, também argumentam de forma pertinente. O fato é que os “cabeças” da crise de hoje, foram os que fizeram os primeiros MBAs, na década de 70. O programa era completamente diferente, não havia tantas faculdades e muito menos rankings. “Esses profissionais são frutos de um sistema educacional que não existe mais”, diz a matéria da Business Week.

Um bom MBA é a melhor formação que um profissional de negócios pode ter, mas como disse o professor de liderança e estratégia Sydney Finkelstein: “nós não formamos CEOs, também não afundamos empresas”.

O problema está nas pessoas. Mas as universidades precisam lidar até com as pessoas que são o problema. Uma das soluções seria tornar obrigatória disciplinas que estimulem a transparência e honestidade do profissional, mostrar o que é certo ou errado de forma clara no curso. Na opinião de Angel Cabrera, presidente da Thunderbird School of Global Management diz: “é possível que uma pessoa passe 2 anos numa escola de negócios sem ponderar sobre o certo e errado em um ambiente empresarial. É preciso incluir soluções práticas para problemas éticos que os estudantes irão enfrentar na vida pós-MBA”.

Mais fôlego para o rádio

22 de maio de 2009 • TEMAS: Propaganda / /

210509_shineA cada ano que passa, os comerciais de rádio vão ficando cada vez mais chatos e irritantes. A maioria das peças parece que são feitas com base em um molde cheio de defeitos causados pelo tempo. A ascensão da mídia digital só agravou a situação, ostentando algo inovador e atual bem na frente do seu primo pobre e velho rádio.

O baixo custo de produção e veiculação transformou o rádio em brigadeiro de festa, todos querem — e o pior, eles podem. Micro e pequenas empresas podem anunciar sem contratar uma agência, pagando apenas o custo da veiculação em troca de spots precariamente produzidos que poluem nossos ouvidos. Em suma, o problema do rádio foi causado pela própria indústria, não simplesmente por agências sem ideias.

Em um momento em que a audiência do rádio tem crescido (alavancado, em parte, pelas rádios online), peixes-grandes da publicidade mundial e outros profissionais de comunicação se reuniram em uma mesa-redonda a convite do Radio Mercury Awards, em Nova York, para discutir os problemas —e as possíveis melhorias— do rádio como investimento de mídia.

Durante cerca de uma hora e meia, 11 profissionais top debateram sobre quais são os problemas que o rádio enfrenta e chegaram a estes cinco:

  • O rádio é tático e imediatista
  • O rádio não ajuda na construção de marcas
  • A grande quantidade de comerciais ruins desmerecem os bons
  • O rádio está sem prestígio. Ninguém fala dela como fala da internet
  • O rádio não é mais popular. Ganhar um prêmio por um spot não é a mesma coisa que por um anúncio

Obviamente, os feras também tentaram vislumbrar alguma saída nesse ardiloso caminho em busca da salvação criativa do rádio. As impressões e comentários deixaram claro que não existe uma resposta e não vai ser nada fácil, mas basicamente passa pela vontade das emissoras em alterar o seu modelo de negócios (como os jornais estão sendo forçados a fazer). Abaixo, eu destaco algumas das partes mais bacanas do bate-papo, na minha opinião:

  • Qual o objetivo de anunciar no rádio? É preciso haver uma estratégia por trás e não apenas anunciar porque é barato. Por exemplo, a rede Motel 6 construiu seu nome a partir do rádio. Para David Fowler, diretor mundial de criação da Ogilvy & Mather, funcionou porque agência e empresa apostaram tudo no rádio. “Era meio óbvio focarmos no rádio, você está dirigindo quando avista um motel”.
  • Mike Shine, criativo da agência do famoso restaurante mexicano Chipotle, diz que usou o rádio pra passar uma imagem de restaurante local e de alta qualidade dos ingredientes. “A ideia era não parecer como uma grande rede de restaurantes, anunciar na TV faria justamente o contrário”.
  • Uma boa ideia é limitar a quantidade de comerciais nos melhores programas da emissora, isso valoriza o anunciante e aumenta o comprometimento. Obviamente, cobrando muito mais por isso.
  • Voltar a valorizar os “testemunhais” e patrocínios de programas. Sempre contextualizado (pra valorizar a marca) e sem exageros.
  • Abrace a internet! Nos EUA, 10% da audiência do rádio é online, pode parecer pouco, mas é muito. O rádio pode ser um meio um tanto limitado, mas os limites desaparecem no momento que elas vão para internet.

210509_capa_e_o_todoSe você precisasse escolher entre capa ou o conteúdo, qual você escolheria?

A capa de um livro é feita para vender, mas todos sabemos que o que vende mesmo é o seu conteúdo. Não compramos um livro pela capa, não vamos a uma sessão de cinema por causa do cartaz, nem compramos um produto só porque a loja é bonita. Tampouco contratamos um funcionário porque ele teve o aperto de mão mais firme. Metaforicamente, a capa é o glacê, deixa o bolo bonito, mas não tem muita substância.

A maioria das empresas é a capa e não o conteúdo. “Se o seu produto não é bom o suficiente, ao menos dê uma boa aparência”, Tim Manners escreveu sarcasticamente em seu livro. Eu diria: se o seu produto já é bom o suficiente, agora dê uma boa aparência.

Aparência é vendas, enquanto conteúdo é marketing. Steve Wozniak criou os computadores Macintosh que eu e você adoramos, mas eles não teriam feito 1/3 do sucesso se o seu parceiro Steve Jobs não tivesse transformado aquele trambolho em algo atraente. Wozniak e Jobs certificaram-se de que tinham um bom produto antes de se preocupar com a “capa”. Primeiro nasceu o conceito “tocador prático de música digital”, depois o formato, a cor e a roda do iPod.

Definir qual vai ser o seu foco —capa ou conteúdo— pode ser fundamental para o sucesso. Eu aconselho fortemente o conteúdo, mas se o seu produto ou loja briga basicamente por preço, talvez focar “na capa” traga mais retorno (já que produtos baratos costumam ser feios). Ser capa não é necessariamente ruim, mas pode ter consequências trágicas se você não souber o que está fazendo. Toda estratégia é válida se for trabalhada como uma estratégia.

O problema é achar uma coisa e ser outra. Sentir-se competente quando todo mundo pensa o contrário, achar que tem um bom produto ou ótimo atendimento quando todos estão falando mal. Lojas que investem milhares de reais em reforma e zero em treinamento de funcionários, acabam atraindo mais clientes, mas como não são capazes de atender às altas expectativas, esses clientes nunca mais se deixam enganar pelas aparências. A razão para priorizar o conteúdo é que, a capa, depois da primeira olhada perde sua importância. No fim, é o conteúdo que leva as pessoas a falarem —para as outras— se você é bom ou não.

000509_autoajuda_blogueirosBlogueiros constituem uma das tribos que mais cresceu nos últimos anos. As razões que levam as pessoas a criarem um blog são diversas, independente disso, a grande maioria começa com uma expectativa baixa. A medida que os comentários e número de visitas aumenta, blogueiros passam a dedicar mais tempo —às vezes dinheiro— e com isso, suas expectativas aumentam. Grande parte das frustrações do ser humano está relacionada às nossas expectativas, quanto mais alta, maior pode ser a frustração. Afinal, onde eu quero chegar? Na verdade, eu acabei de chegar. Aguentaí!

Frustração leva à desmotivação e foi esse estado mental que tanto nos afeta que contribuiu para o boom dos livros de auto-ajuda. E ninguém está livre dela, nem mesmo blogueiros.

Chris Guillebeau escreveu um manifesto chamado “287 Dias Para o Sucesso da Noite para o Dia”, no qual ele relata como conseguiu criar um blog que lhe rende $48,500 dólares por ano. Carinhosamente, eu apelidei o manifesto de “auto-ajuda para blogueiros”, pelo seu espírito motivacional (falei bonito agora). Ele ganha dinheiro fazendo o que gosta, sem veicular anúncios em seu site, e já visitou 107 países. Só pra constar: você não precisa estar desmotivado para ler o manifesto.

Chris se orgulha de ter se tornado um escritor profissional em tão pouco tempo. Mas não é porque ele não precisa bater o ponto que trabalha pouco. Pelo contrário. O americano fala sobre como criar um blog notável, manter relações, amenizar frustrações e, claro, ganhar dinheiro. E para os apressadinhos vou adiantar: “a menos que você que tenhar um enorme e constante número de visitas, esqueça propaganda”.

The Art of Nonconformity não está entre os mais visitados de nenhum ranking, mas conseguiu notabilidade o suficiente para ser citado no The New York Times e MSNBC. A primeira coisa que aprendemos, é que é possível ter um blog de sucesso escrevendo o que gosta e sem se entregar à publicidade e à massa. Recomendo a todo blogueiro (de verdade, não aqueles de final de semana) que leia, é  uma leitura rápida e gostosa. Mas vou destacar alguns pontos interessantes do manifesto.

Domine o mundo
Antes de escrever este manifesto, Chris escreveu “A Estratégia para Dominação do Mundo”, eu não o li, mas pelo que percebi era basicamente sobre ser você mesmo e perseguir seus objetivos. Ele diz que alguns entendem o que isso quer dizer e outros não. Preocupe-se com os que entendem e não dê tanta atenção aos outros. As 6 dicas para você dominar o mundo:

  • Criar uma história atraente e ser notável
  • Deixar claro “o porquê” você faz o que faz (neste caso, o seu blog)
  • Se sentir maior do que realmente você é
  • Construir relações duradouras
  • Introduzir cuidadosamente produtos e serviços (maioria da sua renda vem daí)

Nada agrada a todos
O seu blog não é pra todo mundo, assim como músicas, filmes, partidos políticos e marcas não são. Alguns vão achar você o máximo, outros vão te achar um bosta. Chris Guillebeau diz que recebe muitos emails de pessoas que mostram o quão errado ele está, mas tudo bem, ele recebe muito mais emails de pessoas que o entendem. Você tem que atrair as pessoas certas, e parte desse processo envolve se afastar os errados.

Disciplina
Chris diz que, como escritor, o objetivo dele é escrever 1000 palavras por dia, seis dia por semana. A razão disso é a “sua própria fraqueza”. Se você pula um dia, então é fácil pular outro e perder a motivação. E essa é a mais pura realidade. Além disso, ele sugere algo que eu já costumava fazer aqui no meu blog, deixar material guardado para quando você não puder escrever. Os melhores blogs têm alta frequência de posts e não 2 por mês.

A relação galinha&ovo entre blog e marketing
Eu já comentei que alguns anos atrás criei um ótimo blog de música alternativa (na opinião dos visitantes), mas que não deu certo porque eu não fiz absolutamente nenhum marketing.

Chris faz o mesmo que todo profissional de sucesso: gasta algum tempo construindo e mantendo relacionamentos — através do Twitter, LinkedIn, comentários em blogs, respondendo e-mails, telefonemas e até com alguns encontros ocasionais.

Ele alerta para o pedido de links antes de estabelecer uma relação, não faça isso sem antes deixar claro o porquê do seu blog. E uma última coisa, design é sim importante. Resumo: priorize a escrita e o marketing sobre todos os outros aspectos.

Para terminar, vou deixar um trecho que blogueiros e marqueteiros devem ter em mente: “Escreva como se você tivesse milhões de visitantes. Mas escrever como se tivesse uma grande audiência não significa que você escreve para essa grande audiência. Na verdade, quando eu escrevo meus artigos, eu tento pensar em apenas algumas pessoas e finjo que estou escrevendo diretamente pra eles”.