Arquivo de março de 2009

Hoje, finalmente pus as mãos no livro Relevance — Making Stuff That Matters — que há muito queria ler. Encomendei (num telefonema que durou menos de três minutos) numa pequena e aconchegante livraria a qual sou cliente fiel, fui buscar aproveitei pra tomar um café gelado no infernal calor gaúcho e folhear as primeiras páginas do livro.

Não por acaso a palavra relevância está presente no subtítulo do meu blog. Se eu pudesse resumir o meu objetivo como publicitário, seria “entregar relevância aos consumidores”, em suma, ser relevante para ele. Isso é o que realmente importa no marketing, no mercado e na carreira de um profissional de comunicação & marketing. “A cura [para a epidemia de irrelevância] é a reafirmação da essência do marketing. Que é simplesmente ajudar pessoas a solucionar problemas e viver melhor”.

Tim Manners pesquisou ao todo 87 grandes marcas e realizou 50 entrevistas com os top executivos de marketing dessas empresas. Logo, você pode esperar muita riqueza de opinião dos maiores profissionais de marketing do mundo sobre temas como publicidade, design, inovação, crescimento e valor. O primeiro capítulo chamado “Marketing, não Apartheid” (que você pode ler gratuitamente aqui, em inglês), aborda a falta de relevância na segmentação demográfica — que todos nós aprendemos na faculdade. Aquela que diz que o produto é ideal para jovens, sardentos, estudiosos e de classe A (foi só um exemplo). Tim Manners elegantemente refuta a importância desse tipo de segmentação nos produtos/serviços de hoje, sempre sustentado por opiniões de líderes e ótimos exemplos, como o da Broadway, que conseguiu sair de uma crise e aumentar substancialmente seu lucro ao realizar ações para trazer o público mais jovem. Mas peraí, shows da Broadway são para pessoas mais velhas, ricas e de status? Bem, essa foi uma outra época…

Ok, Twitter, você venceu.

Depois de tanto Twitter nos sites, blogs e fóruns que leio, resolvi atualizar o meu cadastro de 2 anos atrás (quando experimentei e não gostei) e tentar extrair algo de útil dessa onda de micro-blogging. Apesar de eu considerá-lo longe de ser a nova pólvora da internet, estou lá para pelo menos dizer “eu não acredito em Twitter”.

Siga-me no Twitter
.  (seja lá o que isso signifique.) Não prometo muita coisa, mas talvez vocês possam me convencer de que há algo de bom no meio de tanto blá-blá-blá envolvendo o Twitter.

Bônus milionário GoogleQuatro executivos do Google receberam bônus de mais de 1,2 milhões de dólares cada por ajudarem o gigante das buscas a lidar com a crise de maneira positiva.

O valor de mercado da companhia diminuiu em cerca de 120 bilhões de dólares em 2008, refletindo a preocupação de investidores de que a fraca economia mundial cause reduções na receita de publicidade online, origem principal da receita do Google.

O documento entregue pela empresa à SEC não contém informações a respeito do salário anual ou da participação dos executivos em lucros de ações.

Mantendo a tradição, os três principais executivos do Google, Eric Schmidt, Larry Page e Sergey Brin, não receberam bônus, porque já são bilionários. Jonathan Rosenberg, que supervisiona os produtos do Google, recebeu 1, 64 milhões de dólares, a maior recompensa.

Omid Kordestani, principal executivo de vendas da companhia, e Alan Eustace, responsável pela engenharia do Google, ganharam 1,38 milhões de dólares cada. O CFO da líder de buscas online, Patrick Pichette, recebeu um bônus de 1, 24 milhões de dólares.

Fonte: AdNews

Funcionário perdido“Vou providenciar isso e em seguida entro em contato”. Telefone desliga. “Então, Pedro, precisamos fazer essas alterações aqui pro cliente…”

O diálogo acima denuncia que a empresa está enferma. Afetada por um male tão pequeno (mas tão nocivo) capaz de comprometer toda equipe e o desempenho da empresa. A receita é simples: a menos que você trabalhe isolado e não tenha ninguém pra chamar de colega de trabalho, tenha cuidado ao usar a 1ª pessoa do singular.

Mesmo que você tenha realizado uma tarefa sozinho, evite dizer “eu fiz”. Principalmente se você for chefe de alguém. Uma coisa é você dizer e fazer e outra coisa é você dizer e os outros fazerem. Em ambos os casos, eu volto a dizer, evite usar o Eu! Hoje praticamente nada é feito por uma única pessoa, para se concluir é necessário que exista condições suficientes pra isso. E quem criou essas condições foi você também? Uma vez que o Eu tenha disseminado pela sua equipe, a equipe deixa de existir.

Joseph Michelli, consultor e fundador da Lessons for Success, disse uma vez que funcionários copiam os chefes. A verdade é que os colaboradores da empresa têm duas opções: eles copiam o chefe ou fazem justamente o contrário. Funcionários podem não seguir os chefes, mas todos seguem um bom líder.

Dizer “eu fiz”, “eu criei”, “eu vou resolver” “eu”, “eu”, “eu”… Só demonstra o quanto você e sua empresa não se importam com os colegas e a equipe. Até um detalhe como esse pode interferir no desempenho da empresa. A diferença entre um bom e um excepcional líder é a preocupação com os detalhes. Estimular o “nós” é um grande e importante detalhe a ser praticado.

O ser humano tem a incrível capacidade de criar conceitos e significados a partir de coisas tão pequenas. Você talvez não tenha se dado conta da presença do Eu no seu dia a dia, nunca é tarde pra melhorar. Agora se você está ciente do Eu, e praticamente anda de mãos dadas com ele, abandone-o ou ele será a única a pessoa que restará quando todas as outras se forem.

Por Seth Godin

Uma amiga fez um anúncio no Craiglist procurando por uma secretária do lar.

Três interessantes currículos se destacaram. Minha amiga googleou cada um dos nomes.

O primeiro levou a uma página do MySpace onde havia a foto da candidata bebendo cerveja num funil. Na parte de hobbies, a primeira fase dizia: “beber com os amigos”.

O segundo nome levou a um blog pessoal (realmente bom). O post mais recente dizia algo como “Eu me candidatei a um tipo de trabalho serviçal que está abaixo de mim e eu estou me sentindo desconfortável com isso. Eu com certeza o deixarei no minuto que eu vender alguns quadros.”

E o terceiro? Havia seis resultados, o sexto era da polícial local indicando que o candidato havia sido preso, dois anos antes, por furtar uma loja.

Três por três. O Google nunca esquece.

Claro, você não tem que ser bêbado, ladrão ou fracassado amargurado pra perder uma chance de emprego precocemente. Tudo que você faz agora acaba ficando na sua ficha permanente. O melhor plano é sobrecarregar o Google com uma longa lista de coisas boas e sempre agir como se você estivesse sendo filmado, porque você está.

Game tester o emprego perfeito

Quando criança, eu queria ser piloto de avião ou policial até eu descobrir que podia ser ambos — sem arriscar a minha vida — jogando videogame. Então, trabalhar jogando games passou a ser meu emprego dos sonhos, e assim foi durante muito tempo. Até eu cair na realidade e perceber que tudo não passava de um sonho mesmo, como ter super-poderes ou ser criança pro resto da vida.

Folheando o Zero Hora de ontem, vi o anúncio (acima) da Ubisoft contratando game tester em Porto Alegre. Por um minuto, me senti tão perto daquele sonho de infância. Mas a realidade resolveu atrapalhar novamente. O anúncio requisitava SVN, conhecimento básico em regressão, smoke usability, experiência em planos de teste, bug-track tools! Que raios é tudo isso? Tudo que a realidade me forneceu foi a paixão por games e boa comunicação em inglês. Isso deveria ser o bastante. Pelo visto, só nos meus sonhos mesmo…