\ Agricultura é um investimento. Você gasta dinheiro esperando receber mais do que gastou. Você não sabe quando será, mas sabe que se fizer direito, terá uma colheita recompensante. A recompensa é o resultado de investir e cultivar. Sorte também, mas não vamos contar com o que está fora do nosso alcance.

A receita de empresas de sucesso também são apoiadas nesses dois verbos, investir e cultivar . Elas investem pesado em infra-estrutura, pesquisas e novos produtos, mas nem todas criaram o hábito de cultivar seus clientes. E aqui vai o curioso: é muito mais barato cultivar, tudo que você tem a fazer é tratá-los de forma mais próxima e menos “engessada” possível.

A chegada da internet subverteu isso. Ficou mais fácil de investir — uma vez que os custos da atividade online são menores — porém mais difícil de cutivar. Clientes ficaram durões e as empresas tiveram que aprender a tirar leite de pedra sendo mais flexíveis. A essência da internet é grátis, você dá e compartilha e procura uma maneira menos agressiva de lucrar com isso. Foi assim que o Yahoo, Google e Facebook ganharam bilhões sem cobrar um centavo. Oferecendo de graça.

Essa estratégia se mostrou muito lucrativa nos últimos anos. Porém, não há um modelo de negócios padrão. Evan Williams, Chad Hurley, Mark Zuckerberg, Kevin Rose e outros, todos sofreram pra fazer sua cria dar frutos sem cobrar pelo serviço.  Lembra do tempo que você precisava de senha pra acessar quase tudo nos grandes portais? As empresas perceberam que isso não era nada lucrativo. Hoje, (quase) tudo é de graça.

Você pode ler os jornais The New York Times, Wall Street Journal, El País, Financial Times, Le Monde. Pode ler as revistas Wired, NME, Business Week e The Guardian. Claro que não é o mesmo conteúdo do impresso, mas é com a mesma qualidade. Semana passada eu li um artigo no site da Newsweek  antes da revista sair! Você também pode mandar SMS e assistir programas de TV. Tudo isso sem gastar um centavo. O que as empresas ganham com isso? A sua audiência, que cedo ou tarde resultará em algum lucro para a empresa.

A má notícia é o que embora o Brasil seja o país que mais se fica conectado na internet, as empresas ainda não estão voltadas para eles. Agora vou fazer algo que o Jornal Nacional já faz há algum tempo, comparar o Brasil com os Estados Unidos.

Eu acabei de ler que a internet já é a 2ª maior fonte de informação dos americanos, atrás apenas da televisão. Disso não podemos reclamar, temos ótimos sites de notícias por aqui. Mas se as pessoas se interessam por notícias na internet, elas também devem se interessar por colunas, matérias, artigos, pesquisas…e nisso, a internet brasileira é muito pobre ou mesquinha.

Faça uma comparação, entre no site da revista Time e entre no da Veja. Ambas oferecem o que há de melhor em notícias e matérias semanais em suas edições impressas. Mas e quanto ao site? A Time oferece artigos próprios; a Veja publica notícias de agências. A Time diz “compre um pedaço da história”; a Veja diz “assine”. Todo o site da Veja converge para um único ponto: fazer você assinar a revista. Enquanto o site da Time se preocupa em informar, o que leva o leitor a pensar “todos os dias eu entro nesse site e encontro algo interessante, eu deveria assinar a revista”.

Minha leitura online se resume quase que basicamente a blogs e sites internacionais, pois há pouco conteúdo de qualidade na nossa querida língua portuguesa (uma exceção e outra). A seguir, exemplos de veículos que aprenderam a sair do papel: NME, Wired, Times, The Guardian, The Wall Street Journal e Business Week. Esses veículos aprenderam a usar o potencial da internet a seu favor, abaixo listei algumas de suas principais características.

  • Entende que site é site, impresso é impresso. Cada um caminha sobre as próprias pernas, com a mesma qualidade.
  • Cadastro é uma escolha e não requisito. E deve estar sempre vinculado a vantagens
  • Não possui nenhum ou quase nenhum conteúdo restrito. (ex: a AdAge restringe o acesso a artigos de colunistas renomados, no entanto, só após alguns dias.)
  • O espaço para propaganda da edição impressa é discreto
  • Oferece conteúdo exclusivo, artigos completos e ótimos colunistas
  • Realmente estimula a interatividade, sem medo. (o maior exemplo que eu vi foi um autor deixar seu email e telefone.)