Arquivo de fevereiro de 2009

Olhando para dentro

Mary Champaine era uma gerente de uma loja da Starbucks que já recebera mais do que sua quota de problemas pessoais. O filho foi morto em um crime violento e o marido morreu de câncer. Ademais, antes de ir trabalhar na Starbucks, ela havia perdido o emprego em uma empresa que fora à falência. Apesar de toda a confusão pessoal, Mary tinha um comprometimento fora do comum com a equipe e sua loja. Durante uma greve de ônibus em Los Angeles, ela passava para pegar os funcionários e levá-los para o trabalho. Com o espírito de ser acolhedora e autêntica, ela estendeu esse serviço também aos clientes regulares.

Tendo notado que o prêmio da loteria da Califórnia estava acumulado em US$87 milhões, Mary conversou com sua equipe sobre a compra de bilhetes e recolheu $1 dólar de cada funcionário, com exceção de dois que não estavam trabalhando. De acordo com um artigo da Associated Press, Mary revelou: “Eu apenas procurei no fundo de minha bolsa e encontrei troco suficiente para incluir todos os funcionários. Nós aqui somos uma equipe”.

Inacreditavelmente, Mary ganhou o grande prêmio. De acordo com a lei da Califórnia, Mary tinha o direito de ficar com os US$87 milhões só pra ela, mas, para a surpresa de todos, Mary decidiu dividir o prêmio em partes iguais! Em entrevista à CNN, Mary ponderou: “Aqui na Starbucks, nós trabalhamos em equipe e apoiamos uns aos outros. Se eu tivesse ficado com todo o dinheiro, não seria parte da equipe e tudo pelo que tenho trabalhado equivaleria a nada”.

Apesar de saber que muitos poderiam deixar de trabalhar na Starbucks para abrir seus próprios negócios, Mary comentou que esperava que alguns ficassem pelo menos por um tempo. Como a funcionária Leah Coley atestou, “sem a Mary, isso não teria acontecido”.

Moral da história: Mary dificilmente teria a mesma atitude se trabalhasse em uma empresa que não se preocupasse tanto com as pessoas, sejam eles funcionários ou clientes. Embora a maioria dos gestos de consideração no trabalho não sejam tão extraordinários como esse, eles certamente podem fazer a diferença quando a direção da empresa valoriza (e prioriza) eles. A consideração e os líderes incentivam os funcionários a acrescentar um toque pessoal ao conceito. É nessa atmosfera de liderança que o comum pode se transformar em algo extraordinário.

Sendo autêntico

Era sábado quando chegou uma mulher que estava emocionalmente em ruínas. Era sua primeira visita e o nosso menu pode ser um pouco intimidante, então ela pediu café simples. Perguntamos se ela tinha certeza, se não preferia experimentar mais nada, ela explicou que estava confusa e arrasada, e parecia que ia chorar. Nesse meio-tempo, mandamos alguém preparar um Toffee Nut Latte (Expresso com leite vaporizado, calda de nozes e caramelo com chantili), por que quem não gosta de um? Nós dissemos: esqueça o café simples, fizemos este Toffee Nut Latte pra você experimentar, hoje é por conta da casa. Ela ficou emocionada, foi embora e não pensamos muito no assunto, a não ser pela nossa felicidade em tê-la ajudado.

Alguns dias depois, recebemos flores em agradecimento por “ter salvado a vida dela”. A carta explicava que ela estava num dia péssimo. Depois de ter passado em nossa loja, ela se sentiu reconfortada, conseguiu administrar seus problemas e até ajudar outra pessoa a se sentir melhor. Hoje ela é uma das nossas clientes habituais.

Moral da história: A barista Angela e seus colegas tomaram a iniciativa de criar uma experiência muito além do que o cliente esperava. Ser autêntico e agir como se a empresa fosse sua. Mas, claro, a empresa tem que dar essa liberdade aos funcionários. E sabemos que isso é tão raro de ver quanto Papai Poel sem barba.

***Extraído do livro A Estratégia Starbucks***

Nokia vendendo notebooks?

26 de fevereiro de 2009 • TEMAS: Notícias / Tecnologia / / /

Nokia notebooksQue deus nos acuda é esse que envolve a indústria de computadores e telefones celulares? A chegada da internet (wap não conta) aos celulares tem gerado uma espécie de pega-no-meu que eu-pego-no-seu. Tudo começou quando a Apple lançou um celular e o Google foi no embalo. Eu lembro que me perguntei “como assim uma empresa de internet vai lançar um celular?” Depois rolou o boato que a Microsoft lançaria o Zune Phone. A Dell então foi lá e também disse a mesma coisa. Já em 2009, a bem-conhecida fabricante de laptops Accer anunciou sua primeira linha de smartphones,  Tempo, que ainda não tem data de lançamento.

“Se a Accer pode fazer smartphones, por que não podemos fazer laptops?”, devem ter pensado os executivos da Nokia. Ontem à noite, o CEO da gigante finlandesa, Olli-Pekka Kallasvuo, disse que a Nokia está considerando entrar no segmento de laptops. “Nós não precisamos observar durante cinco anos pra ver que o que nós sabemos sobre celular e o que nós sabemos sobre computadores estão convergindo de diversas maneiras. Hoje, nós temos centenas de milhões de pessoas tendo sua primeira experiência com a internet através de um telefone. Esse é um bom indicativo”, disse Kallasvuo em uma entrevista à rede finlandesa YLE. O que, talvez, o presidente da Nokia não tenha percebido é que o segmento em expansão é o de smartphones, não o de laptops.

Essa mistura de marcas nos segmentos de celulares e laptops não soa muito bem pra mim. Parece que empresas ao redor do mundo estão seguindo um modelo de negócios muito difundido no Japão, estender a sua marca a diversos segmentos (ex: Sony, Mitsubishi. Porém, a marca japonesa número 1 de hoje é a Toyota. Em quantos segmentos ela atua mesmo?). Ao menos num futuro próximo, eu não conseguirei pensar no Google ou Accer quando pensar em comprar um celular. Tampouco me vejo usando um laptop Nokia. Acho que é como Al Ries disse: em um segmento, a gente tem apenas 2 ou 3 slots para marcas. E nesses 2 segmentos, os slots dos consumidores já estão com fila de espera.

Fonte: Trusted Reviews

Mais um banner gigante na página inicial do site da Business Week, e a receita foi a mesma da Dell —mostrado aqui algum tempo atrás—, só que além do tamanhão, o banner ficava acima do conteúdo do site em um lugar onde não se costuma ter publicidade. Como eu me surpreendo com a flexibilidade da internet!

[Clique para ampliar]

Ganhadores do Oscar Slumdog MillionaireComo um filme de elenco indiano de “apenas” $15 milhões de dólares ganhou 70 prêmios, incluindo o prêmio máximo dos três maiores festivais de cinema do mundo?

“Quem Quer Ser um Milionário?” ganhou 8 dos 10 Oscars que concorreu e desbancou a mega-produção estrelada pelos astros Brad Pitt e Cate Blanchett que custou nada menos que $150 milhões.

Se fossemos fazer um cálculo de ROI (Retorno do Investimento), ficaríamos pasmos com o desempenho do filme de Danny Boyle. Ao todo, o filme recebeu um total de 99 indicações sendo 70 convertidas em prêmios, ou seja, 70% de aproveitamento. Em contrapartida, o filme de David Fincher, O Curioso Caso de Benjamin Button com Brad Pitt no elenco e produzido pelas colossais Paramount e Warner, recebeu 89 indicações, mas apenas 17 resultaram em prêmios, ou seja, menos de 20%. Agora falando no que realmente importa para a indústria, Quem Quer Ser um Milionário arrecadou até agora $90mi e O Curioso Caso de Benjamin Button algo em torno de $122 (fonte: Cinema em Cena e E-Pipoca), porém, o filme de Benjamin teve uma distribuição muito superior ao de Jamal.

Danny Boyle fez o que executivos, publicitários e empreendedores buscam todos os dias: conquistar muito, gastando pouco. Mas qual a receita?

Ele utilizou algo que se tornou um tanto popular no modelo de gestão de empresas como a Starbucks: simplicidade. Não foi preciso atores famosos, locações refinadas ou qualquer efeito especial para fazer de Quem Quer Ser um Milionário um sucesso unânime. Ao contrário, O Curioso Caso de Benjamin Button teve tudo isso e ainda tem sofrido pra dar lucro aos estúdios.

A receita do sucesso desse despretensioso filme inglês/indiano é a simplicidade. História simples e acessível a todos; personagens simples com uma pequena dose de complexidade, mas que despertam a empatia do público; produção simples e sem efeitos especiais.

É difícil tornar mágico algo complexo. Quanto mais recursos você tem, mais coisas há para se preocupar e menos tempo para se dedicar a cada um deles. Eu assisti ambos e gostei. Mas enquanto um é complexo, lento e obscuro, o outro é simples, ligeiro e (de certa forma) alegre. Ambos são ótimos filmes, o que os diferencia é a sensação que sentimos quando as luzes se acendem. Uma sensação que todas as grandes marcas estão procurando, e não importe o quanto elas gastem tentando criá-la, porque o importante não é quanto é como.

Qual a sua vocação?

20 de fevereiro de 2009 • TEMAS: Carreira / /

Antes que a loucura do carnaval chegue, reflita sobre esta mensagem de Max Gehringer.

PS: É um arquivo em áudio e como ele toca automático, coloquei em outra página pra não iniciar toda vez que você acessar o blog. Só clicar pra continuar.

Read the rest of this entry »

Olhe para o desenho ao lado. Ele foi feito por Neil French (ex-diretor de criação global da WPP) para exercitar a arte da omissão e reducionismo. O desenho possui todos os elementos básicos de um anúncio, título, corpo de texto, assinatura, logo e imagem. A questão é: precisamos de tantos elementos pra passar a mensagem?

O objetivo é reduzir o anúncio a uma só coisa. Às vezes é o título, às vezes a imagem. Para Neil, cada elemento que você adiciona ao layout reduz a importância dos outros. Por outro lado, cada elemento que você retira, aumenta a visibilidade e importância do que restou.

É realmente difícil de por em prática, principalmente com 99% dos clientes querendo gastar toda sua munição com um único tiro. Mas não custa tentar.

Exercício 1 (dificuldade razoável): Podemos fazer o anúncio acima sem o corpo de texto? Talvez nos esforçando um pouco mais no título, podemos?

Resultado:

Exercício 2 (dificuldade média): E a assinatura? Traz alguma informação nova? Não? Então tire.

Resultado:

Exercício 3 (dificuldade alta): Quanto ao título, existe algo que a imagem possa fazer a respeito? Tente.

Resultado:

Exercício 4 (dificuldade mortal): E a logo? Calma, não precisa ficar com medo de ser degolado pelo cliente. Apenas considere o seguinte: há alguma possibilidade de incorporar a logomarca ao visual? Se sim, faça (e reze).

Resultado ideal:

Novo logo Kraft Foods | Ceu de Inverno blog
Na terça-feira, a Kraft Foods anunciou o seu novo logotipo. O detalhe é que esse logo será usado apenas de forma institucional e não aparecerá nas embalagens dos produtos. A CMO (Chief Marketing Officer) Mary Beth West explica o porquê disso, e outras coisas, em uma entrevista.

O que é exatamente esse novo logo e identidade corporativa para a Kraft?
Para nós, é uma grande oportunidade de definir, unir e inspirar nossos funcionários em torno de um único propósito e definir valores e comportamentos gerais, e também criar a oportunidade de termos um propósito claro, uma razão para acordarmos todas as manhãs.

Como a idéia desse novo logo surgiu? Por que criar um novo logo e nova identidade corporativa afinal?
Esse foi um passo muito lógico no processo de mudança que está ocorrendo na empresa, enquanto nós moldamos uma nova Kraft Foods e crescemos para nos tornar a primeiro da fila em termos de desempenho corporativo. A jornada que percorremos foi totalmente colaborativa. Uma combinação do que captamos de funcionários e consumidores, além de uma aprofundada observação dentro e fora das grandes empresas.

E por que enfatizar o “delicioso”? Vocês podiam ter escolhido qualquer coisa.
Nós acreditamos no nosso portifólio e no nosso posicionamento como a 2ª maior empresa de alimentos do mundo que você não pode chamar nenhuma outra empresa dessa forma. Acreditamos também que isso irá nos ajudar nas decisões daqui pra frente.
Nós amamos o fato de “delicioso” servir em vários níveis. Não apenas sobre a nossa comida ou o sabor delas. Isso, claro, vem primeiro, mas também pelas receitas e as diferentes formas que nós as oferecemos para todos os estilos de vida.

Por que separar a Kraft empresa da identidade de marca?
No final do processo (quando decidimos o slogan), “Faça o Hoje Gostoso”, nós olhamos para nossa identidade institucional…nós sentimos que havia uma oportunidade de reinventá-la e tinha que ser em uma representação visual do slogan faça o hoje gostoso.

[Leia a entrevista na íntegra, em inglês]

\ Agricultura é um investimento. Você gasta dinheiro esperando receber mais do que gastou. Você não sabe quando será, mas sabe que se fizer direito, terá uma colheita recompensante. A recompensa é o resultado de investir e cultivar. Sorte também, mas não vamos contar com o que está fora do nosso alcance.

A receita de empresas de sucesso também são apoiadas nesses dois verbos, investir e cultivar . Elas investem pesado em infra-estrutura, pesquisas e novos produtos, mas nem todas criaram o hábito de cultivar seus clientes. E aqui vai o curioso: é muito mais barato cultivar, tudo que você tem a fazer é tratá-los de forma mais próxima e menos “engessada” possível.

A chegada da internet subverteu isso. Ficou mais fácil de investir — uma vez que os custos da atividade online são menores — porém mais difícil de cutivar. Clientes ficaram durões e as empresas tiveram que aprender a tirar leite de pedra sendo mais flexíveis. A essência da internet é grátis, você dá e compartilha e procura uma maneira menos agressiva de lucrar com isso. Foi assim que o Yahoo, Google e Facebook ganharam bilhões sem cobrar um centavo. Oferecendo de graça.

Essa estratégia se mostrou muito lucrativa nos últimos anos. Porém, não há um modelo de negócios padrão. Evan Williams, Chad Hurley, Mark Zuckerberg, Kevin Rose e outros, todos sofreram pra fazer sua cria dar frutos sem cobrar pelo serviço.  Lembra do tempo que você precisava de senha pra acessar quase tudo nos grandes portais? As empresas perceberam que isso não era nada lucrativo. Hoje, (quase) tudo é de graça.

Você pode ler os jornais The New York Times, Wall Street Journal, El País, Financial Times, Le Monde. Pode ler as revistas Wired, NME, Business Week e The Guardian. Claro que não é o mesmo conteúdo do impresso, mas é com a mesma qualidade. Semana passada eu li um artigo no site da Newsweek  antes da revista sair! Você também pode mandar SMS e assistir programas de TV. Tudo isso sem gastar um centavo. O que as empresas ganham com isso? A sua audiência, que cedo ou tarde resultará em algum lucro para a empresa.

A má notícia é o que embora o Brasil seja o país que mais se fica conectado na internet, as empresas ainda não estão voltadas para eles. Agora vou fazer algo que o Jornal Nacional já faz há algum tempo, comparar o Brasil com os Estados Unidos.

Eu acabei de ler que a internet já é a 2ª maior fonte de informação dos americanos, atrás apenas da televisão. Disso não podemos reclamar, temos ótimos sites de notícias por aqui. Mas se as pessoas se interessam por notícias na internet, elas também devem se interessar por colunas, matérias, artigos, pesquisas…e nisso, a internet brasileira é muito pobre ou mesquinha.

Faça uma comparação, entre no site da revista Time e entre no da Veja. Ambas oferecem o que há de melhor em notícias e matérias semanais em suas edições impressas. Mas e quanto ao site? A Time oferece artigos próprios; a Veja publica notícias de agências. A Time diz “compre um pedaço da história”; a Veja diz “assine”. Todo o site da Veja converge para um único ponto: fazer você assinar a revista. Enquanto o site da Time se preocupa em informar, o que leva o leitor a pensar “todos os dias eu entro nesse site e encontro algo interessante, eu deveria assinar a revista”.

Minha leitura online se resume quase que basicamente a blogs e sites internacionais, pois há pouco conteúdo de qualidade na nossa querida língua portuguesa (uma exceção e outra). A seguir, exemplos de veículos que aprenderam a sair do papel: NME, Wired, Times, The Guardian, The Wall Street Journal e Business Week. Esses veículos aprenderam a usar o potencial da internet a seu favor, abaixo listei algumas de suas principais características.

  • Entende que site é site, impresso é impresso. Cada um caminha sobre as próprias pernas, com a mesma qualidade.
  • Cadastro é uma escolha e não requisito. E deve estar sempre vinculado a vantagens
  • Não possui nenhum ou quase nenhum conteúdo restrito. (ex: a AdAge restringe o acesso a artigos de colunistas renomados, no entanto, só após alguns dias.)
  • O espaço para propaganda da edição impressa é discreto
  • Oferece conteúdo exclusivo, artigos completos e ótimos colunistas
  • Realmente estimula a interatividade, sem medo. (o maior exemplo que eu vi foi um autor deixar seu email e telefone.)

Na nova temporada de 24 horas, que estreou nos Estados Unidos no mês passado, a UCT deu lugar ao FBI, e parece que lá o Windows Vista comanda. Nas temporadas anteriores, não lembro de ter visto o uso de algum sistema operacional familiar na tela dos computadores da UCT, posso estar enganado, mas acho que Dell e Windows investiram legal pra aparecer de tal maneira em uma das séries de maior audiência da Fox. (Se alguém puder esclarecer, só deixar um comentário.)

O estilo nervoso de filmagem da série contribuiu para evidenciar ainda mais a marca Dell na cena em que 2 analistas do FBI tentam evitar o milhonésimo ataque terrorista aos Estados Unidos.Assistam a cena aqui e me digam se acharam normal ou exagerado.