Tim Manners divulgou em seu site uma interessante pesquisa sobre a importância de se pensar como líder. Se você é publicitário e acha que escapou dessa, está enganado meu amigo, a pesquisa demonstra que as agências de publicidade têm papel fundamental nesse assunto antes tão restrito a gestores e executivos.

A expressão em inglês “thought-leader” — que aqui eu vou chamar de líder pensador pra facilitar — é designado àquelas pessoas visionárias, que pensam longe, e são reconhecidas por trazer idéias novas e promovê-las com entusiasmo e confiança.

Na última década, muito tem se pregado sobre liderança (82% disseram ter aumentado a pressão por liderança nos últimos 5-10 anos), mas esta pesquisa coloca em dados o que tantos abordam somente com palavras. Na penúltima edição da revista The Hub — na qual Tim é editor-chefe — , um executivo da Kimberly-Clark comentou: “nós estamos desafiando nossas agências a nos desafiar, se manter atuais e não apenas executores, mas também a exercer o papel de líder conosco”.

Até algum tempo atrás eu pensava que liderança fosse uma característica inata, se você é líder é lider desde criancinha, se você não é, não adianta tentar. Hoje, eu vejo mais como uma habilidade a ser desenvolvida. Quando criança, eu passava boa parte do tempo calado e com vergonha na presença de estranhos. Eu mudei, e hoje falo numa mesa lotada ou numa apresentação com a mesma empolgação que converso com amigos. Como disse Thoreau, “as coisas não mudam, nós mudamos”. Nem todo mundo é líder hoje, mas todos podem se tornar um.

Entre os pesquisados, apenas 45,6% dos pesquisados se consideram líderes, o restante não se considera ou se considera às vezes. Mas assim como não existe meio-tímido, não existe meio-líder. Ou seja, mais da metade dos pesquisados não se consideram líder numa época onde a demanda por líderes é enorme. Tenho uma leve impressão que isso é a oportunidade que todos esperam! O que você está esperando?

Mas o que faz uma pessoa se destacar como líder? Difícil dizer, mas arrisco dizer que começa com ambição pessoal e definição dos objetivos de vida. Como pode haver liderança quando não se sabe aonde quer chegar? Deixando essa complexa questão humana de lado, há uma série de medidas que as empresas podem tomar para estimular a liderança dos seus funcionários. Porém, as mais efetivas não envolvem dinheiro. Somente 1/4 dos entrevistados disseram que aumentos e benefícios estimulam o espírito de líderança dentro da empresa em que trabalham. A grande maioria disse que “reconhecimento pessoal” e a “cultura organizacional” são, de longe, os incentivos mais eficientes.

Quando perguntados sobre a importância do pensamento de líder para retenção de clientes nas agências de publicidade, apenas 3% respondeu “nenhuma”. E eu achando que como publicitário não tinha como ser líder…

O gráfico acima mostra uma das coisas mais interessantes da pesquisa: liderança é importante em praticamente tudo. Se existe algum desafio, por menor que seja, então um líder faz a diferença. Seja para gerar crescimento, construir identidade de marca, manter o bom retorno dos investimentos, fidelizar clientes e, acima de tudo e de todos, INOVAR. Inovação é uma linda palavra que muitas empresas adoram usar, mas poucas tem profissionais com colhões para correr o risco que a inovação demanda.

Ter líderes pensadores é fundamental para desempenhar isso. A questão é que nos dias de hoje, as empresas precisam disso tudo para sobreviver. Essa é a prova de que sem atitude de líder, empresas e profissionais estão fadados ao fracasso, ou na melhor das hipóteses, a cair na profunda vala da mediocridade. E eu temo imensamente ambos.

Veja a pesquisa completa aqui.