Arquivo de setembro de 2008

Fumar e fazer cooper

30 de setembro de 2008 • TEMAS: Filosofando / Negócios /

Hoje, no horário do rush da ida ao trabalho, um cara com roupa esportiva me chamou a atenção. Ele fazia sua caminhada matinal bem no centro da cidade e, calmamente, fumava um cigarro enquanto caminhava a passos ligeiros. Eu sei que fumantes também praticam exercícios, mas nunca tinha visto realizarem as duas atividades ao mesmo tempo.

Isso me fez pensar numa analogia quase surreal: há um monte de empresas fazendo cooper e fumando ao mesmo tempo. Empresas que fazem o certo, mas não deixam de fazer o errado. Se ter sua imagem afetada por ações tão contraditórias não for suficiente, pense na produtividade. Empresas que exigem resultados sem motivar seus funcionários; que até motivam com palavras, mas pagam uma miséria; as que investem pesadamente em infra-estrutura e esquecem de investir em mão de obra. Atitudes contraditórias como essas geram nada mais do que confusão mental e baixa produtividade.

É óbvio que praticar caminhadas matinais, mesmo sendo um fumante, traz benefícios assim como investir em máquinas novas e ter os mesmos enferrujados funcionários. O problema é que isso é estupidez. É se contentar com o meio e não fazer questão do todo.

A bolha estoura de dentro

29 de setembro de 2008 • TEMAS: Carreira / /

Um filme que retrata as angústias e temores de forma visceral e incontida de um jovem executivo promissor. É assim que descrevo o filme August, com Josh Harnett. Achou minha descrição um tanto obscura — ou enfeitada? Então assista o filme.

Neste momento deixo de ser apenas crítico e me torno crítico DE cinema…

O filme não tem exatamente um enredo, ele tem cenário, personagens e um contexto interessantíssimo — além de palavrões. Tom Sterling junto com seu irmão, abriu um portal quando o negócio mais promissor do mundo era a internet, a famosa bolha da internet . Assim como muitas outras empresas entre 1996 e 2001, sua empresa cresceu rápido  e chegou a valer quase 400 milhões de dólares na Nasdaq — e assim como muitas dessas empresas, elas quebraram tão rápido quanto cresceram. A de Tom estava muito perto disso. O filme se passa em um momento crítico para os EUA, algumas semanas antes dos ataques de 11 de setembro e bem no meio da tempestade causada pelo estouro da bolha. Em outras palavras, o mercado estava um caos!

Tom é um jovem CEO de lábia e colhões de aço, conquistador e de pulso forte, ainda jovem experimentou o que é valer milhões. Seu talentoso irmão, junto com outros dois jovens executivos, compõem a parte prudente e profissional da empresa, que vinha enfrentando crises e mais crises com o declínio de suas fontes de renda, sem saber o que fazer, Tom enfrenta todos os tipos de dificuldades, profissionais e emocionais.

Daqui pra frente, o filme é inexplicável. Não necessariamente bom, mas vale assistir pelo contexto e diálogos interessantes. O que eu consegui extrair do filme é que assim como uma pessoa pode construir uma empresa, ela pode destruir. Atente para o seu jeito, seu comportamento, meça suas palavras; em suma, seja profissional. Você pode ter muito talento, mas ninguém está disposto a aturar sua arrogância em troca dele.

Descobri recentemente O  Se a sua empresa não é uma das melhores empresas para se trabalhar (e até que seja), você precisa do Dicionário de Besteiras Corporativas (The Dictionary of Corporate Bullshit).

Ataques de choro no banheiro, a absurda sensação de injustiça, a desvalorização do seu trabalho, frustração, a vontade de arrancar o pescoço de alguém são mais comuns do que você imagina. Saiba que você não está sozinho nessa.

No mundo dos negócios, se você não utiliza termos técnicos e expressões de falsa camaradagem, você está perdido. A receita do sucesso é agir não da sua maneira, mas da maneira que seu chefe e seus clientes querem. Este livro diz tudo que você precisa saber pra ser adorado pelos chefes, e mais do que isso, ser bem sucedido na sua carreira, falando bonito ou vazio, como queiram chamar. Uma vez eu ouvi um executivo de uma grande agência dizendo que ninguém chega aonde ele chegou sem mentir. Mas o dicionário não incentiva a mentira, apenas uma encenação. Ora, a TV e o cinema vive à base disso, por que não podemos também?

Pessoas deixaram de se comunicar. Elas deixaram de conversar como pessoas normais. Expressões como “até o final do dia”, “me mantenha informado”, “urgente”, “comprometimento” e “inovador”  perderam seu sentido.

O autor comenta que quando era jovem, era tão otimista, ambicioso e tudo que queria era trabalhar duro e bem, achar o seu lugar no mercado de trabalho. Foi uma surra atrás da outra, a tentativa de tentar achar sentido em ações sem sentido foram em vão. “Se eu apenas soubesse, na época, o que eu sei agora…”, lamenta. Sua receita: esqueça os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, gaste mais tempo puxando saco, rindo sarcásticamente, cortando o seu cabelo e jogando golfe.

O livro ensina a linguagem corporativa como elas realmente são, nua e crua. Abaixo algumas definições:

Isso não é um problema; 1. a negação da existência de desagradável situação 2. “quem foi que disse que isso era um problema?, como a palavra problema entrou nessa discussão?”

Me mantenha informado; 1. pedido individual sobre o andamento de um problema ou projeto; 2. o que significa: “Eu vou esquecer esse assunto até que você volte a mencioná-lo, então por favor, mencione”. 3. “Eu não confio em você pra tomar conta disso sozinho, então não esqueça de me dizer tudo que está fazendo”, “Eu não quero pensar nisso, apenas me informe se acontecer alguma merda.”

Almoço; 1. refeição do meio dia; 2. O periodo permitido pela empresa para se deixar o escritório em nome da comida, mas que frequentemente você não usufrui. 3. Há vários motivos por trás de um almoço, se alguém lhe convida, pode ser para: a) esperançosamente te pedir um trabalho; b) esperançosamente pedir que você fale dele para o seu chefe; c) criar uma aliança para ferrar alguém no trabalho.

Chefe; 1. Superior; 2. Uma pessoa que muda tudo, distorce os fatos, etc., que tem autoridade e a habilidade de te controlar, falar o que fazer e te fazer sentir uma merda, simplesmente porque foi ele quem o contratou  — e não porque ele é mais esperto ou pode fazer melhor, de fato, ele provavelmente o contratou para você poder fazer o trabalho dele.

Obrigado; 1. Expressão de gratidão; 2. Dito pelos superiores quando eles estão dando uma ordem, não exatamente uma expressão de apreciação ou de agradecimento, mas uma forma de pontuar, demandar e por fim a uma discussão que na verdade nunca foi uma discussão; 3. Um tapa em forma de cordialidade, ex: “se você for ficar fora da sua mesa mais de 15 minutos, você precisa me dizer, obrigado”; “aquele relatório precisa estar completo até segunda. Obrigado”.

Aqui está um exemplo que demonstra o alto poder de fogo de uma das características mais procuradas no mundo corporativo hoje, e não apenas na propaganda. To falando da criatividade.

Em uma época onde “menos é mais” e a propaganda convencional tem perdido cada vez mais o brilho, ações baratas que surpreendam o consumidor — vide marketing de guerrilha —  ganham cada vez mais espaço. E aí, meu amigo, minha amiga, tem que por a caixola pra funcionar em um verdadeiro tira-teima da criatividade.

A ação abaixo é uma dos maiores exemplos de criatividadade que vi nos últimos meses. E agora vem o mais impressionante: custo de produção beira a zero.

A companhia aérea alemã, Germanwings, utilizou a rede de internet sem-fio de um aeroporto para divulgar suas promoções de forma simples. Criou diversas redes, nomeando cada com uma com ofertas especiais. O que fazia cada pessoa ver as ofertas da Germanwings antes mesmo de se conectar à internet.

Qualquer uma das redes te levaria à internet, mas não sem abrir uma página especial com a oferta em seu navegador. Sweeet!

  • Anúncios coloridos têm 42% mais chances de serem lidos do que os p&b.
  • Azul é a cor mais calmante dentre as primárias, seguida de perto pelo vermelho claro.
  • Pessoas se saem melhor em provas quando estão em salas azuis.
  • Amarelo evoca alergria, diversão. Casas com decoração em amarelo ou jardins com flores amarelas são vendidas mais rapidamente.
  • Vermelho e laranja estimula as pessoas a jantarem mais depressa e sairem. Vermelho tem maior apelo para alimentos e influencia as pessoas a comerem mais.
  • Rosa aumenta o apetite e também tem sido usada para acalmar presidiários.
  • Azul e preto inibe o apetite
  • Crianças preferem cores primárias
  • Laranja é muito usado para fazer um produto caro parecer menos caro.
  • Vermelho pode simbolizar poder.
  • Adornos vermelhos são utilizados em bares e casinos para fazer com que as pessoas percam a noção de tempo.
  • Vermelho e preto são geralmente associados à sedução e são as cores favoritas dos sites pornô.
  • Roupas pretas deixam as pessoas mais magras.
  • Preto também é associado à elegância e sofisticação. Também transmite mistério.

Acredito que tudo seria mais fácil se todos os profissionais buscassem relevância em suas atitudes e nas ações de suas empresas. Sem exceção! As empresas estão tomadas pela irrelevância, tire algum tempo para reparar e comprove. Promoções sem nexo, ações sem foco, parcerias sem cabimento.

Um novo livro promete expandir os horizontes marketianos. Relevância — fazendo o que realmente importa. Tim Manners discorre sobre o que é importante para o consumidor de hoje. Abaixo um trecho do livro.

“30 ou 40 anos atrás, isso era muito diferente. Naquela época, pessoas de diferentes classes econômicas tinham expectativas diferentes, mas isso já não acontece hoje. Todo  mundo tem acesso à mesma informação, e basicamente todo mundo quer tudo. Não importa quão novo o produto é, todo mundo quer, e eles irão achar uma maneira de comprá-lo.”(John Fleming, CMO do Walmart)

Idade, raça, sexo e renda não são mais relevantes. A publicidade tem pouca relevância na construção de uma marca forte — o que importa é a experiência, o que acontece na vida real — não na televisão. Manners usa mais de 80 marcas para explicar a relevância  mercadológica, sustentado por 50 entrevistas e opiniões dos mais importantes executivos de marketing da atualidade.

A relevância de Manners é profunda e requer mente aberta para absorvê-la. É um interessante livro de um assunto mais do que importante, fundamental. Mas, antes de mergulhar nessa relevância complexa, é preciso entender a básica, algo que denominei de bom-senso de mercado. A imagem ao lado é um crime hediondo contra essa relevância. Oferecer aparelho auditivo durante um almoço é demais pra minha cabeça.

Leia aqui o primeiro capitulo do livro Relevance Making Stuff That Matters (PDF em inglês).

Como redator, conheço consideravelmente bem os principais editores de texto; WordPad, Notepad, OpenOffice, NeoOffice, TextEdit e Word. Dentre todos esses, posso dizer que nenhum é tão bom quanto o famoso editor da Microsoft — que chegou quase à perfeição na sua versão 2007.

Eu trabalho em um iMac e sou obrigado a aturar o NeoOffice. Eu e ele somos como uma dupla que não se suporta, mas que são obrigados a trabalhar juntos, e trabalhar direito! Que escolha eu tenho?

Em um dia daqueles, algo veio à mente como num instalo Polishop, “seus problemas acabaram com o Microsoft Office para Mac OS X”. Resolvi instalar a versão 2008. Um espetáculo de programa, a começar pelos ícones totalmente diferentes — e muito mais modernos — da tradicional versão para Windows.

O final desta história não é feliz. Devido à exagerada fome por memória RAM do Word, acabei desinstalando o programa e voltando para o meu velho e insuportável parceiro NeoOffice. Pra mim, mais do que nunca está claro que o Mac não é perfeito, e embora o TextEdit seja mais evoluído que o Notepad do Windows, seus editores de textos mais robustos são fracos.

Quando uma marca mundialmente admirada não te satisfaz (em algum aspecto) a alternativa parece ser só uma: correr para o concorrente.

Feliz aniversário concorrente!

16 de setembro de 2008 • TEMAS: Marketing / Propaganda /

A que maravilhoso ponto chegamos.

Em uma  atitude de total maturidade da Ford, a companhia usou a sua sede mundial como cartão de aniversário para dar os parabéns à, igualmente onipotente, General Motors pelos seus 100 anos de existência. Como no mundo dos negócios não há bonzinhos e sim espertinhos, a Ford conseguiu tirar proveito de um fato marcante na história da sua concorrente.

O americano nunca teve medo de usar o seu concorrente na sua propaganda (obviamente que de forma indireta), eles comparam seus produtos com o do concorrente o tempo todo. Afinal, qual a melhor maneira de tentar provar que o seu produto é melhor? 

Partindo desse comportamento de mercado, não é de se estranhar a ação da Ford para o aniversário da sua concorrente GM, que hoje completa 100 anos. Abaixo está o email interno que os funcionários da Ford receberam.

 

Assunto: Iluminação da nossa sede para o aniversário de 100 anos da GM

Alguns anos atrás nós celebramos nosso 100° aniversário nos negócios… e que 100 anos foram esses. Nesta terça-feira, dia 16 de setembro, a General Motors celebrará seu 100° aniversário.

Como demonstração das nossas felicitações e de boa vontade, a parte sul da nossa sede será iluminada nesta segunda à noite.

Isso acontecerá abrindo e fechando estratégicamente algumas janelas específicas da parte sul do prédio. Na segunda, dia 15, por favor não mude a posição ou a direção das suas persianas para assegurar que  a sede esteja brilhantemente iluminada para o 100° aniversário da General Motors. Nós pedimos sua cooperação e agradecemos você por nos ajudar a fazer a Ford Motor Company brilhar.

 

Pode ter certeza que a Ford está brilhando em milhões de telas LCD de computadores, celulares e Blackberrys mundo afora.

Durante anos, empreiteiras, corretores de imóveis e produtores de eventos defenderam que para se construir, vender e planejar; um lugar com teto alto é sempre melhor. Eles estão certos? Até pouco tempo atrás não havia indício algum de que teto alto influenciava ou tinham vantagem com consumidores. Porém, uma pesquisa realizada por um professor de marketing da Universidade de Minnesota, mostrou que as pessoas são realmente afetadas por ambientes de teto alto. (O estudo não abordou lugares a céu aberto.

“Quando uma pessoa está num lugar cujo o teto mede 3m, a tendência é que ela pense de forma mais livre, mais abstrata”, diz o coordenador da pesquisa. “As pessoas podem realizar mais conexões abstratas entre diferentes assuntos. Enquanto que numa sala com teto de 2,4m, as pessoas provavelmente se focarão em assuntos específicos”

A pesquisa demonstra que as variações de altura dos tetos podem evocar idéias que afetam a maneira de como os consumidores processam as informações. O estudo confirma que: tetos altam passam a idéia de liberdade e tetos baixos a sensação de confinamento. A sensação de liberdade torna sua criatividade ilimitada para ir aonde quiser. Já a sensação de confinamento o deixa “preso” a idéias específicas e, por sua vez, mais focado nos detalhes. “Tetos altos podem fazer grande diferença em como o consumidor absorve a informação apresentada”. Ao receber a explicação de um novo produto, por exemplo.

A pesquisa é de grande importância para os diversos segmentos do varejo, que pretendem influenciar processo de compra do consumidor diretamente no ponto de venda, ou mesmo na estratégia de persuasão de um vendedor. Vamos prestar atenção a esse importante “detalhe” nas lojas varejistas. As de teto alto provavelmente sairão na frente daquelas com sufocantes tetos baixos. (Ou não. É tudo uma questão de estratégia.)

Via: Science Daily

A pegadinha do anúncio

11 de setembro de 2008 • TEMAS: Propaganda / Tecnologia / /

Propaganda é uma coisa oportunista, pra não dizer incoveniente que isso todo mundo sabe. Elas interrompem seu programa de TV, suas músicas na rádio, seus vídeos na internet (experimente a TV do Terra) e estão por todo lado em blogs e sites. AdSense que o diga.

O AdSense é algo brilhante. Brilhantemente oportunista. É genial a forma com que as minúsculas propagandas se confudem com o assunto e o layout de blogs e sites. Por outro lado, é triste a tentativa dos blogueiros de induzir seus leitores a clicar “sem querer” em seus anúncios. Geralmente, esse tipo de coisa acontece em blogs, digamos assim, menos profissionais.

Para mim, propaganda é propaganda, conteúdo é conteúdo, tem que haver uma clara distinção entre eles no seu layout. Estou falando de propaganda paga, não de PR Stunt ou coisas do gênero.

Eu nunca clico em links AdSense, mas de vez em quando clico em links patrocinados (AdWords) e banners. O motivo disso é o mencionado acima.

Acho AdSense genial do ponto de vista de sistema. Google sempre criando algo genial. Tão genial que até eu,  que nunca clico em seus anúncios, não só cliquei como assisti todo um video do Google Anúncios. Como isso foi acontecer? Da boa e velha maneira pegadinha do Malandro. Pensei que o video tinha a ver com o assunto que estava lendo em um blog, dei play, fiquei assistindo… até que surgiu um tubo de Rexona feminino.

Que fique claro que eu não estava lendo um blog destinado às mulheres.

Ok, eu caí na pegadinha do “anúncio em forma de vídeo legal”, achei bem interessante por sinal, mas não vou comprar Rexona feminino.