Arquivo de agosto de 2008

Assim é a vida de que vive para o trabalho. Sem graça.

Agências e clientes precisam saber a importância de não “falar” nada às vezes. Há outras maneiras de passar uma mensagem, texto não é a única. Esse é um conselho que vale para tudo; inclusive, só abra a boca se o que você tem a dizer for realmente relevante.

É óbvio que eu não estou falando aqui de conversas entre amigos, parentes ou namorada. Estou falando de ocasiões mais formais, onde cada palavra importa. Aulas, palestras, reuniões, conferências, etc. Não fale besteiras, não seja banal. Mas não esqueça que perguntas são sempre bem-vindas.

Imagine um diálogo seu com um palestrante importante, uma oportunidade única de falar com ele. Você provavelmente irá escolher as palavras a dedo e não irá se alongar muito (ou vai ficar falando só). Na comunicação entre marca-consumidor é a mesma coisa. Deve haver o esforço de “falar” o menos possível — às vezes nem “falar” — e ainda assim passar a mensagem. E quando eu digo falar, me refiro a textos e voz (em TV).

Muitas vezes eu tive que criar algum título ou texto para algo que realmente não precisa; um panfleto, um banner, um anúncio. O resultado é redundância, obviedade e um redator estressado.

Situações em que é muito comum dizer mais do que deve:

  • Materiais de PDV. Banners e cartazes, por exemplo
  • Anúncio com muita informação
  • Panfletos
  • Materiais meramente informativos
  • Não há nada de interessante a ser dito. O famoso “encher linguiça”
Redatores existem para fazer a comunicação mais eficiente possível, mesmo que eficiente signifique não escrever uma linha.

Um recado ao Serasa

25 de agosto de 2008 • TEMAS: Negócios /

A Serasa tem lá seus benefícios, mas é um serviço que não dá retorno concreto aos seus clientes. Seu serviço consiste basicamente em alimentar um banco de dados para que clientes possam consultar antes de aprovar ou não o crédito. Tá, mas e daí? Empresas pagam por um serviço que não dão nada à elas, a não ser a esperança de menos calotes. O que eu quero dizer, é que a Serasa não faz os devedores pagarem suas dívidas (que é o que interessa). Você pode passar anos com o “nome sujo” sem sofrer nenhuma penalidade com isso.

Cobrança é um problema muito complicado. Se o devedor disser que não vai pagar, ele não paga e pronto. O que fazer?

A empresa espanhola O Cobrador de Fraque provou que a criatividade tem solução para tudo. O conceito é simples “ah, não vai pagar? Tudo bem, mas todo mundo vai saber”. Primeiro, a empresa tenta negociar via telefone, caso não haja sucesso, envia cobradores de fraque para fazer as cobranças. Naturalmente, isso faz com que todos saibam que aquele seu colega de trabalho ou seu vizinho não honrou seus compromissos financeiros. O resultado disso é 70% de sucesso. Ou seja, boa parte das dívidas quitadas e grana no bolso, retorno concreto para quem contratou O Cobrador de Fraque. Tudo isso através de um serviço criativo, simples e direto. Acredito que isso esteja faltando à Serasa, por favor alguém dê esse recado!

Inspiração: G1

Propaganda que diverte #2

22 de agosto de 2008 • TEMAS: Propaganda /

Porque hoje é sextaaaa! (E acordo às 06:30h do sábado, que belezaaa)

1. “Leia mais”

2.”Para resolver os problemas de casa e aqueles que acham que estão dentro dela.”

3.”Para todo os tipos de problemas: aqueles que você não consegue tirar da cabeça e aquelas que não saem do seu pé.”

Coquetel é antiga mas descolada

21 de agosto de 2008 • TEMAS: Marcas / Marketing /

Este ano a Coquetel completou 60 anos. Uma marca antiga cujo os produtos são basicamente os mesmos da época dos nossos avós, tinha tudo para já estar no céu das marcas. Mas ela continua forte e viril graças a uma estratégia bem feita e alta adaptabilidade à inovação. Lembra do Quem Mexeu No Meu Queijo? A Coquetel parece ter seguido os conselhos de Spencer Johnson, não se acomodou e tratou de se adaptar às mudanças.

O SimViral comentou hoje sobre uma ação interessante da Coquetel, uma espécie de palavras-cruzadas Geek, composta só com palavras voltadas ao mundo virtual (e viral) e, principalmente, aos blogs. A propósito, a Coquetel possui um blog, o que deixa mais evidente a estratégia de ser uma marca antenada e jovem (o que conta é o espírito, ok?). A Coquetel é como você, bloga no Blogspot, escreve pro Twitter, ri com as brincadeiras do Jacaré Banquela, pensa com o Inagaki no Pensar Enlouquece e se descontrai com o Sedentário&Hiperativo. A Coquetel vai além ao utilizar os serviços que só os mais antenados conhecem, como o TinyURL.

Voltando à interessantissima ação, a palavras-cruzadas, que você pode conferir aqui, traz os mais famosos blogs e seus criadores além de grandes hits do YouTube como Tapa na Pantera e Jeremias. Dá pra imaginar o que eles conseguiram ao fazer isso? Atrair a atenção dos principais blogueiros do país e dos seus leitores. Medalha de ouro pra Coquetel! (comentário mais inoportuno, hein?) Agora você não pode mais reclamar que não sabia qual era “a base da economia sergipana” com 4 letras.

Sou bastante contra postagem de videos em blogs — prefiro me focar em conteúdo —, mas este video que vi no blog do Leandro Marques é realmente genial. A maioria de nós convive com algo que nem sabe o que é, muitos nem mesmo ouviram fala dela. A internet 2.0. Se você está familiarizado com Flickr, blogs, tags, Orkut, RSS e afins, já pode arriscar um palpite.

O fictício video tenta aplicar os recursos da internet 2.0 a um supermercado, mudando drasticamente o processo de compra. Assista!

Já lançaram algum sistema de atendimento feito 100% por computador e eu não to sabendo? A seguir, vejam a baixa (ou nenhuma) capacidade de interpretação deste atendente de uma empresa de hospedagem, ao tentar responder algumas dúvidas minhas. Quer dizer, ele até respondeu, mas não as minhas perguntas.

Epílogo

Enviei um segundo e-mail, recebi uma resposta profissional e coerente, desta vez de um atendente humano.


Branding x Marketing

20 de agosto de 2008 • TEMAS: Marcas / Marketing

Jonathan Baskin diz:

Se a função do marketing é levar as pessoas a fazer algo, o branding pode ser definido como o esforço de fazê-los pensar algo. Todos nós sabemos — com base na nossa experiência de vida —, que o pensamento (quase sempre) precede a ação.

Logo, branding é a moldura em que o marketing está sendo pintado.

Mais um produto convergente (eu prefiro chamar de frankenstein) chega ao mercado. O teclado-scanner. E como o passado já comprovou, não irá funcionar. Convergência não é grande coisa, divergência sim.

Eu fico me perguntando o que levaria uma pessoa a comprar um teclado desses. Eu só consigo pensar em falta de espaço, mas bota falta de espaço nisso! Talvez na Europa, onde há apartamentos onde você coloca o gabinete e o monitor tem que ficar do lado de fora da janela. Além da extrema falta de espaço, você precisa realmente ter muita necessidade de um scanner, porque barato não é. O preço de $149 é duas vezes mais caro que uma multifuncional HP.

Eu não consigo entender a lógica da Keyscan em entregar algo (caro) que os consumidores não procuram mais, e ainda: em plena era de câmeras digitais e multifuncionais.

A propósito, multifuncional é um raro exemplo de convergência bem sucedida.

Associação de palavras é o jogo que todo redator deveria jogar diariamente. É fácil, divertido e pode ser jogado sozinho, ou melhor, com o seu ego. Visto que não há receita para se tornar um bom redator, esteja certo que um extenso vocabulário é muito útil. Joseph Sugarman dizia — em uma época pré Babylon e Wikcionário — que o dicionário é um grande amigo de todo redator.

O jogo é simples. Você define uma palavra inicial (pode ser uma idéia ou o próprio produto) e vai pensando em outras que tenham relação com a última mencionada. O interessante é que cada vez mais se busca relações distantes, saindo do óbvio. Não há limites para a imaginação, contudo, é importante que se consiga fazer uma conexão entre as palavras pensadas e a primeira.

É possível criar uma rede realmente forte de associações depois de algum tempo. Com vários pontos de partida e linhas de pensamento. Quando você achar que já deu, pare, tome um café, fume um cigarro e volte para escolher aquelas que vão render alguma coisa boa.

DICA : Para complementar o exercício, o leitor Henrique Gibbon indicou o livro Pequeno Dicionário de Idéias. Valeu Henrique!