Muitas empresas deveriam fazer o seguinte:

Aproximar-se do imponente quadro pendurado na parede — como se fosse um troféu– que contém missão, visão e valores da empresa, observá-lo por um tempo e, após um breve suspiro dizer “eu não preciso de você”. Então, retirá-lo cuidadosamente da parede e enfiá-lo em algum armário sem nenhum remorso. No lugar da nunca lembrada missão da empresa, pendure bem grande os 6 princípios do marketing como o quadro acima.

FOCO

Lembram do caso Sony X Nintendo que escrevi algumas semanas atrás? Ele é um grande exemplo de como ter (e manter) foco é fundamental para o sucesso de uma empresa.

SER O PRIMEIRO

Este é sem dúvida o mais conhecido dos princípios de marketing. O problema é que a muitas empresas se preocupam tanto em ser o primeiro que acabam vivendo de ilusão, pois é óbvio que algumas nunca chegarão lá.

O que conta aqui é ser o Nº1 na cabeça dos consumidores. É importante não confundir ser o primeiro no mercado com ser o primeiro na mente do consumidor. Dell e Amazon não foram os primeiros em sua categoria, mas os primeiros a serem percebidos assim e acabaram se tornando a nº1 na mente. A 1ª marca a lançar um novo produto tem a faca e o queijo na mão, mas às vezes aparece uma outra marca que sabe como vender o queijo, e o vendedor acaba ficando mais famoso que o criador.

Procure no mercado por oportunidades de ser o primeiro na mente das pessoas. Um mercado não atendido, um produto com potencial mas pouco explorado. Mateschitz teve criou a sua empresa após uma viagem à Tailândia onde conheceu uma bebida que diziam dar energia. Em poucos anos, o Red Bull se tornou o energético nº1 do mundo todo.

SER O OPOSTO

O que seria da Pepsi se ela continuasse tentando ser a nº1? Se ela fosse vermelha, tivesse uma linha de comunicação baseada na tradição e quisesse ter ainda mais pontos-de-venda do que a Coca-Cola? A Pepsi percebeu que a estratégia do eu-também (ser igual ao líder) a levaria ao fracasso na década de 70, e hoje é o 2º refrigerante mais vendido do  mundo.

Red Bull vem em latas 250ml, Monster veio com 500ml e logo ocupou o 2º lugar no mercado de energéticos. Quando todos os perfumes tinham nomes femininos, a Revlon lançou “Charlie” e durante três anos seguidos foi o perfume mais vendido do mundo.

Ao invés de fazer o que o líder faz, faça o contrário. Como na natureza, uma semente que cresce à sombra de outra nunca ocupou o seu lugar.


DOMINAR A CATEGORIA

O objetivo do marketing não é aumentar vendas, fortalecer marca, ganhar market-share. Eles são apenas pré-requisitos para alcançar o objetivo principal que é dominar a categoria. Essa é a chave para o sucesso, e uma marca forte facilita — e muito — o nosso trabalho. Certifique-se de que a equipe tenha isso em mente e mãos à obra.

VISUAL ÚNICO

Aposto como você consegue diferenciar as duas maiores empresas de logística do mundo mesmo sem enxergar suas logomarcas, só de ver um dos seus veículos na rua. DHL e Fedex são completamente diferentes. Uma é amarela e vermelha, a outra branca com detalhes em azul e vermelho.

Este princípio compreende cores, nomes e formatos. É criar um produto com um bom nome, design memorável e comunicação consistente.

“Desce redondo”, partes metalizadas da Apple, garrafa verde da Heineken, Carlos Moreno do Bombril… todos esses são elementos de um visual único para a marca. Você vê um desses símbolos e automaticamente pensa na marca. A maioria das empresas não podem ser a nº1 da categoria, mas todas podem ser a mais lembrada em alguma coisa.

NOVAS MARCAS

Como continuar crescendo sem perder o foco? A única maneira é criando novas marcas. Nada de baixar o preço, usar um produto classe A para atender C, trocar lojas especializadas por grandes magazines ou criar uma versão premium para um produto popular. Crie uma 2ª marca! Isso não é apenas estratégia de megacorporações como Unilever, Hypermarcas, Votorantim e P&G. É de quem tiver visão e disposição pra fazer o certo.

Inspirado no  FOCVS

Se não fosse por duas coisas, talvez eu nunca tivesse dado chance ao filme Amor Sem Escalas. Mas o fato dele estar concorrendo ao Oscar de melhor filme e ter sido indicado pelo Carlos Faccina despertou a curiosidade que eu precisava.

Pra começar, Amor Sem Escalas não é uma comédia romântica, de amor não tem nada. O título original é Up In The Air. O filme dirigido pelo diretor dos bem-sucedidos “Obrigado Por Fumar” e “Juno” retrata a realidade econômica norte-americana desde a chegada da crise do mercado imobiliário e suas consequências catastróficas para a economia mundial.

O filme gira em torno do desemprego, mas tem uma mensagem mais profunda. Bingham — o personagem do George Clooney — é um executivo responsável por demitir pessoas de empresas cujos chefes não têm coragem de fazer. Então, o filme é cheio daqueles discursos prontos de RH e reações inesperadas de funcionários demitidos. Aliás, muitos dos “atores” não são atores, são pessoas demitidas recentemente de verdade.

Como  muitos podem imaginar, Bingham é um cara frio que passa 320 dias do ano entre aeroportos, hotéis e empresas. Não pensa em ter família, tampouco filhos. Mas em vez de frieza, prefiro chamar de desapego.

Quem nunca conheceu uma pessoa que morreria se perdesse o emprego? Que sentiria vergonha de contar pra família e amigos que foi demitido? E que ficaria perdido ao levantar de manhã sem ter que ir pro trabalho?

Esse tipo de desapego é saudável e no decorrer do filme você percebe que o real trabalho de Bingham é mostrar às pessoas que deixar a empresa depois de 15 anos é uma oportunidade de retormar projetos, experimentar coisas novas e ir atrás de sonhos deixados para trás. Amor Sem Escalas é um filme sobre recomeço, sobre encontrar motivação para continuar a vida mesmo quando o maior de todos os medos vira realidade: o desemprego.

Para terminar, quero transcrever os minutos finais do filme com depoimentos de algumas pessoas reais:

Quando acordei, olhei pro lado e vi minha esposa, isso me deu motivação (…)  Não é sobre dinheiro. O dinheiro te mantém aquecido. Pagar suas contas de luz. Poder comprar um cobertor. Mas nada me mantém mais aquecida do que quando meu marido me abraça. Fazem com que eu me levante, que saia, que procure alguma coisa. Pois meus filhos são a minha motivação. Minha família (…) Esta noite, a maioria das pessoas chegará em casa com cães pulando e crianças gritando. As esposas perguntarão como foi o dia e à noite todos adormecerão. As estrelas sairão de seus esconderijos diurnos. E uma delas, a mais brilhante de todas, será a ponta da minha asa passando por cima.”

Todos os anos, mais 700 mil jovens entram no mercado de trabalho para disputar 2 milhões de empregos — isso quando a economia vai bem, como 2010. A batalha pelo emprego ideal é tão selvagem que ou você está desempregado (8% da população) ou está infeliz. Uma pesquisa já antiga, de 2006, apontou que 42% das pessoas estão insatisfeitas com seu trabalho, e isso é ainda pior nas empresas de pequeno porte, 71%.

Em outras palavras, conquistar o emprego ideal é quase como topar com uma maleta cheia de dólares. Exceto pelo fato que depende de você, não de sorte.

O que você está fazendo para conquistar essa preciosidade?

Milhares de jovens profissionais se inscrevem, todos os anos, em programas de trainee para concorrer a uma quantidade vagas que não enche sequer um auditório. Pior do que concurso público e o vestibular da FUVEST, é se tornar trainee em  uma grande empresa brasileira.

Obviamente, algumas pessoas não são tão ambiciosas assim. Mas até as menos ambiciosas desejam obter sucesso no que faz. Ser o melhor, inspirar outras, ser reconhecido, ter o maior salário, trabalhar no que gosta.

O que você está fazendo para ser um sucesso?

Você lê bastante? Viaja para lugares diferentes? Fica até mais tarde no trabalho para eliminar as pendências?  Mudaria de cidade em busca do seu sonho? Não tem medo de fazer o que os outros nunca fizeram? Tem um blog? Não tem, mas lê vários? Fala pelo menos  um idioma fluente? Dois?

Gosta de aprender coisas novas só pela curiosidade? É inteligente, mais do que isso, possui a tal inteligência emocional que tanto se fala? Você é uma pessoa chata, crítica e nunca distrata ninguém? Reconhece a ideia dos outros? É amigo de todos ou adora uma fofoca e acaba gastando seu tempo com esses venenos organizacionais?

Carlos Domingos falou em seu livro que os melhores talentos são imprevisíveis, impacientes e inquietos. Uma coisa eu tenho certeza, pessoas talentosas não são como todo mundo, não são pessoas comuns.

As pessoas mais bem-sucedidas do mundo são pessoas interessantes com algo a ensinar e muita vontade de aprender. Só se contentam com o melhor e nunca ficam no mesmo lugar fazendo a mesma coisa por muito tempo. Essas pessoas querem o mudar o mundo, mas se satisfazem se conseguirem mudar processos, pessoas, a empresa ou o cliente.

O sucesso requer um esforço gigante, contínuo, e a maioria das pessoas mal fazem o básico. Pessoas assim acabam eventualmente reclamando por não conseguir uma promoção, por estar com o mesmo salário há anos, botam a culpa no “queridinho do chefe” e justificam com a falta de tempo ou dinheiro por seu currículo estar ultrapassado.

“Mas eu não tenho tempo mesmo!” (Ou dinheiro)

Essa é a desculpa mais comum do mundo. Bem, a melhor resposta para esta desculpa eu li do Leo Babauta: Você é responsável pela sua vida!

Se você  não tiver tempo pra começar um projeto particular, fazer um curso, escrever ou qualquer outra coisa que pode fazer você um profissional melhor… Ok! Essa é a sua vida. Enquanto isso tem gente dormindo 5h por dia, chegando do curso as 23h. Trabalhando aos sábados. Morando longe da família. Estudando para provas de trainee. Lendo mais de 5 livros por ano. Resumindo, tem muita gente querendo ser uma pessoa melhor. Se você acha que já é bom o suficiente ou não tem tempo, tudo bem, talvez você não mereça o sucesso.

Continuando a onda dos 5 (se vocês notaram os últimos posts), volto depois de algum tempo a um tema que me agrada: twitter e pequenas empresas. Junto com blogs, o Twitter é uma extraordinária forma de se relacionar com clientes — e futuros clientes. Claro, se usado da forma correta, caso contrário, pode soar falso e passar a sensação de que você só está no Twitter porque todos estão.

Cinco pequenos erros que muitas empresas estão cometendo no Twitter:

  1. A página não é customizada. Comece pelo Twitter a mostrar que você não é como todos os outros.
  2. Não segue ninguém. Você diz que tem o foco no cliente, mas empresas que não seguem ninguém (ou seguem poucos) passam imagem de arrogantes.
  3. Falando sozinho. Twitter pode não ser um chat, mas ainda é um meio de se conectar com as pessoas. Responda perguntas, agradeça, comente. Qual o propósito de usar social media e manter a velha comunicação de uma via só da propaganda tradicional?
  4. Pouca informação. Não adianta ter Twitter se não for pra twittar. Ao contrário do Twitter pessoal, o da empresa deve funcionar com uma ponte entre o virtual e o real.  Além de informações úteis, é preciso das informações básicas como endereço, site, qualquer coisa.
  5. Nenhum benefício. O que as pessoas ganham por te seguir? Dê brindes, descontos, ofertas especiais. Não espere que as pessoas sigam sua empresa sem que você dê motivos para isso.

Via Contrapaul

Note que eu disse sem gastar nada em propaganda, não em marketing. Tem muita gente aí usando marketing como sinônimo de publicidade, o que é um grande erro.

Eu sou publicitário de formação e talvez o único — que conheço — a defender a “não-propaganda”, uma espécie de movimento contra o paradigma de que só é possível aumentar vendas e fortalecer marca gastando rios de dinheiro em publicidade. É justamente por ter trabalhado em agência, e hoje em um grupo de comunicação, que sei o quanto as empresas investem errado em publicidade.

O que eu chamo de movimento (que está mais para uma filosofia) provavelmente surgiu com Al Ries e sua filha no livro “A Queda da Propaganda”, no qual, os Ries defendiam o uso do RP como a nova onda de marketing — assim como foi a propaganda na década de 60.

Lendo uns materiais, tive a (suicida) ideia de escolher 5 livros que dizem o que é preciso saber para se promover a sua empresa (ou seu trabalho ou mesmo você) sem gastar nada com agência, criação de peças e veículos de massa. A propaganda convencional ainda é fantástica, mas é apenas uma entre as inúmeras ferramentas que as empresas têm à  disposição.

Como disse Philip Kotler não muito tempo atrás, hoje não temos mais tempo para “preparar, apontar, fogo”, hoje é “fogo, fogo, fogo”. E a menos que a empresa tenha grana pra investir pesado em publicidade o tempo todo, é preciso descobrir outros meios de não cessar fogo. Vamos aos livros!

Blog Marketing

A importância: Disney, GM, Boeing e Microsoft são algumas das empresa que aprenderam a usar blogs a seu favor. Milhares de outras micro e pequenas estão utilizando a ferramenta para promover seus produtos e criar envolvimento com seus clientes atuais e futuros. A propaganda convencional é uma comunicação de uma via só, o blog veio pra mudar isso. Acrescentando a interação que faltava para criar um diálogo, fortalecer relações e obter feedbacks.

Twitter - influenciando pessoas e conquistando mercado

A importância: assim como no início dos blogs, o Twitter bombou na mídia especializada em negócios. 2009 foi definitivamente o ano em que o Twitter passou a fazer das estratégias e planos de marketing das empresas. O Twitter é uma ótima maneira de informar os consumidores das suas novidades, bem como mais uma forma de diminuir a frieza entre a marca e o consumidor. Se sua empresa ainda não deu bola pro Twitter, em breve os clientes podem não dar bola pra você.

Buzz Marketing & Ponto da Virada

A importância: a propaganda mais valiosa hoje é o boca a boca. Na era de blogs e Twitter, é muito fácil disseminar o seu produto ou a sua ideia. Peraí.. eu disse fácil? De fácil não tem nada, é difícil pra caramba! Mas esses dois livros dão dicas preciosas de como fazer as pessoas falarem de você.

Unleashing the Power of PR

A importâcia: embora não exista similar em português, o que você precisa entender é a ideia contida neste livro. Utilize mais relações públicas, procure fazer brechas para fazer seu produto obter mídia espontânea através de um bom RP. Uma alternativa para este livro é o já citado “A Queda da Propaganda”.

Estratégia Starbucks

A importância: não adianta querer estar na boca dos consumidores se não tem nada de bom a espalhado.  A importância deste livro está em criar uma experiência extraordinária para o cliente, e nada melhor que a Starbucks pra nos ensinar. Ao contrário de 100 anos atrás, as pessoas voltaram a fazer a diferença nas empresas, e essa é a receita de uma cafeteria que tem mais de 10 mil lojas espalhadas no mundo, colaboradores mais felizes do mundo e os clientes mais encantados que já ouvi falar.

Depois de “O Melhor do Mundo”, “Vaca Roxa”, “Todo Marqueteiro É Mentiroso” e “Tribes”, Seth Godin lança seu novo livro chamado “Linchpin”, no qual relaciona marketing com a arte e vida profissional com a vida de um artista. Jackie Huba, autora do blog The Church of the Customer e de 2 livros, entrevistou o carequinha mais famoso do marketing e essa entrevista você lê traduzida aqui.

O que é um linchpin e por que é importante se tornar um?
Um linchpin é uma parte que você não pode viver sem, é o que faz a diferença. Em toda organização existe um (ou vários). Ele pode ser o grande inventor que criou o impossível, porém é mais provável que seja um grande e prestigiado vendedor ou atendente que cria uma conexão, ou um marqueteiro que sabe como contar uma história que se espalha.

Em um mundo pós-fábricas, montar uma linha de produção não é tão importante. Estocar, apertar botões, ler o manual… esses papéis são facilmente substituíveis, papéis em que nem o trabalhador nem a organização ganham (margem) o bastante por isso. Se você quer um emprego satisfatório e seguro, então,  você precisa descobrir como fazer o inesperado, fazer o que realmente importa e criar interações com as pessoas.

Você fala sobre linchpins serem artistas. Qual a diferença entre um profissional de marketing convencional e um que pensa como um artista? Você pode dar um exemplo de um marqueteiro que seja um artista?
Arte, pela minha definição, não tem nada a ver com pintura e tudo a ver com conectar pessoas de um modo generoso fazendo com que a mudança aconteça. Um diretor de cinema faz arte quando ele faz o público chorar. Um designer de produto faz arte quando o modo de usar é melhor do que precisava ser, mais eficiante e até prazerosa.

Profissionais de marketing podem encontrar livros, manuais e PDFs que expliquem direitinho como seguir as regras. Isso é fácil e particularmente nada valioso. Um profissional de marketing se torna um artista quando luta por uma causa, faz o inesperado ou arrisca e faz a diferença.

Eu poderia argumentar que vocês [do blog Church of Customer Blog] fazem arte quando se levantam para falar sobre o conceito do 1%. Ou que Isaac Biz Stone  foi um artista quando descobriu como fazer o Twitter [do qual ele é co-fundador] ser usado de forma massiva. Ou Scott Monty, na Ford, fez com que um carro atravessasse os coquetéis da AutoWeek para entrevistar especialistas em social media. A segunda vez que alguém faz algo é cópia. A primeira é arte.

Nós entendemos como funciona o conceito de “trabalho físico”, mas você enfatizou a importância do “trabalho emocional”. O que você quis dizer, poderia nos dar um exemplo?
Eu não sei sobre você, mas eu não tenho feito trabalho físico há muito tempo. Talvez redigir.

Trabalho emocional é o ato de sorrir quando você está assustado ou pegar um avião quando você está exausto. É sonhar quando você não sente que está sonhando, se importar com o outro quando ele está agindo como um idiota. Trabalho emocional é trabalhar com seu coração, com alma e com seus sentimentos. Nós costumamos achar que isso é fácil, mas não é.  Por outro lado, é muito importante.

Nós amamos a frase “quanto mais fácil de quantificar, menor é o valor”. Você pode nos dizer por que isso é verdade?
Se você pode quantificar, então provavelmente alguém soube como tornar isso normal, comum. E se alguém pode transformar isso em algo normal, alguém sempre poderá fazer isso mais barato do que você pode.

Por outro lado, o que é valioso e custa caro não pode ser quantificado. Coisas como prazer, segurança ou felicidade não são fáceis de mensurar, isso é arte, e arte sempre vale mais do que as pessoas acham que vale.

Nós medimos o quantificável porque nós podemos. Mas nós devemos criar o inquantificável porque é raro.

Nosso cérebro teimoso nos diz “cala a boca. não levante. não fale pra todos ouvirem. se esconda”. Se você quer ser um linchpin, como nós silenciamos essa parte do nosso cérebro?
Steve Pressfield chama isso de resistência. A voz na sua cabeça que destrói a arte. Há várias maneiras de destruí-la. Você pode distraí-la. Forçá-la. Enganá-la. Seduzí-la com pequenos passos. Eu não estou certo qual a melhor técnica, mas eu tenho certeza absoluta que isso precisa ser feito. Meu livro tem apenas um objetivo: fazer você se comprometer com essa tarefa.

Mesmo sem ter lido o best-seller “7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, eu acredito que melhores hábitos tornam as pessoas melhores. Caminhar todas as manhãs, consumir produtos integrais, ler 1livro todo mês, fazer diferente o que você sempre fez igual.

Alguns dos nossos hábitos já fazem parte de nós, são automáticos, outros precisam de disciplina para realizá-los. Se queremos ser um grande profissional,  cidadão ou pai, é preciso fazer isso. Percebi que boa parte dos bons hábitos são mais ou menos o mesmo para todo mundo. Como estes cinco que li e que, coincidência ou não, já aplico na minha vida há algum tempo:

1. Mantenha-se informado: este é provavelmente o mais óbvio de todos os conselhos que você pode receber. Mas o óbvio é frequentemente esquecido, então aqui estou eu para lembrá-lo. Adquira o hábito de se informar. Seja lendo o jornal diariamente, assinando feeds, assistindo telejornais ou mesmo com uma revista semanal como a Veja. É importante saber o que está acontecendo no mundo e no seu mercado de atuação, portanto não basta ler jornais, é preciso ler blogs e revistas sobre o que você faz. Isso lhe dará assuntos para discutir na empresa e fora dela. Bem como conhecimento geral a ser aplicado em todos os campos da sua vida.

2. Compartilhe: Você lê, está sempre informado, tem bastante conhecimento do mundo que lhe cerca e também do mundo. Agora, se você não conta pra ninguém, não está aproveitando todo o potencial de ser bem informado. Lindsey Pollak usou uma analogia bem bacana pra ilustrar isso. Sabe o botão “compartilhe” que está em baixo deste artigo? Imagine que ele existisse em tudo que você lê e vê (fora da internet). Comente sobre algo bacana que você viu, empreste um livro interessante que você tenha lido. Compartilhe o que você sabe (de oportunidades de emprego a conselhos) e as pessoas jamais esquecerão de você.

3. Aprenda: este é um dos hábitos que eu estou sempre me “forçando” a manter. Chega um ponto em que as pessoas se acomodam demais e param de aprender. Quando temos 5 anos perguntamos sobre tudo da vida, por volta dos 12 ficamos curiosos sobre namoro, aos 17 aprendemos o básico para entrar na faculdade. Aos 19-20 vem o primeiro estágio e daí mais alguns anos até conseguirmos um emprego estável. E aí deixamos de aprender. É preciso lutar pra não deixar isso acontecer. Aprenda qualquer coisa sempre! Como cozinhar, praticar aulas de tiro ou formatar o computador.

4. Liste “coisas a fazer” no dia seguinte: eu tenho o incômodo hábito de anotar tudo. Estudo fazendo anotações, leio livros com uma lapiseira na mão anotando as partes mais importantes, anoto ideias de posts pro blog a qualquer hora e mantenho um caderninho em todos os lugares. Claro, que você não precisa ser maníaco como eu, apenas criar o hábito de colocar no papel o que você precisa fazer. Como a lista de supermercado, anote o que você deixou de fazer hoje para retomar no dia seguinte. É simples, prático e útil como lápis e papel.

5. Relaxe: este é um dos conselhos que mais eu dou porque as pessoas estão cada vez mais estressadas e sensíveis aos problemas que se esquecem de relaxar. Todo mundo precisa adquirir o hábito de fazer o que gosta. Seja tirar um cochilo, jogar videogame ou cuidar do jardim. Nunca vá pra cama sem antes fazer algo que lhe dê prazer. Ninguém consegue viver só para o trabalho sem perder o entusiasmo.  Aprender a relaxar é um hábito tão importante quanto levantar todos os dias para trabalhar.

Arte é o que você faz de melhor

25 de janeiro de 2010 • TEMAS: Filosofando / /

Interessante a definição de arte dada por Seth Godin: “Arte não tem anda a ver com tinta a óleo ou mármore. Arte é o que nós criamos quando estamos fazendo nosso melhor trabalho”. Na nossa vida, arte contém três elementos principais:

  1. Arte é feita por humanos.
  2. Arte é criada para ter um impacto, para mudar alguém.
  3. Arte é um dom. Você pode vender um souvenir, um quadro, um disco… mas a ideia em si é grátis, e essa generosidade é a parte mais importante de fazer arte.

Há vários motivos para uma empresa não dar certo, mas acredito que um dos maiores é investir nas coisas erradas. Vamos pegar uma loja como exemplo. O empreendedor ingênuo provavelmente destinará parte do seu investimento inicial à publicidade. Em muitos casos, a grana é tão curta que o efeito é negativo. Agência nada criativa, economia na hora de produzir o material, veiculação no pior horário porque é a mais barata. Tudo isso pra dizer que anuncia. Isso é um exemplo de mau investimento.

Publicidade é pra quem tem dinheiro. Se você não tem ou tem pouco, que é o caso da grande maioria das empresas brasileiras, invista em treinamento. Gaste mais tempo selecionando seus funcionários e dê melhores benefícios que o concorrente.

Recentemente, a Disney encomendou uma pesquisa pra saber o que faz as pessoas não comprarem um produto ou serviço. Em outras palavras, se você entrou naquela loja pra comprar, por que não comprou? O resultado foi na verdade um alerta vermelho:

  • 9% porque morreram ou mudaram para um lugar onde não existe produto;
  • 9% por encontrar similares com preço melhor;
  • 14% por problemas de qualidade com o produto;
  • 68% porque foram mal atendidos pelos vendedores.

É perfeitamente normal deixar de vender porque você não está naquele mercado, porque a concorrência vende mais barato ou até mesmo porque você teve problemas técnicos, pra isso serve SAC e assistência técnica. Porém, é inadmissível que você deixe de vender porque seus vendedores não sabem vender.

Não adianta o gerente ter as obras de Jeffrey Gitomer na cabeceira da cama, ir a palestras do Luppa e dizer “vamos lá pessoal” se seus funcionários nunca leram ou ouviram nada sobre vendas, isto é, nunca foram treinados.

Estamos na era do boca a boca, em que mais de 80% das pessoas confiam na opinião de um colega sobre um produto ou serviço e menos de 30% acreditam no que ouvem no rádio ou TV. Outro problema: é que um cliente insatisfeito fala mal para cerca de 22 pessoas e um satisfeito para apenas 8.

Agora eu pergunto: faz sentido investir em propaganda quando você tem funcionários que não tratam bem os clientes?

O Japão tem um novo bilionário: Yoshikazu Tanaka, que carrega o título do mais jovem bilionário da Ásia. (fortuna conquistada sozinho, sem herança.)

Na posição de Nº18 entre os 40 mais ricos do Japão, Tanaka tem patrimônio estimado em $1.6 bilhões de dólares, quase o dobro da fortuna avaliada 1 ano atrás. Esse milagre se deu ao fato das ações de sua rede social, Gree, dobrarem nos últimos meses.

Depois de se graduar na Universidade de Nihon, Tanaka trabalhou na Sony até entrar na Rakuten, a loja online criada pelo 6º cara mais rico do Japão, Hiroshi Mikitani. Quando ele estava lá, ele criou a Gree só por diversão. Hoje, seu site tem 15 milhões de usuários (quase o dobro de 1 ano atrás) que compram roupas e acessórios para customizar seus avatares.

Tanaka nos faz lembrar mais uma vez que mesmo quando o mundo está passando por maus momentos, jovens empreendedores podem inovar e ficar rico. Ele é mais um da longa linha de magnatas da tecnologia, de Michael Dell a Bill Gates que construíram suas fortunas entre 20 e 30 anos de idade. Hoje, existem 8 pessoas que se tornaram bilionários antes dos 40 graças à tecnologia.

Desses 8, quatro são da China, três dos Estados Unidos e o Tanaka no Japão. Vários ficaram rico com jogos onlines e redes sociais, e todos ainda estão envolvidos nas empresas que criaram.

Para a maioria, como Tanaka, a empresa começou como um hobby e logo rendeu bilhões. O mais jovem desses 8 é Mark Zuckerberg, o já conhecido criador do Facebook. Mark entrou pra esse seleto grupo em 2008, aos 23 anos, tornando o mais jovem bilionário que o mundo já conheceu. Ele criou o site no seu 2º ano em Harvard apenas para seu campus, mas a rede logo se espalhou para outras faculdades e agora possui 350 milhões de membros. Largar Harvard rendeu a Zuckeberg uma fortuna de $2 bilhões que não para de crescer.

Esses empreendedores já alcançaram grande sucesso, mas eles ainda têm um longo caminho pela frente até alcançar Bill Gates, o homem mais rico do mundo.

Em 1987, Gates foi declarado um bilionário na lista dos 400 homens mais ricos da América, com $1,25 bilhões. Alguns dias antes do seu 32º aniversário. Gates está na lista há mais de 20 anos, mas não foi assim para todo mundo.

Jerry Yang e David Filo, os criadores do Yahoo! estavam com 30 e 32 anos, respectivamente, quando se tornaram bilionários em 1999. Com o estouro da bolha,  suas fortunas passaram a valer menos de 10% do que em 1999. Ambos voltaram à lista em 2003, mas jamais chegaram perto de rever os $6 bilhões de dólares que tinham no ano 2000.

Analisando hoje, quem está mais próximo de ser o próximo Bill Gates na verdade são 2… adivinhem.  Os criadores do Google é claro: Sergey Brin e Larry Page. Em março passado [quando saiu a última lista Forbes], eles eram os 26º mais ricos do mundo, com $12 bilhões cada. Perto do final de 2009, a dupla já possuía $15,3 bilhões.

Mesmo que esses jovens nerds não alcancem Gates, eles continuarão sendo os criadores das empresas que mudaram a maneira como socializamos, agimos e navegamos. Chen Tianqiao, o bilionário CEO da companhia chinesa Shanda Interactive, disse a Forbes em maio de 2005: “como empreendedor chinês, eu respeito Bill Gates, mas eu quero ser o Chen Tianqiao da China, não o Bill Gates da China”.

[Artigo traduzido do original publicado na Forbes]